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domingo, 31 de outubro de 2010

O psicodrama na área de RH

O psicodrama na área de RH

O psicodrama pode ser considerado uma via de investigação da mente humana, mediante à ação. É um método de pesquisa e de intervenção nas relações interpessoais, nos grupos, entre grupos ou de uma pessoa consigo mesma. Vivencia a realidade a partir do reconhecimento das diferenças e dos conflitos, facilitando a busca de alternativas para a resolução do que é revelado, expandindo os recursos disponíveis. Criado pelo médico Jacob Levy Moreno, esse método vem sendo utilizado na área clínica, na educação, em comunidades e em organizações. No caso específico das empresas, o psicodrama pode ser uma ferramenta auxiliar nos processos de recrutamento e seleção e na área de treinamento e desenvolvimento. Para conhecer um pouco sobre a proposta desse método e de sua aplicação em Recursos Humanos, o RH.com.br conversou com a psicóloga Vânia Lúcia Andrade que há dez anos utiliza o psicodrama no dia-a-dia organizacional e há três anos o aplica para fins didáticos, em faculdades. Confira a entrevista!
RH.COM.BR - Como o psicodrama pode ser trabalhado nas organizações?
Vânia Lúcia Andrade - No psicodrama trabalhamos a representação de papéis. Numa organização, por exemplo, o papel pode ser de um gerente, um coordenador ou um colaborador. Como tendemos a cristalizar papéis mediante às pressões sociais, o psicodrama busca desenvolver a espontaneidade e trabalhar a rigidez dos papéis. É a vivência do "tele" - relação télica - que é a capacidade de empatia, de "estar junto" e de interação com o outro. Como o psicodrama se constitui, dentre outras técnicas, de uma dramatização de conflitos, adota-se temporariamente um determinado papel e dentro de uma dada situação os participantes atuam livremente, expressando seus sentimentos para melhor compreendê-los.
RH - Qual a proposta desse método?
Andrade - Quando Jacob Levy Moreno criou o psicodrama, ele se constituia de uma prática específica para a terapia de grupo. Porém, sua eficácia terapêutica, através da encenação de conflitos, levou o método a ser utilizado, além da clínica, em outras áreas de atuação e chegou às escolas, às empresas, aos hospitais, entre outros. A proposta é aplicá-lo em campos onde existem problemas de relações humanas e de comunicação como, por exemplo, entre dirigente e dirigido, pais e filhos, homem e mulher, colegas de trabalho ou mesmo junto a pessoas que apresentem alguma problemática social.
RH - Quando e como esse método passou a ser usado no Brasil?
Andrade - Inicialmente, o psicodrama foi utilizado em uma escola pública, com a utilização de bonecos com a direção de Ofélia Boisson Cardoso, onde eram traduzidas emoções e desordens psíquicas de pequenos transgressores. Em 1930, foi utilizado na escola de aperfeiçoamento pedagógico de Belo Horizonte, onde as professoras e as alunas utilizavam o teatro de bonecos - uma das técnicas do psicodrama - para a reeducação, sob orientação de Helena Antipoff. Em 1949, o Dr. Guerreiro Raos, ligado ao Dr. Jacob Levy Moreno, criador do psicodrama, conduziu um seminário no Rio de Janeiro onde esse método foi um dos temas relevantes. A partir dessa época, o psicodrama se expandiu, o professor Pierre Weil realizou experiências com o psicodrama aplicado em treinamento no SENAC/RJ. Na década de 70, foi fundada a SOBRAP (Sociedade Brasileira de Psicoterapia, Dinâmica de grupo e Psicodrama) e a FEBRAP (Federação Brasileira de Psicodrama) que formam especialistas e organizam eventos referentes ao tema.
RH - Qual a diferença entre psicodrama e dinâmica de grupo?
Andrade - As técnicas e a teoria são diferentes. Quanto aos objetivos dessas, podemos utilizar ambos para um mesmo objetivo. Vamos esclarecer: o psicodrama se utiliza da representação de papéis. Por exemplo, um protagonista representa a fala do colaborador motivado e o outro do desmotivado dentro da empresa. Tratamos uma questão problemática ou de conflito vivida pelos protagonistas. O foco é o problema vivido. A dinâmica de grupo também pode trabalhar conflitos, porém, se utiliza de técnicas vivenciais que facilitem este trabalho. Selecionamos previamente técnicas que favoreçam a melhora do desenvolvimento do grupo na questão a ser trabalhada. O foco não é a representação e sim a vivência. Os recursos utilizados podem ser além da fala, o material pedagógico, dentre outros. Ou seja, no psicodrama corresponde a aprender representando e na dinâmica de grupo se aprende vivenciando.
RH - De que maneira podemos identificar qual o momento certo para se usar o psicodrama ou a dinâmica de grupo?
Andrade - O psicodrama requer um lugar adequado e reservado, um profissional preparado e um tema. Com apenas um participante você pode aplicá-lo. A dinâmica de grupo, muitas vezes, requer uma seleção prévia de técnicas e de material. Requer um grupo de pessoas para sua aplicação. A identificação do melhor momento para usar o psicodrama ou a dinâmica de grupo vai de encontro à disponibilidade de materiais e de tempo, envolvendo também a quantidade de participantes. Se você precisa desenvolver uma equipe por exemplo, você pode usar várias sessões psicodramáticas/sociodramáticas ou várias técnicas de dinâmicas de grupo com este objetivo. Ou mesmo, desenvolver o grupo ora aplicando o psicodrama e ora a dinâmica de grupo. Esta aliança produz ótimos resultados.
RH - Em que casos o psicrodrama pode ser usado pela área de RH?
Andrade - Podemos utilizar o psicodrama nos processos de recrutamento e seleção e na área de treinamento e desenvolvimento organizacional. Dispomos, por exemplo, da cena dramática para auxiliar na administração de conflitos dentro da empresa, na tomada de decisão e na minimização de barreiras da comunicação. Também utilizamos esse método como catarse - pôr para fora os problemas vivenciados ou mesmo preparando um colaborador para vivenciar situações futuras a exemplo de um gerente nomeado que vai tomar posse de seu cargo. O psicodrama ajuda também a treinar o autocontrole. A dramatização - role-playing - que é a representação teatral para fins didáticos, pode trabalhar situações que envolvem funcionários que costumam chegar atrasados, pessoas mal-humoradas, e coordenadores autoritários, sempre vivenciando os papéis para melhor compreendê-los.
RH - Em que situações a Sra. já utilizou o psicodrama no dia-a-dia organizacioal?
Andrade - Já utilizei o psicodrama para ajudar dois colegas de trabalho de um determinado setor que, apesar de parceiros, entravam em conflitos nas tomadas de decisão e estavam se desgastando com discussões. Os funcionários dramatizavam uma situação - role-playing - e enquanto facilitadora atuava como ego-auxiliar, assumindo temporariamente o papel deles, ajudando a clarear os sentimentos, as percepções de ambos e a mensagem contida nas entrelinhas que não estava sendo expressada durante as discussões. Também já apliquei em simulação de vendas, onde o psicodrama serviu para o desenvolvimento da empatia. Os protagonistas viveram papéis alheios. Por exemplo: o vendedor virou cliente e vice-versa. Na ocasião, houve um verdadeiro treinamento da capacidade de um se colocar no lugar do outro.
RH - Esse método pode ser aplicado individualmente ou também pode ser trabalhado em grupo?
Andrade - Podemos trabalhar nos dois casos. Quando a pessoa precisa de ajuda, podemos colocar uma cadeira ou uma almofada para simbolizar o outro e, em forma de monólogo, ela expressa o que a aflige. Em grupo, cada membro desempenha um papel respeitando o tema proposto. O efeito terapêutico é o mesmo em ambos os casos, porque vale a intensidade com que o participante se coloca na sua representação e o auxílio prestado pelo psicodramatista. É bom lembrarmos que antes da representação ocorre a fase do aquecimento e após, ocorre a de compartilhamento.
RH - Quais as vantagens que esse método oferece para as organizações?
Andrade - Além do método não exigir maiores custos, uma única sessão pode ajudar a enxergar vários pontos obscuros da dinâmica das relações dentro da empresa. O que é vivenciado, em uma sessão de psicodrama, é mais intenso do que é apenas falado como, por exemplo, numa sessão de aconselhamento psicológico. Com os problemas resolvidos o colaborador vai canalizar suas energias para o trabalho e não para as relações que o angustiam.
RH - Que tipo de conseqüências o uso inadeqüado desse método pode causar?
Andrade - Quando aplicamos o psicodrama, ou outra técnica que envolva pessoas, precisamos ter uma formação especializada em instituições competentes com estudos aprofundados sobre o comportamento humano, além de uma experiência prévia. Não há espaço para o improviso. É imprescindível a competência profissional e pessoal, pois lidar com ser humano é arriscar-se. Os erros cometidos podem trazer prejuízos irreversíveis, portanto não há justificativa para o amadorismo. Não sabemos o que o método pode desencadear em cada pessoa, mas sabemos que o profissional tem que dar conta para contornar o que foi desencadeado, a fim de que não fiquem questões mal resolvidas. Numa organização, o mau uso pode ser desastroso, agravando conflitos e problemas, ao invés de solucioná-los.
RH - Quem está apto para conduzir esse método?
Andrade - Os psicodramatistas geralmente são psicólogos e psiquiatras que fizeram uma especialização na área. Estudantes de psicologia do terceiro ano já podem iniciar sua formação. É recomendável que já tenha passado ou esteja em terapia pessoal. Dominar técnicas de dinâmica de grupo ou atuar como terapêuta de grupo favorecem sua formação.
RH - O psicodrama precisa ser trabalhado em conjunto com alguma outra ferramenta?
Andrade - Uma situação de conflito, de um indivíduo com outra pessoa do grupo, pode ser resolvida com uma ou algumas sessões psicodramáticas, sem que seja necessário utilizar outras ferramentas. No entanto, para desenvolver uma equipe, melhorar a eficácia da comunicação da mesma ou recrutar pessoas é importante a utilização de outras técnicas como a dinâmica de grupo, jogos de empresa para aquilatarem o trabalho.
RH - A utilização do psicodrama é suficiente para traçar o perfil de um profissional?
Andrade - Quando vamos traçar o perfil aliamos várias ferramentas e o psicodrama pode ser uma delas. Mas, é bom lembrarmos que não podemos dispensar uma entrevista bem conduzida com profissionais capacitados e a utilização de técnicas de dinâmica de grupo, dentre outras ferramentas. Dependendo do cargo, uma bateria de testes de habilidades e testes psicométricos também ajudam a traçar um perfil profissional mais fidedigno.
RH - Apesar de ser um método de baixo custo e de retornos significativos, notadamente em R&S e T&D, por que os áreas de RH das empresas não utilizam o psicodrama com mais freqüência?
Andrade - Acredito que um dos fatores seja a falta de especialistas, pois nem todos os profissionais que atuam na área de Recursos Humanos se prepararam para aplicação do psicodrama. Outro motivo, seria a falta de uma maior divulgação, por parte dos profissionais de RH, dos resultados alcançados por essa técnica. Muitas vezes, o gestor de recrutamento e seleção, de treinamento ou de RH faz uso apenas do que ele domina, utilizando outras técnicas para o desenvolvimento do seu trabalho dentro das organizações como , por exemplo, as dinâmicas de grupo e os jogos de empresa.
Bibliografia
Para iniciantes
ALMEIDA, Lúcia. O Trabalhador no Mundo Contemporâneo - Psicodrama nas Organizações. Agora.
BUSTOS, Dalmiro M. Psicodrama: aplicações da técnica psicodramática. São Paulo: Summus, 1982.
MORENO, J. L. Psicodrama. São Paulo: Cultrix, 1975.
ROJAS-BERMUDEZ, Jaime G. Introdução ao psicodrama Edição: 3. São Paulo: Mestre Jou, 1980.
Para quem desenvolve a técnica
HOLMES, Paul (org.); KARP, Márcia (org.); WATSON, Michael (org.). Psicodrama após Moreno: inovações na teoria e na prática. São Paulo: Agora, 1998.
PERAZZO, Sérgio. São Paulo: Agora, 1994.
Livros práticos
D'ANDREA, Flavio Fortes. Psicodrama Teorias e Tecnicas. Bertrand Brasil.
DIAS, Victor R.c.Silva. Psicodrama - Teoria e Pratica. Agora.
MACHADO, Maria Clara; ROSMAN, Marta .Cem jogos dramáticos: teatro. Edição: 2. Rio de Janeiro: Agir, 1996.

