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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

C.R.E.P.T…, Para um Final Feliz

Quero iniciar este texto pedindo a você, caro leitor ou leitora, que pronuncie oralmente, e não mentalmente, C.R.E.P.T. Repita mais duas ou três vezes: C.R.E.P.T., C.R.E.P.T…. O que lhe parece?
Quando eu fiz este exercício, a mim me pareceu o som de algo que se quebra, que se fratura e se divide, uma ruptura, uma separação.
Teve o mesmo significado para você?
Bem, meu intuito é procurar mostrar exatamente o oposto, que C.R.E.P.T. talvez seja o ingrediente principal para tornar qualquer tipo de relacionamento longo e duradouro, com qualidade e que traga a seus protagonistas uma das essências do bem viver: felicidade. E isso, independentemente do tipo da relação, seja ela entre amigos, vizinhos, colegas de trabalho, homem/mulher, pais/filhos, marido/esposa, líderes/colaboradores, etc.
Quer queiramos ou não, nossos relacionamentos envolvem pessoas. E quando o assunto é pessoas, a palavra diversidade sempre se faz presente. Isto porque não existem duas pessoas iguais, a começar pela impressão digital. Somam-se a isso valores, crenças, princípios, raça, religião, condição social, etc. Cada Ser Humano é único, indivisível, daí ser um indivíduo.
E quando, no mínimo, dois deles estão juntos, pode-se caminhar para o lado bom ou ruim do relacionamento.
Já que vivemos em sociedade, é essencial e fundamental que tornemos nossas relações algo importante para nossas vidas, em todos os seus aspectos, sejam eles pessoais ou profissionais.
À semelhança do mundo animal, as pessoas se agrupam para preservar a espécie. Isto se inicia na infância para continuar na adolescência e na idade adulta. É nesta fase que se encontra “o lado negro da sombra”, visto que as pessoas se agruparão de acordo com suas semelhanças, suas profissões, suas afinidades, seus quereres. A psicóloga Ana Matilde P. Chaves assim se expressa; “sem os grupos, a humanidade não existiria, pois, a priori, o ser humano é um animal social”.
Entretanto, quando existe mais do que um, está aberto o canal para os conflitos: basta um querer virar à direita e o outro querer virar à esquerda.
Infelizmente não adianta querer tapar o sol com a peneira. Onde existem pessoas, existem relacionamentos conflituosos em maior ou menor grau. E não adianta fingir que isto é algo ausente. Conflitos sempre existiram, existem e existirão, sendo suas causas as mais variadas, tais como: constrangimentos, tiranias, ofensas, discriminações, tortura psicológica, controle, etc.
Ainda mais, acredito que aquelas placas nas paredes das empresas onde são listadas, sua missão, visão e valores, não terão nenhum valor se o ambiente for composto por pessoas despreparadas, descontroladas, que não conseguem dominar suas emoções e que fazem do ambiente de trabalho algo insalubre em todos os sentidos.
Mas isto é assunto para psicólogos, terapeutas, líderes e gestores empresariais.
Eu não sou um deles, mas quero expressar minha opinião de como tornar os relacionamentos melhores em um mundo onde o materialismo e o lucro parecem ser as únicas coisas que existem.
Para isso sugiro aplicar o C.R.E.P.T:
C – Confiança
R – Respeito
E – Ética
P – Perdão
T – Transparência
(Este artigo faz parte de uma série de 6 textos, nos quais descreverei cada item do C.R.E.P.T.)

