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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

The Strange Dance (artigo estrangeiro)

By Dana Telford
If you are like most family business owners, the perplexing clash of work, family, wealth and strategy in your day to day can make you feel like a tipsy flamingo dancer on a floating dock.

One of my clients, as he fretted over the challenges and opportunities associated with his family business, called it a “strange dance.” The description intrigued me, and rang true at more than one level, so I asked him to be more specific.
He said that the clash of entrepreneurship, money, family relationships, operations and succession in his family business creates such a varying flow of emotions that it makes him "feel clumsy and unsure, like dancing on a cruise ship".
Based on my work with over 90 business families, I believe the awkwardness comes from the head on clash of two economic philosophies.
 We are socialists at home, capitalists at work.
At home we allocate resources based on the needs of individual family members. Those who need the most (or appear to), get the most. Those who produce the most don’t often get more benefits. In fact, producers are often asked to generate more results, without receiving more rewards.
At work, we do just the opposite. We know that if we are to reap more rewards, we must create more value. If we want a bigger office, we must earn it.  More money?  Add more to the bottom line and then plead your case. Those who don’t perform can expect to be reprimanded, demoted or possibly fired.  Such is capitalism.

For the same reasons that the Yankees and the Red Sox don’t get together for a picnic with their families, socialism and capitalism aren’t good buddies. They are direct competitors in the beauty pageant of economic philosophies. Attempting to make them work together under the same roof is a recipe for disaster.
Why then do business owners allow their children to graduate from college and show up at the family business expecting family socialism to rein supreme?  My guess is that they suffer from misguided intentions, a bit of fear, and a pinch of poor communication.  Typical parental problems.
Remember, parents aren't handed instruction manuals when the blessed infant arrives.  We love our kids, and tend to treat them like extensions of royal bloodlines.  When they grow up and come to work with us, we don't really know how to change the mindset (that we've embedded for them) that all economic rivers flow to the bottom of the family tree.
This habit comes at a steep price.  One client told me that her father sent her to college with a checkbook and told her that there would always be money in the account and that she need not "worry about the details of balancing it." Yikes. She's paid a significant price since then to straighten out the difference between family socialism and business capitalism.
As parents, we also might fear the confrontation that will accompany the conversation about princes and princesses who must now earn their keep and prove their mettle on the battlefields of commerce.  Can you hear the shouts of "but daddy, that's not FAIR!"?  

Here are a few tips to help you avoid getting tripped up in your family business
  • Teach your family the difference between socialism and capitalis.
  • Teach everyone in the family the basics of economics – assign entry-level articles or books to read and schedule time to discuss them together.
  • Make the fable of the Golden Goose a family favorite.  Help children understand that in order to keep the golden eggs a comin', the Goose must be protected and nourished.
  • Give your kids the opportunity to earn extra money by doing difficult chores around the house.
  • Develop an employment policy that makes it impossible for slackers to be given a full-time position at the family fir.
  • Create an annual family business meeting during which all family members learn about the challenges, opportunities and best practices of family businesse.
  • Develop a set of guiding principles together that set expectations for how family members will behave and treat each othe.
  • Put together a written succession plan, with milestones and time-line.
By making the effort now to set the expectation, you will avoid headaches and heartaches down the road. As a result, you will feel sure-footed as you navigate the steps of the “strange dance” and confident as you approach the time when the younger guns will inevitably cut in and whirl your business into the next generation.
Dana Telford is a trusted advisor to family business owners around the world. You can reach him at dana@danatelford.com or his website: www.danatelford.com where you can read his blogs and learn more about the best and worst family business practices he sees.

http://www.adigo.com.br/br/artigos.asp?mode=show&ID=123

E a família, vai bem?

E a família, vai bem?


Por Jair Moggi


O que pensar diante de tantos sinais contraditórios?

de cada 100 empresas familiares menos de 10 alcançam a quarta geração (dado internacional, corroborado pela experiência brasileira).
parte considerável das empresas que abriram o capital na Bovespa nos últimos anos é controlada por famílias. As ações têm bom desempenho no mercado e os negócios dessas famílias também vão bem. Algumas repetiram a dose, atraindo o interesse dos investidores.
diversos estudos internacionais apontam a empresa familiar como capaz de obter melhor desempenho ao longo do tempo.
são de controle familiar diversos dos grandes bancos que resistiram ao choque da crise financeira de 2008/2009.
A verdade é que, a despeito das elevadas taxas de mortalidade, as empresas familiares continuam oferecendo boas surpresas ao ambiente corporativo. Os negócios de pai para filho chegam ao terceiro milênio com status de modernidade. Não estará muito longe da verdade quem descrever a empresa familiar de décadas atrás como uma contradição em si mesma. “Ou é empresa, com predominância do que é racional, cientifico e mensurável, ou é família, na qual governa o emocional”, diria um especialista da época. E, sem pestanejar: “Para a empresa vencer, é preciso afastar dela toda a família e contratar profissionais de fora para gerir os negócios”.

Mas, ao contrário do que previam esses mestres de um passado recente, o que se registra neste começo de novo século é um verdadeiro renascimento da empresa familiar. Isso se deve, em grande parte, ao fato de ter sido superada a adoração pelo gigantismo das corporações, uma vez que as pequenas organizações, entre elas as familiares, demonstraram, na prática da concorrência, ser mais ágeis e eficazes. Mas também, em parte, pela constatação, por especialistas, da existência de muitas coincidências entre as necessidades da economia moderna e as características da empresa familiar.

Um dos melhores exemplos dessas coincidências é que as empresas familiares costumam ser orientadas por filosofia e por valores bem definidos, os de seu fundador, assim como as melhores organizações dos novos tempos. Portanto, o ato mecânico de afastar a família da gestão dos negócios pode ser uma forma de diminuir essa força vital que mantém a organização viva.

