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quarta-feira, 17 de abril de 2013

A importância do carisma



16/04/2013
Por Eduardo Shinyashiki*
Por Eduardo Shinyashiki*Sem dúvida já aconteceu com você de conhecer uma pessoa fascinante, que tinha algo a mais, especial, difícil de decifrar. Uma capacidade inexplicável de deixar melhor quem encontrou, de tocar com o próprio brilho as pessoas, com uma força diferente que nos faz perguntar: de onde vem esse fascínio?

Isso tem nome e se chama carisma. Mas, afinal, o que é o carisma? A palavra vem do grego chàrisma, que deriva da chàris, que significa “graça”. Na mitologia grega, o nome chàris era também como eram chamadas As Três Graças, deusas da felicidade e da beleza, símbolos da harmonia e da perfeição. A elas associava-se tudo o que promove encantamento, brilho e satisfação. Já na tradição cristã, a palavra significa um dom divino, uma graça concedida aos fiéis.

A qualidade costuma ser associada a grandes líderes, inspiradores e guias de multidões. Para citar alguns nomes, temos Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá e Betinho, sendo a força do carisma vinda da percepção por parte das pessoas de que eles estavam falando e agindo cada vez mais no interesse do grupo, transmitindo de forma inequívoca valores e ideais. São pessoas que deixaram sua história marcada no mundo. Recentemente, o atual Papa Francisco já ganhou a simpatia dos fiéis graças à sua figura carismática.

Olhando por eles, então, podemos identificar quatro elementos que caracterizam suas ações:

Capacidade de se comunicar, que significa saber ouvir com atenção os outros para poder transmitir uma visão, um sonho, uma missão e construir consenso;

Capacidade de se relacionar, ou seja, compreender as outras pessoas, suas vontades, opiniões, cultura, as motivações e se colocar no lugar do próximo para poder flexibilizar os próprios comportamentos e atitudes e poder motivar o grupo e representá-lo nos seus valores como um de seus integrantes;

Capacidade de conhecer a si mesmo, saber direcionar os pensamentos em direção ao resultado, construir uma autoimagem positiva, em que a autoconfiança e a automotivação estejam presentes e fortaleçam a identidade;

Capacidade de realizar, que é saber colocar em prática e concretizar as palavras e intenções, com o objetivo de gerar resultados, satisfazendo as necessidades do grupo representado.

Porém, o elemento principal presente em um líder carismático é a intenção verdadeira e honesta de inspirar, servir e se dedicar às pessoas, a um objetivo comum e ao interesse dos envolvidos. É a vontade autêntica de honrar e respeitar os outros que torna a pessoa magnética e carismática. Ele também é um indivíduo centrado, presente na situação e nas relações, o que faz com que estejamos atraídos por ele, que desperta o nosso interesse mesmo antes de conhecê-lo melhor.

É importante ressaltar igualmente que o carisma não é uma qualidade que alguém tem e outros não, mas é uma potencialidade de todos de se tornarem inesquecíveis e encantadores, ou seja, é uma qualidade fortemente ligada à força e poder da presença da pessoa.


Eduardo Shinyashikié palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver, A Vida é Um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida - Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A influência das lideranças na construção das equipes

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

O que faz com que um treinador seja especial? Essa é uma das questões apresentadas por Eduardo Shinyashiki, palestrante, consultor e escritor, durante a sua apresentação "A influência das lideranças na construção de equipes", durante a realização do 5º ConviRH.

De acordo com Shinyashiki, há dois tipos de líderes: os que lideram pela alma e os que optam pela prevalência do ego. "O Líder do Ego é aquele que tem sempre a ideia de que temos que ser melhor do que alguém. E muitas vezes isso é passado para seus colaboradores e se criam pensamentos do tipo: Eu sou melhor que..., sou mais importante que... Esse desnivelamento, por sua vez, gera uma situação que estimula diferenças ao invés de criar coesão, cooperação entre os membros das equipes", alerta.

Por outro lado, o Líder da Alma tem a capacidade de gerar coesão para criar um resultado que inicialmente parecia impossível. Ao trabalhar, esse estilo de liderança foca-se na premissa: "Como nós podemos trabalhar melhor e como podemos ajudar as outras pessoas a se tornarem cada vez melhor?". Nesse momento, observa-se que o líder é capaz de ajudar cada um dos seus comandados e faz com que um dos preceitos mais importantes seja - Eu não sou pior, eu não sou melhor do que ninguém. Seu sou único. Não sou mais ou menos importante", afirma ao sinalizar que o Líder da Alma torna-se parte integrante de alguma coisa que vai ser memorável e saber criar um contexto necessário para que todas as pessoas se sintam o valor que possuem.

Durante sua apresentação para o 5º ConviRH, Eduardo Shinyashiki enfatiza a importância dos sentimentos sobre o contexto da atuação do líder. "Conquistar aliados é importante, mas ter amigos é fundamental. Por isso, para você que é um líder, lembre-se que você gera uma influência diante da sua equipe. Todos nós somos líderes de um projeto de vida e criamos os contextos necessários, para que o nosso projeto de vida esteja presente aonde que quer que estejamos", sintetiza.

Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Lideranca/Blog_ConviRH/7183/a-influencia-das-liderancas-na-construcao-das-equipes.html

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Praticando o desapego


Eduardo Shinyashiki

Praticando o desapego

Saber olhar para o passado ajuda a compreender por que uma ideia fracassada pode ser reciclada: talvez fosse avançada demais para aquela época

Thais Gebrim


Há de se convir que fazer planejamento e cumprir metas em meio a incertezas e mudanças constantes não é tarefa simples, mas se tornou uma questão de sobrevivência no mundo dos negócios. Para transformar desafios em conquistas nessa maratona corporativa, um dos princípios essenciais é não se apegar ao passado, seja a antigos hábitos ou a ideias bem ou malsucedidas. É o que garante o consultor Eduardo Shinyashiki, especialista em desenvolvimento das competências de liderança e preparação de equipes, na entrevista a seguir.

MELHOR - Existe uma pressão enorme por resultados no curto prazo. De alguma forma, a competitividade global e a alta velocidade das mudanças podem ser aliadas, e não inimigas, das organizações?
Eduardo Shinyashiki - Os fenômenos da competitividade, da globalização e da aceleração da tecnologia e das mudanças exigem novos questionamentos e o fortalecimento de novas competências. Certezas e paradigmas que acreditávamos estar consolidados foram destruídos. A adaptação aos novos cenários convida todos a um aumento da flexibilidade, da criatividade, da inovação e da responsabilidade individual e organizacional. As empresas precisam planejar na incerteza e no imprevisível e isso exige o melhor de todos, mais atenção, conhecimento, preparação e habilidade de se movimentar sem perder de vista o objetivo.

O que mudou para as empresas?
As que mais sofrem no mercado, hoje, são aquelas que continuam focadas no produto. Para se tornar uma organização vencedora, foi necessário deixar de simplesmente vender produtos para oferecer qualidade e atendimento. Ou seja, passar do marketing 1.0 para o marketing 2.0, que envolve entender os sentimentos e os desejos do cliente. Já foi o tempo em que você entrava em uma fila de espera de seis meses para comprar o carro na cor desejada, e qualidade não é mais uma variável, e, sim, item de série. Mais do que isso, produtos e serviços passaram a ser desenvolvidos para atender aos desejos do cliente. A quebra seguinte veio com o marketing 3.0, da responsabilidade socioambiental, que começou a exigir um comprometimento com algo maior. Diante da mobilização da sociedade, as empresas têm de ir além do produto, da qualidade e do atendimento. Por que a Coca-Cola lançou garrafa PET biodegradável? Por que é tão importante para as empresas patrocinarem programas internos de voluntariado? Basta lembrar da campanha mundial de boicote ao consumo de atum enlatado, porque, na rede dos barcos pesqueiros, junto com os peixes, vinham golfinhos que acabavam morrendo.

Com todas essas mudanças, que competências passaram a ser mais valorizadas dentro das empresas?
Para atender à evolução do mercado, o vendedor, por exemplo, deixou de ser um tirador de pedidos e os gerentes não cumprem mais o papel de supervisor "linha dura", de chefe tirano. Conceitos que pareciam absurdos, do tipo felicidade e satisfação do colaborador, entraram como pauta fundamental para alcançar resultados. Para ser criativa e inovadora, a empresa tem de ter um ambiente criativo e inovador; para tanto, hoje é fundamental que o gestor saiba se relacionar e se comunicar com quem está acima dele, com seus pares e com os colaboradores.

Inovar é uma questão de ação e atitude? 
Sim. É uma questão de ação e atitude - e uma necessidade -, especialmente dos líderes, que apoiam e permitem a inovação. O maior desafio nessa implementação é não ficar apegado às coisas que deram certo ou errado no passado, nem a antigos hábitos, para que seja possível assumir o compromisso com a realidade atual.

O passado deve ser esquecido? 
O mundo corporativo é muito dinâmico. Se a gente se apega ao que funcionou ou não no passado, perde a oportunidade de observar o cenário atual de forma mais isenta. Se algo não deu certo, não significa que nunca mais dará. O desapego é importante nesse sentido. Mesmo uma ideia fracassada no passado pode ser reciclada, turbinada e se tornar uma ideia de sucesso hoje, até porque talvez fosse avançada demais para aquela época. Por isso, é importante ter sensibilidade e liberdade para experimentar coisas novas e adaptar ideias ao novo contexto. Se não fosse assim, produtos inovadores, como os tablets e smartphones, não existiriam.

E como RH deve se posicionar na construção desse ambiente? 
O RH tem uma atuação cada vez mais importante. Envolve não só o papel tradicional administrativo e organizativo, mas, marcadamente, o papel estratégico em um cenário cada vez mais atento ao capital humano, à gestão multigeracional, à liderança, à formação dos profissionais e ao clima organizacional. O processo de socialização e aculturamento dentro de uma empresa muitas vezes tolhe a inovação e criatividade do colaborador, que chega cheio de ideias e é logo "enquadrado". O RH tem de estar comprometido com a criatividade e a inovação, com essa nova forma de ser, porque é responsável pelo desenvolvimento dos novos talentos. RH tem o importante desafio de preparar pessoas para serem criadoras de contextos, de novos paradigmas e novas realidades.

