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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Profissionais competentes precisam de ambientes arrojados!


Publicado em 25/05/2012 por Bruno Soalheiro

Toda empresa é preocupada em trazer para seu quadro os melhores profissionais. Procuram gente arrojada, dinâmica, esperta, pró ativa, responsável; tudo em busca de obter melhores resultados. E embora saibamos que o nível de qualificação geral do brasileiro ainda é baixa, muitas empresas conseguem sim, contratar gente com este perfil. E é aí que, em algumas delas, pode começar o problema.
Veja bem, se você comprar um carro esporte e colocá-lo para rodar em uma estrada de terra ou cheia de buracos, o que vai acontecer é que a velocidade deste carro, por mais potente que seja, será limitada pelas possibilidades desta estrada.
Coisa semelhante acontece em algumas empresas. Buscam no mercado profissionais arrojados, dinâmicos, realizadores, mas não apresentam um ambiente e um sistema de gestão favorável a tal postura. Resultado é que pagam por 100% da capacidade do profissional, e somente permitem que ele entregue parte disto. Em certos casos uma parte muito pequena!
Gente esperta, arrojada e realizadora precisa de liberdade para trabalhar, é como um carro potente que precisa de uma pista livre de buracos para exercer todo seu potencial. A diferença é que as pessoas, ao contrário dos carros, tomam decisões próprias, e podem rapidamente se frustrar frente a um ambiente que as impeça de desenvolver todo o seu potencial.
Por isto é muito importante que executivos e gestores de pessoas, antes de listarem todas aquelas características maravilhosas que buscam em um profissional, se façam a seguinte pergunta: Nosso sistema de gestão e nossa cultura permitem que profissionais arrojados possam desenvolver seu trabalho com liberdade?
Se a resposta for negativa, ou se contrata gente mais “reativa”, ou se modifica a cultura de gestão para permitir que gente competente possa trabalhar! Porque tenha certeza de que este profissional não vai ficar muito tempo na empresa, além de poder causar mal estar no clima com seu senso crítico afiado, apontando como o sistema é “travado”.
Ora, comprar gato por lebre às vezes a gente até entende, já que todo mundo pode se enganar. Agora, comprar uma bela de uma lebre e querer transformá-la num gato indolente, por favor né….
Até mais!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Seja mais Otimista

Seja no trabalho, em casa, no clube, na igreja, no ônibus ou em qualquer outro lugar, sempre encontramos conhecidos ou não que conseguem achar motivo para se queixar de tudo. Parecem o famoso personagem de desenhos “Zé Buscapé”, vivem resmungando, reclamando e com a cara amarrada.
Quando o foco das reclamações é direcionado no local de trabalho, vale lembrar que toda corporação tem falhas, até mesmo porque é composta por seres humanos. Os procedimentos existentes foram desenvolvidos por pessoas, as quais podem errar e com o tempo, tais procedimentos podem ser melhorados (ou não), dependendo da contribuição de todos.
Se o problema são as pessoas com quem convive, é importante saber entender e respeitar as diferenças culturais existentes e praticar mais o bom relacionamento interpessoal. Não somos obrigados a aceitar tudo mas podemos nos disponibilizar a equilibrar as diferenças existentes e manter uma boa harmonia com as pessoas com que convivemos.
Há outros fatores como política, economia e paz mundial onde você não pode fazer muita coisa a não ser se adequar a realidade existente, conscientizar as próximas gerações e acompanhar os fatos. Clima então não há o que fazer. Pare de se queixar que está calor quando está quente, frio no inverno etc.
Aprendi na vida que o que encontrarei em minha frente dependerá de como desenharei meu trajeto, meu futuro. Obviamente, tudo estará alinhado às minhas escolhas e expectativas. Se eu ficar acreditando que não conseguirei algo, que tudo sempre é difícil, que não dará certo, que os outros são mais “iluminados” ou mesmo que não sou uma pessoa de “sorte”, provavelmente as coisas ocorram desta forma, afinal, meu inconsciente terá aceitado tais situações e provavelmente, meus esforços e minha determinação não serão tão produtivos para obter o contrário.
Em vez de ficar questionando negativamente o tempo todo, busque identificar algo positivo no que está acontecendo e como você pode contribuir para ficar ainda melhor. Veja o lado bom nas coisas. Se apenas você está identificando uma necessidade de melhoria (que seja para todos) manifeste suas ideias. Além contribuir positivamente, provavelmente você será reconhecido de forma diferenciada.
Para tudo existe algo bom, depende como vemos e o que fazemos. É como dizem, você pode ter uma taça de vinho pela metade e dizer que está “meio vazia” ou pode dizer que está “meio cheia”. Ambas as afirmações estarão corretas, no entanto, uma delas demonstra que você está feliz em ter a oportunidade de degustar mais meia taça de vinho, enquanto na outra já está afirmando que meia taça não é suficiente. Então, saúde!

