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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Competências essenciais



Introdução
As competências essenciais são esses recursos que são críticos para uma empresa alcançar vantagem competitiva. O ponto de partida para a análise de competências essenciais é reconhecer que a concorrência entre as empresas é muito mais uma corrida para o domínio de competência, como é para posição de mercado e poder de mercado. A alta administração não pode incidir sobre todas as atividades de um negócio e as competências necessárias para realizá-las. Assim, o objetivo é para a gestão de chamar a atenção para as competências que realmente afetam a vantagem competitiva.
A obra de Hamel e Prahalad
As principais idéias sobre as competências essenciais foram desenvolvidos por CK Prahalad e Hamel G através de uma série de artigos na Harvard Business Review, seguido por um livro best-seller - . Competindo pelo Futuro A idéia central era que ao longo do tempo as empresas podem desenvolver áreas-chave de conhecimentos que são distintos para que empresa e essencial para o crescimento da empresa a longo prazo.
"Nos anos 1990, os gestores vão ser julgados pela sua capacidade de identificar, cultivar e explorar as competências essenciais que tornam o crescimento possível -. Na verdade, eles vão ter que repensar o conceito da empresa que eu ' CK Prahalad e Hamel 1990 G
Estas áreas de especialização podem ser em qualquer área, mas são mais propensos a desenvolver nas críticas, áreas centrais da empresa, onde os mais valor é agregado aos seus produtos.
Por exemplo, para um fabricante de equipamentos eletrônicos, as principais áreas de atuação poderia ser na concepção dos componentes e circuitos eletrônicos. Para um fabricante de cerâmica, que poderiam ser as rotinas e processos no coração do processo de produção. Para uma empresa de software das competências-chave pode estar na simplicidade global e utilidade do programa para os usuários ou, em alternativa, a alta qualidade da escrita de código de software que alcançaram.
Competências essenciais não são vistos como sendo corrigido. Competências essenciais devem mudar em resposta a mudanças no ambiente da empresa. Eles são flexíveis e evoluem ao longo do tempo. Como uma empresa evolui e se adapta às novas circunstâncias e oportunidades, assim suas competências centrais terão de se adaptar e mudar.
Identificar competências essenciais
Prahalad e Hamel sugerem três fatores que ajudam a identificar as competências essenciais em qualquer negócio:
O que a Core Competence alcançar?
Comentários / Exemplos
Fornece acesso potencial a uma ampla variedade de mercados
As principais competências-chave são aquelas que permitem a criação de novos produtos e serviços.
Exemplo: Por que a Saga estabelecida como uma liderança forte no fornecimento de serviços financeiros (seguros, por exemplo) e feriados para a geração mais velha?
Competências essenciais que permitem Saga para entrar em mercados aparentemente distintos:
- Proposta da marca Limpar distintivo que se concentra exclusivamente em um grupo de clientes estreitamente definida
- Principais habilidades de marketing direto - gestão de dados;-mails direto campanhas; chamar de conversão de vendas centro
- Habilidades em gestão de relacionamento com cliente
Faz uma contribuição significativa para os benefícios percebidos dos clientes do produto final
As competências essenciais são as habilidades que permitem a uma empresa para fornecer um benefício ao cliente fundamental - em outras palavras: o que é que faz com que os clientes a escolher um produto em detrimento de outro? Para identificar as competências essenciais em um mercado particular, perguntas como "porque é que o cliente disposto a pagar mais ou menos por um produto ou serviço do que outro?" "O que é um cliente realmente pagando?
Exemplo: Por que a Tesco foi tão bem sucedida em capturar a liderança do mercado de compras online?
As competências essenciais que significam os clientes valorizam a experiência Tesco.com tão altamente:
- Desenhar e implementar sistemas de abastecimento que efetivamente ligam lojas existentes com o site web Tesco.com
- Habilidade para projetar e fornecer uma "interface do cliente", que personaliza as compras online e torna mais eficiente
- Infra-estrutura de entrega confiável e eficiente (picking de produtos, distribuição, manipulação de satisfação do cliente)
Difícil para os concorrentes imitar
Uma competência essencial deve ser "competidor original" : Em muitas indústrias, a maioria das habilidades pode ser considerado um pré-requisito para a participação e não fornecem qualquer diferenciação importante concorrente. Para se qualificar como "core", a competência deve ser algo que outros concorrentes gostariam de ter no seu próprio negócio.
Exemplo: Por que a Dell tem uma posição forte no mercado de computador pessoal?
As competências essenciais que são difíceis para a concorrência imitar:
- Cliente on-line "bespoking" de cada computador construído
- Minimização de capital de trabalho no processo de produção
- fabricação de alta qualidade e distribuição - produtos confiáveis ​​a preços competitivos
Uma competência que é central para as operações do negócio, mas que não é excepcional, de alguma forma não deve ser considerado como uma competência essencial , uma vez que irá não diferenciar a empresa de quaisquer outras empresas semelhantes. Por exemplo, um processo que utiliza componentes de computador comum e é composta por pessoas com apenas a formação básica não pode ser considerada como uma competência essencial. Tal processo é altamente improvável para gerar uma vantagem diferenciada sobre as empresas rivais. No entanto, é possível desenvolver tal processo em uma competência essencial com um investimento adequado em equipamentos e treinamento.
Segue-se a partir do conceito de competências essenciais que os recursos que são padronizados ou facilmente disponíveis não permitem uma empresa para alcançar uma vantagem competitiva sobre os rivais.

sábado, 30 de junho de 2012

Modelo de Competências


Estamos vivendo um período de grandes transformações. Este novo ambiente, muito mais dinâmico e competitivo face à globalização, tem demandado das pessoas um novo conjunto de conhecimentos, valores, atitudes e aptidões. Esta mudança é muito mais abrangente e complexa que o impacto da revolução industrial no final do século 19, exigindo que cada um crie o seu novo "eu". Neste novo cenário, os aspectos comportamentais e o domínio de várias línguas são características muito mais importantes que o conhecimento técnico. Em função disso, cresce a cada dia a população de excluídos em todos os lugares do planeta. Vejamos alguns dos requisitos da nova economia:
  • Agilidade
  • Senso de urgência
  • Flexibilidade
  • Trabalho em equipe
  • Compartilhamento de ideias e conhecimentos
  • Inovação
  • Aprendizado contínuo
  • Influência
  • Liderança
  • Visão estratégica
  • ....