Quando este autor, logo após uma carreira executiva em organizações familiares, dava seus primeiros passos como consultor, acompanhava com vivo interesse as impressões de Flávio de Toledo, um expert muito reverenciado, que dizia: “Os valores são a maneira de integrar a filosofia e a estratégia da empresa familiar”. Ele apontava outro traço de modernidade na forma mais tradicional de organização comercial: “As pesquisas indicam que a maioria das empresas familiares tem orgulho da qualidade do produto e cuidado com a reputação do nome, de forma que costumam ser mais voltadas para o bom atendimento do cliente”.

Toledo participava de uma corrente de pensamento que identificava que a empresa familiar utiliza com mais freqüência a intuição e a visão – ambos atributos herdados dos fundadores. E dizia mais: geralmente inclui a lealdade entre seus valores fundamentais e enfrenta com mais facilidade as turbulências (já que a própria família tem o dom de sobreviver às suas turbulências naturais). Toledo dizia também que a empresa familiar é mais vocacionada para ações simples e espontâneas, costuma contar com a participação da mulher - o que a torna mais humana e intuitiva- e tende a ser mais adaptável às mudanças de cenário, na busca da perpetuação do nome da família. Muitas dessas características estão presentes em empresas familiares de sucesso. Por falar em sucesso, alias, é preciso registrar que, em diversas economias européias, as ainda numerosas empresas familiares, atuando sinergicamente e usando as técnicas de gestão avançada, acabaram constituindo um modelo de modernização. A esta altura, ao lembrar de Itaú/ Unibanco, Votorantim e Pão de Açúcar, é possível incluir muitas empresas brasileiras nesse balaio.

Mas, se a empresa familiar tem tantos pontos favoráveis, por que criou má fama, principalmente nos anos 1970/1980? E por que tantas fracassaram? (Nunca é demais lembrar o exemplo do grupo industrial Matarazzo, um gigante de algumas décadas atrás que virou pó e acabou se transformando num fantasma que assombra todos os outros grupos familiares. O Matarazzo assumiu até décadas atrás peso equivalente ao desfrutado hoje pelo grupo Votorantim). E há vários outros, como Pignatari, os Bonfiglioli, os...

O insucesso pode acontecer em qualquer organização, familiar ou não, que se negue a mudar e acompanhar as novas tendências de negócio. Um dos principais fatores que costumam impedir a modernização das empresas familiares é uma espécie de promiscuidade entre negócios e relações pessoais. É comum, por exemplo, manter parentes, amigos ou pessoas de confiança em cargos inadequados somente por conveniência dos ramos familiares rivais entre si. Ciúmes, ódio, inveja e outros sentimentos destruidores tornam-se mais poderosos do que o bom senso administrativo. E, na ausência de limites separando os domínios da família dos da empresa, muitos parentes que nem sequer trabalham na organização- filhos do dono, genros, noras- acabam influindo indevidamente na condução dos negócios, às vezes com direito, até de dar passadinhas periódicas pelo caixa.

Outro fator que costuma criar problemas é excessivo apego à empresa acalentado por seus fundadores. O apego em si é uma grande qualidade das organizações familiares. Mas tudo depende do tipo de amor ao negócio. Quando se trata de amor à marca e ao tipo de serviço que a empresa presta, ele é benéfico, pois permite a adaptação das estruturas e dos processos às exigências dos novos tempos. Acontece que às vezes o fundador prefere preservar aquela primeira máquina, comprada com tanto sacrifício, em vez de substituí-la por equipamentos mais modernos; ou prefere manter sistemas de trabalho ultrapassados apenas por que foi ele quem os criou – esse é o amor paralisante.

Uma metáfora ilustra o provável destino da empresa que responde às características acima mencionadas: ela corre o risco de acabar enterrada na pirâmide. A metáfora faz alusão à tradição dos faraós do Egito Antigo, que construíram pirâmides para, ao morrer, ser enterrados juntamente com todos os seus bens. As organizações estruturadas na forma rígida da pirâmide, com o poder excessivamente centralizado e exercido de forma autoritária para manter pessoas, estruturas e processos que não seriam defensáveis pela razão, tendem a se transformar em mausoléus quando o fundador desaparece.

Mas existe, sim, um caminho das pedras para as empresas familiares que desejam fugir desse triste destino. As perspectivas tornam-se promissoras quando se entende que cada pessoa jurídica é uma entidade do mundo das ideias, assim como cada pessoa física é uma entidade humana -- e que, portanto, as empresas podem e devem sobreviver aos seus fundadores, mantendo, cada uma, a sua própria identidade.

Um dos momentos mais delicados na empresa familiar é a passagem de uma geração para outra. É muito difícil tratar da sucessão, pois ela significa a morte – real ou simbólica -- do fundador ou do dirigente mais velho. E, também, por que é sempre o sucedido que se encarrega de preparar a continuidade, tendendo naturalmente a conservar a estrutura e os métodos que criou. A situação de risco tornou-se generalizada nas ultimadas décadas, uma vez que milhares de empresas familiares fundadas no surto industrializante das décadas de 1950/60/70 (quando, a partir do governo JK, instalou-se no país o setor de montagem de automóveis) já atingiram ou estão atingindo agora o delicado momento de sucessão.

É importante recordar sempre que a empresa familiar está ancorada em princípios espirituais, uma vez que entendemos que uma empresa familiar é, na sua essência, a manifestação de uma ideia, de uma iniciativa ou de uma vontade individual ou coletiva que se concretiza no mundo material para atender às necessidades dos seus fundadores/sócios e do mercado. Nessa linha, as empresas familiares que já transcenderam a geração dos pioneiros-fundadores são herdeiras de sonhos, tradições, marcas, símbolos, imagem e valores legados pelas gerações anteriores.  Essa herança precisa ser transcendida no tempo, em honra daqueles que se sacrificaram e que deram sua contribuição para a  construção do patrimônio tangível e intangível da geração atual.