Estímulos e respostas

Colaboradores de alta performance…
Colaboradores alinhados aos princípios e valores das corporações…
Retenção de talentos…
Creio que a grande maioria das pessoas que irão ler este texto já devem “estar carecas” de ouvir estas expressões.
Todos nós sabemos que no atual cenário corporativo, globalizado, as empresas estão fazendo das tripas coração para se distinguir e se manter em um mundo extremamente competitivo.
De nada adianta estabelecer, teoricamente, políticas direcionadas à obtenção de ambientes de alta performance baseadas em princípios e valores bem definidos a fim de reter seus colaboradores se, na prática, a teoria for outra. Ou seja, o discurso é bonito, atraente, porém, no dia-a-dia,… E lá se vão os colaboradores para outras piegas.
Nos dias atuais, salário e um pacote standard de benefícios não segura mais ninguém.
Para que se possa reter os talentos, a empresa deve oferecer condições para que eles dêem o seu “ótimo” e entreguem o seu “melhor”. E isto pode ser traduzido pela palavra excelência.
“Mas para que se chegue a um resultado de excelência, de alta performance, os colaboradores necessitam ser continuamente estimulados para atingir os resultados esperados”, afirma a consultora Neusa R. H. Gomes.
Ela também afirma que cada colaborador, por ser um Ser Humano único, um indivíduo, indivisível, e que possui uma variedade de crenças e valores que lhe são peculiares, vai responder de forma particular ao estímulo oferecido. O mesmo estímulo oferecido a várias pessoas pode gerar respostas diferentes.
Por outro lado, talvez a melhor forma de estimular o colaborador para que sejam geradas respostas positivas e lhe traga felicidade é conhecê-lo um pouco além de seu aspecto profissional.
Particularmente conheço excelentes profissionais, verdadeiros “tratores”, mas que, por falta de estímulos, vivem infelizes, estressados e deprimidos.
É preciso mudar este quadro. O consultor Cesar Souza é categórico ao afirmar: “os gestores devem jogar menos para a platéia com a retórica já gasta de que as pessoas são importantes, e sim praticar de fato uma filosofia e políticas que valorizem essas pessoas”.
Para que isso aconteça, é fundamental que o colaborador se sinta feliz no ambiente profissional onde está inserido. Quando bem estimulado, certamente ele será reconhecido pelos resultados alcançados, seu nível de engajamento será cada vez mais crescente e sua felicidade no trabalho estará sempre estampada nos seus olhos e nas suas atitudes. Só assim o colaborador terá um sentido de pertencimento mais elevado e se tornará aquele que “veste 100% a camisa da empresa”.
Empresas que desenvolvem políticas de estimulação constante na prática diuturna, certamente terão colaboradores com motivos de sobra para aí trabalhar. E isto sem falar na redução de custos relacionados à demissões e recrutamento e treinamento de novos colaboradores.
 Não vou me alongar, mas para que a relação entre empresa e colaborador seja efetiva, duradoura e que dê, a ambas as partes, sentido e felicidade no trabalho, sugiro que você, caro leitor ou leitora, leia as sugestões contidas no texto C.R.E.P.T. – Para um final feliz, publicado em suas seis partes.
Líderes, gestores, RH…, todos devem estar imbuídos e trabalhando em uníssono para gerar felicidade nos colaboradores, criar ambientes onde todos ganhem e lucrem a fim de buscar o mesmo final dos contos de fadas: … e viveram felizes para sempre”.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eliminar a Tensão para Aumentar o Tesão