A sexta competência mais valorizada nas empresas

A consultoria McKinsey fez uma pesquisa com 140 executivos com o objetivo de mapear as características comportamentais mais valorizadas num profissional dentro da empresa, isto é, eles queriam descobrir quais as aptidões mais importantes para um profissional desucesso, que conseqüentemente traz mais resultados para a organização.
Foram destacadas oito competências básicas, mas a que me chamou mais atenção foi o OTIMISMO.
Há muito tempo reservo alguns minutos para falar sobre esta característica em minhas palestras e treinamentos, pois não há dúvida nenhuma de que profissionais otimistas são muito mais produtivos do que os profissionais pessimistas.
O pessimista quando vê uma dificuldade ele simplesmente para ou age de uma forma mais lenta, pois não acredita que é possível entrar em ação, já o otimista vê a mesma situação e inicia uma busca incessante para resolver o problema, pois ele acredita que esta situação pode ser resolvida.
É como diz a velha frase: “Prefiro ser um otimista que às vezes erra, do que um pessimista que acerta sempre”.
Em meu livro Resiliência – Como superar pressões e dificuldades no trabalho conto a história de Robson Zinder um empresário que perde o seu supermercado num incêndio e vê todo um sonho ruído em chamas. Se Robson fosse um profissional pessimista provavelmente pararia ou andaria muito lento, mas ele é uma pessoa otimista, acredita que é possível reverter a situação e começa a organizar almoços para a sua rede de contatos com o intuito de arrecadar recursos para a reconstrução. Hoje, Robinho chega a agradecer o incêndio, pois reconstruiu o seu negócio deixando-o ainda maior e melhor.
Os otimistas sempre criam melhores soluções para resolver os problemas do trabalho, pois segundo um estudo da mesma consultoria McKinsey, o medo que surge com o pessimismo faz com que o cérebro crie apenas raciocínios de sobrevivência e não age para solucionar os problemas.
E você é uma pessoa mais pessimista ou otimista? Você acredita que é possível reverter situações complexas ou paralisa mediante as adversidades no trabalho?
Lembre-se da velha máxima em Programação NeuroLinguistica:
“Se você acha que pode, você está certo, se você acha que não pode você também está certo.”
Abraços e até a próxima.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Grandes Idéias, projetos inacabados


Um dia você acorda e tem uma ideia que julga fantástica, se apressa para ir ao escritório, chegando lá descobre que não consegue torná-la uma realidade.
Novos projetos, novas ideias, estão presentes o tempo todo. O “estalo”, como costumamos chamar, pode ocorrer durante o sono, embaixo do chuveiro, tomando cafezinho na padaria, na sala de aula, levando uma bronca do chefe, a beira da piscina, correndo para escapar da chuva, você não escolhe o lugar.
Naquele momento não temos a impressão de receber apenas uma luz, mas de ter todo o caminho na cabeça, com a clareza necessária.
A dificuldade começa quando você resolve explicar para as pessoas o que tinha em mente ou quando resolve escrever “o fantástico projeto”.
A descrição, muitas vezes, não passa da quinta linha da redação e quanto mais o tempo passa menos claro os detalhes ficam. Nossa reação pode ser simplesmente deixar aquela questão de lado, nos irritarmos tentando recuperar os detalhes que acreditávamos estar em nossa mente e se apagaram, ou, muitas vezes, ficar lutando com os “flashes” freqüentes que nos provocam.
Quando temos uma questão pendente, a qual gostaríamos de dar um melhor encaminhamento, nosso subconsciente fica lá, sem que percebamos, procurando uma solução.
Quando a enxurrada de informações e supostas soluções vêm à tona fica difícil registrar todos os detalhes, mas podemos usar uma técnica para acomodá-las.
A técnica é simples e consiste em fazer o máximo de perguntas possíveis para que possamos concatenar as ideias.
O que, como, quando, porque, onde, para quem, quem, para que, podem conduzir o trabalho, facilitando sua estruturação.
Há um ditado que diz: Para se encontrar a resposta para uma questão basta perguntar sete vezes por quê?
A condução de um problema com perguntas facilita a busca da solução, organiza o pensamento e a forma de especulação.
Um projeto capaz de responder a todas as perguntas é um projeto estruturado, onde se buscou antever problemas e antecipar soluções, portanto a técnica das perguntas aqui encontra forte respaldo.
Sendo isso tão óbvio porque não aplicamos a técnica com freqüência?
Pelo simples fato que nos falta método, normalmente, para condução de questões mais complexas.
A nossa impaciência, frequentemente, não nos permite explorar e materializar boa parte de nossos pensamentos.
Note que em reunião e em trabalhos em equipe é muito comum a tentativa de imposição de opiniões, mais até do que de exploração de possibilidades.
Pudéssemos pegar qualquer projeto em um laboratório, ou mesmo em uma universidade, e confrontá-lo com os semelhantes desenvolvidos mundo afora, ficaríamos surpresos com as barreiras à exploração dos diferentes pontos de vista e em relação às perguntas que poderiam ter sido feitas.
Você já se surpreendeu com o sucesso de um projeto que já lhe tinha ocorrido, mas não levou muito a sério?
Não se preocupe, não se aborreça, você não é o único.
Impaciência, teimosia, convicção, soberba, qualquer que seja a razão, supere-a e, na próxima vez, dê mais crédito às sugestões que lhe forem dadas, principalmente quando envolverem suas ideias e comece a levá-las mais a sério.
Muitas garantirão o seu sucesso!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Conceito de Competência