Nas empresas em que os pioneiros-fundadores ainda estão presentes na gestão, é fundamental  que eles se preocupem  de forma consciente --  no momento e na  forma adequada ao  estágio individual de  vida de cada um  -- com a passagem planejada do bastão para as gerações futuras,  antes que,  por qualquer razão, eles não estejam mais presentes no dia-a-dia da empresa. Desta forma, eles podem criar condições para a perenidade dos negócios.

Cabe às gerações atuais, depositárias dos impulsos das correntes genéticas, culturais e espirituais dos fundadores da empresa, em conjunto com eles ou com os seus remanescentes, potencializar os aspectos positivos da empresa atual, neutralizar os negativos e incorporar novos impulsos, sem perder a conexão com o “DNA ou com o espírito original  da  empresa “, impulsionando-a em direção ao futuro.

A nossa experiência mostra que a perenização da empresa irá sempre depender da sabedoria e da coragem dos seus fundadores e gestores em perceber e encaminhar as demandas típicas de cada estágio de desenvolvimento, no momento adequado. Em geral, estes estágios são caracterizados por tensões, crises e conflitos de diversas naturezas, no âmbito da família  e/ou no âmbito da gestão da empresa. Trata-se de um importante desafio. Mas quem o encara de frente sempre se sai bem.

http://www.adigo.com.br/br/artigos.asp?mode=show&ID=126

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mecanismos de estabilidade e conselhos efetivos


Empresas Familiares 2009 | John Davis Mecanismos de estabilidade e conselhos efetivos




Na continuação de sua palestra, John Davis falou sobre a importância da estabilidade da família para a aplicação bem-sucedida da governança corporativa nas empresas.
Com base em suas pesquisas, John Davis afirma que, quanto maior a estabilidade da família, que é promovida pela governança corporativa adequada, mais as empresas ficam satisfeitas com seus conselhos. Essa estabilidade é promovida pelo uso de mecanismos que abrangem:
- declarações de missão e valores;
- acordos de acionistas, como os de compra e venda de ações entre familiares (utilizados por apenas 22% das empresas familiares brasileiras);
- políticas de dividendos (60% das empresas brasileiras), de regras para as decisões dos proprietários (70%), de qualificações para tornar-se um proprietário (23%);
- planos de herança (43%) e protocolo familiar (13%);
- estruturas como os encontros anuais gerais (42%), reuniões de conselho de acionistas (40%), de conselho familiar (34%) e a assembleia familiar (15%).
“Devemos manter a simplicidade, mas as ferramentas devem ser usadas”, diz Davis, refletindo sobre a sobrevivência da empresa familiar, principalmente após o estágio de confiança total no seu fundador, quando a família cresce e o poder é pulverizado entre os familiares.
O palestrante explica que os conselhos variam em estrutura e funções. Há conselhos que permanecem só no papel, há os “conselhos-carimbos”, que são mera formalidade e apenas aprovam as decisões do líder da empresa, e há os conselhos efetivos, que oferecem aconselhamento aos gestores. “O conselho consultivo não tem autoridade formal, enquanto que o administrativo toma algumas decisões e pode, inclusive, vetar decisões do presidente”, explica Davis.
A maioria das empresas prefere ter um conselho consultivo, mas o palestrante não se posiciona a favor de um ou de outro. O seu ponto é claro: “Desde que o conselho consultivo atue como orientador de fato, tanto faz”.
Para Davis, um conselho é efetivo contém até dez membros, na sua maioria independentes. Um bom conselho também protege os interesses dos acionistas e da empresa. Por esse motivo, o especialista se posiciona contra a distribuição de dividendos para os seus membros: “Se eles tiverem ações, pensarão como proprietários. É melhor que recebam apenas honorários”.
Davis também lembra que os membros do conselho têm de ser qualificados e ter mandatos definidos desde o início de sua atuação como conselheiros, “para não pensarem que é um cargo vitalício”. O consultor sugere, ainda, adotar a idade de 65 anos para a aposentadoria dos membros, sejam eles familiares ou não.
O palestrante conclui sua primeira apresentação no Fórum Mundial de Empresas Familiares com mais uma recomendação: “Se vocês acreditam nos benefícios que apresentei, faça da estruturação do conselho uma prioridade para o próximo ano. Há muitas pessoas querendo servir a sua empresa e, certamente, elas lhes ajudarão”.