Eliminar a Tensão para Aumentar o Tesão

Embora o título acima possa lhe fazer pensar em fórmulas ou exercícios para aumentar sua libido, quero deixar bem claro que este texto está longe de ter uma conotação sexual. Meu desejo é tecer alguns comentários sobre ser feliz no trabalho, fator essencial para aumentar nossa qualidade de vida.          
A origem da palavra TRABALHO vem do latim TRIPALIUM, denominação de um instrumento formado por três (tri) paus (palium) que eram fincados no chão à guisa de uma pirâmide e usado como um instrumento de tortura na Roma antiga.          
Naquela época, as pessoas que não podiam pagar impostos, geralmente pobres ou escravos, eram submetidas ao tripalium. Daí o verbo tripaliare, com o significado de torturar. Deste modo, quem “trabalhava” eram os menos favorecidos.          
Por um longo período de tempo, TRABALHO teve o sentido de experiência dolorosa, padecimento, castigo. Foi somente a partir do século XIV que esta palavra começou a significar o emprego dos talentos e habilidades pessoais para alcançar um determinado fim.          
Nos dias de hoje, o TRABALHO é considerado uma oportunidade: não mais um fim, mas um meio de transformação das pessoas.          
David Whyte, autor de Cruzando o desconhecido. O verdadeiro sentido do trabalho e da vida, afirma que: “pelo trabalho as pessoas se sustentam e à sua família, tornam habitável o exigente mundo e, com imaginação, criam um significado para o que e como fazem. A relação do ser humano com o trabalho pode ser inocente, fatalista, gananciosa, sem entusiasmo, cínica, desinteressada, obsessiva e, mesmo, de luta pelo poder. Também pode ser abnegadamente madura, reveladora e fonte de vida: madura em um sentido abrangente, e fonte de vida na forma de retribuir ao individuo ou à sociedade o quanto recebeu”.          
Quer queiramos, quer não, é praticamente impossível dizer não ao trabalho, seja de que natureza for: em corporações, autônomo, comissionado, terceirizado, etc.
Entre dois extremos            
Peço sua atenção, caro leitor ou leitora, para as duas palavras deste texto: tensão e tesão.
Repare que apenas uma letra, a letra N, pode nos fazer ir de um extremo a outro na nossa relação com o trabalho.
Tensão é sinônimo de algo estressante (estresse ruim), angústia, dor, sofrimento, ir além dos limites emocionais. Por outro lado, tesão significa excitação, estímulo, incitamento. Curiosamente, estas duas palavras tem a mesma origem latina.
Quando consideramos o aspecto “tensão”, encontramos profissionais que não tem suas competências reconhecidas, desmotivação, falta de engajamento, etc. Tensão pode levar à demissão.
Quando consideramos o aspecto “tesão”, encontramos o oposto: profissionais cujas competências são postas à prova, profissionais que vêem sentido e significado naquilo que fazem, buscam sempre a excelência ou, no mínimo, o melhor possível e que são sempre reconhecidos e recompensados. Tesão leva à promoção.
Pelo trabalho as pessoas podem alcançar o sucesso ou o fracasso, a ganhar ou perder, a subir ao topo ou descer ao fundo do poço.
Bem, já que não podemos dissociar o trabalho das nossas vidas, que tal eliminarmos a tensão para aumentar o tesão?
Vocação 
Em um texto anterior – A pessoa talentosa tem que ter C.H.A.P.A. – mencionei o que são dom, talento e vocação, o conjunto que faz com que as pessoas se diferenciem umas das outras, no que diz respeito à sua atividade profissional.
Destes três, a vocação é a mais instigante. Tem sua origem no latim vocare, que significa chamamento, o ato de chamar, predestinação. Tem também o significado de tendência, pendor ou disposição.
Ara quem não sabe, a vocação é aquela voz interior – a voz da alma – que fica ressoando nos nossos ouvidos de forma incessante e insistente, nos orientando sobre o que fazer; a que nos ajuda a tomar a decisão mais acertada (intuição ?!), a que faz com que sintamos prazer em realizar determinada tarefa e, enquanto a fazemos, ela se torna fácil e prazerosa, por mais árdua e cansativa que seja.
É pela vocação que nos sentimos impelidos a realizar algo necessário e voltado para o próximo: é um imã que nos atrai para a realização de um trabalho, um serviço ou uma tarefa.
Existem pessoas que não se dão conta da sua vocação. Quantas pessoas você conhece que se formaram em uma faculdade e acabaram desistindo de sua profissão para percorrer outro caminho profissional?