1. HISTÓRICO

O movimento em favor do uso das competências começou em 1973, com a publicação do artigo Testing for competence rather than for “intelligence” pelo psicólogo norte-americano David McClelland.

Nesse trabalho, McClelland condenou o uso dos testes de aptidão e de inteligência na avaliação de estudantes e na seleção de candidatos a emprego sob o argumento de que esses testes não conseguiam prever o sucesso em situações de vida fora da escola e, em particular, o sucesso profissional, por não haver correlação entre o resultado alcançado nesses testes e o desempenho no trabalho.

McClelland defendeu a substituição dos testes de aptidão e de inteligência por testes de competência, alegando que estas seriam medidas mais adequadas para prever o desempenho no trabalho do que os testes tradicionais. O autor não definiu expressamente o termo competência, adotando-o apenas como “símbolo para uma abordagem alternativa aos tradicionais testes de inteligência”.

Ele forneceu, porém, algumas indicações de como deveriam ser os novos testes.

McClelland sustentou que os testes de competência deveriam ser testes de desempenho tendo como padrão de referência amostras de comportamento no trabalho (criterion sampling) de profissionais bons e ruins. Ele citou alguns exemplos: se desejarmos saber se uma pessoa é capaz de dirigir um automóvel, deveremos dar-lhe um teste de direção, não um teste de inteligência; se quisermos saber quem será um bom policial, deveremos descobrir o que um policial faz, elaborar uma relação de suas atividades e escolher uma amostra dessas atividades como base para testar candidatos; se desejarmos identificar quem são os bons professores dentre vários candidatos à docência, temos, primeiro, que filmar várias aulas e identificar quais são as diferenças de comportamento entre os professores bons e os ruins.

McClelland também defendeu que os resultados dos testes de competência deveriam refletir as mudanças ocorridas na capacidade dos indivíduos como resultado do treinamento ou da experiência.

Ele propôs ainda que os testes deveriam avaliar competências mais ou menos genéricas, isto é, competências que pudessem ser usadas em várias situações similares, sob a justificativa de que, se fossem escolhidas competências exclusivas de cada atividade típica de um cargo, correr-se-ia o risco de ter que elaborar dezenas de testes para cada ocupação profissional.

Uma não menos importante recomendação de McClelland foi que deveriam ser consideradas não apenas competências técnicas mas também as comportamentais. Ele ilustrou essa recomendação com o exemplo do frentista de posto de gasolina. Pode-se medir sua competência em desatarraxar a tampa do tanque e colocar a gasolina, mas o que influirá na quantidade de combustível que ele irá vender não serão essas capacidades técnicas, mas sim, o fato de ele se mostrar simpático e limpar o pára-brisa do carro do cliente, competência que se pode chamar de Orientação para o Cliente ou Foco no Cliente.

De todo o exposto, concluímos que, para McClelland:

• Competência é um conceito cuja principal finalidade é embasar a construção de testes capazes prever o desempenho futuro. Em outras palavras, o teste de competências é uma ferramenta de seleção de pessoal;

• Os testes não devem refletir caracteres imutáveis do indivíduo, mas sim, características que possam ser modificadas pelo treinamento ou pela experiência. Isso significa que as competências também podem servir de base para avaliações de desempenho no trabalho;

• As competências devem ser procuradas nos ocupantes dos cargos em estudo, não em descrições de cargos;

• Os profissionais que possuem desempenho superior exibem comportamentos diferentes dos que apresentam desempenho mediano ou inferior;

• Se um indivíduo apresenta um desempenho superior, então ele é competente. Em outras palavras, competência equivale a desempenho superior que, por sua vez, equivale a comportamento diferenciado;

• O pesquisador deve observar os ocupantes do cargo em estudo para identificar os comportamentos que diferenciam os profissionais de desempenho superior dos outros;

• O pesquisador deve procurar identificar comportamentos genéricos, isto é, as condutas comuns a várias ocupações profissionais.