sábado, 30 de outubro de 2010

Os dramas da mente

Desenvolvimento
Os dramas da mente

As artes cênicas desenvolvem, por meio da dramatização, o desempenho pessoal e profissional de leigos e até de psicólogos

Por Anderson Fernandes de Oliveira
◆ Assista a uma aula de teatro e veja como ela pode ser interessante. O vídeo chama-se Matéria Timidez, e mostra um pouco de como funcionam as aulas em cursos de artes cênicas. Ele está disponível gratuitamente no You Tube e foi produzido por Programa Fuzarka - Band minas.
A mente vive nos pregando peças. Quantas vezes nos deparamos com situações em que não conseguimos controlar nossa ansiedade, nossa angústia, nosso medo? Falar em público, por exemplo, pode ser um desafio assustador, abrindo a possibilidade de trazer consigo todos esses sentimentos citados. Contudo, isso pode ir além de um quadro de simples timidez: pode ser um bloqu
eio, um problema muito maior. Quando chega a hora iminente de se apresentar diante de outros, os riscos de passar por uma situação constrangedora são grandes.
Geralmente, este tipo de situação está ligado à infância e à adolescência, quando se iniciam os primeiros trabalhos escolares que exigem exposição. Mas essas travas podem ultrapassar as barreiras acadêmicas e prejudicar o campo profissional de diversas pessoas, inclusive psicólogos.

PSICODRAMA NA PRÁTICA

Jacob Levy Moreno (1889-1974) criou a concepção de que podemos definir a alma hu- 58 psique ciência&vida mana por meio da ação, intitulada Psicodrama. É um método de pesquisa e intervenção nas relações interpessoais entre grupos ou de uma pessoa consigo mesma. Ele também idealiza a Sociometria, que focaliza o próprio grupo, diferentemente da técnica de Psicodrama, com foco no indivíduo no trabalho dramático.
Moreno sonhava com a transformação social e do trabalho. Já no começo do século XX, ele ia às praças públicas de Viena e interagia com a comunidade, provocando sua plateia a descobrir novas formas de estar no mundo. A Filosofia do momento, que embasa a teoria e a prática psicodramática, configurou-se por sua observação do potencial criativo do ser humano.
Em grego, drama significa "ação", portanto. Psicodrama pode ser definido como uma via de investigação da alma humana mediante a ação. Mas, na prática, será que essa técnica seria capaz de desenvolver um indivíduo com os bloqueios sociais que o limitam às apresentações em público?