HSM Online
19/05/2009

Sucesso e governança

Empresas Familiares 2009 | John Davis


A primeira apresentação do Fórum Mundial de Gestão e Empresas Familiares foi conduzida pelo célebre John Davis, professor de Harvard e consultor de grupos familiares como o Pão de Açúcar e o Votorantim. Davis levou a audiência que lotou o Teatro Alpha, em São Paulo, a refletir sobre aspectos da governança corporativa que são fundamentais ao sucesso da empresa familiar.
Davis deu início à sua primeira palestra explicando que o Fórum foi estruturado com o objetivo de cobrir o tripé propriedade-família-empresa. Essas três esferas representam instâncias interdependentes do sistema da empresa familiar, de modo que o que acontece em uma delas afeta a outra. O tema da Governança Corporativa, foco da apresentação de Davis, abrange as esferas da propriedade e da família.
A despeito do ambiente dinâmico em que se inserem –com mudanças demográficas, econômicas, tecnológicas, regulatórias e de outras naturezas– as empresas familiares fazem muito pouco pela governança. Para o palestrante, isso faz com que os esforços se concentrem mais nas decisões operacionais, deixando questões de mais alto nível em descoberto. “A governança tem a ver com orientar, guiar a empresa e não com a gestão”, diz ele.
A governança responde a três grandes questões, úteis à tomada de grandes decisões. Uma delas é a da identidade. É no âmbito da governança que a empresa familiar define quem ela é, em que se diferencia e quais são seus valores principais. Outra questão importante é a da direção que a empresa deve tomar, que inclui sua missão e sua estratégia.
A terceira questão é a da disciplina, que lida com temas fundamentais ao bom andamento dos negócios: quem toma as decisões, como se tomam as decisões e como é distribuída a autoridade.
Os benefícios dos conselhos
Davis recomenda que a empresa familiar constitua conselhos administrativos ou consultivos, mesmo quando não são exigidos por lei (como no caso das S.A.s), pois são ferramentas importantes da governança corporativa. Ele ainda observa que apenas 37% das empresas familiares adotam o conselho, enquanto 54% das empresas não-familiares o fazem. Esses índices foram levantados em pesquisa de 566 empresas brasileiras, realizada por Davis e seus colegas Sandra Guerra, da USP, Bengt Hallqvist, do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e Cristina Bertinelli, da Universidade de Bérgamo, da Itália, com o apoio da HSM.
“Na minha opinião, as empresas não utilizam o conselho por uma questão de controle”, destaca Davis. “O líder não quer que outros olhem o que está fazendo, não quer ser orientado, não quer distribuir as informações pela empresa. No entanto, quando se observam as vantagens de usar o conselho, vê-se que o esforço vale a pena”, completa.
Um dos argumentos que o palestrante ouve contra a implantação dos conselhos é o temor de que eles tornem as decisões mais lentas. Ele contra-argumenta, citando o exemplo de um estaleiro europeu. Nessa empresa, as decisões de compras de navios, que envolvem US$ 10 milhões ou US$ 20 milhões, têm de ser tomadas entre 24 e 48 horas. “Eles conseguem agilidade, porque questões sobre qual o futuro da empresa, qual o nível de endividamento adequado ou quantos e quais navios devem ter já foram respondidas pelo conselho. Assim, tomar as decisões operacionais torna-se mais fácil.”
O palestrante resume assim os benefícios que o conselho traz à empresa familiar:
- perspectiva diferente e de mais alto nível do que a dos gestores da empresa;
- apoio ao líder da empresa em sua agenda e questionamento saudável à sua opinião;
- apoio ao líder para instituir uma perspectiva estratégica na empresa, ajudando-o a identificar oportunidades e tratar as ameaças;
- retomada da riqueza, do legado e dos negócios familiares;
- decisão de impasses, como acontece quando os irmãos têm opiniões divergentes;
- objetividade em decisões nas quais a família se divide, como sobre a sucessão;
- restabelecimento da disciplina de negócios entre os familiares;
- orientação à próxima geração no comando.


HSM Online
19/05/2009

A lição japonesa e as vantagens das pequenas e médias empresas

Empresas Familiares 2009 | George Stalk
A lição japonesa e as vantagens das pequenas e médias empresas

Ao final de sua palestra, George Stalk participou de um painel de perguntas e respondeu algumas perguntas do público e de José Salibi Neto, CKO (Chief Knowledge Officer) da HSM.
Durante o painel de perguntas que sucedeu a palestra, George Stalk falou sobre sua experiência com as empresas japonesas e deu uma boa notícia aos empresários brasileiros que administram negócios familiares: as pequenas e médias empresas, mais comuns no País, são as que estão em melhor posição para uma virada de crescimento.
Confira duas perguntas selecionadas desta sessão.
No Brasil, há muitas empresas de pequeno e médio porte. Há diferença na gestão desse tamanho de empresas familiares?
As questões de que falamos independem de tamanho ou mesmo de setores da economia. O que ocorre é que, conforme elas crescem, aumenta sua complexidade e a velocidade na tomada de decisões tende a diminuir. As grandes não são ágeis e têm mais dificuldade de entrar nesse modo de comportamento. Se você faz parte de uma empresa pequena ou média, a hora de fazer as estratégias é agora.
O que o senhor aprendeu de sua experiência de mais de dez anos no Japão?
Por lá, a maioria das empresas é familiar ou começou de maneira familiar, e posso resumir o que aprendi em três grandes lições: a primeira é que as noções de limite e fronteira permanecem. As pessoas que entram na empresa em uma fase posterior conhecem a tradição dos fundadores e sabem que o sucesso é resultado desses fatores. A segunda é a continuidade. Por exemplo, empresas como a General Motors e a Chrysler tiveram quatro presidentes na última década. Na Toyota, o número deve estar em torno de três presidentes em 50 anos. A cada mudança na direção, mudam também os níveis abaixo e fica mais difícil manter uma filosofia e um trabalho. A terceira vale para todas as empresas: os japoneses pensam no longo prazo. Uma pesquisa feita por um jornal local nos anos 1980 mostrou que as empresas orientais sacrificam o lucro rápido pelo maior crescimento, desenvolvimento de novos produtos e rentabilidade. Já os ocidentais pensam no lucro rápido e deixam o resto de lado. Para as empresas familiares em especial, pode ser mais interessante ter lucro mais adiante e maior, para perdurar por gerações.


