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terça-feira, 26 de junho de 2012

O Elo da Gestão de Carreira



O professor da pós-graduação e MBA da FAAP, Cláudio Queiroz e a especialista em treinamento e desenvolvimento organizacional e instrutora da Caixa Econômica Federal, Christiane Leite, são os autores do livro O Elo da Gestão de Carreira, obra que vem para mudar a forma como o Empregado, a Liderança e a Organização identificam seus papéis e responsabilidades na estrutura e gestão de carreira.

O Elo da Gestão de Carreira trabalha de modo a resolver um dilema ainda gritante dentro do universo de trabalho brasileiro: Se por um lado, o mundo corporativo carece de profissionais conscientes da responsabilidade na gestão de suas carreiras, as lideranças e as organizações também necessitam identificar a sua corresponsabilidade em prover condições adequadas para que os empregados potencializem seus talentos e competências.

Historicamente, os estudos publicados se restringem a abordar os aspectos de gestão de carreira, de responsabilidade do empregado, esquecendo de analisar outros fatores e outros “responsáveis” pelo desenvolvimento de um colaborador ou empregado.

Calma! O foco desta abordagem não é encontrar culpados, mas simplesmente clarificar papéis, responsabilidades e ganhos.

A importância do empregado em assumir a responsabilidade pela gestão de sua carreira é recorrente. Entretanto, ele, sozinho, nem sempre atinge o sucesso. Isto porque a equação gestão de carreira tem três variáveis: Empregado, Lideranças e Organização, e é para esse eixo de sustentação que os autores Cláudio Queiroz e Christiane Leite dão o nome de ELO.

ELO é uma proposta para ressignificar relações, potencializar parcerias e, acima de tudo, encurtar caminhos e potencializar resultados para as partes envolvidas.

Enfim, é o resgate das relações, tendo como base a confiança. A confiança de que cada um fará o seu melhor.

Afinal, cada participante do ELO da gestão de carreira é beneficiado por esta atuação integrada.ELO, portanto, é uma estratégia de atuação organizacional na medida em que proporciona crescimento para as três partes, tornando a relação entre os participantes transparente e cooperativa. Isto minimiza em muito um dos maiores problemas do mundo organizacional que é a falta de comunicação. A clarificação de responsabilidades nivela expectativas e minimiza frustrações e desmotivação.

O Empregado ganha, pois, entre outros pontos, assume o papel da gestão da sua carreira, descobre suas prioridades e a se responsabiliza pelo seu próprio desenvolvimento, além de direcionar seu autodesenvolvimento.

O Líder ganha, pois, entre outros pontos, atrai talentos para sua equipe; facilita práticas de promoção, reconhecimento e valorização do empregado, além de promover melhorias no clima organizacional.

E a Organização também ganha, pois, entre outros pontos, cria condições para que novos e antigos empregados se preocupem com suas carreiras; eleva a performance dos empregados, além de identificar e valorizar os talentos.

Fato é que este pensamento está concatenado com a nova lógica do mercado global e da produção de riqueza a partir do mesmo. As relações de trabalho dentro deste já conhecido contexto são marcadas por um aumento da competitividade e maior flexibilidade, fato que reflete também nas carreiras das pessoas, que passaram a formar suas redes de relacionamento, aproveitar as oportunidades de aprendizagem com foco em desenvolvimento contínuo, e tornaram-se cada vez mais prestadoras de serviço, ao invés de buscarem um emprego estável.
Empregabilidade, autogestão de carreira, carreiras sem fronteiras e carreiras inteligentes passam a dominar o mundo corporativo. São as marcas deste novo tempo!
No entanto, fato é também que, no Brasil, as mudanças econômicas acompanhavam as tendências mundiais, mas as mudanças organizacionais, ou melhor, de pensamento organizacional, não necessariamente ocorreram (e ainda não ocorrem) com mesmo grau e velocidade necessária.
O Elo da Gestão de Carreira não é apenas um indicativo de para onde ir, mas de como ir. A obra vai um pouco além ao estabelecer os passos que cada um dos elementos integrantes deve percorrer de modo a alcançar seus objetivos.
Ao Empregado cabem as seguintes etapas no processo de gestão de carreira:
Autoconhecimento – “Conhece-te a ti mesmo” (Sócrates), seus valores, crenças, perfil, talentos, medos, âncoras de carreira, competências e saberes.
“Mais do que nunca, a velocidade das mudanças estimula este olhar para dentro. Os momentos difíceis, desafiadores e de crises são oportunidades que se abrem para o autoconhecimento e a maneira como reagimos nestas situações define a diferença entre aqueles que aproveitam para se descobrir e aqueles que buscam culpados e entram num processo de vitimização”, afirmam os autores.
Oportunidades e Ameaças – Em que discorrem sobre os acontecimentos ou fatos, inerentes a esse processo, que podem ser favoráveis ou não ao alcance de um objetivo.
“Enquanto os pontos fortes e fracos têm como foco um olhar para o indivíduo, as ameaças e oportunidades são situações que acontecem em torno, ou seja, envolvem um olhar para a empresa em que trabalha ou deseja trabalhar, para o mercado de trabalho de uma forma geral, para os acontecimentos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, legal, local e mundial”, esclarecem.
Objetivo e Metas – “Objetivos são sonhos com prazos definido” e aqui os especialistas tratam de foco (diante da imensidão de opções de carreiras), o que implica em escolhas (conviver com renúncias, pois cada escolha trás em si algumas exclusões) e preço (qualquer que seja a escolha, o indivíduo paga um preço).