E quantos outras existem que, durante o curso universitário, percebem que aquilo não era o que queriam e também vão buscar um outro caminho?
E aquelas outras que, sem saber o que querem, vão tentar descobrir sua vocação através de um teste vocacional?
Profissão e vocação constituem uma relação indivisível para aqueles profissionais que alcançam o sucesso, seja ele um atleta, um executivo, um camelô ou um peão de obra.
… mas com a razão certa            
Certamente é de seu conhecimento a frase: ele/ela é a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa.          
No meu entender esta frase significa que a pessoa sabe qual é o seu dom e que o aprimorou pelo desenvolvimento dos seus talentos.          
Entretanto, o consultor Robert Wong acrescenta algo a mais nesta frase: ele/ela é a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa, mas com a razão certa. É este quarto elemento, a razão certa, que vai fazer toda a diferença para o profissional, porque agrega valor e o faz crescer com a empresa.          
Esta “razão certa” dá outro significado à frase acima, pois a pessoa sabe qual é o seu dom, aprimora-o pelo desenvolvimento dos seus talentos e segue a sua vocação.          
Agora sim, temos o profissional completo, o profissional que é o produto d seu dom (D), dos seus talentos (T) e da sua vocação (V): D x T x V. e é este profissional que consegue conciliar o trabalho com os outros aspectos da sua vida e, através dele, ser feliz e realizado.          
Para estas pessoas, a felicidade decorrente do trabalho é muito mais gratificante do que acertar as seis dezenas de uma mega sena acumulada. Além disso, o prazer decorrente do trabalho aumenta as defesas do organismo, aumenta a auto-estima e a autoconfiança, proporcionando mais disposição e ânimo. Este profissional trabalha duro, tem um objetivo para o além de ganhar dinheiro ou simplesmente preencher o seu tempo. Ele sabe que seu trabalho vai lhe trazer recompensas em termos de autonomia, de independência e de auto-satisfação.          
Já o oposto, trabalhar em algo que não dá prazer, gera desmotivação, desengajamento, sendo que o estresse que se instala acaba sendo a causa de doenças físicas (obesidade, colesterol alto, aumento de triglicérides, hipertensão, diabete, etc.) ou psicológicas (ansiedade, angústia, depressão, etc.). E quem trabalha sem prazer raramente se distingue.          
Para que se tenha uma idéia, uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association do Brasil mostrou que, um em cada dez brasileiros, está constantemente deprimido por não gostar do trabalho que realiza.
Trabalho e prazer             
Nos dias de hoje, o trabalho é muito mais intelectual do que braçal. E também o número de horas dedicadas ao trabalho é muito maior do que aquele gasto com outras atividades, como lazer, praticar uma atividade física, etc.          
Vive-se plugado no trabalho. E se esta relação, pessoa X atividade, não for prazerosa e satisfatória, certamente esta pessoa não será feliz. Pessoas infelizes são pessimistas, irritadiças, vivem de mal com o mundo e acabam culpando o ambiente e a empresa como a causa dos seus males.          
A primeira e a mais importante e fundamental das regras na sua relação com o trabalho é: você precisa fazer o que gosta. Esta é uma das chaves para se alcançar o sucesso.          
Quem faz o que gosta está sempre descansado. Aliás, é de Pablo Picasso a frase: “quando trabalho, descanso; fazer nada ou entreter visitantes, deixa-me cansado”.          
Quem faz o que gosta e trabalha com prazer encara o trabalho como algo desafiador e excitante, como uma maneira de crescer, aprender coisas novas e explorar novos caminhos. Por isso, faz cada vez melhor, obtem melhores resultados e é cada vez mais reconhecido.          
No meu texto Qualidade de vida no trabalho (www.ogerente.com.br) mencionei algumas dicas para a melhoria da atitude das pessoas em relação ao trabalho.          
O trabalho, por menos importante que seja, tem que nos ensinar que ele é sempre importante. Para isso temos que praticar cada ação como se fosse a coisa mais importante do  mundo e, para isso, devemos nela depositar todo o nosso ser e toda a nossa vida naquilo que estamos praticando naquele exato momento.          
Siga sua vocação. Quem segue sua vocação faz do seu trabalho sua distração, como afirma Mark Twain.          
E se você me perguntar como ser feliz no trabalho, eu lhe responderei: tire o N.          
Aprenda a ir ta tensão para o tesão. Para ser (mais) feliz! 