Qual é o seu recado para o RH?
O papel de formar, guiar e valorizar o capital humano é fundamental e indispensável na direção dos resultados de qualquer empresa. É um papel cada vez mais nobre, de colaboração direta com a direção da empresa, interdisciplinar e transversal, envolvendo todos da organização.

As lideranças reconhecem esse papel? 
Ainda é comum o RH ser visto como uma área não estratégica. Mas é absurdo imaginar uma empresa de engenharia que não valoriza seus engenheiros. A grande força motriz de uma empresa são as pessoas, por isso, é um equívoco enorme não levar o gerente ou diretor de RH para uma reunião estratégica.

E como a área deve pleitear o reconhecimento desse papel? 
Isso se dá com atitudes, ações e resultados. Muitas vezes, o RH fica esperando que os outros valorizem o seu trabalho, quando, na verdade, ele próprio tem de se valorizar, ter iniciativa, ir ao encontro de soluções e apresentar ideias, transformando, assim, o conceito de sua essencialidade em prática.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O poder da gentileza

O poder da gentileza

Lembre-se as redes sociais não são o fim, são apenas o meio

poder_da_gentileza Buscamos cada vez mais a interatividade, por meio do avanço tecnológico e do desenvolvimento da civilização. Passamos o dia inteiro conectados a pessoas das mais variadas localidades, somos capazes de estabelecer contato com praticamente todos os cantos do planeta, a hora que quisermos. Porém, as relações interpessoais próximas parecem cada vez mais superficiais, e, seguindo por este caminho, da distância e indiferença, palavras como cortesia, empatia e amabilidade parecem mais além da nossa realidade, dia após dia.

Afinal, será que a vida moderna dificulta relações com gentileza, ou é possível ser uma pessoa ocupada, sem abrir mão da delicadeza no trato com o outro? Como ser gentil enquanto enfrentamos o trânsito caótico das grandes cidades e o dia-a-dia tão cheio de tarefas e obrigações? São tantos os motivos que podemos facilmente nos convencer de que a falta de cuidado com o próximo não é nossa culpa, assim como a forma como somos tratados. Estamos acostumados a ver a agressividade exaltada, considerada um meio indispensável para o sucesso, é elogiado o homem forte, o executivo agressivo, duro e arrogante. Será que essas atitudes conquistam a confiança alheia e o sucesso duradouro?
O que acabamos esquecendo é que, antes de tudo, o ato de ser gentil beneficia, mais do que a qualquer outro, a nós mesmos. Uma teoria publicada pelo professor Sam Bowles, do Instituto Santa Fé (EUA), chamada de “sobrevivência do mais gentil”, afirma que a espécie humana sobreviveu graças à gentileza. Segundo Bowles, os grupos altruístas cooperam e colaboram mais para o bem-estar do próximo e da comunidade, a fim de garantir a sobrevivência. Outro estudo, realizado pela professora Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, demonstrou também que a gentileza pode nos deixar mais felizes. Ela pediu a um grupo que praticasse atitudes gentis durante dez semanas, e verificou que a felicidade aumentou consideravelmente no período do estudo.
Gentileza significa uma boa educação emocional, aprendida e desenvolvida em todos os ambientes que convivemos. É o bom tratamento, uma qualidade ou caráter de alguém nobre, generoso, que ajuda a manter e fortalecer os laços entre as pessoas. As pesquisas nos mostram que ser gentil tem uma finalidade pessoal e coletiva, é a prova de que quando tomamos atitudes em prol do outro, automaticamente, e muitas vezes sem perceber, recebemos de volta o bem que fizemos.
A teoria do professor Sam Bowles pode ser demonstrada por brigas no trânsito, por exemplo, em lugares com uma concentração grande de pessoas, onde vidas se perdem pela simples falta de compreensão com as atitudes alheias. Vivemos na defensiva, temendo que os outros possam nos machucar. Mas há diversas formas de se comprovar que atitudes mais solícitas e gentis só tendem a melhorar a qualidade de vida e as relações interpessoais. Sabemos, também, que só temos a ganhar quando privilegiamos a gentileza, ao invés da brutalidade e ignorância.
A grande característica da gentileza é que ela está presente, na maioria das vezes, nas atitudes cotidianas e simples. Ouvir mais, por exemplo, ser paciente, justo e solidário, são atitudes simples, mas importantes para tornar-se uma pessoa mais próxima perante o outro. Estimular a amizade pode ser uma forma de se exercer a generosidade e a gentileza.
O que nunca devemos nos esquecer é que o poder de modificar aquilo que nos cerca está dentro de nós, a parte mais importante do trabalho acontece no interior do nosso ser, purificando nossos corações. Somente nós mesmos transformaremos nossas vidas em existências mais dignas, plenas e verdadeiras.


Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos. Colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver e A Vida é Um Milagre, Editora Gente, disponíveis em AudioLivro pela Editora Nossa Cultura. www.edushin.com.br