Muitos profissionais, até mesmo psicólogos, têm uma grande barreira mental que os atrapalham - ou impedem - de se apresentar em grupo
Marília Ferreira é atriz e se envolveu com arte há pouco mais de três anos. Ela diz que na infância tinha sérios problemas em se envolver com os grupos escolares. Mais que isso, tinha dificuldade de se expressar e era muito introvertida. Este problema, na fase adulta, foi sanado graças às aulas de teatro. Nelas, Marília destaca os "jogos teatrais", que buscam trabalhar a exposição da pessoa. "Eles nos fazem agir algumas vezes de maneira boba diante de algumas pessoas, mas justamente para que haja uma quebra nos bloqueios da timidez. Aos poucos, e com muito trabalho, esse bloqueio vai desaparecendo começamos a desenvolver melhor um lado 'cara de pau' por assim dizer. Você fica mais preparado para agir quando for solicitado", explica a atriz.

TÉCNICAS CÊNICAS

Para extravasar a timidez, portanto, pessoas têm como alternativa as aulas de teatro. Para a jovem atriz Marília, na didática em palco há um grande desenvolvimento pessoal, mas isso depende e varia de acordo com os limites de cada pessoa. "Teatro é autoconhecimento, e não um psicólogo que irá discutir seus problemas mais íntimos", ela comenta. Tendo em vista ideários como este, algumas escolas de teatro estão adotando técnicas do Psicodrama de Moreno, com o intuito de embasar ainda mais as disciplinas do curso.
Com mais de 13 anos de experiência como consultora na área de relacionamento com o cliente, ministrando diversos módulos de treinamentos para atendentes, supervisores e gerentes de empresas de Call Centers, a psicóloga Roseli de Freitas, especializada em Telemarketing pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), ressalta a importância da abordagem cênica para o aperfeiçoamento da desenvoltura pessoal, que reflete direto no campo profissional.
Sobre os desafios que as pessoas enfrentam na hora de se apresentar, relacionar-se e desenvolverse com outras, Roseli considera o medo o maior deles. Medo da exposição, de errar, de ser julgado, de não ser aceito, de sentir-se rejeitado. Em processos seletivos, por exemplo, a psicóloga observa que muitas pessoas com talento perdem grandes oportunidades por não terem coragem de se expor, de correr riscos. Padrão esse que pode ter sido aprendido com base em um modelo rígido de educação, em busca da perfeição.
Roseli, trabalha com a autoestima das pessoas que lidam, antes de tudo, com a emoção de alguém que está do outro lado, com o cliente.

MUITAS PESSOAS COM TALENTO PERDEM GRANDES OPORTUNIDADES POR NÃO TEREM CORAGEM DE SE EXPOR, DE CORRER RISCOS

Para esse trabalho, ela adotou alguns procedimentos técnicos, como, por exemplo, simulação, dinâmica, jogos e dramatização.

APERFEIÇOANDO PROFISSIONAIS PSI

A situação curiosa que vem acontecendo é quando os psicólogos recorrem a essa prática, seja para romper as barreiras e travas sociais, ou na intenção de aperfeiçoar as suas já adquiridas técnicas de entrosamento e comunicação. Foi o caso da psicóloga Roseli, que encontrou em uma escola de teatro, as técnicas que precisava para aperfeiçoar o seu trabalho.
Ela diz que o curso influencia de modo direto a sua profissão. "Quando decidi procurar um curso de teatro estava em busca de novas dinâmicas, técnicas e metodologias que eu pudesse aplicar nos treinamentos para profissionais das áreas de Call Center e de cobrança por telefone. Pude, por meio da aplicação das técnicas que aprendi, facilitar o aprendizado dos 'treinandos'", explica.
Para a psicóloga, o desenvolvimento cênico como potencializador na formação de um indivíduo é uma grande oportunidade de vivenciar algo que, muitas vezes, ele não se permitiria experimentar em seu cotidiano, por causa de seus bloqueios. É como se ele, num primeiro momento, estivesse apenas emprestando seu corpo para um personagem. Mas, na realidade, ele está entrando em contato com conteúdos seus, que jamais havia pensado. E entrar em contato é construir ou reconstruir uma experiência nova, poder mudar uma atitude, trazer uma nova forma de ver o mundo e agir.
Vagas que exigem uma postura de extroversão, por exemplo, são alguns dos desafios para pessoas com esses bloqueios. Segundo Ana Paula Gimenes, psicóloga pela Universidade de São Francisco e pós-graduada em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações, pela PUC-Campinas, existem casos de pessoas tímidas que se saem bem em um cargo que exija desenvoltura, porém, exige um treino para isso.
Ela acredita que essas pessoas deverão ter um esforço maior para se sobressair e, com esse, superar-se constantemente. "Temos exemplos de garotos que vêm para o primeiro emprego (como empacotador), e são mais 'acanhados', mais tímidos, e com a necessidade do dia a dia em ter de entrar em contato direto com os clientes, desenvolvem esta habilidade, se destacando mais, conquistando promoções dentro da empresa", afirma a psicóloga que trabalha no RH de uma rede de supermercados.

METODOLOGIA BRASILEIRA DE ENSINOS

As dificuldades que as pessoas apresentam em sua vida pessoal são refletidas em seu trabalho no palco. Com isso em vista, Leonardo Calixto, diretor da Escola E.I.T. (Espaço de Interpretação Teatral), que reúne outros dois grupos voltados à arte e ao desenvolvimento pessoal, idealizou uma metodologia de ensino exclusiva e visionária, chamada Cultura de Performance. "Comecei a preparar os atores não apenas para o trabalho ao qual eram contratados, e sim para a carreira. Para isso, focava sempre no desenvolvimento pessoal e obtinha os melhores resultados no palco. Claro, tudo isso sem negligenciar as técnicas imprescindíveis das artes cênicas", explica Calixto, sobre seu processo de criação.
Ele desenvolveu uma metodologia que além de potencializar o desempenho dos profissionais, consideraria o meio que eles estão inseridos, sua cultura. "Cansei de atender executivos com ótimo desempenho, mas que quando trocavam de instituição financeira se viam surpresos com as dificuldades de desempenho que tinham na nova instituição; alguns a ponto de não conseguirem se desempenhar, não permanecendo no cargo, tudo isso apenas por desconsiderarem a nova cultura a que estavam inseridos", afirma o empresário. Desta forma, ele concluiu que performance não é nada sem a cultura, originando o nome da metodologia: Cultura de Performance.
O curso está aberto para todos os públicos, mas os psicólogos profissionais de RH podem se beneficiar muito com ele. A Cultura de Performance dispõe de técnicas e ferramentas de gestão de pessoas, que auxiliam o profissional de recursos humanos nessa empreitada de identificar e preencher as necessidades comportamentais do mundo corporativo, da forma mais humanizada possível. Dentre as ferramentas, estão o Assessments, que prepara o psicólogo para analisar o perfil comportamental, e o Feedback, dedicado a fortalecer aprendizados, minimizando limitações.

