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terça-feira, 26 de junho de 2012

O Elo da Gestão de Carreira



O professor da pós-graduação e MBA da FAAP, Cláudio Queiroz e a especialista em treinamento e desenvolvimento organizacional e instrutora da Caixa Econômica Federal, Christiane Leite, são os autores do livro O Elo da Gestão de Carreira, obra que vem para mudar a forma como o Empregado, a Liderança e a Organização identificam seus papéis e responsabilidades na estrutura e gestão de carreira.

O Elo da Gestão de Carreira trabalha de modo a resolver um dilema ainda gritante dentro do universo de trabalho brasileiro: Se por um lado, o mundo corporativo carece de profissionais conscientes da responsabilidade na gestão de suas carreiras, as lideranças e as organizações também necessitam identificar a sua corresponsabilidade em prover condições adequadas para que os empregados potencializem seus talentos e competências.

Historicamente, os estudos publicados se restringem a abordar os aspectos de gestão de carreira, de responsabilidade do empregado, esquecendo de analisar outros fatores e outros “responsáveis” pelo desenvolvimento de um colaborador ou empregado.

Calma! O foco desta abordagem não é encontrar culpados, mas simplesmente clarificar papéis, responsabilidades e ganhos.

A importância do empregado em assumir a responsabilidade pela gestão de sua carreira é recorrente. Entretanto, ele, sozinho, nem sempre atinge o sucesso. Isto porque a equação gestão de carreira tem três variáveis: Empregado, Lideranças e Organização, e é para esse eixo de sustentação que os autores Cláudio Queiroz e Christiane Leite dão o nome de ELO.

ELO é uma proposta para ressignificar relações, potencializar parcerias e, acima de tudo, encurtar caminhos e potencializar resultados para as partes envolvidas.

Enfim, é o resgate das relações, tendo como base a confiança. A confiança de que cada um fará o seu melhor.

Afinal, cada participante do ELO da gestão de carreira é beneficiado por esta atuação integrada.ELO, portanto, é uma estratégia de atuação organizacional na medida em que proporciona crescimento para as três partes, tornando a relação entre os participantes transparente e cooperativa. Isto minimiza em muito um dos maiores problemas do mundo organizacional que é a falta de comunicação. A clarificação de responsabilidades nivela expectativas e minimiza frustrações e desmotivação.

O Empregado ganha, pois, entre outros pontos, assume o papel da gestão da sua carreira, descobre suas prioridades e a se responsabiliza pelo seu próprio desenvolvimento, além de direcionar seu autodesenvolvimento.

O Líder ganha, pois, entre outros pontos, atrai talentos para sua equipe; facilita práticas de promoção, reconhecimento e valorização do empregado, além de promover melhorias no clima organizacional.

E a Organização também ganha, pois, entre outros pontos, cria condições para que novos e antigos empregados se preocupem com suas carreiras; eleva a performance dos empregados, além de identificar e valorizar os talentos.

Fato é que este pensamento está concatenado com a nova lógica do mercado global e da produção de riqueza a partir do mesmo. As relações de trabalho dentro deste já conhecido contexto são marcadas por um aumento da competitividade e maior flexibilidade, fato que reflete também nas carreiras das pessoas, que passaram a formar suas redes de relacionamento, aproveitar as oportunidades de aprendizagem com foco em desenvolvimento contínuo, e tornaram-se cada vez mais prestadoras de serviço, ao invés de buscarem um emprego estável.
Empregabilidade, autogestão de carreira, carreiras sem fronteiras e carreiras inteligentes passam a dominar o mundo corporativo. São as marcas deste novo tempo!
No entanto, fato é também que, no Brasil, as mudanças econômicas acompanhavam as tendências mundiais, mas as mudanças organizacionais, ou melhor, de pensamento organizacional, não necessariamente ocorreram (e ainda não ocorrem) com mesmo grau e velocidade necessária.
O Elo da Gestão de Carreira não é apenas um indicativo de para onde ir, mas de como ir. A obra vai um pouco além ao estabelecer os passos que cada um dos elementos integrantes deve percorrer de modo a alcançar seus objetivos.
Ao Empregado cabem as seguintes etapas no processo de gestão de carreira:
Autoconhecimento – “Conhece-te a ti mesmo” (Sócrates), seus valores, crenças, perfil, talentos, medos, âncoras de carreira, competências e saberes.
“Mais do que nunca, a velocidade das mudanças estimula este olhar para dentro. Os momentos difíceis, desafiadores e de crises são oportunidades que se abrem para o autoconhecimento e a maneira como reagimos nestas situações define a diferença entre aqueles que aproveitam para se descobrir e aqueles que buscam culpados e entram num processo de vitimização”, afirmam os autores.
Oportunidades e Ameaças – Em que discorrem sobre os acontecimentos ou fatos, inerentes a esse processo, que podem ser favoráveis ou não ao alcance de um objetivo.
“Enquanto os pontos fortes e fracos têm como foco um olhar para o indivíduo, as ameaças e oportunidades são situações que acontecem em torno, ou seja, envolvem um olhar para a empresa em que trabalha ou deseja trabalhar, para o mercado de trabalho de uma forma geral, para os acontecimentos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, legal, local e mundial”, esclarecem.
Objetivo e Metas – “Objetivos são sonhos com prazos definido” e aqui os especialistas tratam de foco (diante da imensidão de opções de carreiras), o que implica em escolhas (conviver com renúncias, pois cada escolha trás em si algumas exclusões) e preço (qualquer que seja a escolha, o indivíduo paga um preço).

Formulação de Estratégias – “A verdadeira viagem não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos” (Marcel Proust). Ou seja, a maneira de se atingir um objetivo da maneira mais rápida e com o menor gasto de energia possível.
“O mais comum, infelizmente, é encontrar muita gente esforçada, que trabalha até domingo e obtém resultados pequenos ou frustrantes. Não confunda ocupado com eficaz. Caminhar mil metros não faz diferença, se você caminha para o local errado”, advertem os especialistas.
Implementação – É o que distingue os vitoriosos dos demais. Trata-se da realização das atividades do dia adia, metas, objetivos pessoais de desenvolvimento e superação de obstáculos definidos. E, mais importante: recai sobre você a responsabilidade de encontrar alternativas, dentro ou fora da empresa, para superar eventuais dificuldades.

Controle – Tudo que não se mede não se gerencia. Ou seja, o acompanhamento das próprias metas e objetivos, possibilitando os ajustes necessários em função das alterações no cenário de oportunidades e ameaças.