HSM Online
19/05/2009

Planejamento estratégico com sobrenome

Empresas Familiares 2009 | George Stalk
Planejamento estratégico com sobrenome

Crescimento das empresas familiares estádiretamente ligado à avaliação e à coerência dos interesses do negócio por si só. Isso vale tanto para a família como proprietária da empresa quanto para da família em si. Leia a primeira parte da palestra de George Stalk.
Toda e qualquer forma de crescimento nas empresas familiares passa por uma definição clara da estratégia de negócios. Essa pode ser a frase que resume a palestra do expert em estratégia corporativa e vice-presidente do The Boston Consulting Group, George Stalk. De maneira bastante convicta, Stalk alerta para a necessidade de fazer essa definição e a avaliação da empresa como um todo o quanto antes, já que, com o passar do tempo, a tarefa fica muito mais difícil, não apenas por fatores internos da empresa como também pelos externos, como as crises e instabilidades mundiais.
Para entender o raciocínio do especialista, é preciso dividir uma empresa familiar em três esferas de interesse que, ao mesmo tempo em que estão intimamente ligadas, podem apresentar conflitos complicados: há a esfera dos interesses da família como família, a da empresa como um negócio e a da família como proprietária dessa empresa. Todas precisam girar em torno de uma missão e uma estratégia em comum para ter sucesso.
Uma das primeiras etapas para um planejamento estratégico é definir em que circunstâncias uma empresa familiar pode ser mais competitiva do que uma de capital aberto. Stalk as enumera:
- a missão de excelência e ética em controles familiares é mais intensa;
- há mais lealdade entre as partes envolvidas (funcionários, clientes e proprietários);
- é mais fácil identificar orgulho, persistência e comprometimento;
- há mais estabilidade no grupo de controle da empresa;
- trabalha com uma perspectiva mais paciente e com capacidade para pensar a longo prazo;
- usa dinheiro e recursos de modo mais inteligente;
- tem oportunidade de transformar um negócio com maior facilidade e rapidez.
Os pontos negativos também devem entrar na avaliação inicial e são tão ou mais importantes que os positivos:
- mania de controle absoluto sobre a empresa;
- fidelidade excessiva a locais, tecnologias e produtos;
- conflitos destrutivos na família, além do medo desses possíveis conflitos;
- dificuldade em buscar e reter talentos de fora do círculo familiar;
- longos mandatos de liderança, às vezes difíceis de mudar;
- indecisão ou estagnação estratégica.

Cenários variados
Isso avaliado, é preciso que a empresa observe seus pontos fortes e entenda qual é o tipo de estratégia que mais combina com o estilo e o perfil das três esferas de interesses. Stalk citou três exemplos de empresas familiares, duas que decidiram por um grande crescimento e outra que preferiu um crescimento moderado, mais adequado à filosofia da família, e as três estão se saindo bem.
A que buscou uma expansão menos agressiva foi a loja de roupas Mitchells, de Westport, no estado de Connecticut, Estados Unidos. A filosofia da empresa é também o título de um dos livros escritos por seu fundador, Jack Mitchell: Hold Your Costumer.  Ele prega o atendimento pessoal e estabeleceu como objetivo fazer da Mitchells a melhor loja de roupas masculinas local. A expansão do negócio se deteve na região, já que os familiares não tinham intenção de se mudar e, assim, é mais fácil fazer com que todos os funcionários também se sintam parte da família. “Nosso comprometimento é com o atendimento e qualidade; por isso, temos reuniões de família e com o conselho consultivo uma vez por semana”, conta Mitchell em um vídeo. O palestrante comenta que, mais do que pensar se ele está certo ou não, é preciso observar sua convicção em suas atitudes e filosofias.
Já no caso da Thomsom-Reuters, empresa canadense do ramo de imprensa, e com a Baker Concrete, do ramo de concreto e construção, a ideia de expansão é mais agressiva, com a compra de outros negócios e a abertura parcial de capital (caso da Reuters) e o investimento em tecnologias exclusivas (caso da Baker).
De acordo com Stalk, fazer o planejamento estratégico está cada vez mais difícil, pois envolve, além de todas as questões próprias da gestão familiar, as questões ambientais e de tecnologia, como a largura de banda infinita ou a urbanização. “Claro que ocorrerão erros. A maioria das empresas que entrevistamos nos últimos tempos fala sobre incertezas. Nesse cenário, a empresa familiar precisa se adaptar e tomar decisões mais rápidas”, explica. A boa nova, que o palestrante deixou para o final de seu discurso, é dizer que o menor comprometimento com lucros rápidos pode ser a grande carta na manga para esse tipo de negócio: sem acionistas cobrando dividendos no curto prazo, pode-se planejar um crescimento mais estruturado em detrimento do lucro.

HSM Online
19/09/2009

"Nunca demiti nenhum membro da família"

Empresas Familiares 2009 | Pedro Parente
"Nunca demiti nenhum membro da família"

Pedro Parente, vice-presidente do Grupo RBS, finalizou sua participação no Fórum Mundial de Empresas Familiares respondendo a esta e outras perguntas de Marcos Braga, presidente da HSM, e da audiência. Confira aqui os principais pontos abordados.
Como se sentiu na transição do setor público para o privado?
Eu entendia que tinha encerrado um ciclo e isso foi muito importante. Amigos meus sofreram por insistir. Crucial, também, foi reconhecer que o jogo era realmente diferente. Fui acostumado à estabilidade do setor público e, no privado, tinha de entregar resultados. Reconhecer que tinha condições de entregá-los foi importante. Nos primeiros dois anos, passei por alguma ansiedade.

A profissionalização vale para empresas de qualquer porte?
Tudo depende do estágio da empresa. A que está no início, naturalmente, depende mais do desempenho dos fundadores. À medida que evolui da primeira para a segunda geração e, especialmente, da segunda para a terceira, é fundamental que se profissionalize, independentemente do seu porte.

No Grupo RBS, os executivos que pertencem à família são avaliados?
Sim, é padrão. E todos têm o mesmo sistema de metas.

Você já demitiu algum Sirotsky?
Nunca precisei demitir nenhum membro da família, mas alguns se afastaram, porque eles e a família entendiam que deveria ser assim, mas não foi por incompetência.