Participam dos cursos desde diretores de multinacionais até profissionais liberais, como médicos, engenheiros e psicólogos. Todos com objetivo de desenvolver sua habilidade de comunicação

Em busca de aperfeiçoar seu trabalho dentro da empresa, Ana Paula também procurou ajuda de uma escola de teatro para trabalhar seus métodos. Segundo ela, profissionais que lidam com Recursos Humanos estão sempre em contato com pessoas, expectativas e emoções, e o curso a auxiliou conhecer mais de si mesma e, desta forma, tornar-se mais apta a ajudar outras pessoas.

O LADO DE DENTRO

Autoconhecimento, para entrar no ciclo de aprendizado contínuo, e astúcia política, ou seja, saber se colocar em qualquer situação, sendo sempre um profissional com equilíbrio são fatores fundamentais para aperfeiçoar a desenvoltura social de um indivíduo no local de trabalho, apontados por Andréa Mônaco, psicóloga, atriz, coordenadora responsável pela elaboração, aplicação e acompanhamento de Programas de Treinamentos e Desenvolvimentos (T&D) focados em Comunicação, coaching e coordenadora geral de consultores de desenvolvimento pessoal e profissional da HomineArt, consultoria de capital humano.
Andréa já treinou diversos executivos e colaboradores de grandes empresas e multinacionais e cita que o departamento de pessoal de uma empresa pode adotar três processos facilitadores no desenvolvimento de seus funcionários. "O primeiro passo é criar na empresa uma cultura de que não existem erros, apenas aprendizados. Em segundo lugar, formular um T&D conforme as condições financeiras da empresa (budget) e o público alvo (target) fundamentado na cultura sugerida, para desenvolvimento dos envolvidos. E, por fim, preparar o ambiente corporativo para aceitar as mudanças comportamentais daqueles que estão neste programa de desenvolvimento."
Ela considera que todos, sem exceção, conseguem potencializar os seus "eus", tornando-se mais comunicativos, por meio dos treinamentos em cursos de artes cênicas. Isso também é válido até mesmo para os mais tímidos. O fato a se destacar é que algumas pessoas têm mais facilidade do que outras para se entregar ao processo das aulas e, por isso, colhem os resultados mais rapidamente, uma vez que não existe dificuldade de aprendizado, mas sim de entrega. Mas, segundo a professora e psicóloga, invariavelmente, todos atingem os objetivos a que se propuseram.
Entretanto, ela afirma que nem sempre timidez e introversão são fatores desencadeantes de um bloqueio nas relações sociais. "Atendi, certa vez, um executivo do sistema financeiro que não conseguia se desempenhar em suas reuniões e apresentações por ficar demasiadamente preocupado com o que seus pares e líderes estavam pensando a seu respeito. Esse é o medo da desaprovação, o mais comum limitador no desenvolvimento pessoal e profissional. Digo que 95% dos nossos 'treinandos' possuem esse bloqueio por não se autoconhecerem o suficiente", revela Andréa.

PSICODRAMA E SUAS REFERÊNCIAS LITERÁRIAS

Loucos em cena
O psiquiatra José Fonseca analisa e entrelaça a filosofia dialógica de Martin Buber e as teorias psicodramáticas de Jacob Levy Moreno. Essa análise, somada à experiência clínica, permite ao autor expor sua visão da loucura e da sanidade, esboçando a teoria do desenvolvimento da personalidade. Indicado para profissionais das áreas psi, educadores e pessoas interessadas em filosofia e religião.
Psicodrama da loucura - Correlações entre Buber e Moreno Por: José Fonseca. Editora Ágora


Drama atual
O livro organizado pelo psicodramatista estadunidense Jacob Gershoni, , traz a contribuição de autores de diversas partes do mundo, Eles escrevem sobre sua prática clínica com famílias, crianças, adolescentes e minorias, bem como sobre o uso do psicodrama em ambientes educacionais e na área jurídica. Apresenta também as mais modernas aplicações do psicodrama e retoma a contribuição de Moreno para a psicoterapia de grupo
Psicodrama no século 21 - Aplicações clínicas e educacionais Por: Jacob Gershoni. Editora Ágora
                                                                                                                      
Cérebro em foco
Fundamentando os pressupostos básicos da teoria de Moreno e das contribuições de Jaime Guillermo Rojas- Bermúdez com estudos da neurociência, a obra aborda o relacionamento terapêutico e os mecanismos de mudança numa perspectiva neuropsicológica. Também menciona, com casos clínicos, a técnica da construção de imagens e discute diretrizes para o psicodramatista contemporâneo.
Psicodrama e neurociência - Contribuições para a mudança terapêutica Por: Heloisa Junqueira Fleury, Georges Salim Khouri e Edward Hug. Editora Ágora


Caminhos brasileiros
O livro recupera a história do psicodrama brasileiro desde seus primórdios, contextualizando o movimento social. Aborda a chegada do psicodrama no Brasil, a resistência à ditadura militar, a criação da Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap) e da Revista Brasileira de Psicodrama, os congressos bianuais e alguns eventos fundamentais para a expansão do movimento, bem como seus precursores no Brasil e a influência de outras áreas do conhecimento sobre eles.
Psicodrama brasileiro - História e memórias Por: Júlia Motta. Editora Ágora
Contudo, para Cintia Balsinelli, psicóloga do departamento de Recursos Humanos da editora de livros Larousse, buscar aperfeiçoar a desenvoltura por meio das artes cênicas não é suficiente para pessoas com dificuldade em entrosamento. Ela ressalta a importância das artes teatrais para a mente e cognição de um indivíduo, mas avalia que saber entender-se e conhecer-se é o que vai garantir que possíveis dificuldades sejam realmente sanadas, ou seja, procurar ajuda de um psicólogo.
De qualquer maneira, Cintia acredita que o palco sirva para aprimorar nossa comunicação sobre diversos aspectos, o que facilita muita coisa no nosso dia a dia. Para ela, a comunicação é, hoje, nosso maior trunfo. Saber ouvir e observar faz parte desta comunicação e estas técnicas são amplamente ensinadas nestes cursos. "Jacob Levy Moreno trabalhava muito com o Psicodrama, que é uma técnica de tratamento grupal. Ele acreditava que por meio da dramatização de temas específicos, o paciente conseguiria não só interagir com o grupo, mas também aprender com ele. De forma simples e objetiva, os temas eram 'vivenciados' pelos participantes de forma a explorarem suas emoções e conflitos", reflete a psicóloga.
Cintia também revela que, na área de Recursos Humanos, por exemplo, estas técnicas são utilizadas em seleção de pessoal e também em treinamentos corporativos, pois permitem a vivência do conflito, exploram a espontaneidade e fazem que os participantes revivam o seu papel dentro da organização.