Já ao Líder cabem, entre outros tópicos citados na obra:

1 ) Conhecer sua equipe: Identificação de âncoras, talentos, competências, crenças, perfil e valores.
2) Definir em parceria com o empregado atividades/tarefas/cargos que potencializem a utilização dos seus talentos.
3) Possibilitar desafios que auxiliem os empregados a expandirem seus potenciais.
4) Apresentar uma postura gerencial calcada nos altos padrões de ética, justiça e respeito com os empregados, possibilitando a uma relação de confiança.
Quanto as Organizações, essas são os lugares onde “as pessoas são levadas a buscar o seu sucesso, o seu prazer e seu crescimento profissional, utilizando-se de suas capacidades no mesmo lugar onde terão que buscar a sua própria sobrevivência”. O Elo da Gestão de Carreira discute a gestão de carreira dentro desses organismos complexos. Fato que engloba políticas, procedimentos e decisões ligadas à carreira na empresa. As organizações devem estruturar e organizar o trabalho de modo que este gere um produto final, mas cujos ganhos sirvam à empresa, ao líder e ao empregado. O tão sonhado ganha-ganha!
Como se dá a gestão de carreira dentro das empresas socialmente responsáveis? O que elas realmente podem fazer? Como se dá a estrutura dos planos de carreira e quais são as suas implicações para o empregado e para a própria organização?  O que dizer então do investimento em desenvolvimento e capacitação? Das avaliações de desempenho e bonificações? Da valorização e retenção de talentos? Da seleção e preparação cuidadosa de gestores? Do recrutamento interno para novos cargos? São a essas perguntas que Cláudio Queiroz e Christiane Leite visam responder.
“Muitas são as ações e desafios para implementar estas políticas, entretanto, acreditamos que se a organização fizer sua parte em parceira com líderes e empregados, estará contribuindo para a descoberta de talentos e de gente que faça a diferença no mundo organizacional”, comentam.
Cláudio Queiroz e Christiane Leite são enfáticos ao colocar como a perspectiva de elevação do número de empregos no Brasil para os próximos dez anos é alta. “É fato que hoje já encontramos dificuldade no preenchimento de vagas. Resta, portanto, uma ação mais efetiva no desenvolvimento de parcerias entre os três componentes do ELO para acelerar o processo de capacitação, desenvolvimento dos empregados e líderes, dos existentes e dos que chegarão em breve.”
“Os desafios estão cada vez maiores, parece impossível parar para pensar sobre gestão de carreira. No entanto, o que parece ser um tempo desperdiçado, na realidade é um investimento que impacta positivamente na velocidade do alcance dos nossos sonhos. Afinal, a gestão de carreira reflete em todas as dimensões da vida”, finalizam.


sábado, 2 de junho de 2012

Administre sua Carreira


14/08/11 - Ruth Duarte, Gerente do IBMEC Carreiras (ruth@ibmecrj.br)

Não importa que profissão exerça, qual o nível de cargo que ocupa, se está apenas iniciando sua trajetória ou se está sem vínculo empregatício: você é dono de um negócio.

Já parou para pensar qual é este seu empreendimento? Trata-se de sua carreira. Tempos atrás, a carreira estava vinculada ao conceito de emprego, a uma busca de estabilidade nas relações empregatícias e a uma trajetória voltada aos interesses de uma única empresa. A ascensão profissional e a aquisição de conhecimentos advindos de treinamentos ou de cursos eram desenhadas pelas organizações, cabendo a estas a evolução da carreira dos seus funcionários.

Neste modelo, o indivíduo construía sua caminhada profissional voltada para uma determinada estrutura organizacional. Com as constantes transformações do mercado que imprimiram mais competitividade e dinamismo nas formas de trabalho, a condução da carreira ganhou novos desenhos. O olhar estreito que o indivíduo tinha para sua vida profissional se amplia e ele migra de uma postura passiva para uma atitude proativa, buscando seu auto-desenvolvimento independente do rumo de sua empresa.

Ser arquiteto de sua carreira passou a ser imperativo para quem deseja sobreviver nestes novos tempos. E aí não importa se você está com vínculo empregatício ou não, pois as mudanças do cenário organizacional e da estrutura dos empregos exigem que as rédeas da sua carreira fiquem sob sua inteira responsabilidade. O desafio agora é se tornar um auto empreendedor, planejar sua carreira e entendê-la como um negócio. Planejar a carreira é tornar possível um caminho que o levará a sua realização profissional. Sua carreira é o seu negócio e você é o seu produto. As quatro etapas abaixo poderão auxiliá-lo a definir suas prioridades e direções para estabelecer um projeto de carreira:

1) Realize um verdadeiro e profundo exercício de reflexão sobre suas competências, habilidades e interesses que o conduzirão ao autoconhecimento. O que o motiva? Quais são seus objetivos profissionais e pessoais? Quais são suas fragilidades e pontos fortes? Estas e outras questões podem ampliar a consciência de suas potencialidades e auxiliá-lo na identificação dos seus valores e dos conhecimentos que adquiriu ao longo da vida.

2) Faça um diagnóstico do ambiente externo. Você deve entender que o cenário que gravita em torno de sua carreira – seu negócio – é imprevisível, volátil e competitivo, e assim suas perspectivas profissionais devem estar conciliadas com uma análise contextual do mercado. Entenda as exigências, a dinâmica do mundo do trabalho e assuma uma postura vigilante em relação a possíveis guinadas do mercado. De nada adianta elaborar um planejamento inflexível, sem elasticidade e alternativas baseado somente nas suas aspirações e correr o risco de torná-lo irrealizável, portanto, tenha um plano que concilie seus objetivos pessoais com a realidade externa.

3) Estabeleça objetivos de forma clara: inicie a jornada para concretizar os seus projetos. Identifique as competências que serão necessárias para atingir suas metas. Seja específico ao traçar seus objetivos e tenha visão de futuro, assim será mais fácil o desenho de um plano de ação factível.

4) Defina seu plano de ação: mapeie as ações necessárias para atingir seus objetivos, priorize e estabeleça prazos. Se for preciso investir em novos conhecimentos, em cursos complementares ou de extensão, numa pós-graduação ou mestrado, investigue as escolas, local, custo e se planeje. Determinação e persistência são imprescindíveis para o alcance das metas que você delineou. Certamente seu planejamento de carreira deve ir além de fronteiras corporativas, no entanto, você pode considerar a empresa como uma parceira nesta empreitada ao conjugar seus interesses profissionais com metas organizacionais.