Formulação de Estratégias – “A verdadeira viagem não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos” (Marcel Proust). Ou seja, a maneira de se atingir um objetivo da maneira mais rápida e com o menor gasto de energia possível.
“O mais comum, infelizmente, é encontrar muita gente esforçada, que trabalha até domingo e obtém resultados pequenos ou frustrantes. Não confunda ocupado com eficaz. Caminhar mil metros não faz diferença, se você caminha para o local errado”, advertem os especialistas.
Implementação – É o que distingue os vitoriosos dos demais. Trata-se da realização das atividades do dia adia, metas, objetivos pessoais de desenvolvimento e superação de obstáculos definidos. E, mais importante: recai sobre você a responsabilidade de encontrar alternativas, dentro ou fora da empresa, para superar eventuais dificuldades.

Controle – Tudo que não se mede não se gerencia. Ou seja, o acompanhamento das próprias metas e objetivos, possibilitando os ajustes necessários em função das alterações no cenário de oportunidades e ameaças.


Já ao Líder cabem, entre outros tópicos citados na obra:

1 ) Conhecer sua equipe: Identificação de âncoras, talentos, competências, crenças, perfil e valores.
2) Definir em parceria com o empregado atividades/tarefas/cargos que potencializem a utilização dos seus talentos.
3) Possibilitar desafios que auxiliem os empregados a expandirem seus potenciais.
4) Apresentar uma postura gerencial calcada nos altos padrões de ética, justiça e respeito com os empregados, possibilitando a uma relação de confiança.
Quanto as Organizações, essas são os lugares onde “as pessoas são levadas a buscar o seu sucesso, o seu prazer e seu crescimento profissional, utilizando-se de suas capacidades no mesmo lugar onde terão que buscar a sua própria sobrevivência”. O Elo da Gestão de Carreira discute a gestão de carreira dentro desses organismos complexos. Fato que engloba políticas, procedimentos e decisões ligadas à carreira na empresa. As organizações devem estruturar e organizar o trabalho de modo que este gere um produto final, mas cujos ganhos sirvam à empresa, ao líder e ao empregado. O tão sonhado ganha-ganha!
Como se dá a gestão de carreira dentro das empresas socialmente responsáveis? O que elas realmente podem fazer? Como se dá a estrutura dos planos de carreira e quais são as suas implicações para o empregado e para a própria organização?  O que dizer então do investimento em desenvolvimento e capacitação? Das avaliações de desempenho e bonificações? Da valorização e retenção de talentos? Da seleção e preparação cuidadosa de gestores? Do recrutamento interno para novos cargos? São a essas perguntas que Cláudio Queiroz e Christiane Leite visam responder.
“Muitas são as ações e desafios para implementar estas políticas, entretanto, acreditamos que se a organização fizer sua parte em parceira com líderes e empregados, estará contribuindo para a descoberta de talentos e de gente que faça a diferença no mundo organizacional”, comentam.
Cláudio Queiroz e Christiane Leite são enfáticos ao colocar como a perspectiva de elevação do número de empregos no Brasil para os próximos dez anos é alta. “É fato que hoje já encontramos dificuldade no preenchimento de vagas. Resta, portanto, uma ação mais efetiva no desenvolvimento de parcerias entre os três componentes do ELO para acelerar o processo de capacitação, desenvolvimento dos empregados e líderes, dos existentes e dos que chegarão em breve.”
“Os desafios estão cada vez maiores, parece impossível parar para pensar sobre gestão de carreira. No entanto, o que parece ser um tempo desperdiçado, na realidade é um investimento que impacta positivamente na velocidade do alcance dos nossos sonhos. Afinal, a gestão de carreira reflete em todas as dimensões da vida”, finalizam.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Empresas Neuróticas