EM CIMA DO TABLADO

Os jogos dramáticos são uma das formas para soltar os personagens inconscientes dos indivíduo. É o momento do autoconhecimento

No Psicodrama, o compartilhamento de histórias permite recriar um acontecimento e vê-lo de outra forma, além de compartilhá-lo de forma a criar uma realidade semelhante a todos. Isso permite reviver o papel da pessoa dentro da sociedade e aprimorá-lo a fim de resolver conflitos internos e/ou sociais.
Se pegarmos alguns pontos da teoria do Psicodrama, poderemos entender o porquê de os cursos em artes cênicas serem tão procurados para casos de dificuldade de expressão e envolvimento social. A dramatização, por exemplo, é uma das técnicas estudadas por Moreno, que tem como objetivo aproximar o indivíduo dele mesmo, por meio da espontaneidade. Trata- se de um caminho pelo qual o indivíduo pode entrar em contato com seus conflitos internos, que até então estavam em estado inconsciente.
Outro exemplo é o jogo dramático, técnica que tem a finalidade de aproximar o psicólogo dos problemas da pessoa, por meio de jogos. Parafraseando a atriz Marília Ferreira, os jogos expõem as pessoas a situações, por vezes, embaraçosas. Remetendo a Moreno, cenas sem dramaticidade são cenas vazias. Pelas cenas dramáticas, o indivíduo expressa livremente as criações do seu mundo interno, realizando-as na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por uma determinada atividade corporal. Assim, com os dramas vividos em cima do tablado, a pessoa tem a possibilidade de encontrar seu potencial escondido dentro de seus personagens inconscientes


domingo, 17 de outubro de 2010

Indicação do livro e curso “Psicodrama Empresarial

A Diretora Técnica da ABRH-MG Thelma Teixeira lançou o livro “Psicodrama Empresarial: O quê, porquê e como fazer”, que aborda a utilização do psicodrama nas empresas, por meio do relato de casos e experiências da autora em empresas onde prestou ou ainda presta consultoria.
“Foi complicado escrever sobre algo ainda sem estudo e publicação. Foi preciso fazer uma adaptação para a realidade profissional das empresas, de forma a não expor as pessoas em seus problemas e conflitos. Eu também foquei nas relações de trabalho e não pessoais. Decidi escrever este livro para compartilhar este conhecimento que fui adquirindo com as minhas experiências”, afirma Teixeira.

PSICODRAMA NAS ORGANIZAÇÕES

PSICODRAMA NAS ORGANIZAÇÕES





Atualmente, termos como a globalização, inovação tecnológica e processos de mudança têm sido constantes nas organizações. Entretanto, Programas de Qualidade Total, tecnologia de ponta, recursos financeiros e qualificação da mão-de-obra não são suficientes para garantir o máximo de eficiência de uma empresa.

Nesta busca incessante de desenvolvimento, muitas vezes os processos humanos não são acompanhados como deveriam. Conflitos, falhas na comunicação e percepção, competição improdutiva, falta de liderança, dificuldade de trabalhar em equipe são alguns dos problemas que surgem no decorrer desta evolução.

A visão comum, as metas e objetivos ditados pelas organizações em busca de resultados eficazes devem estar alinhados com o auto desenvolvimento dos indivíduos que nela estão inseridos, através de uma comunicação eficiente, que gera confiança e segurança para lidar com os conflitos que surgem, juntamente com o desenvolvimento e aperfeiçoamento do trabalho em equipe.

O grande diferencial de competitividade dos novos tempos está na busca de se obter uma equipe coesa, motivada, participativa, sintonizada com os valores da organização e comprometida com as metas e resultados esperados. A qualidade nas relações de trabalho é fundamental para o sucesso da empresa. 

Na busca dessa excelência nas relações de trabalho, o Psicodrama nos fornece ferramentas importantes que propiciam a liberação da espontaneidade e criatividade dos indivíduos, essenciais nestes momentos de transformação.


Espontaneidade significa dar respostas adequadas a situações novas e novas respostas a situações já conhecidas. 

O Psicodrama possibilita trabalhar conjuntamente, o falar e o agir dos indivíduos, em busca de respostas adequadas, identificando e solucionando conflitos.

Desenvolve os processos de percepção e comunicação nas relações interpessoais, propiciando aos participantes descobrir novas formas de atuação. O diferencial reside na valorização das relações, nas relações horizontalizadas e no compartilhar das experiências vivenciadas.


PSICODRAMA NAS ESCOLAS

O Psicodrama tem sido utilizado na educação como um recurso didático importante, que tanto favorece o aprendizado como instrumentaliza o trabalho dos conflitos existentes, no desenvolvimento do papel de professor, facilitador das relações do corpo docente, no relacionamento com os pais e entre os próprios alunos.

Transformar a sala de aula num espaço de relação afetiva entre alunos e professores e facilitar uma nova visão no desempenho desses papéis, têm sido metas de um trabalho efetivo. 

Sob a coordenação de um Psicodramatista, os encontros grupais começam pelo envolvimento das pessoas com o tema ou com a experiência a ser vivenciada.

Durante o processo psicodramático buscam-se soluções práticas e reais para as questões abordadas onde as técnicas psicodramáticas utilizadas facilitam o exercício da espontaneidade e criatividade e a descoberta do potencial grupal. A criação de novas alternativas é resultado da busca ativa dos participantes. 



O PSICODRAMA SÓCIO EDUCACIONAL E ORGANIZACIONAL

O Psicodrama Sócio Educacional e Organizacional possui vasta aplicabilidade no campo pedagógico e empresarial, lugares onde o privado dá lugar ao coletivo e fazem necessárias intervenções psicossociais. O foco da sua instrumentalização encontra-se no Jogo Dramático, Treinamento de Papéis (Role-Playing), Sociometria e Sociodrama, otimizando a aprendizagem e a estrutura criativa dos grupos, abrangendo toda organização empresarial ou escolar.





 JOGO DRAMÁTICO

O Jogo Dramático é uma técnica psicodramática que propicia ao indivíduo expressar livremente as criações do seu mundo interno, realizando-as na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por uma determinada atividade corporal.

Tem por finalidade propiciar um relaxamento das tensões, para que seja possível uma aproximação sutil do material conflitivo.

Pelo fato do indivíduo estar simplesmente jogando, já se elimina a possibilidade de ser para ele uma situação angustiante, pois o jogo cria uma atmosfera permissiva que dá condições ao aparecimento de uma situação espontânea e criativa no indivíduo, proporcionando-lhe a possibilidade de substituir respostas prontas, estereotipadas, por respostas novas, diferentes e livres de uma conserva cultural trazida no decorrer do tempo pelas mais diversas situações em que é restringida a sua capacidade criativa. 

O Jogo Dramático se dispõe a trabalhar em campo relaxado de conduta com a finalidade de que o indivíduo descubra formas alternativas de conduta, e não uma única resposta para dada situação.

Entende-se por conduta em campo relaxado aquela que surge no indivíduo, norteando-se em primeiro lugar por uma tomada de distância do objetivo a ser atingido e seguindo-se uma cuidadosa análise das possíveis respostas alternativas àquela situação. 

No campo relaxado, crescem as possibilidades de relações que permitem ao indivíduo alcançar uma meta. Já no campo tenso, toda a conduta do indivíduo se encontra fortemente marcada por uma concentração unicamente dirigida à meta, o que impossibilita as ampliações de relações para a sua adaptação.


TREINAMENTO DE PAPÉIS (Role-Playing)

Na teoria proposta por Moreno, o ser humano é um intérprete de papéis, e todo e qualquer indivíduo se caracteriza por um certo repertório de papéis que dominam o seu comportamento e toda e qualquer cultura é caracterizada por um certo conjunto de papéis que ela impõe aos seus membros. E quanto mais papéis um indivíduo desempenha, melhor será sua capacidade de interação social e, em decorrência, maior sua saúde mental.

O Treinamento de Papéis é o procedimento psicodramático que tem por objetivo a aprendizagem e estruturação de papéis. Pode ser usado para o treinamento de um papel profissional ou de qualquer papel social que se queira otimizar. Busca solucionar as dificuldades normalmente suscitadas por qualquer papel desconhecido ou temido.