Deve-se ressaltar que, embora McClelland defenda o uso de competências genéricas não vinculadas a um posto de trabalho específico, todos os exemplos por ele oferecidos exprimem competências associadas a ocupações profissionais determinadas.



2. TRABALHOS POSTERIORES

Após o trabalho pioneiro de McClelland, vários estudiosos, pesquisadores e consultores escreveram sobre o assunto, produzindo uma enorme variedade de definições de competência. Vamos examinar as mais famosas, bem como o debate que produziram.

Boyatzis, por exemplo, definiu competência como os atributos subjacentes de uma pessoa que levam a um desempenho eficaz e/ ou superior em uma ocupação profissional. Nesses atributos incluem-se características como motivos, traços de personalidade, habilidades, auto-imagem e conhecimentos. Para o autor, competências são características que apresentam uma relação causal com o desempenho superior no trabalho, ou seja, devem existir evidências de que a posse daquelas características conduz ao desempenho superior. Em outras palavras, as competências não são características que apenas teoricamente ou supostamente levam ao desempenho superior, mas sim, características que comprovadamente, isto é, empiricamente, conduzem a esse desempenho.9

Spencer e Spencer seguem a linha de Boyatzis, definindo competência como uma característica subjacente que apresenta uma relação causal com o desempenho superior em um cargo ou situação. Os autores incluem no conceito atributos como motivos, traços de personalidade, auto-conceito, conhecimentos e habilidades.

Spencer e Spencer apresentam duas formas de se visualizar as competências: como um iceberg e como um conjunto de círculos concêntricos. Apenas os conhecimentos e as habilidades são visíveis, por constituirem características relativamente superficiais ou externas das pessoas. Por outro lado, atributos como auto-conhecimento, traços de personalidade e motivos são menos visíveis, porque mais profundos ou situados no círculo mais íntimo do modo de ser do indivíduo. Os autores afirmam que os conhecimentos e as habilidades são relativamente fáceis de desenvolver, razão pela qual a maneira mais econômica de assegurar que os empregados possuam essas características é por meio do treinamento. Já os motivos e a personalidade são difíceis de identificar e de desenvolver, o que leva Spencer e Spencer a recomendarem que tais atributos sejam procurados nos indivíduos durante o processo seletivo.

Lawler critica a definição de competência oferecida por Spencer e Spencer perguntando: Por que tentar recompensar alguém por possuir algo que está “sob a superfície” e que, portanto, é difícil de avaliar e de relacionar ao desempenho no trabalho? Não seria melhor trabalhar com os conhecimentos e as habilidades, que são mais fáceis de medir e estão diretamente relacionados à eficácia profissional?

Do lado contrário, defendendo a conceituação ampla de competências de Boyatzis, Hofrichter e Spencer argumentam que conhecimentos e habilidades são competências básicas que, como tais, produzem um desempenho apenas mediano; não constituem, portanto, as características que levam ao desempenho notável. Conhecimentos e habilidades medem o que as pessoas podem fazer, não o que elas irão fazer (grifo dos autores). São as características profundas da personalidade que fazem as pessoas exibirem os comportamentos de que são capazes.

Ledford questiona a excessiva amplitude do conceito de Boyatzis, que não permite distinguir o que é e o que não é competência. O autor apresenta sua própria definição de competência como as “características demonstráveis da pessoa, incluindo conhecimentos, habilidades e comportamentos, que possibilitam o desempenho”. Ledford ressalta três elementos em seu conceito. Primeiro, competência diz respeito à pessoa, ou seja, é independente de um cargo ou posição. Assim, um empregado pode levar suas competências de um cargo para outro. Segundo, as competências devem ser passíveis de comprovação para que possam servir como base de remuneração. Terceiro, as competências indicam o potencial de desempenho.

Parry também critica a inclusão de valores, estilos e traços de personalidade no conceito de competência, argumentando tratar-se de caracteres inatos ou cristalizados no indivíduo muito antes da idade adulta, e que, portanto, não podem ser desenvolvidos por meio de treinamento. O autor também lembra que muitos especialistas em recursos humanos acreditam que programas de treinamento, avaliações de desempenho e gestão da remuneração devem visar o desempenho, não a personalidade.

Para Parry, competência é “um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes inter-relacionados que afeta a maior parte do cargo, que se relaciona com o desempenho nesse cargo, que pode ser avaliado em relação a padrões de referência pré-estabelecidos, e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento”.