Empresas neuróticas


Cláudio Raza*
Existem muitas definições de cultura empresarial, umas mais simples, outras mais complicadas. No fundo, é a maneira como funcionam as coisas no dia a dia das empresas, através de sua comunicação. A Comunicação Empresarial pode significar a diferença entre sentir-se à vontade e ir trabalhar contrariado. Geralmente a cultura de uma empresa é passada pelo empresário principal ativo na empresa. Isto é feito tanto conscientemente como inconscientemente. Em outras palavras a cultura empresarial são as conseqüências da maneira como a empresa é administrada; são as lideranças, são os executivos, escolhidos pelo empresário ou presidente ou quase isso; são os empregados. todos no mesmo barco fazendo a cultura da empresa. Querem mudar, mas dizem que a cultura que eles cultivam não permite. Então, pode-se concluir que eles, na verdade, não querem mudar... Ou sair de suas zonas de conforto. Em vista disso as empresas se tornam “neuróticas”, e a personalidade das pessoas em cargos de direção tem uma influência no clima empresarial e na forma de administrar as empresas. De acordo com o conceito da Professora e psicóloga, Maria Cláudia Donegá, esta influência ocorre devido a uma forma de interação chefe-subordinado, denominado “Folie à deux”, contágio mental ou loucura compartilhada. Professora Donegá também classifica as empresas “neuróticas” em: Paranóica, Compulsiva, Dramática, Depressiva e Esquizóide. Paranóicas Para que vocês possam identificar essas empresas, vamos mencionar os sintomas, conforme Professora Donegá:
O poder está centralizado no topo da hierarquia; os executivos são desconfiados e cautelosos, com relação à pessoas e aos acontecimentos; há muita frieza e racionalidade; constante preocupação em identificar perigos e desafios; é dada ênfase exagerada nos controles e serviços de informação, como também dos controles dos processos internos e do ambiente; as atitudes são relativas e a direção é muito mais decorrente de forças externas do que dos objetivos organizacionais. Os riscos dessas atitudes acarretam a distorção da realidade e as atitudes defensivas inibindo as ações espontâneas. Também nesta cultura empresarial doente, criam-se fantasias, tais como: não se pode confiar em ninguém e alguém lá fora está nos ameaçando. Compulsivas Nas compulsivas, os sintomas são: extremamente hierárquica e formal; prende-se em demasia ao ritual, as operações são planejadas com antecedência e executadas de maneira regular e pré-programada; a elaboração de regras, realização de reuniões, tudo é pré-estabelecido e formalmente documentado; é dado muita ênfase na eficácia e na padronização; perfeccionismo e preocupação com detalhes triviais; o ambiente externo precisa ser estável e sem grandes desafios; e existe uma insistência que os outros se adaptem ao seu estilo. Os riscos são: fixação pelo próprio umbigo; apego exagerado a regras e procedimentos e uma inflexibilidade a toda provam. As fantasias típicas dessas empresas são: não se pode estar à mercê dos acontecimentos e também não se pode confiar em ninguém. Dramáticas Os sintomas das dramáticas são: muito ativas, impulsiva, dramaticamente e perigosamente desinibida; possui expressão excessiva de emoções; o alto escalão centraliza o poder, restringindo o segundo escalão e preferindo executivos de personalidade dependentes; cultiva o narcisismo, atenção exagerada a si próprio; falta de capacidade de focalização e concentração; produz grande número de projetos, produtos e estratégias de mercado, não compatível entre si, uma diversificação sem coerência; o sistema de informação é ineficaz.
Os riscos são: a superficialidade; o afastamento da realidade e as reações exageradas a eventos secundários. Na sua fantasia, destaca-se a necessidade de impressionar as pessoas importantes. Depressivas Nas depressivas os sintomas são: empresa sólida e que atende a um mercado estabilizado; inerte, desconfiada, conservadora, burocrática e estreita mentalmente; há um vácuo no poder; a atmosfera é de extrema passividade e de falta de objetivos; tudo é rotineiro e pré-programado e não requer nenhuma iniciativa especial; falta de perspectiva e motivação; falta de capacidade para pensar claramente; as mudanças são pequenas e falta de competição; sentimento de inadequação. Os riscos nesse caso são: dificuldade em melhorar o desempenho; a incapacidade de decidir e a inabilidade para agir. A fantasia é: não adianta mudar, simplesmente somos incompetentes. Esquizóides Os sintomas das esquizóides são: ausência de orientação no topo; os executivos desencorajam a interação, por medo de envolvimento; a empresa é um campo de batalha político e muito jogo de poder entre os departamentos; iniciativas de um grupo são neutralizas por grupo de oposição; a estratégia organizacional é um produto de expectativas pessoais, poder em interesses políticos; é conservadora e sem objetivos organizacionais; indiferença a elogios ou críticas; desinteresse pelo presente ou futuro; aparência fria, distanciamento e não envolvimento. Os riscos são: estado de confusão e agressividade; isolamento social causando frustração. E as fantasias são: o mundo não oferece nenhuma satisfação e a relação com os outros só nos causa problemas, é melhor ficar afastado.
Após identificar em que tipo de “doença” a empresa se enquadra, pergunta-se: Como tornar minha empresa numa organização saudável? A própria Professora e psicóloga Donegá responde: “Para transformar uma organização doente em uma saudável é necessário que as mudanças ocorram internamente. E boa parte das empresas só está preparada para satisfazer as necessidades básicas das pessoas; é importante que o trabalho complemente outras necessidades”. Verificamos que as empresas têm um pouco de cada tipo que listamos aqui, e alguns deles são bons, pois funciona bem dentro do estilo das empresas, o que não se pode é perder o foco principal do negócio, o cliente e o lucro.
Cláudio Raza é Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Professor Universitário, mais de 35 anos assessorando empresas. E-mail: c.raza@terra.com.br