Hoje, a maioria das empresas reconhece que indivíduos com espírito auto empreendedor contribuem para o alcance de resultados. Uma questão importante se faz necessária: devemos nos entender como um ser integral, com interesses pessoais e sociais, portanto, abra lacuna sem seu planejamento para objetivos de cunho absolutamente pessoal e tente conciliá-los com seu plano de carreira. Equilibrar vida pessoal e profissional tem uma vantagem adicional: encurta o caminho para sua auto realização. E então? Você trata sua carreira como seu negócio? Já sabe aonde quer chegar? Pare, reflita e por ora entenda as palavras de Sêneca: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir”.

Fonte: O Estado de São Paulo - 14/08/2011 - Edição impressa


sábado, 12 de maio de 2012

Gestão Baseada em Pontos Fortes - Marcus Buckingham





A palestra de Marcus Buckingham, o "guru dos pontos fortes", sobre "Gestão Baseada em Pontos Fortes" foi o ponto alto do 2o dia do ExpoManagement 2011.
Primeiro pelo tema em si, que interessa a todos pois nos afeta individualmente como seres humanos e profissionais independentemente de nossa posição laboral e também pela habilidade de Buckingham em prender a atenção da platéia.

Por que Equipes munidas dos mesmos recursos e responsáveis pelas mesmas tarefas, podem ter perfomances tão distintas?

Pois bem. Marcus começou a conversa pedindo aos presentes que imaginássem oBoard de Diretores de sua vida Pessoal. Para fazer parte desse board os integrantes devem:
. conhecer você
. importar-se contigo
. querer o seu sucesso
Bem, evidentemente que familiares, chefes e ex-chefes, colegas e ex-colegas, ex-professores, et al povoam nossas mentes nesses momentos. Sem dúvida uma lista "seleta".
Então ele pergunta: alguém de seu time, subordinado seu, faz parte da lista?
E mais: será que você faz parte da lista dos seus pares ou subordinados?
Se não, como é que quer que seu time o "siga"?

Dos diversos levantamentos estatísticos que o Instituto Gallup - de onde Buckingham é VP Sênior - apenas 3 perguntas foram capazes de distinguir as boas das más equipes. São elas, na ordem de importância crescente:

1. Seus colegas estão comprometidos com a qualidade?
2. Você sabe o que é esperado de você TODOS os dias?
3. No trabalho, você tem oportunidade de realizar TODOS os dias o que sabe fazer de melhor?

Encare as perguntas não apenas olhando a si mesmo, mas pense seus Subordinados respondendo-as.
Você já definiu o QUE é qualidade para seu time buscar?
Você deixa claro, TODOS os dias o que espera de cada um do seu time?
Você aproveita TODOS os dias o que cada um do seu time é capaz de fazer MELHOR?

Calma. Não se penitencie. Fomos "programados" e educados a caber em padrões: melhorar nossos pontos fracos (que agora se chama "oportunidade de melhorias" pelo RH) até chegar no padrão-mínimo necessário. Aliás isso é coisa da Sociedade Industrial. As Escolas não ensinam a aprender, apenas a repetir o que o mestre quer que nós saibamos. Isso para nos aostumarmos com a cultura da padronização, essencial para sermos bons "operários" na indústria. Assim é, faz um século.

Pois bem. Esqueça isso! Pare de tentar melhorar seus pontos fracos. Descubra seus pontos FORTES e melhore eles cada vez mais. Você é mais inovador e criativo nas áreas e atributos em que é forte e não no que é fraco. Então não perca tempo. 
Ou, no caso de gestores, não perca tempo querendo que seu time melhore pontos fracos. Ajude-os a encontrar seus pontos fortes e use-os. Ai sim, caso eles não sejam pontos aproveitáveis oriente a pessoa a buscar sua vocação. Não adianta forçar capacidades que não se tem.

"Quer estudar casamentos felizes, não entreviste divorciados"."Quer estudar o Sucesso, não estude o Fracasso. Não são complementares."

Buckinham tem uma metodologia desenvolvida pelo Gallup e extensamente desenvolvida em seu livro "Descubra seus Pontos Fortes" de 2006. Vale ler e fazer o teste pelo site. Super esclarecedor. 

Enfim, como gestor, tirar o máximo de proveito - comum! - dos pontos fortes de cada membro da Equipe, e aumentar seu desempenho é responsabilidade essencial.

Entre na lista do "board" de seus Subordinados. 
Eles querem saber o que é qualidade ara a equipe. 
Eles querem saber o que se espera deles. 
Eles querem fazer o que sabem fazer de melhor.
Quando essas 3 questões são respondidas, a performance da Equipe é consistentemente melhor.

Não se confunda mais: "oportunidade de melhorias" é nos pontos Fortes, não nos Fracos.

E mais: espera-se que a Geração Y seja mais focada em seus pontos Fortes, mas.... infelizmente não é. Eles são bem desfocados. Precisam de orientação. Ajude-os.

Marcus Buckingham encerrou com uma citação sua de praxe:
"Chegou o dia em que o risco de continuar sendo sempre um broto tornou-se maior que o risco de florecer".

Invista em seus pontos Fortes. Só neles!
Sucesso!

Interpretar é importante para sua carreira



Publicado originalmente no site do jornal “O Globo”