Trabalha-se com liberdade, espontaneidade, criatividade, responsabilidade, fazendo o sujeito assumir, em primeiro lugar, o papel complementar que já conhece. Depois, pouco a pouco, mediante a inversão de papéis, coloca-se o sujeito no papel que deverá estruturar.


SOCIOMETRIA

É o conjunto de técnicas utilizadas para investigar, medir e estudar os vínculos que se manifestam nos grupos. 

Sua principal técnica é o Teste Sociométrico. Baseado nos conceitos de atração, rejeição e indiferença, o Teste Sociométrico é o método de investigação que observa as redes vinculares de um determinado grupo e indica a forma e a intensidade com que se produzem. 
O teste revela uma estrutura psicológica das relações interpessoais que, com freqüência, difere consideravelmente das relações que os indivíduos têm oficialmente nos grupos. Desta forma, o Teste Sociométrico de um grupo mede o conflito entre a verdadeira estrutura de um grupo, mantida por seus membros à época, e a estrutura revelada por suas escolhas. E o Teste Sociométrico de uma pessoa mede o conflito entre a posição real que esta pessoa mantém no grupo e a posição revelada por suas escolhas.

Para que uma investigação sociométrica seja válida, deve-se estabelecer um critério às perguntas do Teste Sociométrico. A pergunta “Quem você escolhe neste grupo?” não tem qualquer validade sociométrica se não houver um critério. Para trabalhar, para estudar, para passear, etc. são critérios distintos que vão configurar estruturar sociométricas distintas.


SOCIODRAMA

O Sociodrama é definido como método profundo de ação que trata de relações intergrupais e de ideologias coletivas. O sujeito de um Sociodrama é o grupo.

Por meio do Sociodrama é possível intervir nos vínculos dos grupos naturais (casais, famílias, comunidades) e/ou nos vínculos de grupos instrumentais (grupos de trabalho, grupos de aprendizagem, grupos de produção, equipes institucionais).

Atua especificamente nos papéis sociais que interagem no desenvolvimento das atividades comuns do grupo trabalhado.

O procedimento do Sociodrama permite visualizar os conflitos e fazê-los emergir a compreensão para serem resolvidos. Esclarece as relações intergrupais, os valores que funcionam como critérios coletivos, e também as ideologias compartilhadas. Por tudo isso, é um procedimento muito útil, porque permite a investigação psicológica dos papéis sociais dos grupos ou instituições envolvidas, diferenciando-os e deixando uma margem de privacidade aos papéis pessoais. 


O que é Playback Theatre ?

O que é Playback Theatre©?

Playback Theatre© é, antes de tudo, teatro. É uma forma especial de teatro que recria a vida no palco.
Algúem da platéia conta voluntariamenteuma história (o narrador), algo que tenha lhe acontecido e que lhe tenha sido importante. O diretor entrevista o narrador, à frente de todos, em busca de um enredo para que o elenco possa trabalhar.
O próprio narrador, orientado pelo diretor, escolhe qual ator vai fazer qual personagem em sua história, inclusive o ator que irá representar o seu próprio papel. Os atores e o músico, num movimento interno e imperceptível para a platéia, vão se preparando e se aquecendo para entrar em cena.
Ao final da narração, o diretor diz aos presentes "Vamos ver"* e, em cerca de 30 segundos, sem ensaios ou combinações prévias, o elenco entra em cena e transforma a história narrada em uma pequena peça de teatro.
O objetivo principal do Playback Theatre© é amplificar a vida, através da arte, iluminando-a com os holofotes especiais da emoção, da melodia, da poesia, do texto encenado... E, nesta amplificação, exalçar o que existe de aprendizado em cada história.
O princípio básico é de que podemos aprender uns com as histórias dos outros; com as experiências uns dos outros. Assim como em learning organisations.
No Brasil, de forma oficial e profissional, o Playback Theatre© começou em agosto de 1998, quando Antonio Ferrara voltou de seu primeiro módulo na School of Playback Theatre, Vassar College - Poughkeepsie - NY e fundou a São Paulo Playback Theatre©.


Antonio Ferrara foi o primeiro Playback Theatre Conductor Sul Americano a se formar com Jonathan Fox, o criador do Playback Theatre©, na School of Playback Theatre.

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O Playback Theatre© é teatro. Um teatro que recria a vida no palco, no momento do espetáculo, sem ensaios ou combinações prévias.
Alguém da platéia conta voluntáriamente um momento de sua vida, que lhe tenha sido importante, e o diretor, os atores, os músicos põem-se em movimento para recriar aquela história no instante imediatamente seguinte à narração.
É um holofote especial que utiliza as luzes e a emoção da arte para amplificar a vida, com o principal intúito de aprender com ela.
A Escola de Playback Theatre© no Brasil é uma das 9 escolas dePlayback Theatre© no mundo. Todas são afiliadas à School of Playback Theatre©, nos Estados Unidos.
Sob o controle de qualidade rigoroso da matriz, ela é dirigida por Antonio Ferrara, o primeiro sul americano a se formar na School of Playback Theatre©.
No menu à esquerda, veja qual alternativa atende melhor sua necessidade:
  • Formação profissional: para você que pretende iniciar sua carreira em Playback Theatre©.
  • Desenvolvimento pessoal: encontros destinados a você que não pretende atuar como atriz/ator de Playback Theatre© mas, aproveitar a prática para adquirir importantes habilidades, assim como avançar como pessoa;
  • Esclarecer dúvidas: Tire a maior parte de suas dúvidas nas questões mais comuns(FAQ no menu à esquerda).
Ainda assim, se existe alguma outra necessidade, dúvida ou sugestão, por favor entre em contato conosco:
Por fone:+ 55 11 2936-1241
Por email:info@escoladeplayback.com.br
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PLAYBACK THEATRE: TEATRO ARTE, ESPONTÂNEO E TERAPÊUTICO