Como é a definição do seu papel no grupo?
No RBS, há uma separação entre a linha editorial, de responsabilidade do Nelson Sirotsky, e a linha editorial, de minha responsabilidade. Algumas vezes saem notícias que podem afetar um ou outro anunciante. Eu recebo a reclamação do anunciante e digo que somente o Nelson pode resolver assuntos editoriais. Assim, ele fica defendido de pressões dos anunciantes. Mas 99% das solicitações são, na verdade, para não noticiar algo. Maurício, o fundador da RBS, estabeleceu que só ele poderia mudar o conteúdo. Nelson manteve essa posição –só o Maurício pode tirar. Mas, como ele está morto, ninguém mexe em nada.

Como é a preparação de familiares para assumirem posições executivas?
As regras são rígidas. Há uma idade mínima e é exigida uma sólida formação em escola internacional de primeira linha, além de experiência bem-sucedida em outras empresas. Esse profissional deve ser convidado (e não se oferecer) para uma posição que já exista na empresa. Temos, hoje, um único membro da família como executivo, e é ele que está sendo preparado para assumir minha posição. É o Eduardo Melzer.

Qual a razão de sua saída anunciada?
Motivos estritamente pessoais. O caminho natural, em 2010, seria eu assumir a presidência, o que me levaria a ficar mais quatro anos. Entretanto, isso também significaria ficar mais tempo no Rio Grande do Sul ou em Santa Catarina. Minha mulher mora em São Paulo; meus filhos, em outros lugares do País. Eu já estava vivendo na ponte-aérea e achei que seria muito para mim intensificar isso.

Você voltaria a ocupar uma posição no Governo?
Peço aos meus amigos que me internem, se eu decidir voltar.


HSM Online
19/05/2009

Profissional e de alto desempenho, mas ainda familiar

Empresas Familiares 2009 | Pedro Parente
Profissional e de alto desempenho, mas ainda familiar

Pedro Parente, o primeiro a se apresentar na tarde do primeiro dia do evento, disse que o sucesso de um líder não pertencente à família proprietária depende tanto do próprio executivo quanto da família.
Pedro Parente foi assim apresentado por John Davis, autoridade no assunto: “É o melhor vice-presidente executivo que conheço”. Após 31 anos de serviço público, e tendo sido Ministro de Estado, Parente assumiu um cargo executivo no grupo RBS, tornando-se o primeiro líder da empresa que não pertence à família Sirotsky. A sua gestão é marcada pelo sucesso. Mas ele deixa claro: “O trabalho que apresentarei é um trabalho de equipe. O mérito é coletivo”.
Parente distinguiu o setor público do privado em termos dos desafios que enfrentou na sua adaptação à nova fase, iniciada em 2002. Foco em resultados, remuneração por mérito e busca por eficiência não são preocupações no setor público, no qual se privilegiam os processos e a estabilidade, e vigora a isonomia salarial. A questão era: “Será que posso dar certo no setor privado?”
O fato é que deu certo, por atributos tanto de Parente quanto da família Sirotsky, que se preparou para recebê-lo. Realizou a institucionalização das três esferas do sistema da empresa familiar: a empresa, a família e a propriedade. Foram criadas instâncias como a assembleia familiar, o conselho de administração e o comitê de cada núcleo familiar. Foi, também, organizada a diretoria executiva.
O alerta que o palestrante deixa é: “Com a institucionalização, estabelecem-se novos papéis para a família, para os acionistas e, em especial, para os acionistas que permanecem como executivos. Os familiares têm de compartilhar o poder, dar espaço e saber ouvir ‘não’”.
No RBS, foram elaboradas regras que ajudaram a diminuir a complexidade de situações como a aceitação de um familiar no corpo executivo da empresa ou a dispensa de um familiar. “Se um membro da família não for competente, tem de ser respeitado, mas será desligado. Essas regras me trouxeram muita tranquilidade.”
Além disso, Parente obteve autonomia desde o inicio, já que o poder e as atribuições foram claramente distribuídos e documentados. “Eu e o Nelson Sirotsky, o presidente da empresa, nunca precisamos recorrer ao documento. Só o fato de ele existir era suficiente”, conta o palestrante. A sua relação com Nelson é baseada em confiança, lealdade, sintonia de valores e habilidades complementares.
O mérito do executivo
Tendo o grupo RBS –o terceiro maior grupo de mídia do Brasil– fornecido as condições essenciais, incluindo um pacote atraente de remuneração, Parente pôde mostrar a que veio. Entre seus feitos, está o empreendimento de um sério programa de recuperação financeira, por meio do qual fortaleceu a confiança do mercado em relação à empresa, facilitando o acesso a novas fontes de capital.
Parente considera que o início de sua atuação no RBS foi fundamental para alicerçar o sucesso que obtém até hoje. Ele conta que a chegada de um executivo à empresa familiar deve ser dividida em três fases:
1ª: construção da própria legitimidade, a fim de conquistar a autonomia para realizar mudanças. Parente recorda que sua experiência no setor público ajudou-o a obter a confiança dos familiares e aconselha: “Conheça a cultura antes de propor mudanças e aja pelo conhecimento e convencimento”. Outros conselhos do especialista são: aproveite a prata da casa, compartilhe informações com os acionistas e seja humilde para aprender.
2ª: agregação rápida de valor. Tendo o executivo uma visão isenta, pode fazer um diagnóstico rapidamente. Em pouco tempo, Parente lançou um plano de ações emergenciais para a estrutura de capital da empresa, que estava ameaçada de esgotar o seu caixa em curto prazo, e implantou processos essenciais.
3ª: uso da legitimidade conquistada, para realizar mudanças de médio e longo prazos. Parente o fez baseado em seis pilares: estrutura de capital, gestão estratégica de custos, processos de gestão, atuação no mercado, pessoas e continuidade do crescimento.
O palestrante resume o resultado no seguinte comentário: “É muito bom deixar os sócios felizes, eu recomendo. Mas também deixamos os colaboradores felizes”.