De acordo com McFall, competência traduz a idéia de uma “capacidade aprendida, adquirida através de treinamento ou experiência”. O autor complementa sua definição afirmando que competência “é um termo avaliativo, refletindo o julgamento de alguém, com base em algum critério, de que o desempenho de uma pessoa em uma tarefa é adequado”. McFall explica que esse conceito tem várias implicações, entre as quais, que competência não é um traço de personalidade, mas representa uma avaliação de desempenho, e que avaliações de competência são sempre realizadas em uma situação tarefa/contexto específica, cuja variação afeta o desempenho da pessoa avaliada.

Von Krogh e Roos, referindo-se ao dicionário Webster, argumentam que a definição de competência ali contida pressupõe um conhecimento específico e uma tarefa determinada. Os autores observam que o termo competência deriva do latim competentia, que significa acordo, concordância. No caso, concordância entre “conhecimento” e “tarefa”. E concluem com a afirmativa de que discutir competência faz sentido somente em um contexto conhecimento-tarefa específico.

3. COMENTÁRIOS



3.1 Boyatzis / Spencer e Spencer

O conceito de competências de Boyatzis merece reparos. Em primeiro lugar, o autor choca-se de frente com McClelland, que condenou o uso dos testes de aptidão e de inteligência na seleção de candidatos exatamente pelo fato de esses testes não conseguirem prever o sucesso profissional. Os estudiosos têm demonstrado repetidamente que traços de personalidade e aptidões possuem baixa validade como previsores de desempenho. Em outras palavras, a posse de um conjunto específico de aptidões e de traços de personalidade não produz necessariamente um desempenho superior. Há, portanto, uma incoerência por parte de Boyatzis, que defende a existência de uma relação causal entre as competências do indivíduo e o desempenho superior mas inclui no conceito atributos que não têm relação com esse desempenho.

Boyatzis também se opõe a McClelland porque atributos tais como traços de personalidade, aptidões, valores e motivos são relativamente permanentes no indivíduo adulto e, assim, difíceis de adquirir ou modificar por meio do treinamento ou da experiência. A pessoa os possui ou não os possui. Assim, se não faz sentido esperar que qualquer adulto adquira tais atributos durante sua vida profissional, então tais caracteres não podem ser exigidos após a contratação nem devem ser objeto de avaliação de desempenho.

Por fim, resta observar que Boyatzis também se afasta radicalmente de McClelland porque, para este último, competência não é um conjunto de atributos que levam a um comportamento diferenciado, mas sim, o próprio comportamento.

O conceito amplo de competências de Boyatzis é, portanto, inaceitável. A definição proposta por Spencer e Spencer padece das mesmas deficiências que a de Boyatzis, razão pela qual deve ser tida como igualmente inadequada.



3.2 Ledford

O conceito de Ledford também suscita comentários. Sobre a afirmativa de que competência é independente do cargo, deve-se objetar que uma mesma competência, se associada a cargos diferentes, poderá se expressar por meio de comportamentos completamente distintos. Seja, por exemplo, a competência denominada Orientação para o Cliente ou Foco no Cliente. Se a ocupação em exame for a de frentista de um posto de gasolina, a competência em questão se expressará por meio de um certo conjunto de comportamentos; se se tratar de uma atendente de empresa de locação de automóveis, a mesma competência implicará outras tantas condutas; se estivermos falando de um professor, então poderemos pensar que seus clientes são os alunos para os quais ele leciona, caso em que o foco no cliente se traduzirá em comportamentos específicos e diferentes de todos os outros. Até mesmo o projetista de um bem de consumo durável pode manifestar uma Orientação para o Cliente por meio de condutas específicas, como por exemplo, pela tentativa de se colocar no lugar do cliente ao usar o produto.



3.3 Parry

Preliminarmente, há que se ressaltar que Parry teve o mérito de incluir as atitudes na definição de competência, sob o argumento de que a Psicologia considera esse tipo de atributo como passível de aprendizagem.

A inclusão das atitudes supre uma deficiência que Hofrichter e Spencer dizem existir no conceito restrito de competência: que conhecimentos e habilidades medem apenas o que as pessoas podem fazer mas não o que irão fazer. Ora, atitudes são exatamente os atributos que fazem as pessoas terem a pré-disposição de exibir os comportamentos de que são capazes.

Não obstante, seu conceito não pode passar sem crítica. A definição de Parry inclui apenas competências “principais”, qualificando como tais aquelas utilizadas amplamente. Ele exclui, pois, as competências específicas usadas esporadicamente.