Conheci um gerente que se questionava, já próximo aos 40 anos, por que não conseguia chegar ao cargo de diretor. Afinal, era considerado competente, sincero, falava o que pensava e, como conseqüência, todos gostavam dele. Inclusive os diretores. Entretanto, para ele era um mistério observar que até mesmo antigos subordinados seus já haviam chegado à diretoria e ele não. Livros, workshops sobre liderança, cursos… Parecia que nada o havia feito aprender o que precisava para ser promovido. Um desafio angustiante e obscuro.
Não é incomum vermos profissionais que não conseguem galgar postos maiores por motivos comportamentais. Principalmente, por sua forma de se expressar e a incapacidade de dominar suas emoções. Quando criança, um indivíduo não tem consciência de como se expressa e o quanto isso interfere na sua vida. Entretanto, como adulto, terá muitos problemas na carreira e na vida pessoal se tiver um desejo incontrolável de ser “ele mesmo” e dizer o que pensa de qualquer modo.
O mundo não é desenhado para compreender e aceitar qualquer comportamento ou expressão de uma pessoa, mas feito por regras que, quando quebradas, geram consequências. Elas existem para se permitir o convívio, não para inibi-lo. Entretanto, nem todas são escritas ou faladas diretamente. O profissional maduro deve ser capaz de observá-las – e muitas delas estão nas entrelinhas. Uma pessoa imatura jamais saberá interpretá-las. Ela irá querer clareza em um mundo que é complexo por natureza: o mundo das relações humanas. E as empresas são feitas de seres humanos.
Portanto, é prudente refletir sobre a seguinte questão: você tem tanta necessidade assim de ser você mesmo? Qual o valor de ser você mesmo se, ao fazê-lo, não produz a vida que deseja? Na natureza, os indivíduos que sobrevivem são os mais adaptáveis de sua espécie. E a vida adulta requer adaptação. O profissional que deseja transpor postos maiores deve saber se expressar. Entender o que falar e o que não falar. Saber o momento e a forma apropriada de transmitir uma mensagem. A maturidade requer responsabilidade e temos falta de pessoas que queiram, de fato, subir, se responsabilizar por outras e pelos resultados. Afinal, ser líder não pode ser visto como um esquema para se ganhar mais dinheiro e status.
Entretanto, para aqueles que desejam chegar lá, o desafio é saber ler a cultura da empresa em que trabalham, principalmente nas entrelinhas, e quais comportamentos são incentivados por mensagens faladas e “não faladas”, especialmente pelos líderes da empresa. Assim, se o gerente mencionado no início desta reflexão deseja de fato ser um diretor, deve pensar em se vestir, falar e se comportar como um desde já. O bom ator interpreta um personagem com maestria, usa suas emoções a serviço desse papel, que de forma relevante auxilia a contar a história da peça ou do filme. A pessoa deve pensar sobre qual cargo deseja e interpretar bem a função que o levará a alcançar sua escolha. Não há nenhuma regra que estabeleça que alguém somente pode falar, se vestir e se comportar como um diretor quando for um. Ela pode começar a praticar desde já.
Assim como os bons atores estudam seus papéis, treinam e possuem coaches para se aprimorarem, o bom profissional deve fazer o mesmo. Não adianta possuir um intelecto privilegiado, se não for capaz de dominar suas emoções, suas falas e seu comportamento. Ao exercitar esse domínio e ter consciência da vida que deseja ele terá mais condições de se adaptar à cultura da empresa, se desenvolver e ser percebido como um candidato a cargos mais elevados. Afinal, a seguinte orientação, apesar de antiga, vale com muita propriedade para os dias atuais: envelhecer é obrigatório, mas maturidade é opcional. Vamos em frente!
Para me seguir no Twitter: @silviocelestino

domingo, 15 de abril de 2012

O significado do sucesso

O significado do sucesso 
Veículo: O Estado de S. Paulo - Autor: Ruth Duarte 
Data: 13/11/2011
Alguém pode, em sã consciência, afirmar que não busca sucesso em sua vida? Alguns podem responder. Eu não procuro sucesso, o que importa é o meu bem estar. Outros podem ainda dizer: Sigo minha intuição e meta, não penso em sucesso. De certa forma, as afirmações revelam visto distorcida do que seja sucesso, pois o associam a expressões como fama, dinheiro ou status. O fato é que o significado de sucesso tem ressonância diferente para cada pessoa. Sua definição, contudo, reduzida a sua essência, relaciona-se a êxito, realização. Sendo assim, quem não deseja ter êxito na vida, ou melhor, quem não almeja sucesso? No âmbito profissional, o conceito de sucesso também pode ser percebido de forma relativa, pois os objetivos são individuais. Ou seja, o que me realiza, não necessariamente, impactará positivamente no outro. Para um determinado indivíduo, ocupar uma posição hierárquica de destaque pode ser prioridade em sua trajetória profissional, para outro, seu projeto de vida pode estar relacionado a ter seu próprio negócio.

As metas são diferentes, o que importa é estabelecê-las segundo seus interesses e competências, e seguir os caminhos para executá-las. Em que pesem as intempéries do mundo do trabalho, não resta dúvida: o sucesso profissional vai depender da escolha que fazemos e das atitudes que tomamos em nossa vida. Em suma, se não desenvolvermos atitudes vencedoras, comprometeremos os passos para o sucesso em uma carreira. Em razão disso, torna-se essencial que se defina os objetivos a serem alcançados e que se busque a autorreferência para sustentação das metas. Conhecer suas habilidades, desenvolver outras competências, quebrar possíveis paradigmas, neutralizar o medo do novo, abastecer-se sempre de conhecimentos e motivar-se são atitudes fundamentais para conduzir um indivíduo à realização profissional.

Isto se chama administrar sua carreira, um pilar importante para ser um profissional bem sucedido. É importante destacar que algumas situações vivenciadas no ambiente corporativo podem ser inicialmente percebidas como entraves para autorrealizaçâo. Por exemplo, exercer atividades com as quais não se identifica ou que não correspondem com a formação acadêmica, estar insatisfeito com o clima ou o rumo organizacional, ou ainda, não ter reconhecimento.

E o que fazer diante deste cenário? Ter uma postura de vítima apontando a empresa ou o mercado de trabalho pelo seu insucesso profissional? Certamente que não.

Avaliação.

Cada um é responsável pela sua própria carreira e esta tarefa é indelegável. Assim, seguem alguns questionamentos para cada entrave apontado acima:
1) Se suas atividades são incompatíveis com sua formação acadêmica ou com seus interesses - Já procurou uma outra forma de realizar estas atividades? Tem investido em sua capacitação para atrair oportunidades dentro da área desejada?
2) Se está insatisfeito com a empresa - Já analisou o que o desagrada? Tem procurado desenvolver competências que podem ser bem avaliadas por outras empresas? Está atento às demandas do mercado de trabalho? Como está sua rede de contatos?
3) Se não está tendo reconhecimento - Já conversou com o gestor sobre o seu desempenho? Como está seu marketing pessoal? Tem dado visibilidade as suas realizações ? Como se relaciona com seus pares? Como está sua imagem no ambiente de trabalho?
São reflexões simples, que levam a um exercício de autoconhecimento e que podem acarretar uma mudança de postura na empresa, oportunidades de modificação, revalidação de projetos ou até um redirecionamento de carreira. O importante é abrir portas, articular caminhos para melhores possibilidades de sucesso, pois ele não vem por acaso.
Vale lembrar que ter autoconfiança e autoestima é fundamental, pois são poderosas aliadas para quem busca sucesso pessoal e profissional. Assim, uma questão passa a ser fundamental: Você acredita em si mesmo? No mais, é saber que para ter sucesso é preciso querer, e que ele está relacionado ao prazer que se tem no que se realiza. Já foi comprovado que as chances de se obter sucesso na vida aumentam consideravelmente quando se coloca paixão no que faz.
Desejar sucesso para alguém é querer seu bem estar, realização em qualquer esfera de sua vida. Sendo assim, sucesso para todos nós.