Princípios, Valores e Virtudes

PRINCÍPIOS, VALORES E VIRTUDES

Jerônimo Mendes

MISSÃO DO AUTOR
Semear conhecimento e gerar prosperidade para o número de pessoas possível por meios de bons exemplos, disciplina, otimismo e consideração pelo próximo.
 
ARTIGO DA SEMANA
 
 
Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local
 
Existe uma grande diferença entre princípios, valores e virtudes embora sua efetividade seja válida apenas quando os conceitos estão alinhados. No mundo corporativo em geral, noto que muitos profissionais são equivocados com relação aos conceitos e, apesar de defenderem o significado de um ou outro, a prática se revela diferente.
Princípios são preceitos, leis ou pressupostos considerados universais que definem as regras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Em qualquer lugar do mundo, princípios são incontestáveis, pois, quando adotados não oferecem resistência alguma. Entende-se que a adoção desses princípios está em consonância com o pensamento da sociedade e vale tanto para a elaboração da constituição de um país quanto para acordos políticos entre as nações ou estatutos de condomínio. Vale no âmbito pessoal e profissional.
Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados universais. Como cidadãos – pessoas e profissionais -, esses princípios fazem parte da nossa existência e durante uma vida estaremos lutando para torná-los inabaláveis. Temos direito a todos eles, contudo, por razões diversas, eles não surgem de graça. A base dos nossos princípios é construída no seio da família e, em muitos casos, eles se perdem no meio do caminho.
De maneira geral, os princípios regem a nossa existência e são comuns a todos os povos, culturas, eras e religiões, queiramos ou não. Quem age diferente ou em desacordo com os princípios universais acaba sendo punido pela sociedade e sofre todas as conseqüências. São as escolhas que fazemos com base em valores equivocados, não em princípios.
Valores são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado indivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da cultura relacionada com o ambiente onde estamos inseridos. É comum existir certa confusão entre valores e princípios, todavia, os conceitos e as aplicações são diferentes.
Diferente dos princípios, os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas de trabalho. Sua aplicação pode ou não ser ética e depende muito do caráter ou da personalidade da pessoa que os adota.
Pessoas de origem humilde definem valores de maneira diferente das pessoas de origem mais abastada. De um lado, a escassez pode gerar a idéia de que dinheiro não traz felicidade, portanto, mesmo sem dinheiro, é possível ser feliz utilizando-se valores como amizade, por exemplo. Do outro, o apego ao dinheiro e a convivência harmoniosa com o conforto pode gerar a idéia de que sem dinheiro não é possível ser feliz, ou seja, o dinheiro traz felicidade, amizade, conforto e, se houver mais dinheiro do que o necessário, valores como filantropia e voluntariado podem ser praticados.
Essa comparação não define o certo e o errado. Ela apenas levanta uma questão interessante sobre o conceito de valores e depende do ponto de vista de cada cultura ou de cada pessoa, em particular. Na prática, é muito mais simples ater-se aos valores do que aos princípios, pois este último exige muito de nós. Os valores completamente equivocados da nossa sociedade – dinheiro, sucesso, luxo e riqueza - estão na ordem do dia, infelizmente. Todos os dias somos convidados a negligenciar os princípios e adotar os valores ditados pela sociedade.