Trata-se de uma qualificação arbitrária. Competência é um conceito subjetivo. Cabe, portanto, a cada empresa definir o que é relevante em termos de competências. Ademais, uma empresa poderá atribuir pesos diferentes a competências diversas, segundo sua relevância.

Ademais, competência só pode relacionar-se a desempenho, caso contrário o conceito não faria sentido. Esse elemento da definição é, portanto, redundante. É também redundante a referência à “avaliação segundo padrões pré-estabelecidos”, pois avaliar já significa comparar algo com um padrão de referência. A competência de um profissional, portanto, só pode ser avaliada pela empresa se esta dispuser de um padrão de comparação. Desnecessária é ainda a menção de que competência é algo que pode ser melhorado por meio de treinamento exatamente porque a Psicologia considera que conhecimentos, habilidades e atitudes podem ser objeto de aprendizagem. Por fim, é de se notar que o autor não explicitou o que seja desempenho.



4. PROPOSTA DE UM CONCEITO DE COMPETÊNCIA



Vistos os problemas contidos nos conceitos anteriores, e dadas as contribuições de McFall e de Von Krogh/Roos, proponho a seguinte definição de competência no trabalho:

Competência no exercício de um cargo ou de uma atividade profissional é o comportamento exibido no exercício do cargo ou da atividade que corresponde ao esperado pela empresa, bem como um conjunto específico de conhecimentos, habilidades e atitudes que comprovadamente causam esse comportamento.

A definição apresenta os seguintes elementos:

1. Competência é um comportamento e é também o conjunto de atributos que causam esse comportamento. Trata-se, portanto, de um conceito que possui duas faces.

2. A definição de competência como comportamento atende às necessidades de seleção de pessoal e de avaliação de desempenho, enquanto sua definição como um conjunto de atributos satisfaz as necessidades de treinamento.

3. Ao mencionar “um cargo ou atividade profissional”, o conceito descarta implicitamente a idéia de uma lista única contendo competências genéricas que seriam aplicáveis a todas ou a um grupo de posições de uma organização. A razão é que a mesma competência poderá ser expressa por comportamentos diversos conforme o cargo a que estiver relacionada.

4. Competência é o comportamento exibido no exercício do cargo ou da atividade. Isto significa que competência é a capacidade demonstrada sob a pressão e as circunstâncias de uma situação real de trabalho, não apenas durante um treinamento.

5. Competência é o comportamento que corresponde ao esperado pela organização. A conduta esperada pela empresa é o padrão de referência que permite avaliar o desempenho de um funcionário ou a qualificação de um candidato. O comportamento esperado, porém, não é fixo, mas sim, mutável. De fato, dentro do conceito de competência, as condutas que uma organização espera de seus funcionários serão determinadas pelos comportamentos exibidos por aqueles que apresentam desempenho considerado notável em um dado momento. Se, posteriormente, esses ou outros funcionários exibirem um desempenho que excede o esperado, este desempenho inesperado tenderá a ser adotado pela empresa como o novo padrão de referência para fins de definição de competência, substituindo o anterior como o novo desempenho esperado. A conduta que define uma certa competência, portanto, poderá variar de organização para organização.

6. Competência é também um conjunto de atributos: conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer fazer). Rejeita-se, portanto, o conceito amplo de competências, que inclui traços de personalidade e outras características não passíveis de aprendizagem.

7. O comportamento esperado pela empresa deve ser causado comprovadamente pelo conjunto de atributos que definem a competência. Em outras palavras, deve haver uma relação de causalidade empírica entre os atributos de competência e o comportamento tido como competente.



5. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO CONCEITO PROPOSTO



Vamos tomar como exemplo uma atividade simples mencionada por McClelland: dirigir automóvel.



5.1 Comportamentos competentes

Seja um grupo de motoristas que moram em um grande centro urbano e possuem habilitação há pelo menos dez anos. Suponhamos que esses motoristas sejam considerados excelentes e apresentem os seguintes comportamentos, identificados por meio de uma entrevista comportamental:

• Dirigem todos os dias da semana;

• Dirigem tanto de dia como à noite;

• Dirigem tanto na cidade como na estrada;

• Quando em férias, fazem longas viagens de automóvel para chegar a seu destino turístico;

• Mantêm seus veículos devidamente licenciados;

• Mantêm seus veículos em perfeitas condições de segurança, conservação e manutenção;

• Mantêm sua habilitação em dia com as exigências legais;

• Não foram multados nem se envolveram em acidentes de automóvel nos últimos dez anos;

• Não atrapalham os outros motoristas nem o fluxo geral de tráfego;

• Não adotam práticas perigosas como: ziguezaguear, dirigir em velocidade muito superior ou inferior à do fluxo geral de tráfego, trafegar “colado” ao veículo da frente, efetuar ou tentar efetuar conversão à esquerda ou à direita estando, respectivamente, na faixa da direita ou da esquerda, efetuar conversão ou mudar de faixa sem aviso prévio, dirigir após ingerir bebida alcoólica etc.