Ruth Duarte
GERENTE DE CARREIRAS - IBMEC-RJ



Fonte:http://www.info4.com.br/gomateria.asp?cod=69351&nome=153&cliente=2492&a=153&c=2492&m=69351

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O ativo essencial

Investir em você – e nos seus filhos – é o melhor meio de multiplicar seu capital e contribuir para a sociedade

Por Robson Viturino - 07/12/2011 para Época Negócios

Há um tipo de investimento cujos resultados são incertos – talvez os mais incertos do mercado – mas que têm o potencial de afetar todos os outros. Trata-se do investimento em si próprio e, por extensão, em sua família. Ele é difícil de avaliar, porque cada pessoa define o que é importante para si, e a partir dessa definição mudam todas as métricas. Estudar seis anos de medicina vale a pena? Claro que sim, se você quiser ser médico. E se, depois da faculdade, você se tornar padeiro, como Alberto Saraiva? Aí talvez não. Por outro lado, quem sabe se a dedicação ao curso lhe incutiu disciplina e autoestima úteis para criar uma grande empresa, como a rede de lanchonetes Habib’s? Como diziam os gregos antigos, só é possível saber se você é afortunado no último instante da sua vida. Até lá, tudo pode mudar.
Nesse sentido, investir em si – estudo, viagem, mudança de cidade, casamento – se assemelha muito com os investimentos financeiros. Lida-se com probabilidades, e há riscos maiores e menores, expectativas de retorno maiores e menores. Isso significa que podemos nos beneficiar muito de boas estratégias.
Em primeiro lugar, vale aqui um dos principais mantras dos especialistas: sempre que possível, pense no longo prazo. Neste caso, não apenas em relação ao ganho financeiro. Também para a realização pessoal, para a própria construção da identidade. Dedicar uma ou duas horas a mais de estudo por dia durante a adolescência pode levar, duas décadas depois, a uma profissão que lhe traga o dobro dos rendimentos, ou o quíntuplo da satisfação (ou ambos).
É uma questão de escolhas. Ir por um caminho significa não seguir outros. É o que os economistas chamam de custo de oportunidade. Melhor perseverar numa carreira promissora, com uma promoção à vista, ou raspar suas economias para fazer um MBA no exterior? Ou tentar as duas coisas, fazendo um MBA no Brasil? Ou largar tudo e dar a volta ao mundo num veleiro?
Conhecimentos técnicos tendem a virar commodity, diz Cortella.
Daí o prêmio para a formação heterodoxa

A aposta de Lemann
Muito antes de lidar com a gestão de risco na mesa de operações, o carioca Jorge Paulo Lemann o fez com a própria carreira. Hoje ele é sócio do 3G, fundo que controla a cervejaria AB InBev e a rede de franquias de lanchonetes Burger King. Também é conhecido como o criador da “cultura Garantia”, uma fórmula de gestão baseada na meritocracia e no cumprimento de metas. Essa identidade começou a ser forjada há 50 anos. Na época, Lemann se dividia entre a faculdade de economia em Harvard e as quadras de tênis. Ele era um esportista promissor – foi pentacampeão brasileiro e competiu na Copa Davis. O problema é que, segundo seus padrões ultracompetitivos, seguir nas quadras era arriscado demais. “Pelo tanto que jogava, percebi que dificilmente estaria entre os dez melhores do mundo. Resolvi parar”, disse ele, anos atrás, à revista Tênis Brasil.
Nem sempre a tomada do risco é sustentada por um diploma de Harvard. O catarinense Vilfredo Schurmann largou um bom emprego em contabilidade para viajar com a família pelo mundo em um veleiro. Sua decisão foi ancorada mais no que não queria fazer (manter seu modo de vida) do que em uma visão do futuro. Durante o trajeto, porém, a família adquiriu novos conhecimentos. Hoje a Família Schurmann é uma empresa que toca projetos de aventura, dá consultoria, faz cursos.
As escolhas de Jobs
É uma peculiaridade do investimento em você. Quanto mais se investe, mais o produto (você) se transforma, e isso em geral afeta os próprios objetivos do investidor (você, também). Tome o caso de Steve Jobs, cofundador da Apple, morto em outubro. Suas escolhas na juventude pareciam todas erradas: experiências com ácido, abandono de casa para viver num mosteiro budista, menosprezo pela faculdade de primeira linha. Durante meses, Jobs vagou pelo campus como um vagabundo, e assistia apenas às aulas de caligrafia, sem nenhuma aplicação prática. Anos mais tarde, avaliou que essas experiências o ajudaram a montar sua empresa. Sua receita, proferida num famoso discurso aos alunos de Stanford, em 2005: siga seus sentimentos, busque aquilo em que você pode fazer diferença no mundo.
Não quer dizer que as contas sejam dispensáveis. Para tomar decisões, é preciso conhecê-las. A educação, por exemplo. Qual o retorno para o estudo em uma escola de alto nível? Bill Gates não completou a faculdade, e é o segundo homem mais rico do mundo. Mas, entre os brasileiros com renda acima de R$ 10 mil, 78% concluíram a faculdade – e 15% destes têm pós-graduação. Em geral, os pais fazem essa conta intuitivamente, e o aspecto financeiro é apenas um dos fatores (além dos seus valores, estilo de vida, o sacrifício de outros gastos etc.).
O investimento no MBA
Cursos de MBA têm equação similar. Normalmente, 80% dos alunos obtêm posições melhores do que as anteriores ao curso, segundo Ricardo Betti, diretor da MBA Empresarial, escola preparatória para ingresso nas faculdades de elite. “Depois de dois anos numa faculdade de ponta, o salário anual salta de US$ 57 mil para US$ 110 mil.” Porém, ao considerar um curso desses, é preciso avaliar variáveis como o salário que deixa de entrar na conta (o custo de oportunidade), a interrupção de uma trajetória profissional, a chance de a economia do país desandar. Além, é claro, dos US$ 170 mil médios de um MBA de ponta. Para complicar a decisão, há uma gama de possibilidades intermediárias: MBA nacional, em tempo parcial, moldado pela empresa, pós-graduação...
Investimentos heterodoxos
Obviamente, o MBA não é a única forma de apostar na formação. Muitas vezes, investir numa formação heterodoxa pode render ótimos frutos. Estamos falando de viagens, trabalho voluntário ou cursos que nada têm a ver com a sua área principal. É um campo menos estruturado. O risco, então, é maior. E a recompensa também pode ser. “Os valores intangíveis adquiridos nessas atividades ajudam a obter coisas concretas”, afirma Mário Sérgio Cortella, professor de filosofia da PUC de São Paulo e um dos palestrantes mais concorridos do Brasil. De acordo com ele, os conhecimentos técnicos tendem a ser vistos como commodities. Todo mundo tem. Daí o prêmio para as outras capacidades profissionais. “As vivências que melhoram a capacidade de se relacionar e estimulam a criatividade serão cada vez mais valorizadas pelas empresas”, diz Cortella.
Cronograma de aplicações
Como em qualquer aplicação, quanto mais cedo você investir na sua formação, mais rendimento terá. “Até os 30 anos, sua carteira deve ter pelo menos um terço de investimento em si próprio”, diz o especialista em contratação de executivos Robert Wong. Aos 80, não faz tanto sentido iniciar um carreira nova. (Mas o guru da administração Peter Drucker investia na aquisição de conhecimentos em uma área nova a cada década. Fez isso até sua morte, às portas de completar 96 anos.)
O investimento básico, de grande porte, é feito (pelos pais) durante a infância e adolescência. Na juventude, você entra com algum aporte, mais sua disposição e método. No meio de carreira, é preciso avançar e, ao mesmo tempo, testar outras águas (um difícil equilíbrio). À medida que você colha os frutos de suas apostas, convém tornar-se mais conservador nos investimentos. Em suma, o seu portfólio intelectual tem de ser gerido com as mesmas características necessárias nas suas finanças: consistência, atenção, informação, adequação ao seu nível de risco aceitável – e mira nos seus objetivos.
   Reprodução