PLAYBACK THEATRE: TEATRO ARTE, ESPONTÂNEO E TERAPÊUTICO
Zoé Margarida Chaves Vale
SINOPSE
A autora propõe o Playback Theatre como um espaço de confluência de três formas de teatro : de arte, espontâneo e terapêutico. Mostra como as funções teatrais de comunicação estética, compreensão, participação e transformação se manifestam em vários períodos históricos da representação dramática, no Teatro da Espontaneidade de Moreno, no Teatro Espontâneo atual e no Playback Theatre. Apresenta o relato de uma apresentação de Playback Theatre e revela como a prática deste tem contribuído para a revitalização dos recursos teatrais em outras áreas de aplicação do Psicodrama.
UNITERMOS
Teatro. Representação dramática. Teatro da Espontaneidade. Playback Theatre. Teatro Espontâneo. Catarse ativa. Catarse passiva.
“ ‘No princípio era o verbo’ , dizia João nos Evangelhos. ‘No princípio era o feito’, exclamava o Fausto de Goethe. Avancemos mais. ‘No princípio era aquele que fazia, o ator; no princípío era eu, o Criador do Universo’ ” ( Moreno ).
ABAIXO AS SEÇÕES 3 (para melhor compreensão do que é playback theatre, suas origens, objetivos, etc) e 4 ( Relato de um espetáculo no Teatro Alterosa, Belo Horizonte, 13h30 min de 23 de novembro de 1999, no VI Encontro de Recursos Humanos, para cerca de duzentos participantes).
3. TEATRO ESPONTÂNEO E PLAYBACK THEATRE:
“ Fazer Teatro Espontâneo é uma aventura na corda bamba, a reinação do equilibrismo, olhar o mundo do alto sabendo que, ao menor descuido, se pode despencar. Por isso mesmo, o Teatro Espontâneo continua sendo uma paixão” ( Moysés Aguiar )
Desde sua origem até os dias de hoje, passando por mudanças conforme evolução do pensar mágico ao mítico e deste ao ideológico, a representação dramática continua sendo, segundo Menegazzo (4, 59 ) “um ofício ou uma arte temporal-espacial que apresenta ações com a faculdade intrínseca de interessar e comover, de mobilizar afetos, de elucidar ( o mistério humano) e produzir no homem determinadas modificações.”
Os instrumentos essenciais de uma representação dramática continuam sendo a mensagem, o ator/atores e o público ( mais ou menos participativo, mas sempre com a função de “caixa de ressonância afetiva”) e a lei dramatúrgica do “como se” ( tudo que ocorre no espaço-tempo da dramatização é ficcão ou simulação). Este espaço-tempo, concretizado por um palco, um tablado, uma área circular central ou um “canto” demarcado, apresenta, segundo Boal ( 2.2., 32-36 ) além das três dimensões objetivas- comprimento, largura e altura- mais duas dimensões subjetivas- afetiva e onírica, proporcionadas pela memória ( retrospectiva) e pela imaginação ( prospectiva). A primeira atua como um poderoso telescópio, que aproxima o passado “lá-e-então” e a outra opera como um poderoso microscópio, que amplifica, maximiza e re-significa cada gesto, cada movimento , cada palavra.
O Teatro Espontâneo teve sua origem no Teatro Vienense da Espontaneidade; é uma forma de teatro do momento, que propõe investigar o comportamento humano por meio da criação artística in statu nascendi. A estética do Teatro Espontâneo é interativa em vez de contemplativa; a catarse é ativa em vez de passiva. Aguiar propõe que seja o Teatro Espontâneo considerado a raiz do Psicodrama e do Sociodrama ( 1 , 25 ) .,Segundo ele, o teatro espontâneo contemporâneo utiliza o protagonista como eixo da produção dramática, envolvendo simultaneamente todo o grupo . Atualmente há nove modalidades principais de Teatro Espontâneo mais praticadas. Oriundas do teatro legítimo : teatro do oprimido, dramaterapia , peça didática e playback theatre; tendo o Teatro da Espontaneidade de Moreno como matriz : teatro espontâneo “matricial”, role-playing, jornal vivo, axiodrama, e multiplicação dramática.
O teatro, dissemos acima, tem, de forma geral, as funções de participação, comunicação estética , compreensão e transformação. O Teatro Espontâneo, por ser interativo e fruto de co-criação, cumpre , de forma específica, segundo Aguiar ( 1, 39-44 ), as funções socioanalítica, socioterápica, educativa e psicoterápica, que podemos detalhar nos seguintes objetivos: 1º liberação e expansão do potencial espontâneo –criativo, nos níveis individual e coletivo; 2º desenvolvimento do espírito de grupo / equipe – por ser uma interação face a face intensa que exige dos atores solidariedade, disponibilidade, generosidade e harmonia interpessoal; 3º catarse de integração, intrapessoal e intragrupo, auto-consciência e reorganização de papéis sociais e psicológicos ; 4º desvelamento do co-consciente e do co-inconsciente grupal ( conceitos de Moreno ) , fazendo emergir múltiplos sentidos do grupo, no aqui e agora; 5º produção de novos sentidos para o grupo e seus membros. .
Boal ( 2.2. , 27-42), ao comentar o sentido terapêutico do Teatro do Oprimido, lembra que a palavra psique, seja em grego, inglês ou francês, designa não só “ o conjunto de fenômenos psíquicos que formam a unidade pessoal, como também um objeto, um espelho no qual uma pessoa, em pé, pode ver-se por inteiro, ou seja, na psique o espectador ( spect-ator) vê sua psique, vê-se a si mesmo no outro”. E cita Shakespeare, “O teatro é um espelho onde se reflete a natureza!”.
A partir dos anos 90 têm surgido cada vez mais grupos que se dedicam preferencialmente à prática e pesquisa do Teatro Espontâneo, seja o matricial seja outras modalidades , como a multiplicação dramática, o teatro do oprimido e o playback theatre. Este movimento contemporâneo mantém viva a raiz teatral do Psicodrama, resgatando suas vertentes catártica e estética.
O playback theatre foi criado por Jonathan Fox e Jo Salas, nos E.U.A, em 75. O primeiro grupo a praticar esta modalidade no Brasil foi o “Grupo Reprise de São Paulo”. Atualmente ( ano 2000 ) há várias “trupes teatrais” praticando sistematicamente o playback theatre no país, entre elas , a “Cia. São Paulo Playback Theatre” e o “Vida-em-Cena – Grupo de Teatro Espontâneo da SOBRAP-BH”.
Caracteriza-se por ter um grupo fixo de atores ( profissionais e/ou psicodramatistas) que interpreta , de improviso, histórias e fatos contados por pessoas da platéia. No playback theatre, diferentemente do teatro espontâneo matricial, há clara distinção dos papéis de direção, atores, platéia e o emergente grupal atua como “narrador”, não representando ele mesmo o seu drama no palco. Pode-se incluir outros papéis como músico e iluminador.
Nesta modalidade de teatro, há três lugares dramáticos: o lugar de onde se representa- o palco; o lugar de onde se vê após contribuir com o texto – a platéia; e o terceiro lugar, entre o público e o palco, reservado ao narrador. Quando alguém da platéia “presenteia” o público com uma história de sua vida, ele é convidado pela direção a sentar-se perto do palco . Após contar sua história, que a direção transforma em texto teatral, com cenas e personagens, o narrador assiste, de perto, a versão dramatizada pelos atores. De modo geral é uma experiência marcante, comovente e catártica. Ele recebe de presente a sua história transformada em arte .Temos aqui a integração das vertentes estética, ética e catártica do Teatro Espontâneo. O narrador vive uma situação dicotomizante ( no sentido de verso/reverso, não de oposição): é ao mesmo tempo um eu-antes, personagem que viveu a cena e um eu-agora, que a conta.
Há dois pressupostos básicos: 1º Ao ver sua história representada e reinventada no palco, o narrador amplia seu sentido inicial, o que se torna terapêutico , por permitir uma nova visão do mesmo fato; o sujeito- narrador projeta no palco suas lembranças e observa ali fatos acontecidos ou desejados ( dimensão afetiva) e os penetra, “atravessa o espelho”, com ele se funde e sonha ( dimensão onírica ). 2º As histórias narradas e encenadas no mesmo espetáculo “ vão se encadeando, conversando uma com a outra e dando uma solução para aquele grupo, naquele momento” ( 4 ) com seus conflitos, temores, valores e peculiaridades sociométricas - ou seja, o seu co-consciente e o seu co-inconsciente , daí ser um método sociátrico.
