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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Liderança Inspiradora

Liderança Inspiradora
http://www.abtd.com.br - Data da Publicação: 17/09/2010

Por DILL CASELLA
  Em minha vivência de líder e liderado em grandes corporações, já vivi os momentos dos mais gratificantes e sublimes aos mais difíceis de minha carreira.
Montei equipes, desmontei, remontei, fui "desmontado", elogiei, fui elogiado, celebrado e até fui assediado moralmente...

Como ser um líder que inspira a equipe? Daqueles que fazem a gente ficar emocionado com um discurso! Aqueles que sentimos vontade de apresentar resultados pelo simples poder da validação de nosso esforço!

Se você é líder ou está buscando este caminho, vá além de motivar a equipe para buscar os resultados. Vá além do aconselhamento, do planejamento, da premiação da equipe e até do "castigo" para um mau resultado... Talvez um bom líder seja a soma de tudo isso, sabendo usar os ingredientes citados acima no momento certo.

Porém, o que diferencia um mero bom líder do que enxerga longe, faz a diferença e inspira é:


- a capacidade de formar novos líderes. Não dá para pensar em Liderança Inspiradora sem a sucessão de atitudes vencedoras. O Inspirador mostra o caminho e facilita o aparecimento dos novos valores;

- a aceitação, por parte do líder de que o liderado possa ser tecnicamente melhor que ele. O líder será cobrado muito mais por habilidades conceituais e humanas do que por habilidades técnicas;

- a arte de dar exemplo. O bom exemplo, é claro... Falo isso para quem tem a ética em seu discurso; o que se fala tem que ter coerência com a realidade;

- a capacidade de conhecer bem cada liderado e saber a que tipo de estímulo reagem melhor. Leia aqui SINTONIA, se preferir PNL, leia "RAPPORT";

- a arte de resolver eventuais conflitos internos da equipe através da transparência, do estabelecimento de metas comuns, do incentivo ao rodízio e da redução de distorções de comunicação. Dificílimo e extremamente possível ao mesmo tempo!;

- saber dramatizar suas idéias, abusar das metáforas e envolver o time com histórias. Histórias são sedutoras, aumentam a flexibilidade, ultrapassam o limite da resistência de quem as ouve, induzem à maior sensibilidade e facilitam a memorização através das imagens por ela sugerida;

- a humildade e espontaneidade em cumprimentar um liderado pelo trabalho bem feito. Veja aqui a imensa oportunidade de celebrar pequenos e grandes resultados e de validar a existência do colaborador! Difícil? Nada disso! Um elogio certo, os parabéns na hora certa, um sorriso, uma salva de palmas, beijo e até dedão pra cima ("valeu, cara, valeu!"). Incentivar está ligado a buscar união! Ofender gera medos e desafetos. Maradona, técnico da Seleção Argentina na última Copa, mesmo após a humilhante derrota para a Alemanha, permaneceu em campo para recepcionar seus jogadores um a um. Celebrou a derrota? Nada disso! Validou o esforço de seus atletas, mesmo na derrota! Isso fortalece o time para a próxima batalha!

            A história está cheia de líderes que inspiraram e mudaram até o curso dos fatos.
Quero falar de dois deles que tinham em comum: ambição, oratória e determinação.     

O primeiro era glutão, beberrão, não tirava o charuto da boca, pintava quadros, escrevia livros de história, recitava poemas em horas impróprias, inventava máquinas e recebia visitas enrolado num roupão de banho cor de laranja. Porém, quando discursava, o fazia de forma a induzir seu povo a lutar por um futuro vitorioso, contando-lhes histórias de como podiam fazer.

            O segundo não bebia, não fumava e era vegetariano. Tratava com delicadeza secretárias e pessoal do baixo escalão. Abominava o esporte de caça e perdia horas em brincadeiras com crianças pequenas, filhas de assessores. Era centralizador, inflexível e extremamente detalhista no controle das atribuições de seus liderados. Estas três últimas características são fatais para o sucesso de um bom líder. Por outro lado, também dominava amplamente a arte da comunicação.

            Churchill, o primeiro, foi um dos grandes responsáveis pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial.

            O segundo, pagou um preço caro pelo conjunto de características de sua personalidade. Seu nome? Adolf Hitler...

Dill Casella


Reconhecido como um dos melhores palestrantes da atualidade tem conseguido surpreender as platéias por onde passa com índice de aprovação de 95

Liderança e Poder

Liderança e Poder
http://www.abtd.com.br - Data da Publicação: 23/09/2010

Por TOM COELHO
"O poder, em si, não constitui uma garantia moral:
o poderoso pode ter a espada na mão, mas nem por isso é dono do bem."
(Contardo Calligaris)


A liderança é uma competência de caráter relacional, isto é, pressupõe uma relação entre duas ou mais pessoas fundamentada no exercício da influência. A regra é despertar o desejo, o interesse e o entusiasmo no outro a fim de que adote comportamentos ou cumpra tarefas. Além de relacional, a liderança também pode ser situacional, ou seja, determinada pelas circunstâncias.