5.2 Atributos hipotéticos

Dados os comportamentos relacionados no item 5.1 acima, pode-se formular, como hipótese, que tais comportamentos são causados pelo seguinte conjunto de atributos, que também definiriam a competência do citado grupo de motoristas:

Atitudes

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao ato de dirigir automóvel;

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao cumprimento da legislação de trânsito;

• Uma atitude fortemente positiva em relação à segurança no trânsito;

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao automóvel que possuem;

• Forte altruísmo no trânsito.

Conhecimentos

• Conhecimento amplo e profundo da legislação de trânsito;

• Conhecimento amplo e profundo de direção defensiva.

Habilidades

• Grande habilidade na condução de automóveis.



5.3 Verificação empírica da relação entre atributos e comportamentos

A verificação empírica consiste em identificar outro grupo de motoristas considerados excelentes que apresentem os comportamentos relacionados no item 5.1, testá-los em relação à posse do conjunto de atributos listados no item 5.2 e calcular o coeficiente de correlação entre seus comportamentos e seus atributos.



NOTAS

1 McClelland, David C. Testing for competence rather than for “intelligence”. American Psychologist, 1973, January, 28(1): 1-14.

2 McClelland. cit. p. 7.

3 Idem.

4 McClelland. cit. p. 8.

5 Idem.

6 McClelland. cit. p. 9.

7 DAÓLIO, Luiz Carlos. Perfis & Competências: Retrato dos Executivos, Gerentes e Técnicos. São Paulo: Érica, 2004. p. 175.

8 Posteriormente, em lugar da observação, McClelland passou a usar outro método, a Entrevista Comportamental (BEI – Behavioral Event Interview), desenvolvida por profissionais da então empresa de consultoria McBer (McClelland, D. C. A guide to job competency assessment. Boston: McBer and Company, 1976).

9 BOYATZIS, Richard E. The competent manager: A model for effective performance. New York: John Wiley & Sons, 1982. p. 21.

10 SPENCER, Lyle M., Jr. e Signe M. Spencer. Competence at work: Models for superior performance. New York: John Wiley & Sons, 1993. pp. 9-10.

11 SPENCER e Spencer. cit. p. 11.

12 LAWLER III, Edward E. Competencies: A Poor Foundation for the New Pay. Compensation & Benefits Review, november/december 1996, 28(6): 23.

13 HOFRICHTER, David A. e Lyle M. Spencer, Jr. Competencies: The Right Foundation for Effective Human Resources Management. Compensation & Benefits Review, november/december 1996, 28(6): 22.

14 LEDFORD JR., Gerald E. Paying for the Skills, Knowledge, and Competencies of Knowledge Workers. Compensation & Benefits Review, july-august 1995, 27(4): 56.

15 PARRY, Scott B. The Quest for Competencies. Training, july 1996, 33(7): 50.

16 Idem.

17 MCFALL, R. M. (1976, 1982) em DEL PRETTE, Zilda A. P. e Almir Del Prette. Psicologia das habilidades sociais: terapia e educação. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 45.

18 VON KROGH, Georg e Johan Roos. A perspective on knowledge, competence and strategy. Personnel Review, 1995, 24(3): 62.

19 PARRY. Idem.

20 Idem.

http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=16&canallocal=48&canalsub2=155&id=1699

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As caixinhas de sugestões internas nas empresas