http://ogerente.com.br/rede/favaconsulting/transformando-tensao-em-tesao-no-trabalho/



A Pessoa Talentosa Tem Que Ter C.H.A.P.A.

A Pessoa Talentosa Tem Que Ter C.H.A.P.A.



Em ambientes corporativos atuais, onde o trabalho é algo totalmente instável, mutável e volátil, ouve-se cada vez mais que “somente sobreviverão os talentos”, as pessoas talentosas, as pessoas com qualificação para ocupar o lugar para o qual foi contratada e que, com os mesmos recursos que seus colegas, consigam produzir mais e agregar mais valor em comparação com a média.


E quem são estas “feras” que toda corporação deseja?


Antes de mais nada é interessante relatar que a falta de qualificação profissional é o principal desafio para o recrutamento, segundo pesquisa da consultoria Mercer. Já a pesquisa da consultoria Deloitte, feita em 1936 empresas de 60 países, sendo 65 no Brasil, revelou que as duas causas que mais preocupam os empregadores são a retenção dos talentos-chave (51%) e a atração de novos talentos (42%).


No Brasil, a maioria dos jovens não é contratada devido à sua baixa formação. De acordo com a consultoria Heidrick & Struggles, a falta de profissionais qualificados fez com que o Brasil ficasse em 23º lugar em 2007 e, para 2012, iremos para a 25ª colocação.


Se isto é preocupante, está mais do que na hora de as pessoas começarem a se transformar em pessoas talentosas. E como se tornar a “fera” que toda corporação deseja?


Inicialmente, tomando consciência de três palavras extremamente importantes.


A primeira é DOM (do latim donu), que significa presente, dádiva. É algo inato, que nasce com a pessoa. É aquele “algo especial” que lhe permite realizar uma determinada tarefa com extrema facilidade. Geralmente é mais observado nas artes e nos esportes.


Para os antigos romanos, cada ser humano nasce com um dom, uma determinada capacidade que lhe foi ofertada por Deus, um presente divino. Para citar apenas um exemplo, lembro de Pelé, cujo dom era jogar futebol.


A segunda palavra é TALENTO (do latim talentum; do grego tálanton). Na Grécia Antiga, tálanton era uma moeda de ouro ou prata e também uma medida de peso.


Um talento (tálanton) era igual a 60 minas que, por sua vez, equivaliam a 100 drachmas. Como cada drachma variava entre 4,5 a 6 gramas de ouro ou prata, um talento variava entre 27 a 36 gramas de ouro ou prata. Mais tarde, esta unidade foi adaptada ao sistema monetário romano.


O talento era a moeda dos tempos de Jesus, o Cristo. E foi através de uma de suas parábolas, descrita no evangelho de Mateus (Mt 25:14-30) que talento passou a significar uma habilidade humana.


De acordo com a parábola, três pessoas receberam de seu senhor diferentes quantidades de talentos e, sem que soubessem, foram obrigados a prestar contas aos um período de tempo.


Aquele que recebeu cinco talentos aplicou-os nos negócios e gerou outros cinco. Aquele que recebeu dois talentos ganhou mais dois. O terceiro, aquele que recebeu apenas um talento, teve medo e o escondeu: não ganhou nada devido à sua atitude negativa e medrosa.


O talento, como habilidade humana, é desenvolvido através de treino, determinação, persistência, disciplina, obstinação, etc. É pelo talento que aprimoramos o nosso dom, tornando-nos capazes de realizar tarefas que, além de trazer resultados, nos tornarão distintos, diferentes, não-ordinários, extraordinários.


E aqui também se incluem leituras, pesquisas, freqüência a cursos, congressos, workshops para aprimorar o conhecimento e as habilidades.


Falaremos sobre isso mais adiante.


Voltemos ao exemplo de Pelé, que tinha o dom de jogar futebol.


Por que Pelé se tornou um talento? Porque treinava, treinava e treinava. E, por seus dribles inesquecíveis, jogadas de mestre e gols de placa, fizeram com que recebesse o título de atleta do século XX, inicialmente pela revista francesa L’Equipe (1980) e depois pelo Comitê Olímpico Internacional (1999).