sábado, 21 de janeiro de 2012

O que faço se não me sinto feliz como chefe?


Por Vicky Bloch - responde
Trabalho há pouco mais de um ano em uma empresa de médio porte que está crescendo muito rápido. Há alguns meses, fui promovido a um cargo de liderança, que estou exercendo pela primeira vez. Comando uma equipe de cinco pessoas, dou treinamentos, oriento projetos e faço relacionamento com clientes, mas não me sinto à vontade com as minhas novas funções. Gostaria muito de poder voltar ao meu cargo antigo, mas sei que posso parecer ingrato e até incompetente. Ao mesmo tempo, estou muito infeliz e já pensei até em pedir demissão. O que devo fazer?
Gerente, 31 anos:
Resposta:
Você não está sozinho nessa. Em toda situação de mudança pode haver um desconforto, principalmente quando você sai de uma posição técnica para assumir a gestão de pessoas. Antes de mais nada, vamos avaliar se não se trata apenas de uma insegurança. O que te deixa desconfortável? Liderar pessoas? Fazer contato com clientes? Orientar em vez de fazer?
Não se sentir preparado é natural, mas você pode ultrapassar essa barreira e suprir essa necessidade fazendo cursos de liderança e pedindo ajuda a pessoas de sua confiança que exerçam a função de gestores de pessoas. Se o problema é o relacionamento com os clientes, lembre-se que você já tem uma parte importante para essa função que é o conhecimento técnico. Tente descobrir se você não está se boicotando e se é só a insegurança de uma nova função que está causando tanto desconforto.
Você certamente já tem muitas competências exigidas para a nova função, que precisam apenas ser aprimoradas. Não tinha que vender projetos internamente, por exemplo? Isso requer negociação e, provavelmente, você exercia a competência de influenciar os outros. Não se pode desprezar as habilidades que podem ser usadas com um maior grau de complexidade quando se dá um passo adiante na carreira.
Agora vamos admitir que essa infelicidade é realmente causada por uma questão de perfil e que você de fato não tem interesse e nem aptidão para crescer na carreira tradicional administrativa de coordenador, gerente, diretor e presidente. Nesse caso, converse com a área de recursos humanos para checar se existe a possibilidade de seguir uma carreira em Y, movimento em que o profissional é valorizado por sua expertise técnica e consegue crescer lateralmente. As empresas mais avançadas nessa prática permitem, inclusive, que um técnico de destaque e com conhecimentos fundamentais para a organização tenha remuneração equivalente à de um gerente ou diretor.
Se a sua empresa ainda não adotou esse modelo, creio que seja uma oportunidade de você abrir o jogo com o seu chefe e com o gestor de RH e sugerir que você possa se manter na função técnica, mas é fundamental que demonstre interesse em se desenvolver na carreira.
A questão é como deve ser essa conversa para que não fique a impressão de que você é acomodado. Mesmo não sendo gerente, você terá de aprimorar seus conhecimentos e desenvolver novas competências, inclusive algumas gerenciais.
De forma geral, as companhias adotam a carreira em Y para cargos fundamentais para o seu 'core business', como áreas de tecnologia ou engenharia. Em uma empresa aeronáutica, por exemplo, é fundamental reter os melhores engenheiros aeronáuticos e mantê-los em funções técnicas.
Ainda assim, saiba que essa mudança poderá ser vista por colegas e até mesmo por alguns gestores como um retrocesso. Cabe a você se destacar como especialista, aperfeiçoar-se cada vez mais e mostrar que sua decisão estava correta. Em vez de liderar pessoas, você pode mostrar que é um excelente líder de projetos.
Vicky Bloch é professora da FGV, do MBA de recursos humanos da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados
Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações. As perguntas devem ser enviadas para:
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Fonte: http://www.valor.com.br/impresso/eu-carreira/o-que-faco-se-nao-me-sinto-feliz-como-chefe

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

10 comportamentos que prejudicam a carreira

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 


Não são raros os casos de profissionais que investem quase que a vida toda na aquisição de novos títulos que teoricamente ajudariam a alavancar a ascensão na carreira. No entanto, o que se percebe é que todo o esforço parece ter sido em vão e outros colegas de trabalho, que não possuem tantas especializações até já receberam propostas para gerenciar equipes na própria empresa e convites até mesmo da concorrência. Mas, o que ocorre? A resposta pode estar não no campo técnico, mas na área comportamental do indivíduo. Selecionei algumas atitudes que podem prejudicar a carreira de muitas pessoas, que sem perceberem comprometem o próprio futuro profissional no dia a dia da empresa em que atuam.