Quanto à sua aplicabilidade – além do prazer estético , o “Vida-em-cena” tem realizado o playback theatre com as seguintes finalidades: desenvolvimento pessoal; diagnóstico de um grupo – institucional, empresarial, comunitário, profissional ; introdução de programas de desenvolvimento e de mudanças; integração e reflexão de temas específicos.
4- RELATO DE UMA APRESENTAÇÃO DE ‘PLAYBACK THEATRE”
“ O público nos presenteia com sua história e nós a devolvemos em forma de arte” ( Antonio Ferrara).
Teatro Alterosa, Belo Horizonte, 13h30 min de 23 de novembro de 1999. O “Vida-em-cena: Grupo de Teatro Espontâneo da SOBRAP-BH” , inicia o Playback Theatre no VI Encontro de Recursos Humanos, para cerca de duzentos participantes.
O tema geral, escolhido pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento-MG e pela Coluna de Recursos Humanos do Jornal Estado de Minas é “Novos tempos, novos valores – potencializando a força humana e empresarial”.
Diretora, seis atores e dois músicos se apresentam com expressão corporal e verbal, trazendo como estão neste momento, aqui e agora. A diretora fala dos objetivos do playback theatre: é uma modalidade de teatro, onde um elenco fixo de atores transformam fatos, emoções e histórias da platéia em imagens, movimentos , cenas, imediatamente após serem narradas e sem ensaio prévio. O princípio básico é de co-criação espontânea entre participantes, atores e músicos, mediados pela direção.
Iniciando a primeira fase , de aquecimento, a diretora estimula os participantes a expressarem os sentimentos daquele momento. À medida que um membro da platéia revela seu sentimento, os atores o transformam em “esculturas fluidas”, expressando-o com todo o corpo , com mímica e sons e fala curta, imediatamente após sua comunicação. Sentimentos revelados e representados: curiosidade, estranheza, ansiedade, receio de não dar certo.
Reforçando a co-responsabilidade e compromisso de todos para o sucesso do espetáculo, a diretora introduz a segunda etapa, a mais significativa, da dramatização de histórias contadas ao vivo pelo público. Três homens – apesar da maioria do público ser de mulheres – aceitam o desafio e sobem ao palco, em momentos separados, para relatar um fato de suas vidas .
A primeira história neste espetáculo foi sobre a rivalidade entre dois profissionais de Recursos Humanos , marido e mulher trabalhando em firmas concorrentes; discutem em casa sobre o trabalho, ele acha que o casamento não irá durar muito tempo, apesar de gostar muito de sua família, que inclui a sogra e duas filhas. A segunda história, “ a verdade que não deu certo”, fala de um funcionário, maquinista de trem, atualmente profissional de Recursos Humanos , que foi demitido pelo chefe ao reconhecer a sua parcela de culpa numa colisão de dois trens. O acidente foi provocado por ter recebido informações erradas do setor de controle. Ele guardou muita mágoa e ressentimento do chefe que o demitiu, por não ter levado em conta sua sinceridade e por não ter punido o outro envolvido no acidente. A terceira história, “a mentira que deu certo”, foi uma situação muito engraçada de dois amigos que, após uma festa , meio bêbados, se envolveram com duas mulheres a quem deram carona e depois bateram o carro; a mulher de um destes, amigo do narrador, ficou muito zangada. O narrador inventou uma mentira ao amigo: “sua mulher jurou capá-lo com um facão se você ‘aprontar’ novamente”. Na cena mais divertida, o amigo se levanta no meio da noite, após ouvir uns ruídos, e encontra a sua mulher com um facão - ela se levantara antes dele, assustada com um barulho no quintal , e procurou se proteger contra um provável ladrão. O amigo fica apavorado, se ajoelha perante a esposa e promete ser-lhe sempre fiel. E fizeram as pazes. O narrador acrescenta que nunca contara a verdade( ou seja, que inventara a ameaça ) para o amigo e sua esposa.
Após contar sua história , a diretora pede que o narrador escolha os atores para os papéis principais, incluindo o dele próprio. Os atores se caracterizam rapidamente, à vista do público, utilizando recursos do camarim, colocado estrategicamente no fundo do palco. Enquanto o elenco se prepara e se aquece internamente para o desempenho dos papéis , os músicos tocam e cantam músicas relacionadas à história; estas canções também emergem de improviso , de acordo com a sensibilidade e intuição dos músicos, e são oferecidas como presente ao narrador. Geralmente é neste momento que este começa a ficar emocionado, percebendo que ali tem uma mensagem para ele. Tudo é surpresa para todos, inclusive para a diretora e os atores. No momento da representação a diretora não interfere; assiste, ao lado do narrador.
A beleza estética e a riqueza simbólica das cenas vão depender da espontaneidade, criatividade e sintonia do grupo. Cada um, em sua função específica, contribui para o espetáculo “dar certo”. A direção aquece o público, entrevista o narrador, oferece-lhe apoio sócio-emocional e “garimpa” de sua exposição o que é fundamental e o transforma em cenas, que são repassadas aos atores; e estes as recriam e representam. “São todos atores em cena, todos dependem uns dos outros, a equipe inteira vai à ação. Ora o foco está na direção, ora no narrador, ora nos atores, ora nos músicos. A sintonia entre os focos é a grande sacada” ( 4 ).
Às 14h30m inicia-se a terceira e última etapa do playback theatre, do compartilhamento e encerramento. A diretora pede que o público comunique os sentimentos que tem agora. De novo os atores expressam com “esculturas fluidas” os sentimentos de surpresa, admiração, alívio, gratidão, respeito, crença no ser humano e na sua incrível capacidade de criar e certeza de que a resposta para os “novos tempos” está dentro de nós, no resgate da espontaneidade criadora. A diretora encerra convidando a uma reflexão: - “qual foi a grande história contada aqui, hoje, por este grupo de profissionais de Recursos Humanos ? Que significados têm, para este grupo, “as verdades que nem sempre dão certo” ( segunda história) e “as mentiras que dão certo” ( terceira história )? Em todas as histórias foram evidenciadas as relações familiares, as relações afetivas e interpessoais. Continuam sendo os valores a serem preservados nestes novos tempos?”.
Alguns profissionais presentes ressaltaram que “só o desenvolvimento da espontaneidade e da criatividade do ser humano pode garantir a sua sobrevivência nestes novos e instáveis tempos”.
Vários participantes do VI Encontro de Recurso Humanos perguntaram ao grupo “Vida-em-cena” , no intervalo, como é possível atuar assim, de improviso. O terceiro narrador revelou que fêz questão de subir ao palco por ter acreditado que tudo era , de fato, fruto de ensaio prévio ( ou seja, uma grande mentira da trupe ...). Ficou surpreso com o resultado, ou seja com a representação “da sua mentira que deu certo”. O segundo narrador fêz questão de agradecer posteriormente aos atores – confessou ter se sentido aliviado e com melhor compreensão global do fato, “ a verdade que não deu certo”. O primeiro narrador contou ter “inventado” ( mais uma mentira... ) parte da história.
Não importa que os casos sejam imaginários ou reais. Sempre há uma escolha “real” do sujeito, que tem a ver com ele e o grupo todo naquele exato momento, assim como sempre há um tanto de fantasia no relato de casos reais. “Em teatro até mentira é verdade. No palco é difícil esconder. Quase impossível” ( 2.2., 38 e 41 ). O diretor, o músico e os atores acrescentam sua fantasia à história e é por isto que conflitos, dificuldades e peripécias do cotidiano são recriados, reinventados, dramatizados e desdramatizados . Esta é a magia do playback theatre, este trânsito sutil entre fantasia e realidade, entre passado, presente e futuro, entre o cômico e o trágico, entre o “eu” , “eles” e “nós”.