    Competências

    Podemos então chamar estes novos requisitos de competências, não podemos?

    Afinal, o que é competência?

    Competências são conjuntos de habilidades, conhecimentos, capacidades, características comportamentais e outros atributos que, na combinação correta e dentro do conjunto certo de circunstâncias, predizem desempenho superior.

    ... é a capacidade de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa; capacidade, habilidade, aptidão, idoneidade (NOVO DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA)

    ... é a capacidade de realizar determinado trabalho." (RENASCIMENTO)

    ... habilidades necessárias para o exercício de atividades específicas. (TAYLORISMO)

    ...é uma característica subjacente de um indivíduo que resulta em desempenho efetivamente superior em um dado cargo. (G.O .KLEMP - DÉCADA DE 50)

    ...é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que têm mostrado causar ou predizer desempenho excelente. (HAY/McBER)
    ... é o conjunto de conhecimentos, habilidades, tecnologias, sistemas físicos, gerenciais e valores que geram diferencial competitivo para a organização, geram valor distintivo percebido pelos clientes e são difíceis de serem imitadas. (PRAHALAD & HAMEL)

    ... conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que credenciam um profissional a exercer determinada função. (MAGALHÃES)

    ... é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes interdependentes e necessárias à consecução de determinado propósito. ( DURAND)

    ... um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo. (MARIA TEREZA FLEURY)

    ... é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que pessoas ou organizações colocam em prática destacando-se e alcançando resultados favoráveis (MARIA RITA GRAMIGNA)

    ... é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que algumas pessoas, equipes ou organizações dominam melhor do que outras, o que as faz se destacar em determinados contextos.(CLAUDE LÉVY-LEBOYER)

    Maria Rita Graminha fala também na arvore das competências profissionais, que é uma ferramenta que possibilita traçar planos de autodesenvolvimento, com base nas competências essenciais. Dr. Helbert Kellner, detentor da metodologia STAR de avaliação em vendas, usa a metáfora da árvore para indicar os três indicadores de uma competência.

    A melhor forma de descrever as competências é o contexto de um iceberg. Como o iceberg uma pequena porção das competências é facilmente identificável na superfície. Essas competências facilmente visíveis ou essenciais incluem habilidades aprendidas, como capacidades e conhecimentos técnicos. Menos visíveis, abaixo da superfície, estão três níveis de comportamentos, cruciais ao desempenho superior ou excepcional.

    As competências têm sido utilizadas como uma ferramenta de negócios eficaz desde o início da década de 70, quando o psicólogo David McClelland, de Harvard, inicialmente apresentou o conceito. Na sua monografia em 1973, propôs a tese segundo a qual um conjunto de tipos específicos de competências, incluindo empatia, autodisciplina e iniciativa, distinguiria os mais bem sucedidos daqueles que eram bons apenas para manterem seus empregos. McClelland sugeriu que, para se encontrarem os tipos de competências que conduzem ao desempenho de primeira grandeza em um determinado emprego, deve-se primeiramente olhar para os profissionais de ponta e determinar os tipos de competência que exibem. Segundo este conceito, uma competência é uma característica pessoal ou um conjunto de hábitos que leva a um desempenho mais eficaz ou de nível mais elevado no trabalho. .

    O conceito de competências evoluiu para "inteligência emocional" desenvolvido principalmente por Daniel Goleman, aluno de David McClelland. Há uma sinergia entre as capacidades de inteligência emocional e de inteligência cognitiva. Os que têm desempenho destacado possuem ambas.
    Competência emocional é uma capacidade adquirida, baseada na inteligência emocional, que resulta num desempenho destacado no trabalho. Nossa inteligência emocional determina nosso potencial de aprender as habilidades praticas que estão baseadas em cinco elementos: auto percepção, motivação, autorregularão, empatia e aptidão natural para os relacionamentos.
    Arvore de Competências Profissionais
    A árvore das competências profissionais, segundo Maria Rita Graminha, é uma ferramenta que possibilita traçar planos de autodesenvolvimento, com base nas competências essenciais.

    treeAs pessoas poderão valer-se da árvore para mapear seu campo de domínio de competências e planejar metas em médio prazo. Adotamos a definição de Claude Lévy-Leboyer, que permite ao profissional compreender o atual enfoque de competências:

    "Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que algumas pessoas, equipes ou organizações dominam melhor do que outras, o que as faz se destacar em determinados contextos."

    Dr. Helbert Kellner, detentor da metodologia STAR de avaliação em vendas, usa a metáfora da árvore para indicar os três indicadores de uma competência:

    A copa representa as habilidades adquiridas e disponíveis para a realização do trabalho, o tronco os diversos conhecimentos e informações acumulados ao longo da carreira e a raiz o conjunto de atitudes e comportamentos que a pessoa mobiliza quando necessita colocar em prática uma competência.