1 - Quando se deparam com o fato de passarem por um processo de avaliação de desempenho, muitos profissionais sentem-se ofendidos e não veem nessa ferramenta, a possibilidade de receber um feedback tanto dos seus pontos fortes quanto daqueles que precisam ser trabalhados. Resultado: deixam uma rica oportunidade de desenvolvimento passar por suas mãos ou, pior ainda, imaginam que a sua avaliação é apenas uma desculpa para que ele seja desligado da organização.
2 - "Eu falei e ponto final". Quantas pessoas, nesse exato momento, proferem essa frase sem pensar no efeito que elas trarão às suas carreiras? Hoje, a competência comportamental de se mostrar aberto ao diálogo com os demais colegas de trabalho, não importa a função que se exerça, é considerada um diferencial significativo para um mercado altamente competitivo. Se alguém não está disposto a escutar os demais que estão ao seu lado, reduz significativamente as chances de também ser ouvido por outros. Isso, por sua vez, cria um isolamento, uma espécie de quarentena que envolve a pessoa e a deixa alheia ao que acontece ao seu redor.
3 - "O quê? Agora que você conseguiu entender esse procedimento? Eu já sei como tudo funciona e os outros sempre devem me procurar, porque estou certo nas minhas decisões e não erro nunca". Infelizmente, ainda há profissionais que carregam consigo essa mentalidade e arrogância de serem os melhores. Ninguém é suficientemente "intocável" e detentor de todo conhecimento, mesmo que já atue em uma função por anos.
4 - Para quem apresenta um comportamento como o citado acima, é sinal de que dificilmente essa pessoa estará apta para o desenvolvimento e quando isso ocorre, é porque o "sinal vermelho" foi dado faz tempo. Sair da zona de conforto, não representa valor algum para esse tipo de profissional. Afinal é mais cômodo ficar onde está, porque dá menos trabalho e "em time que ganha, não se mexe". Quantos profissionais já amargaram os resultados dessa "premissa" ultrapassada?
5 - O novo sempre gera receio para qualquer indivíduo, isso é muito mais comum do que se imagina. Quem, por acaso, gostaria de pular um muro alto sem saber o que o aguarda do outro lado? Uma pessoa de bom senso, no mínimo, tentaria dar uma "olhadinha básica" para não se dar mal. Diante de tanta velocidade no universo globalizado, não dá para ficar parado e esperar que isso passe despercebido e sem consequências para o futuro de uma carreira. Dizer não às mudanças é o mesmo que pisar em um campo cheio de pregos, com os olhos vendados.
6 - "O conhecimento que adquiri é apenas meu e não vou compartilhá-lo com quem quer que seja". Imagine uma pessoa que se acha detentor do conhecimento e que em momento algum passa pela mente que um dia precisará consultar ou pedir ajuda a algum dos seus pares. Existe uma significativa probabilidade de que esse profissional não consiga apoio dos colegas, uma vez que ele "sabe de tudo".
7 - Se uma equipe alcança êxito em uma atividade, há quem possa querer ganhar os "louros" apenas para si, pois sem sua presença logicamente os resultados não teriam sido alcançados. Todos que formam uma equipe contribuem de alguma forma para a obtenção do êxito. Acreditar que tudo funciona ao seu redor, é característica explícita de uma pessoa egocêntrica e que devido ao seu autoestrelismo, acaba por apagar o próprio brilho. Lembre-se: o espírito de equipe é uma das competências comportamentais mais valorizadas por empresas competitivas e que oferecem ótimas chances de ascensão.
8 - Não existe problema algum em querer galgar degraus mais altos no campo organizacional. No entanto, há pessoas que extrapolam os limites do bom senso e acreditam que "pisando nos colegas", o sucesso chegará mais fácil. É bom lembrar que todos os dias, as atitudes fazem a nossa marca não apenas junto ao colega que senta ao nosso lado, mas também a toda empresa. E como a facilidade de troca de informações, a imagem do profissional propaga-se mesmo que ele próprio pense que determinados fatos ficarão restritos a quatro paredes. Hoje o network, as redes de relacionamento também costumam ser fontes de pesquisas para saber qual a reputação que o profissional construiu no mercado.
9 - "Todos querem tomar meu lugar e não posso confiar nem na moça que serve o cafezinho". Quando um profissional chega a esse estágio, existem três alternativas: ou ele procura uma nova colocação no mercado; torna-se foco de conflitos que comprometem o clima organizacional ou, ainda, é um candidato a ter um enfarto ou a provocar um ataque cardíaco no colega ao lado. Caso a pessoa sinta-se perseguida no ambiente de trabalho, é preciso que tenha a atitude de conversar com seu gestor ou o final pode gerar sérios problemas tanto individuais quanto para a coletividade.
10 - "Não sei de deveria contar, mas fiquei sabendo de uma novidade!!!". Há pessoas que além de estimularem a circulação de boatos dentro da equipe, não perde a oportunidade de acrescentar uma exagerada dose de dramaticidade. Quem usa o seu tempo para "observar" o colega, esquece que os ponteiros do relógio não param e que a sua própria vida também passa rapidamente e com ela, boas oportunidades que não mais baterão à porta.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Inicie uma mudança de carreira

Inicie uma mudança de carreira

Por Ian Christie, escritor convidado do Monster


A possibilidade de mudar de carreira é divertida e perigosa. Se você souber exatamente o que quer seguir, não se deixe intimidar pelos enormes desafios apresentados no processo de mudança de carreira. Aplique estas estratégias poderosas para transformar essa mudança de carreira em uma realidade.

Determine os pontos que podem ser aproveitados

Faça uma lista com as habilidades e experiências que você pode aproveitar em sua mudança de carreira. Veja alguns exemplos:

Tipo de empresa: aproveite seu conhecimento sobre os tipos de empresa em que já trabalhou. Organizações sem fins lucrativos têm alguns pontos em comum. Isso também é válido em empresas familiares ou empresas administradas pelo proprietário e, até certo ponto, em empresas públicas.
Habilidades que podem ser transferidas: na maioria dos casos, as habilidades que você desenvolveu em uma carreira serão relevantes na próxima. Gerenciamento de projetos, liderança de equipes, vendas, atendimento ao cliente, recursos de análise, solução de problemas, contratação, treinamento e várias outras capacidades são habilidades comuns que podem ser transferidas.
Experiência: use todas as experiências de início, encerramento, fusão, lançamento de produtos ou crises corporativas pelas quais já passou como lição ao trabalhar com empresas que estão enfrentando situações parecidas.
Ambiente de trabalho: se você já trabalhou em um ambiente que parece uma panela de pressão, não estranhará um ambiente semelhante em outro setor. A mesma coisa acontecerá se você já lidou com sindicatos, trabalhou para empreendedores ou trabalhou sem supervisão.
Redes de contato: aproveite seus relacionamentos atuais para encontrar pontos de entrada em seu novo campo. Você só precisa de um tipo diferente de conversa para começar. Pergunte aos contatos o que eles fazem e quem conhecem com relação ao campo em que você deseja entrar. Siga as dicas deles e você fará progresso rapidamente.