Daiane dos Santos, Albert Einstein, Michael Jordan, Pavarotti, Tiger Woods, Santos Dumont, Silvio Santos… Todos eles, assim como eu e você, temos um dom que, ao ser desenvolvido, são transformados em talentos. É isto que faz as pessoas serem conhecidas e reconhecidas.


O dom e os talentos transformam a pessoa comum na pessoa certa, no lugar certo e na hora certa.


A terceira palavra é VOCAÇÃO (do latim vocare), que significa chamamento, ato de chamar.


É aquela voz interior, que vem da alma. É a voz que nos diz o devemos fazer: a que nos ajuda a tomar a decisão mais acertada (intuição??); a que faz com que sintamos prazer em realizar determinada tarefa e, enquanto a fazemos, ela se torna fácil, por mais árdua que seja.


“Põe toda a tua alma, põe todo o teu corpo, naquilo que estás fazendo agora”, diz um ditado hindu. Quem segue sua vocação está sempre feliz com o que faz, pois encontrou significado para a sua atividade.


Quem segue sua vocação, não trabalha, se diverte, pois encontrou a razão, o significado, para tal.


Quem segue sua vocação, tem sempre um brilho no olhar, desde o início até o fim de seu trabalho.


Quem segue sua vocação, nunca está cansado, está sempre disposto física e mentalmente.


Quem segue sua vocação, renuncia a muitas coisas para ser feliz. Como Sidarta Gautama, o Buda, um príncipe que renunciou a toda a sua riqueza para divulgar suas idéias e sua filosofia de vida.


Quem segue sua vocação, está sempre auto-motivado e tem energia para vencer e superar os mais difíceis desafios.


Enfim, quem segue sua vocação, descobre, pelo auto-conhecimento, sua missão de vida.


Esta comprovação foi observada pelo psicólogo americano Mark Albiou. Ele estudou 1500 jovens recém egressos de suas faculdades e em início de carreira.


Deste total, 83% dos jovens buscavam realizar-se financeiramente. Os outros 17% buscavam fazer algo que lhes desse prazer, fazer algo que gostassem, que lhes trouxesse satisfação, ou seja, seguir sua vocação.


Após vinte anos, apenas 102, dos 1500, alcançaram o sucesso em suas carreiras, inclusive o sucesso financeiro. Destes 102, 101 pertenciam ao grupo dos 17%.


Quem faz o que gosta, o que lhe dá prazer, tem a tendência de fazer cada vez melhor, de obter melhores resultados e ser cada vez mais reconhecido.


A pessoa certa, no lugar certo e na hora certa, que escuta sua voz interior, escuta o chamamento da sua 
alma, é aquela que se torna a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa e com a razão certa, como bem afirma o consultor Robert Wong.


Finalmente, agora podemos voltar à pergunta: quem é a pessoa talentosa que toda corporação deseja?


É aquela que sabe qual é o seu dom, aprimora e potencializa seus talentos e segue sua vocação; é o resultado do produto: dom X talento (s) X vocação.


C.H.A.P.A. – Ampliando o conceito de C.H.A.


Muito já se escreveu sobre a competência pessoal no mundo do trabalho: o tão decantado C.H.A., ou seja, o produto do conhecimento (saber fazer) X habilidade (poder fazer) X atitude (querer fazer).


CONHECIMENTO (saber fazer) é aquilo que recebemos sobre certo assunto, matéria, tema ou questão, através de aulas, cursos, leituras, exemplos, vivendo, etc. Embora conhecimento seja mais teoria, é considerado a base de tudo.


HABILIDADE (poder fazer) se traduz nas experiências que se adquire ao se fazer as coisas na prática, no dia-a-dia, dentro do campo de atuação do profissional. Aqui é que se aplica o conhecimento.