    Para traçar uma árvore, é necessário compreender cada um dos componentes de uma competência, a saber:
    Atitudes
    As atitudes determinam o nível de confiança entre as pessoas, o clima de trabalho, o grau de comprometimento com objetivos e metas organizacionais e, consequentemente, resultados maximizados.
    Assim como na árvore, as atitudes são fruto da estória de cada pessoa: se for bem cuidada e cultivada em sua trajetória de vida, terá raízes fortes que sustentarão o tronco, favorecerão a formação de copas produtivas e a coleta de bons frutos. Caso contrário, a árvore precisará de âncoras e auxílio para sua sustentação e permanência.
    Relacionamos abaixo algumas atitudes, reflexo de nossos valores e crenças, que fazem a diferença na ação gerencial:
    • Sensibilidade interpessoal
    • Energia e Iniciativa para resolver problemas
    • Disponibilidade para ouvir
    • Disponibilidade para receber feedback
    • Interesse e curiosidade
    • Tenacidade, persistência
    • Flexibilidade, adaptabilidade: demonstração de atitude aberta e receptiva às inovações
    • Postura positiva que demonstre dinamismo
    • Integridade e bom senso no trato com as pessoas
    • Partilhamento do sucesso com a equipe de trabalho
    • Senso de honestidade e ética nos negócios
    • Compromisso com resultados
    • Senso de orientação para metas
    • Auto motivação
    • Auto controle
    • Busca permanente de desenvolvimento

    Conhecimentos

    Cada posto de trabalho exige conhecimentos específicos e conhecimentos essenciais.

    Os processos de decisão, planejamento e organização, comunicação, controle de resultados, negociação e administração de conflitos, dentre outros, são afetados pelo nível de conhecimentos essenciais - aqueles que fazem parte do rol que todo profissional deve saber para ocupar seu posto. O domínio de procedimentos, conceitos, fatos e informações relevantes interferem diretamente na qualidade desses processos.

    O conhecimento é um indicador de competências que ajuda a lidar com o paradoxo da fortaleza e da flexibilidade. Quanto mais conhecimentos colocamos em nossa bagagem, mais nos tornamos fortes e nos permitimos ser flexíveis para enfrentar as mudanças e rupturas que surgem em micro intervalos nunca antes pensados.

    competencia

    Habilidades
    Usar o conhecimento de forma adequada é o que chamamos de "habilidade". Algumas pessoas, acumulam um baú de informações teóricas e têm dificuldade de abri-lo para uso. Com o tempo, o baú é esquecido e ninguém se beneficiou de seu conteúdo.

    As habilidades precisam ser demonstradas na prática. O profissional, além de ser bom, precisa demonstrar que suas competências através de ações. De nada adianta colecionar cursos, leituras e informações em geral, se estas não são úteis e trazem algum benefício para a coletividade na qual o profissional está inserido.

    Atitudes X Conhecimentos

    Defino competência como "a capacidade que uma pessoa tem em atingir seus desafios e responsabilidades".

    Existe uma grande discussão conceitual: por competência se entende apenas os aspectos comportamentais ou o conceito é mais abrangente, compreendendo os conhecimentos, habilidades e comportamentos, como é defendido pela maioria dos autores da atualidade.

    Particularmente, tenho restrições à esta definição, já que o diferencial competitivo preconizado por Prahalad está contido nos aspectos cognitivos das pessoas. Nos dias atuais, cada vez mais, conhecimentos e habilidades estão nivelados. O diferencial está, portanto, no jeito de ser "o eu" das pessoas.

    A tabela abaixo demonstra as diferenças entre os aspectos técnicos e os comportamentais:
    Conhecimento e Habilidade
    Comportamental
    Natureza dos Gaps
    Conceitual ou Aptidão
    Atitudes e Valores
    Correção dos Gaps
    Rápida
    Demorada
    Forma de Correção
    Treinamento formal e Laboratório
    Testes, Role play e Coaching
    Em situação de Stress
    Não muda
    Instável
    Impacto do Ambiente
    Pouca influência
    Alta influência
    Motivação
    Pouca Influência
    Alta influência

    As competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo (Fleury e Fleury, 2000). No meio acadêmico e empresarial, ainda não há uma homogeneidade quanto à sua definição, mas reconhece-se dois tipos de competências: as competências dos indivíduos e as competências organizacionais. Há uma tendência de se considerar a competência do indivíduo associada à idéia de ação adequada a um contexto, e a competência organizacional associada a forma como a empresa expressa seu aprendizado coletivo, através de "um conjunto de habilidades e tecnologias" (Hamel e Prahalad, 1995).
    Em seu ultimo livro, Ricardo Xavier publica o resultado de uma pesquisa junto a um grupo de 115 executivos, que avaliaram as qualidades essenciais ou desejáveis para o executivo. As competências consideradas mais importantes foram:
    • Comprometimento
    • Criatividade
    • Gostar do trabalho
    • Habilidade de comunicação
    • Honestidade
    • Iniciativa, espírito empreendedor
    • Liderança
    • Motivação
    • Orientação estratégica
    • Relacionamento interpessoal
    • Responsabilidade

    Principais características das Competências

    Gerald Ledford da University of Southern California recomenda seis características que um modelo de competências sempre deve possuir:
    • Estreita versus Genérica
    • Existente versus nova
    • De baixo para cima versus de cima para baixo
    • Complexa e precisa versus Enxuto e ágil
    • Observável versus Abstrata
    • Princípios duráveis versus Princípios temporários

    Fonte: http://www.cognoscere.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=43&Itemid=55