O poder é o exercício da liderança. Em verdade, inexiste isoladamente, pois o que encontramos são relações de poder. Assim, é notório que se questione: como o poder é exercido por um líder?

Muitos são os estudos acerca dos tipos, bases e fontes de poder. Mencionamos, por exemplo, LIKERT e LIKERT (1979), KRAUSZ (1991), SALAZAR (1998) e ROBBINS (2002), mas ressaltando que todos beberam de alguma forma nos escritos de FRENCH e RAVEN (1959).

Fazendo uma compilação destes estudos, identificamos as seguintes formas de poder:

1. Poder por coerção. Baseia-se na exploração do medo. O líder demonstra que poderá punir o subordinado que não cooperar com suas decisões ou que adotar uma postura de confronto ou indolência. As sanções podem ser desde a delegação de tarefas indesejáveis, passando pela supressão de privilégios, até a obstrução do desenvolvimento do profissional dentro da organização. Pode ser exercido por meio de ameaças verbais ou não verbais, mas devido ao risco de as atitudes do líder serem qualificadas como assédio moral, o mais comum é retaliar o empregado, afastando-o de reuniões e eventos importantes, avaliando seu desempenho desfavoravelmente ou simplesmente demitindo-o.

2. Poder por recompensa. Baseia-se na exploração de interesses. A natureza humana é individualista e, quase sempre, ambiciosa. Ao propor incentivos, prêmios e favores, o líder eleva o comprometimento da equipe, fazendo-a trabalhar mesmo sem supervisão. A recompensa pode ser pecuniária, ou seja, em dinheiro, ou mediante reconhecimento e felicitações públicas. O risco de se usar este expediente como principal artifício para exercício do poder é vincular a motivação das pessoas e sua eficiência a algum tipo de retorno palpável e de curto prazo, inclusive enfraquecendo a autoridade do líder.

3. Poder por competência. Baseia-se no respeito. O líder demonstra possuir conhecimentos e habilidades adequados ao cargo que ocupa, além de atitudes dignas e assertivas. Os subordinados reconhecem esta competência e a respeitam veladamente. Um exemplo fora do mundo corporativo é a aceitação de uma prescrição médica, porque respeitamos o título do médico e seguimos seu receituário mesmo sem conhecer o profissional previamente ou o princípio ativo do medicamento.

4. Poder por legitimidade. Baseia-se na hierarquia. A posição organizacional confere ao líder maior poder quanto mais elevada sua colocação no organograma. É uma autoridade legal e tradicionalmente aceita, porém não necessariamente respeitada. Um exemplo típico é o poder que emana do "filho do dono" que pode ser questionado, embora raramente contestado, se sua inexperiência for evidenciada.

5. Poder por informação. Baseia-se no conhecimento. O líder, por deter a posse ou o acesso a dados e informações privilegiadas, exerce poder sobre pessoas que necessitam destas informações para realizar seus trabalhos. Note-se que o mero acesso a informações valiosas é suficiente para conferir poder a estas pessoas. É o caso das secretárias de altos executivos.

6. Poder por persuasão. Baseia-se na capacidade de sedução. O líder usa de argumentos racionais e/ou emocionais para envolver e convencer seus interlocutores da necessidade ou conveniência de realizarem certas tarefas, aceitarem decisões ou acreditarem em determinados projetos. Trabalha com base em aspectos comportamentais buscando ora inspirar, ora dissuadir os subordinados, de acordo com os objetivos pretendidos.

7. Poder por ligação. Baseia-se em relações. O líder apropria-se de sua rede de relacionamentos para alcançar favores ou evitar desfavores de pessoas influentes. Em tempos de desenvolvimento das chamadas redes sociais, ampliar e usar relações interpessoais constitui vantagem comparativa significativa.

8. Poder por carisma. Baseia-se na exploração da admiração. O líder adota um estilo envolvente, enérgico e positivo e alcança a obediência porque seus liderados simplesmente gostariam de ser como ele. As pessoas imitam-no, copiam-no, admiram-no com a finalidade de identificação.

Dentre todas as categorias apresentadas, não devemos idealizar uma forma de poder específica. Não há certo ou errado. Há o adequado. Em verdade, o mais indicado é que um líder saiba como, onde e quando exercer seu poder de acordo com o perfil dos subordinados, das circunstâncias e de seus objetivos. Assim, o poder carismático ou por recompensa podem proporcionar maior adesão e atração por suas ideias, da mesma maneira que o poder legítimo ou por coerção podem acarretar resistência por parte dos subordinados.

Tom Coelho é educador conferencista e escritor com artigos publicados por mais de 700 veículos da mídia em 15 países É autor de Sete Vidas - Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional pela editora Saraiva e coautor de outros quatro livros Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelhocombr Visite wwwtomcoelhocombr