HSM Online
19/05/2009



"Governança é essencial para evitar conflitos"

Empresas Familiares 2009 | Nigel Nicholson
"Governança é essencial para evitar conflitos"

Na segunda parte da palestra, o professor da London Business School, Nigel Nicholson, respondeu a perguntas da platéia. Veja as principais explicações do especialista em comportamento organizacional.
O patriarca de minha empresa se julga o dono da verdade. É autoritário e centralizador. Mas os demais membros da família têm uma posição comum e contrária a ele. Deve-se partir para o conflito nessa situação? Isso é um caso muito frequente em empresas familiares. Mas o que as pessoas precisam entender são as consequências de suas ações e ver de que maneira podem causar danos aos próprios interesses. Ver que o fundador está errado não é solução, nem o ver como autoritário. O que as pessoas veem como autoridade, na verdade, é paixão. Isso, de certa maneira, é bom. Mas também e preciso se conscientizar das consequências dessa posição. Não adianta tentar simplesmente mudar as pessoas. É preciso que todos entendam que há um interesse em comum que está sendo danificado pela situação. É preciso iniciar um processo que não atribua culpas. Nesse caso, se a família não tiver uma ajuda externa, vai ter um conflito.
O que vem primeiro: a família ou a empresa?
Se você cria essa situação, já perdeu. Chega um momento em que é preciso dizer que os interesses têm de estar separados. Mas a empresa pode ser vendida, florescer e a família pode finalmente ter paz. Muitas vezes a empresa precisa de um CEO (Chief Emotional Oficcer), que pode ser a mãe. Numa família, ter um pacificador poderoso é importante.
É correto afirmar que uma boa governança é um fato essencial para evitar conflitos. Mas é suficiente?Uma boa governança é uma medida protetora. Mas tem seu lado problemático. Por exemplo, se você tem uma empresa pequena e começa a se encher de muitos procedimentos, isso pode se tornar um peso. A empresa tem de ser orgânica. Mas a governança está lá como um dispositivo de proteção. As pessoas têm de se comportar bem dentro de uma estrutura.
Quais as recomendações para enfrentar um baixo nível de maturidade dos líderes de uma empresa familiar para lidar com conflitos?Ser jovem não é, necessariamente, ser imaturo. O desenvolvimento emocional de uma família é uma questão importante. Você só desenvolve isso conversando sobre os dilemas e sobre como enfrentá-los. Mas, se não há comunicação, não há maturidade. É o caso dos restaurantes que conheço: nas cozinhas que têm boa comida, a comunicação é ótima. Isso vale para empresas também.
Como envolver as gerações mais novas nos negócios?
O que constrói esse envolvimento é a sensação de propriedade emocional. É quando a cultura da empresa é importante e é uma cultura que a geração seguinte pode respeitar. Para isso, é preciso envolver-se desde cedo. A conexão da família com a empresa deve ser entendida e compreendida desde cedo pelos filhos. Um processo justo em termos de tomada de decisão, por exemplo, ajuda a envolver a geração seguinte.



HSM Online
19/05/2009

Como gerenciar conflitos

Empresas Familiares 2009 | Nigel Nicholson
Como gerenciar conflitos

Conflito é parte da natureza humana. Não é algo para se evitar e sim para se administrar. Com essa perspectiva, o professor da London Business School, Nigel Nicholson, mostrou como gerenciar os embates naturais.
Nigel Nicholson, especialista em comportamento organizacional, compara a família a um vaso. “Se uma família tem uma empresa, estará sujeita a várias pressões, e as rachaduras do vaso aparecem. Algumas exibem tantas rachaduras no vaso que não deveriam nem ter um negócio”, explicou.
Para Nicholson, o conflito é uma força construtiva da sociedade. Na família, alguns conflitos são previsíveis, como entre pais e filhos. É o instinto dos pais de controlar seus filhos. Então, é normal que os filhos tomem o próprio rumo. Irmãos, por sua vez, competem por espaço na família, por recursos e por atenção. Os mais velhos, em geral, representam a ortodoxia; os mais jovens costumam ser os rebeldes. O casal parental também representa fonte de atritos. “Essa tensão dos diferentes ramos da família traz um alto nível de complexidade para a empresa familiar”, disse o palestrante.
Quando a família fica contra o negócio, um destrói o outro. Para ilustrar essa situação, o especialista cita o caso dos Waxman. A empresa inglesa da área de sucata faliu após intensa batalha judicial entre os dois herdeiros. Depois do falecimento do patriarca, os irmãos Chester e Morris se desentenderam. Chester acabou ludibriando Morris e ficando com suas ações. Alguns anos mais tarde, o filho de Morris foi aos tribunais. “Hoje, os dois lados não se falam. É um caso clássico. Não entediam as forças que estavam atuando”, afirmou o professor da London Business School.
O caso da família Gucci, uma “ópera italiana trágica”, mostra que, se a família não corrigir as próprias fraquezas, isso pode destruí-la. O patriarca era distante e autoritário e um dos filhos, Aldo, era o líder dos negócios da família. Ele tinha três filhos que estavam sempre brigando. Um deles, Paolo, acabou sendo excluído do processo pelo irmão Roberto. O herdeiro que ficou à margem foi à forra, criando seu próprio negócio. No fim da história, Paolo acabou levando o próprio pai à prisão ao denunciá-lo por sonegação de impostos. “Essa é a história de uma cultura totalmente descontrolada”, resumiu Nicholson. Para o especialista, há duas lições importantes: “conheça suas fraquezas e corrija-as antes que elas o destruam” e “rancor e animosidade não devem ser passados adiante”.
A situação sai dos trilhos, em geral, porque os líderes falham no autocontrole e na autoavaliação. Muitos ficam alienados da verdadeira realidade das forças em torno do negócio. “Basicamente, há necessidade que os líderes estejam abertos a aprender e a ser inovadores; que tenham projetos fortes e façam autoanálise e reflexão. Isso tem a ver com o quanto se adaptam ao mundo.”
Há cinco fatores que costumam intensificar os conflitos:
• Erros de influência: é importante saber quem ouve quem e por quê.
• Histórias e teorias: narrativas destrutivas, como “há algo errado com X”, “você é igual a Y” ou “tenho direito de agir assim”
• Jogos familiares: tramas e armadilhas. Elas são de natureza sucessória (“adivinhe quem será o próximo…”); de competições (“vá firme, prove que você é melhor”); estruturais “trabalhem juntos”; de poder (“quero ver você tomar isso de mim”) e do próprio ego (“leia minha mente e cumpra meus desejos”).
• Falta de governança básica: muito comum em várias empresas familiares. A situação pode chegar ao ponto de a família ter de se desfazer do negócio para ficar em paz novamente.
• Má gestão dos conflitos: se, em lugar de resolver logo, se deixa a febre aumentar, o resultado é desastroso.
No fim da palestra, foi apresentado um check list para as empresas anteciparem os sinais de advertência:
• mudanças súbitas de comportamento;
• reclamações de injustiças;
• erros incomuns e elementares;
• falha na comunicação;
• decisões tomadas tardiamente;
• discordâncias sobre o processo;
• metas e responsabilidades vagas;
• falta de contato entre as pessoas;
• percepções de privilégios;
• incapacidade de abrir mão;
• recompensas iníquas;
• falta de vozes independentes;
• planejamento falho;
• falta de diálogo franco e sincero;
• rotatividade de altos executivos;
• fofocas e maledicência;
• facções;
• nepotismo;
• parasitas;
• líderes relutantes.