No Brasil é bastante comum organizações de diversos segmentos de mercado implantarem suas caixinhas de sugestões nas quais os colaboradores internos são convidados a se manifestarem sobre os mais diversos assuntos visando melhorias no clima organizacional e nos processos de trabalho, principalmente.
No entanto, por que elas geralmente não funcionam como poderiam? Porque devem fazer parte de uma estratégia organizacional e várias empresas as utilizam como uma mera ação de boa convivência. Consequentemente, quando as críticas e sugestões aparecem muitos gestores ficam decepcionados com a manifestação das pessoas em vez de escutarem aquilo que elas têm a dizer.
Ao se abrir um canal de comunicação tão rico como a caixinha de sugestões é preciso saber que nem sempre as pessoas dirão aquilo que você quer ouvir, mas seguramente aquilo que sua empresa precisa escutar. Por isto, frases do tipo “Quem foi que escreveu isto?” geralmente põem tudo a perder, afinal de contas em muitos casos críticos os colaboradores só se manifestam graças à garantia de anonimato.
Cobranças desnecessárias também devem ser evitadas. Alguns anos atrás, durante o lançamento de um bem formatado programa de valorização às ideias dos colaboradores, o diretor da companhia em questão cometeu a infelicidade de dizer que todas as propostas seriam analisadas, mas que as pessoas pensassem bem antes de enviarem uma delas para que o comitê não perdesse tempo com coisas inúteis. O programa nasceu e morreu ali mesmo.
Portanto, a caixinha de sugestões pode ser utilizada como um canal em que os colaboradores se manifestam para denunciarem problemas internos ou sugerirem alguma melhoria, mas com a pretensão de se manterem anônimos. Da mesma forma, ela pode ser utilizada dentro de um programa de valorização às ideias dos funcionários, que são identificados e recebem recompensas emocionais e/ou financeiras.
Caso sua organização pretenda lançar este segundo programa, atente-se a cinco itens:
Crie uma comissão de avaliação que dê retorno às pessoas. Eles serão responsáveis por analisar objetivamente cada ideia e proporcionar uma razoável explicação aos funcionários porque aquilo que sugeriram foi aceito ou rejeitado. Vale lembrar que esta comissão necessita ser representativa, isto é, ter pessoas oriundas de várias áreas e níveis da organização.
Defina um processo de trabalho. Como se dará a implantação das ideias aceitas? Como serão divulgados internamente os projetos que nasceram a partir de tais propostas? E o reconhecimento público dos colaboradores, será conduzido de que forma? Desde o nascedouro até a implantação de uma ideia há uma série de etapas a serem cumpridas e é fundamental que haja um processo bem estruturado a fim de que o mesmo seja consistente.
Mensure os resultados. Deve ser avaliado criteriosamente e de maneira tangível o valor do benefício ou economia proporcionado à organização pela sugestão oferecida.
Recompense os colaboradores. Atualmente, há organizações que premiam monetariamente seus funcionários com até 10% da vantagem ou economia decorrente da sugestão. Outras definem um valor prévio ou, ainda, incluem determinado benefício especial. O importante é tangibilizar esta recompensa porque apenas “um tapinha nas costas” não continuará servindo de estímulo a todos durante muito tempo.
Estimule a criação de ideias coletivas. Geralmente, as propostas advindas de grupos ou equipes de trabalho chegam amadurecidas e aperfeiçoadas, bem como proporcionam um ambiente de integração que reforça ainda mais os laços entre as pessoas.
Realmente, uma caixinha de sugestões é muito mais do que apenas uma “caixinha de sugestões” quando a organização consegue perceber que ela cria uma grande aproximação com seus colaboradores e ainda estimula o comprometimento pessoal de todos.

Um ignorante com iniciativa - Cuidado!


O professor americano Arnos Bronson Alcott dizia sempre que a enfermidade do ignorante era ignorar sua própria ignorância. Ou como disse Lao Tsé: “Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão”.
Napoleão Bonaparte classificava seus soldados em quatro tipos de pessoas:
  1. Os inteligentes com iniciativa.
  2. Os inteligentes sem iniciativa.
  3. Os ignorantes sem iniciativa.
  4. Os ignorantes com iniciativa.
Aos inteligentes com iniciativa, Napoleão dava funções de comandantes como generais e estrategistas… Aos inteligentes sem iniciativa,Napoleão os deixava como oficiais que recebiam ordens superiores para cumpri-las com diligência.
Aos ignorantes sem iniciativa, Napoleão os colocava à frente da batalha, para serem “buchas de canhão”. Os ignorantes com iniciativa Napoleão desprezava e não os queria em seus exércitos…
Um ignorante com iniciativa é capaz de fazer grandes besteiras e depois dissimular, isto é, tentar ocultá-las.
Um ignorante com iniciativa faz o que não deve, fala o que não pode, envolve-se com quem é inadequado e depois diz que não sabia de nada.
Um ignorante com iniciativa faz perder boas ideias, bons projetos, bons clientes, bons fornecedores e até boas pessoas da política.
Um ignorante com iniciativa produz sem qualidade, porque resolve alterar processos definidos e consagrados. É o pai da cópia. É o pirata rei.
Um ignorante com iniciativa é um grande risco para o desenvolvimento e o progresso de qualquer empresa ou governo.
Um ignorante com iniciativa é o pai da desmotivação, é aquele que diz que nada vai dar certo, é o corvo de plantão que contamina os outros.
Conselho é uma palavra que muita gente diz que se fosse bom ninguém dava, mas lá vai: Livre-se destes profetas do caos que além de serem ignorantes ainda ousam fazer “do seu jeito” e mais atrapalham do que fazem. Livre-se deles.
Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!