    Construindo o conceito de competência


    Revista de Administração Contemporânea

    On-line version ISSN 1982-7849

    Rev. adm. contemp. vol.5 no.spe Curitiba  2001

    http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552001000500010 

    ARTIGOS

    Construindo o conceito de competência


    Maria Tereza Leme Fleury; Afonso Fleury



    RESUMO
    Nos últimos anos, o tema competência, seu desenvolvimento, sua gestão, entrou para a pauta das discussões acadêmicas e empresariais, associado a diferentes instâncias de compreensão: no nível da pessoa (a competência do indivíduo), das organizações (ascore competences) e dos países (sistemas educacionais e formação de competências). O objetivo deste trabalho é recuperar o debate teórico a respeito da noção de competência, explicitando o conceito em seus vários níveis de compreensão, relacionando-o à estratégia e aos processos de aprendizagem organizacional. Para tanto, o diálogo entre a literatura americana e a literatura européia, principalmente francesa, enriqueceu a construção deste conceito.
    Palavras-chaves: competência; gestão de pessoas.

    ABSTRACT
    The issue of competence building and management is currently gaining momentum at the academic and the managerial instances. The debates usually focus on one of three distinct levels of analysis: the level of the person (individual competences), the level of the enterprise (core competences of the organization) and the level of a region or nation (educational systems for the formation of local competences). The objective of this paper is to contribute to the theorethical discussion about competence building and management through the development of a conceptual framework, elaborated upon both the American and the European approaches. The key feature of that framework is the dynamic relationship between competitive strategy and competence management.
    Key words: competence; human resources management.



    APRESENTAÇÃO
    Competência é uma palavra do senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa. O seu oposto, ou o seu antônimo, não implica apenas a negação desta capacidade, mas guarda um sentimento pejorativo, depreciativo. Chega mesmo a sinalizar que a pessoa se encontra ou se encontrará brevemente marginalizada dos circuitos de trabalho e de reconhecimento social.
    O dicionário Webster (1981, p. 63) define competência, na língua inglesa como: "qualidade ou estado de ser funcionalmente adequado ou ter suficiente conhecimento, julgamento, habilidades ou força para uma determinada tarefa". Esta definição, bastante genérica, menciona dois pontos principais ligados à competência: conhecimento e tarefa. O dicionário de língua portuguesa Aurélio enfatiza, em sua definição, aspectos semelhantes: capacidade para resolver qualquer assunto, aptidão, idoneidade e introduz outro: capacidade legal para julgar pleito.
    Nos últimos anos, o tema competência entrou para a pauta das discussões acadêmicas e empresariais, associado a diferentes instâncias de compreensão: no nível da pessoa (a competência do indivíduo), das organizações (ascore competences) e dos países (sistemas educacionais e formação de competências)(1).
    O objetivo deste texto é recuperar o debate teórico a respeito da noção de competência, estabelecendo o diálogo entre a literatura americana e européia. Buscando explicitar o conceito em seus vários níveis de compreensão, elaboramos um modelo, relacionando-o às estratégias organizacionais e aos processos de aprendizagem visando ao desenvolvimento de competências.

    O INÍCIO DO DEBATE SOBRE COMPETÊNCIA
    Em 1973, McClelland publicou o paper Testing for Competence rather than Intelligence, que de certa forma iniciou o debate sobre competência entre os psicólogos e os administradores nos Estados Unidos. A competência, segundo este autor, é uma característica subjacente a uma pessoa que é casualmente relacionada com desempenho superior na realização de uma tarefa ou em determinada situação. Diferenciava assim competência de aptidões: talento natural da pessoa, o qual pode vir a ser aprimorado, de habilidades, demonstração de um talento particular na prática e conhecimentos: o que as pessoas precisam saber para desempenhar uma tarefa (Mirabile, 1997).
    Durante a década de 80, Richard Boyatzis, reanalisando os dados de estudos realizados sobre as competências gerenciais, identificou um conjunto de características e traços que, em sua opinião, definem um desempenho superior. Os trabalhos destes autores marcaram significativamente a literatura americana a respeito do tema competência (Spencer e Spencer, 1993; McLagan, 1996; Mirabile, 1997).
    Nesta perspectiva, o conceito de competência é pensado como conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de capacidades humanas) que justificam um alto desempenho, acreditando-se que os melhores desempenhos estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas. Em outras palavras, a competência é percebida como estoque de recursos, que o indivíduo detém. Embora o foco de análise seja o indivíduo, a maioria dos autores americanos sinalizam a importância de se alinharem as competências às necessidades estabelecidas pelos cargos, ou posições existentes nas organizações.
    Ou seja, tanto na literatura acadêmica, como nos textos que fundamentam a prática administrativa, a referência que baliza o conceito de competência é a tarefa e o conjunto de tarefas pertinentes a um cargo. Nesta linha, a gestão por competência é apenas um rótulo mais moderno para administrar uma realidade organizacional ainda fundada nos princípios do taylorismo-fordismo.
    Lawler argumenta contra esta linha de raciocínio, mostrando que trabalhar com o conjunto de habilidades e requisitos definidos a partir do desenho do cargo, próprios do modelo taylorista, não atende às demandas de um organização complexa, mutável em um mundo globalizado. Em tais situações, afirma este autor, as organizações deverão competir não mais apenas mediante produtos, mas por meio de competências, buscando atrair e desenvolver pessoas com combinações de capacidades complexas, para atender às suas core competences. As observações deste autor merecem ser registradas, porquanto, alinhadas com as observações de autores europeus, propiciarão a fundamentação para a elaboração de nosso modelo de análise.
    Observa-se assim que, enquanto prevaleceu o modelo taylorista e fordista de organização do trabalho e de definição das estratégias empresariais, o conceito de qualificação propiciava o referencial necessário para se trabalhar a relação profissional indivíduo-organização. A qualificação é usualmente definida pelos requisitos associados à posição, ou ao cargo, ou pelos saberes ou estoque de conhecimentos da pessoa, os quais podem ser classificados e certificados pelo sistema educacional.
    O debate francês a respeito de competência nasceu nos anos 70, justamente do questionamento do conceito de qualificação e do processo de formação profissional, principalmente técnica. Insatisfeitos com o descompasso que se observava entre as necessidades do mundo do trabalho (principalmente da indústria), procuravam aproximar o ensino das necessidades reais das empresas, visando a aumentar a capacitação dos trabalhadores e suas chances de se empregarem. Buscava-se estabelecer a relação entre competências e os saberes - o saber agir - no referencial do diploma e do emprego. Do campo educacional o conceito de competência passou a outras áreas, como o campo das relações trabalhistas, para se avaliarem as qualificações necessárias ao posto de trabalho, nascendo assim o inventário de competências: bilan de compétences.
    O conceito de competência, que emerge na literatura francesa dos anos 90, procurava ir além do conceito de qualificação. Zarifian (1999) foca três mutações principais no mundo do trabalho, que justificam a emergência do modelo de competência para a gestão das organizações:

    . A noção de incidente, aquilo que ocorre de forma imprevista, não programada, vindo a perturbar o desenrolar normal do sistema de produção, ultrapassando a capacidade rotineira de assegurar sua auto-regulação; isto implica que a competência não pode estar contida nas pré-definições da tarefa; a pessoa precisa estar sempre mobilizando recursos para resolver as novas situações de trabalho.
    . Comunicação: comunicar implica compreender o outro e a si mesmo; significa entrar em acordo sobre objetivos organizacionais, partilhar normas comuns para a sua gestão.
    . Serviço: a noção de serviço, de atender a um cliente externo ou interno da organização precisa ser central e estar presente em todas as atividades; para tanto, a comunicação é fundamental.

    O trabalho não é mais o conjunto de tarefas associadas descritivamente ao cargo, mas se torna o prolongamento direto da competência que o indivíduo mobiliza em face de uma situação profissional cada vez mais mutável e complexa. Esta complexidade de situações torna o imprevisto cada vez mais cotidiano e rotineiro.
    No caso brasileiro, este debate emerge na discussão acadêmica fundamentado inicialmente na literatura americana, pensando-se competência como input, algo que o indivíduo tem. A introdução de autores franceses como Le Boterf, Zarifian, autores ingleses como Jacques e seus seguidores (Billis e Rowbottom, Stamp e Stamp), contribuem para o enriquecimento conceitual e empírico, gerando novas perspectivas e enfoques (Rhinow, 1998; Amatucci, 2000; Fleury e Fleury, 2000; Hipolito, 2000; Rodrigues, 2000; Ruas, 2000).

    CONSTRUINDO O CONCEITO DE COMPETÊNCIA DO INDIVÍDUO
    Na perspectiva adotada neste trabalho, a competência não se limita a um estoque de conhecimentos teóricos e empíricos detido pelo indivíduo, nem se encontra encapsulada na tarefa. Segundo Zarifian (1999) a competência é a inteligência prática para situações que se apóiam sobre os conhecimentos adquiridos e os transformam com tanto mais força, quanto mais aumenta a complexidade das situações.
    A competência do indivíduo não é um estado, não se reduz a um conhecimento ou know how específico. Le Boterf (1995) situa a competência numa encruzilhada, com três eixos formados pela pessoa (sua biografia, socialização), pela sua formação educacional e pela sua experiência profissional. A competência é o conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais nutridas a montante pela aprendizagem e formação e a jusante pelo sistema de avaliações. Segundo ainda este autor: competência é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros. Implica saber como mobilizar, integrar e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num contexto profissional determinado.
    A competência individual encontra seus limites, mas não sua negação no nível dos saberes alcançados pela sociedade, ou pela profissão do indivíduo, numa época determinada. As competências são sempre contextualizadas. Os conhecimentos e o know how não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e utilizados. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere a competência.
    A noção de competência aparece assim associada a verbos como: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber engajar-se, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. Do lado da organização, as competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo.


    Definimos assim competência: um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.
    O que significam os verbos expressos neste conceito? O quadro a seguir (inspirado na obra de Le Boterf) propõe algumas definições.


    AS COMPETÊNCIAS DE UMA ORGANIZAÇÃO: O LINK ENTRE ESTRATÉGIA E COMPETÊNCIA
    Rebatendo a discussão das competências do indivíduo para as competências das organizações, introduz-se a noção da empresa como carteira de competências.
    Durand (1998) assevera que "nos tempos medievais, os alquimistas procuravam transformar metais em ouro; os gerentes e as empresas hoje procuram transformar recursos e ativos em lucro. Uma nova forma de alquimia é necessária às organizações. Vamos chamá-la de 'competência'".
    Os artigos de Prahalad e Hamel (1990) sobre as core competences da empresa despertaram o interesse não só de pesquisadores, mas também entre os profissionais de empresas, para as teorias sobre recursos da firma (resource based view of the firm). Segundo esses autores, para ser chave as competências deveriam responder a três critérios: oferecer reais benefícios aos consumidores, ser difícil de imitar e prover acesso a diferentes mercados. A questão principal diz respeito à possibilidade de combinação das várias competências que uma empresa pode conseguir para desenhar, produzir e distribuir produtos e serviços aos clientes no mercado. Competência seria assim a capacidade de combinar, misturar e integrar recursos em produtos e serviços.
    Uma competência essencial não precisa necessariamente ser baseada em tecnologia stricto sensu: ela pode estar associada ao domínio de qualquer estágio do ciclo de negócios, como por exemplo um profundo conhecimento das condições de operação de mercados específicos. Não obstante, para ser considerado uma competência essencial, esse conhecimento deve estar associado a um sistemático processo de aprendizagem, que envolve descobrimento/inovação e capacitação de recursos humanos.
    Zarifian (1999) diferencia as seguintes competências em uma organização.