HSM Online
19/05/2009

Familiar, mas com olhar de estrangeiro

Empresas Familiares 2009 | Joseph Bower
Familiar, mas com olhar de estrangeiro

Para Joseph Bower, o melhor dos mundos é contar com a prata da casa, desde que ela tenha um olhar de quem vem de fora.

Leia mais: Sucessão: um longo processo
Joseph Bower cunhou o termo inside-outsider (“o forasteiro que vem de dentro”) para designar o profissional que tem intimidade com a empresa, por ter passado muito tempo nela, mas consegue olhar para ela com uma distância que lhe confere a criatividade e a coragem para levar a cabo as mudanças exigidas. Assim, o inside-outsider garante a continuidade, ao mesmo tempo em que traz renovação. Como conseguir isso?
Uma boa dica para a formação de um pool de candidatos (ou de candidatos a candidatos) é colocar as pessoas em posições de responsabilidade, com relativa autonomia, para que exercitem e mostrem seus talentos.
Foi assim que Jack Welch se destacou na General Electric e tornou-se seu CEO. Foi assim, também, que ele escolheu o seu substituto. Em entrevista apresentada em vídeo durante a palestra, ele declara: “Testar as pessoas em campo é muito importante. O compromisso com RH, durante o desenvolvimento do processo sucessório, é a coisa mais valiosa para o CEO.”
Herb Kelleher, fundador e ex-presidente da Southwest Airlines, formou seu pool de candidatos com pessoas de duas gerações diferentes. Para diminuir os riscos, no entanto, ele adotou o que Bower denominou “polinização cruzada”, isto é, transferia gestores de um cargo a outro para verificar sua capacidade de visão do todo e de juntar as partes, isto é, para certificar-se de que realmente entendiam do negócio e da cultura Southwest.
Bower também apresentou um vídeo com o depoimento de Kelleher. “Como você percebe que alguém dá conta de ser CEO? Você nunca sabe realmente, pois a função de CEO é muito diferente de qualquer outra na empresa”, declara, sinceramente, o ex-CEO.

O treinamento é fundamental
O palestrante ressalta que o treinamento é sempre importante, e não deve se restringir aos aspectos funcionais. As pessoas devem, por exemplo, aprender a oferecer feedback e a desempenhar o papel de gestor de pessoas como um todo, assim como devem entender da estratégia. A empresa pode adotar cursos in-company, adequados à sua realidade, ou enviar seus profissionais para cursos fora da empresa. Outro conselho de Bower é a adoção da figura do mentor, que pode colaborar muito para o crescimento do profissional em todas as fases.
A Colgate é um exemplo de empresa que investe pesadamente em treinamento. O vídeo que trouxe Reuben Mark, que foi CEO da multinacional entre 1984 e 2007, mostrou que a empresa passa aos seus gestores a importância do treinamento ao promover a certificação deles como treinadores. São líderes formando líderes. Mark diz: “Os resultados da empresa são a sua cultura, que é função das pessoas. Temos um sistema de desenvolvimento de CEOs e de gestores-seniores bastante metódico ao redor do mundo. Parte desse treinamento é nosso currículo de 150 cursos específicos, realizados por nós ou por terceiros, e oferecidos a pessoas de todas as áreas. Cada pessoa da Colgate tem 40 horas de treinamento por ano e ainda há o intercâmbio de conhecimento.”
Bower constata: “A Colgate leva o treinamento e o desenvolvimento tão a sério que parte do desenvolvimento dos líderes é habilitá-los a ensinar o seu pessoal. O desenvolvimento de talentos, portanto, corre em paralelo com o desenvolvimento dos negócios”.


HSM Online
20/05/2009