ATITUDE (querer fazer) é ter motivos e razões para o trabalho a ser realizado. É algo muito mais mental do que teórico e prático. Embora um pouco estático, este conceito apresenta uma dinâmica muito interessante. Quantas e quantas vezes, eu, você, todos nós, tivemos que ter (tomar) uma atitude para buscar um novo conhecimento e aprimorar uma nova habilidade?


É o caso daquele médico que resolveu estudar música como hobby e tornou-e um exímio violinista, fazendo desta atividade uma segunda profissão. Ele teve atitude, em primeiro lugar, antes de buscar o conhecimento e dsenvolver a habilidade musical.


Desta forma, muitas vezes a sequência atitude→conhecimento→habilidade acaba se tornando um ciclo onde as letras passam a ter outra ordem: de C→H→A para A→C→H, tornando o conceito bem mais dinâmico.


Qualquer um de nós conhece pessoas que são verdadeiras “enciclopédias” ambulantes, possuidoras de imensas habilidades, mas que não possuem atitude. E como estas três letras também constituem um produto (competência = conhecimento X habilidade X atitude), quando qualquer delas inexistir, o produto será zero. 


Isto caracteriza os “postes”, aquelas pessoas que não saem do lugar, não evoluem, e ainda ficam reclamando que o mundo conspira contra elas.


Para Walter Herrera, o aperfeiçoamento das habilidades, a maximização do conhecimento e a racionalização das atitudes, constituem a “excelência”.


Estas considerações se fizeram necessárias para que avancemos no conceito de C.H.A. para C.H.A.P.A.


Mas, em primeiro lugar, vamos a dois, entre tantos, significados de chapa:
  • peça metálica do fogão, lisa, plana, resistente ao calor, sobre a qual se cozem certos alimentos; É sobre uma chapa aquecida que se consegue uma transformação, onde se pode derreter o queijo, tornar líquida a manteiga ou a margarina, fritar um bife ou um ovo, etc.
  • companheiro, amigo. Isto foi uma gíria nos anos 60 que, até hoje, as pessoas mais velhas ainda a empregam ao se referir a um amigo: “E aí, meu chapa. Tudo bem?”
Ao escolher a palavra CHAPA, agreguei ao conceito de CHA mais duas letras.


O P significa princípios e valores, aquilo que constitui a base do comportamento das pessoas. É o seu modo de ser, calcado em ditames morais, preceitos, que caracterizam e se revelam nas suas atitudes. E a lista é muito longa: confiança, respeito, transparência, comprometimento, flexibilidade, resiliência, perseverança, ética, honestidade, integridade, motivação, cooperação, empatia, perdão, etc., apenas para citar alguns.


De que adianta a pessoa ter C.H.A., se suas atitudes não forem calcadas em princípios e valores? De que adianta, por exemplo, você falar sobre sustentabilidade ambiental, se você é daqueles que joga latinhas e bitucas de cigarro no meio da rua?


O A final, significa ambiente de trabalho, o qual lhe permite exercer o seu C.H.A., agora agregado pela letra P.


Em dias e ambientes globalizados, onde tempo (fusos horários) e espaço (fronteiras entre países) deixaram de existir, cada vez mais se torna fundamental um conhecimento mais pleno do ambiente onde se trabalha. 


Por exemplo: um engenheiro de produção deve conhecer ações de venda, de marketing, de finanças, de administração que estejam diretamente relacionadas à sua atividade.


Algumas empresas que adotam o job rotation estão exatamente aplicando este A para que seus colaboradores ampliem suas visões do negócio onde estão incluídos.


Portanto, caro leitor ou leitora, se o Universo está em constante expansão, se as pessoas estão constantemente crescendo para se tornarem cada vez melhores, é mais do que natural que conceitos também se ampliem, seguindo o dinamismo existente nos tempos atuais.


E se você não pensar em crescer, em mudar, em se transformar para melhor, em se “ampliar”, em ter C.H.A.P.A., só posso lhe dizer:


- Cuidado, meu chapa, pois sem C.H.A.P.A. você será rapidamente fritado”.


http://ogerente.com.br/rede/favaconsulting/vocacao-talento/