    . Competências sobre processos: os conhecimentos do processo de trabalho.
    . Competências técnicas: conhecimentos específicos sobre o trabalho que deve ser realizado.
    . Competências sobre a organização: saber organizar os fluxos de trabalho.
    . Competências de serviço: aliar à competência técnica a pergunta: qual o impacto que este produto ou serviço terá sobre o consumidor final?
    . Competências sociais: saber ser, incluindo atitudes que sustentam os comportamentos das pessoas; o autor identifica três domínios destas competências: autonomia, responsabilização e comunicação.

    Esta classificação proposta por Zarifian (1999) ilumina a formação de competências mais diretamente ligadas ao processo de trabalho de operações industriais. A nosso ver é preciso ampliar o escopo de análise, relacionando a formação de competências à definição da estratégia organizacional. O esquema a seguir ilustra o raciocínio desenvolvido neste trabalho:
    Segundo esta abordagem, a organização, situada em uma ambiente institucional, define a sua estratégia e as competências necessárias para implementá-las, num processo de aprendizagem permanente. Não existe uma ordem de precedência neste processo, mas antes um círculo virtuoso, em que uma alimenta a outra mediante o processo de aprendizagem.

    COMPETÊNCIAS E APRENDIZAGEM
    Como desenvolver as competências em uma organização? Para responder a esta questão é necessário percorrer o caminho que vai da aprendizagem individual, para a aprendizagem em grupo, para aprendizagem na organização.
    Iniciando com o indivíduo, a questão que se coloca é: como eu aprendo?
    Esta questão aparentemente simples implica uma viagem interior, que recupera momentos em que o conhecimento se mistura com a emoção, sinalizando situações positivas e situações tensas e angustiantes.
    A aprendizagem é um processo neural complexo, que leva à construção de memórias. Aquilo que se aprende e depois se esquece é como se nunca tivesse acontecido; o conjunto de coisas de que nos lembramos constitui a nossa identidade. Como o coloca Izaquierdo (1997), o indivíduo é exatamente só aquilo de que se lembra; eu sou quem sou porque me lembro de quem sou, porque sei quem sou. Se não nos lembrássemos de nada, não seríamos alguém; por isso é tão trágica a fase final da doença de Alzheimer, ou a ignorância do próprio eu.
    Aprendo lendo, aprendo ouvindo, aprendo errando, aprendo na prática, aprendo vivenciando a situação na minha cabeça, aprendo observando os outros. Inúmeras são as formas de aprender e cada pessoa se vê única nesse processo.
    Cada espécie animal utiliza mais determinado tipo de percepção para aprender; o ser humano é predominantemente visual e verbal, utilizando aquilo que Pavlov (apud Izaquierdo, 1997) denominou o verbal ou simbólico, de preferência aos demais. A memória visual humana é maior que a auditiva, e a memória verbal-visual é maior que a oral. A quantidade de informações que pode ser adquirida na aprendizagem verbal-visual é maior do que a que pode ser retida pela comunicação oral. Um exemplo são as línguas transmitidas oralmente e que desaparecem, enquanto as línguas transmitidas pela escrita e leitura sobrevivem.
    As emoções e os afetos regulam o aprendizado e a formação de memórias. As pessoas se lembram melhor daquilo que lhes despertou sentimentos positivos do que daquilo que lhes despertou sentimentos negativos e se lembram mal daquilo que as deixou indiferentes. As emoções contribuem fortemente na motivação para a pessoa aprender; parecem dar cor e sabor ao que aprende.
    Aprendizagem pode ser assim pensada como um processo de mudança, provocado por estímulos diversos, mediado por emoções, que pode vir ou não a manifestar-se em mudança no comportamento da pessoa.
    Os psicólogos enfatizam a necessidade de distinguir entre o processo de aprendizagem, que ocorre dentro do organismo da pessoa que aprende, e as respostas emitidas por esta pessoa, as quais podem ser observáveis e mensuráveis. Duas vertentes teóricas sustentam os principais modelos de aprendizagem: o modelo behaviorista e o modelo cognitivista.

    . Modelo behaviorista: seu foco principal é o comportamento, pois este é observável e mensurável; partindo do princípio de que a análise do comportamento significa o estudo das relações entre eventos estimuladores e as respostas, planejar o processo de aprendizagem implica estruturar este processo em termos passíveis de observação, mensuração e réplica científica.
    . Modelo cognitivo: pretende ser um modelo mais abrangente do que o behaviorista, explicando melhor os fenômenos mais complexos, como a aprendizagem de conceitos e a solução de problemas; procura utilizar tanto dados objetivos e comportamentais, como dados subjetivos, levando em consideração as crenças e percepções do indivíduo que influenciam seu processo de apreensão da realidade.