Embase seu caso com eficiência

Verifique se você tem motivos válidos e fortes para mudar de carreira. Se você souber por que deseja fazer essa mudança e o que espera ganhar com isso, aumentará significativamente suas probabilidades de êxito. Além disso, você pode articular esses motivos para possíveis empregadores e explicar o que isso significa para eles. Os empregadores não gostam de sentir que você está fugindo de alguma coisa.

Encontre o ponto de entrada lógico

Geralmente, uma determinada função ou empresa servirá como uma transição natural em seu novo campo. Aumente suas chances de ser contratado usando seu conhecimento para identificar onde você pode se enquadrar melhor.

Não faça análises em excesso

Ter um sólido conhecimento de você mesmo é fundamental para administrar sua mudança de carreira, mas evite fazer análises em excesso. Você não pode só pensar em mudar de carreira; às vezes, é necessário agir.

Contate pessoas que fazem parte do campo em que pretende entrar

Quando você está mudando de carreira, seu currículo não é tão útil quanto uma ferramenta de marketing. Devido a isso, criar uma rede de relacionamentos é muito mais importante. Entre em contato com pessoas que fazem parte do campo em que você pretende entrar para confirmar seu interesse e saber mais sobre as oportunidades.

Marque sua presença

Nas entrevistas, seja um candidato marcante, falando sobre as ações que realizou e que comprovam seu comprometimento com o campo. Mostre seu conhecimento sobre o setor e mencione eventos do setor em que já participou ou associações do setor em que trabalha como voluntário. Se você tiver um blog relacionado ao setor, mencione-o também. Você pode inclusive mostrar um white paper sobre um ponto do setor que pesquisou ou um plano de negócios que demonstra o valor que você pode agregar para a organização.

Sua meta é fazer com que os possíveis empregadores o vejam como alguém que já está no setor e que deve permanecer, independentemente da contratação. Não deixe a impressão de que, se não for contratado, você fará outra coisa.

Trabalho extra

Uma maneira tangível de começar a mudar de carreira é conseguir um trabalho freelance ou de meio período. Esse tipo de trabalho incrementa seu currículo e permite que você tenha um primeiro contato com seu novo campo.

Etapas concretas como estas criam marcos no processo de mudança de carreira, demonstram seu comprometimento com os possíveis empregadores e validam seus planos.

http://yahoo.carreira.monster.com.br/desenvolvimento-profissional/mudanca-de-carreira/inicie-uma-mudanca-de-carreira/article.aspx

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Filho de Warren Buffett conta o que aprendeu com o pai

Filho de Warren Buffett conta o que aprendeu com o pai

Peter Buffett não seguiu a carreira de investidor, mas diz como Warren influenciou sua vida


Quase todos os investidores do mundo param para ouvir quando Warren Buffett tem algo a dizer. Diversas biografias já foram escritas na tentativa de desvendar como Buffett ganhou tanto dinheiro no mercado acionário. As reuniões anuais de seu fundo de investimento, o Berkshire Hathaway, costumam reunir milhares de pessoas na pequena cidadezinha de Omaha, no Nebraska. Entrevistas e artigos do mais bem-sucedido investidor de todos os tempos costumam figurar entre as mais lidas e comentadas em sites, jornais e revistas econômicas. Apesar da existência dessa legião de pessoas que tenta aprender a ganhar dinheiro com o "Oráculo de Omaha", nenhum de seus três filhos decidiu seguir a carreira de investidor. Mas isso não é um sinal de que eles não aprenderam nada com o pai. Em entrevista ao site americano MoneyWatch.com, o músico Peter Buffett, o caçula de Warren, revelou cinco lições de Warren utilizadas em sua carreira de músico:
1 - Siga seu próprio caminho, e não a manada: Peter Buffett conta que não se mudou para Hollywood após a participação bem-sucedida no filme "Dança com Lobos", que tem Kevin Costner como protagonista e ganhou sete Oscar em 1991. Ele continuou a morar em Milwaukee e manteve-se fiel às próprias raízes apesar do sucesso da trilha sonora do filme, composta por ele e por John Barry. Com a decisão, Peter seguiu o exemplo do pai, que até hoje mora em Omaha - e não em Wall Street, sede dos principais bancos de investimento e lar de boa parte dos maiores investidores do mundo. Warren costuma dizer que, ao evitar o contato com a ganância e as mudanças de humor de Wall Street, tornou-se um investidor melhor.
2 - Dê a seus filhos apenas oportunidades: Peter Buffett diz que seu pai lhe ajudou a dar os primeiros passos na carreira. Viver da herança do megainvestidor, no entanto, não foi uma opção que esteve a seu alcance. O pai costumava dizer: "Dê o suficiente para ele fazer qualquer coisa, mas não o suficiente para ele não fazer nada." Mesmo que você não tenha o dinheiro e a influência de Warren Buffett para ajudar seus filhos, fica a lição de que se esforçar para lhe pagar uma boa faculdade, por exemplo, é uma sábia decisão. Mas os filhos devem saber que chegará uma hora em que eles terão de se virar para a própria carreira deslanche.

3 - Não se esqueça da filantropia: É lógico que Peter Buffett tem mais condições de fazer caridade do que a maioria dos seres humanos. Mas a lição vale para qualquer um. Em 2006, Warren e Susan Buffett doaram 1 bilhão de dólares a cada um de seus filhos para que eles praticassem a filantropia. Em conjunto com sua mulher, Jennifer, Peter Buffett criou a Fundação NoVo, que ajuda mulheres e adolescentes que "sofrem com a violência e a discriminação simplesmente porque são do sexo feminino". Peter conta que um dia Warren lhe perguntou: "Você acha que isso vai afetar sua música?" Na época, ele conta que considerava a carreira musical e a filantropia coisas completamente dissociadas. Mas hoje ele acredita que sua música se tornou mais interessante graças à fundação NoVo.
4 - Invista em potencial: Os grandes investidores entendem que os maiores retornos não vêm das melhores empresas, mas das companhias injustamente pouco valorizadas pelo mercado. Peter diz que usou esse mantra em sua fundação. "Se você investir em um ativo subvalorizado e deixá-lo crescer, o mercado vai reconhecer seu valor, o que lhe trará um retorno enorme", diz.
5 - Faça o que você gosta: "Meu pai sempre me disse para fazer o que eu amo", afirma Peter. Meu pai me dizia: "Não faça nada além de sua paixão - se você tiver sorte o suficiente para encontrá-la." O mais difícil, relata Peter, foi descobrir qual caminho traria a felicidade.

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/filho-warren-buffett-conta-5-coisas-aprendeu-pai-571735?page=1&slug_name=filho-warren-buffett-conta-5-coisas-aprendeu-pai-571735