    A teoria da Gestalt, precursora do cognitivismo, pesquisa o processo de aprendizagem por insights. "O indivíduo que tem um insight vê uma situação de uma nova maneira, que implica a compreensão das relações lógicas ou percepção das conexões entre meios e fins" (Hill, 1981).
    As discussões sobre aprendizagem dos indivíduos em organizações se enraízam mais fortemente na perspectiva cognitivista, enfatizando porém as mudanças comportamentais observáveis. Como as pessoas aprendem e desenvolvem as competências necessárias à organização e ao seu projeto profissional?
    Le Boterf (1995) propõe o seguinte quadro sobre o processo de desenvolvimento de competências das pessoas nas organizações:


    Observa-se assim a conjugação de situações de aprendizagem que podem propiciar a transformação do conhecimento em competência. Esta transformação, como já mencionamos no item anterior, só acontece em contexto profissional específico, pois a realização da competência deverá não apenas agregar valor ao indivíduo, mas também à organização.
    A questão, porém, que tem mais preocupado tanto os teóricos como os profissionais ou practitioners da aprendizagem diz respeito a como passar da aprendizagem individual para a organizacional. Sem querer antropomorfizar o conceito de aprendizagem organizacional, é possível distinguir entre os vários níveis em que este processo pode ocorrer, como nos três seguintes.

    . Nível do indivíduo: o processo de aprendizagem ocorre primeiro no nível do indivíduo, carregado de emoções positivas ou negativas, através de caminhos diversos.
    . Nível do grupo: a aprendizagem pode ocorrer em um processo social e coletivo; para compreendê-lo é preciso observar como o grupo aprende, como combina os conhecimentos e as crenças individuais, interpretando-as e integrando-as em esquemas coletivos partilhados; estes, por sua vez, podem constituir orientações para ações; o desejo de pertencer ao grupo pode constituir um elemento motivacional no processo de aprendizagem.
    . Nível da organização: o processo de aprendizagem individual, de compreensão e interpretação partilhadas pelo grupo se torna institucionalizado e expresso em diversos artefatos organizacionais: na estrutura, no conjunto de regras e procedimentos e elementos simbólicos; as organizações desenvolvem memórias que retêm e recuperam informações.

    As organizações podem não ter cérebros, mas têm sistemas cognitivos e memórias; desenvolvem rotinas, procedimentos relativamente padronizados para lidar com os problemas internos e externos. Estas rotinas vão sendo incorporadas, de forma explícita ou inconsciente, na memória organizacional. A mudança em processos, estruturas ou comportamentos não seria o único indicador de que a aprendizagem aconteceu, mas a possibilidade deste conhecimento ser recuperado pelos membros da organização.
    Além disso, o processo de aprendizagem em uma organização envolve não só a elaboração de novos mapas cognitivos, que possibilitem compreender o que está ocorrendo no ambiente externo e interno da organização, como também a definição de novos comportamentos que comprovam a efetividade do aprendizado.
    As definições mais comuns de uma organização que aprende enfatizam a sua capacidade de adaptação às taxas aceleradas de mudança que ocorrem atualmente no mundo. Entretanto, como o assinala Senge (1990), a adaptabilidade crescente constitui apenas o primeiro passo no processo de aprendizagem. O desejo de aprender vai mais adiante: é criativo e produtivo.
    Lyles (1999) diferencia dois níveis de aprendizagem: o nível mais baixo, ou o chamado de conhecimento explícito, resultante de repetições e rotinas; é o conhecimento que pode ser explicado e codificado. O conhecimento de nível mais alto envolve o ajustamento de crenças e normas, o que resulta em novos quadros de referência, novas habilidades, chegando mesmo um momento de desaprender coisas que fizeram sucesso no passado e que hoje não têm maisrazão de ser. É o conhecimento tácito, às vezes inconsciente, que se apóia na memória organizacional. Observa-se nesta perspectiva o aliar-se da vertente mais cognitivista sobre a aprendizagem à abordagem cultural.
    Em suma, é por meio dos processos de aprendizagem que a organização desenvolve as competências essenciais à realização de suas estratégias de negócio.

    COMENTÁRIOS FINAIS
    O objetivo deste artigo foi contribuir para a compreensão do conceito de competência - um conceito em construção - nas palavras de Le Boterf (1995), em duas instâncias de análise: do indivíduo e da organização.
    Trabalhar o conceito de competência associado à estratégia e à aprendizagem organizacional, com todo o seu potencial heurístico, implicou uma viagem pelo Atlântico, procurando o diálogo entre a literatura americana e européia. A tropicalização do conceito, por nós realizada, foi fruto não apenas de uma reflexão teórica, mas resultado de trabalhos de pesquisa e consultoria (Fleury e Fleury, 2000).
    A noção de competência, explorada neste texto, lança luz sobre um aspecto importante: se por um lado, agrega valor econômico à organização, por outro não menos relevante deve agregar valor social ao indivíduo, ou seja, as pessoas, ao desenvolverem competências essenciais para o sucesso da organização, estão também investindo em si mesmas, não só como cidadãos organizacionais, mas como cidadãos do próprio país e do mundo.

    NOTA
    1 No livro Estratégias Empresariais e Formação de Competências (Fleury e Fleury, 2000), as várias instâncias da discussão do conceito de competência são incorporadas, trabalhando-se, por exemplo, os vários arranjos empresariais e a formação de competências em redes, cadeias e clusters de empresas.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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    Maria Tereza Leme Fleury, é Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Professora Titular e Vice-Diretora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, além de Coordenadora do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas. Editora da Revista de Administração da Universidade de São Paulo. Suas áreas de interesse em pesquisa são gestão de pessoas, gestão de competências, cultura, aprendizagem organizacional.
    Endereço: Universidade de São Paulo - USP, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - FEA, Rua Prof. Luciano Gualberto, 908, sala E134, Cidade Universitária, 05508-900, São Paulo, SP, Brasil. E-mail:mtfleury@usp.br
    Afonso Fleury, é Engenheiro. Professor Titular do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, além de Diretor-Presidente da Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Suas áreas de interesse em pesquisa são organização do trabalho, cadeias produtivas, operações de manufatura internacional.
    Endereço: Universidade de São Paulo - USP, Escola Politécnica - EPUSP, Departamento de Engenharia de Produção, Av. Prof. Almeida Prado, 531, Cidade Universitária, 05508-900, São Paulo, SP, Brasil. E-mail:acfleury@usp.br

    sexta-feira, 9 de março de 2012

    Seja mais Otimista

    Seja no trabalho, em casa, no clube, na igreja, no ônibus ou em qualquer outro lugar, sempre encontramos conhecidos ou não que conseguem achar motivo para se queixar de tudo. Parecem o famoso personagem de desenhos “Zé Buscapé”, vivem resmungando, reclamando e com a cara amarrada.
    Quando o foco das reclamações é direcionado no local de trabalho, vale lembrar que toda corporação tem falhas, até mesmo porque é composta por seres humanos. Os procedimentos existentes foram desenvolvidos por pessoas, as quais podem errar e com o tempo, tais procedimentos podem ser melhorados (ou não), dependendo da contribuição de todos.
    Se o problema são as pessoas com quem convive, é importante saber entender e respeitar as diferenças culturais existentes e praticar mais o bom relacionamento interpessoal. Não somos obrigados a aceitar tudo mas podemos nos disponibilizar a equilibrar as diferenças existentes e manter uma boa harmonia com as pessoas com que convivemos.
    Há outros fatores como política, economia e paz mundial onde você não pode fazer muita coisa a não ser se adequar a realidade existente, conscientizar as próximas gerações e acompanhar os fatos. Clima então não há o que fazer. Pare de se queixar que está calor quando está quente, frio no inverno etc.
    Aprendi na vida que o que encontrarei em minha frente dependerá de como desenharei meu trajeto, meu futuro. Obviamente, tudo estará alinhado às minhas escolhas e expectativas. Se eu ficar acreditando que não conseguirei algo, que tudo sempre é difícil, que não dará certo, que os outros são mais “iluminados” ou mesmo que não sou uma pessoa de “sorte”, provavelmente as coisas ocorram desta forma, afinal, meu inconsciente terá aceitado tais situações e provavelmente, meus esforços e minha determinação não serão tão produtivos para obter o contrário.
    Em vez de ficar questionando negativamente o tempo todo, busque identificar algo positivo no que está acontecendo e como você pode contribuir para ficar ainda melhor. Veja o lado bom nas coisas. Se apenas você está identificando uma necessidade de melhoria (que seja para todos) manifeste suas ideias. Além contribuir positivamente, provavelmente você será reconhecido de forma diferenciada.
    Para tudo existe algo bom, depende como vemos e o que fazemos. É como dizem, você pode ter uma taça de vinho pela metade e dizer que está “meio vazia” ou pode dizer que está “meio cheia”. Ambas as afirmações estarão corretas, no entanto, uma delas demonstra que você está feliz em ter a oportunidade de degustar mais meia taça de vinho, enquanto na outra já está afirmando que meia taça não é suficiente. Então, saúde!

    A sexta competência mais valorizada nas empresas

    A consultoria McKinsey fez uma pesquisa com 140 executivos com o objetivo de mapear as características comportamentais mais valorizadas num profissional dentro da empresa, isto é, eles queriam descobrir quais as aptidões mais importantes para um profissional desucesso, que conseqüentemente traz mais resultados para a organização.
    Foram destacadas oito competências básicas, mas a que me chamou mais atenção foi o OTIMISMO.
    Há muito tempo reservo alguns minutos para falar sobre esta característica em minhas palestras e treinamentos, pois não há dúvida nenhuma de que profissionais otimistas são muito mais produtivos do que os profissionais pessimistas.
    O pessimista quando vê uma dificuldade ele simplesmente para ou age de uma forma mais lenta, pois não acredita que é possível entrar em ação, já o otimista vê a mesma situação e inicia uma busca incessante para resolver o problema, pois ele acredita que esta situação pode ser resolvida.
    É como diz a velha frase: “Prefiro ser um otimista que às vezes erra, do que um pessimista que acerta sempre”.
    Em meu livro Resiliência – Como superar pressões e dificuldades no trabalho conto a história de Robson Zinder um empresário que perde o seu supermercado num incêndio e vê todo um sonho ruído em chamas. Se Robson fosse um profissional pessimista provavelmente pararia ou andaria muito lento, mas ele é uma pessoa otimista, acredita que é possível reverter a situação e começa a organizar almoços para a sua rede de contatos com o intuito de arrecadar recursos para a reconstrução. Hoje, Robinho chega a agradecer o incêndio, pois reconstruiu o seu negócio deixando-o ainda maior e melhor.
    Os otimistas sempre criam melhores soluções para resolver os problemas do trabalho, pois segundo um estudo da mesma consultoria McKinsey, o medo que surge com o pessimismo faz com que o cérebro crie apenas raciocínios de sobrevivência e não age para solucionar os problemas.
    E você é uma pessoa mais pessimista ou otimista? Você acredita que é possível reverter situações complexas ou paralisa mediante as adversidades no trabalho?
    Lembre-se da velha máxima em Programação NeuroLinguistica:
    “Se você acha que pode, você está certo, se você acha que não pode você também está certo.”
    Abraços e até a próxima.