Virtudes, segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral. A primeira deve, em grande parte, sua geração e crescimento ao ensino, e por isso requer experiência e tempo; ao passo que a virtude moral é adquirida com o resultado do hábito.
Segundo Aristóteles, nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza, visto que nada que existe por natureza pode ser alterado pela força do hábito, portanto, virtudes nada mais são do que hábitos profundamente arraigados que se originam do meio onde somos criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes.
Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça ariana, a aniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunha de virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dos mais nefastos da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores que contrastam com os princípios universais.
Diferente de Hitler, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce e Mahatma Gandhi tinham princípios, valores e virtudes integralmente alinhados com a sua concepção de vida. Todos lutavam por causas nobres e tinham um ponto comum: a dignidade humana. Enquanto Hitler, Milosevic e Karadzic entraram para o rol das figuras mais odiadas da humanidade, Madre Teresa, Irmã Dulce da Bahia e Gandhi são personalidades singulares que inspiram exemplos para a humanidade.
Existem pessoas que nunca seguiram princípio algum e, apesar de tudo, continuam enriquecendo, fazendo sucesso na televisão, conquistando cargos importantes nas empresas e assumindo papéis relevantes na sociedade. Entretanto, riqueza material não é a única medida de sucesso. Avalie, por si mesmo, quais os exemplos deixados por elas, a sua contribuição para o mundo e o seu triste legado para os descendentes.
No mundo corporativo não é diferente. Embora a convivência seja, por vezes, insuportável, deparamo-nos com profissionais que atropelam os princípios, como se isso fosse algo natural, um meio de sobrevivência, e adotam valores que nada tem a ver com duas grandes necessidades corporativas: a convivência pacífica e o espírito de equipe. Nesse caso, virtude é uma palavra que não faz parte do seu vocabulário e, apesar da falta de escrúpulo, leva tempo para destituí-los do poder.
Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como a ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recordações, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido especial e particular a esses conceitos.
O importante é que você não perca de vista esses conceitos e tenha em mente que a sua contribuição, no universo pessoal e profissional, depende da aplicação mais próxima possível do senso de justiça. E a justiça é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la, portanto, lute pelos princípios que os valores e as virtudes fluirão naturalmente. O que vale em casa vale no trabalho. Não existe paz de espírito nem crescimento interior sem o triunfo dos princípios. Pense nisso e seja feliz!
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Para saber mais, leia o meu artigo intitulado “A Terra tem jeito?”, disponível em:
 
http://www.jeronimos.com.br/artigo32.php

Como aplicar as cinco disciplinas de Peter Senge nas empresas

As empresas estão diante de um macrosistema marcado pela incerteza que provoca a necessidade de mudanças. O administrador como um agente de transformação necessita de um novo perfil, caracterizado pela necessidade urgente de mudar a sua maneira de ver o processo de aprendizagem como uma forma de requalificação profissional, passando a concebê-la como um instrumento de renovação dos seus conhecimentos que acontece no dia-a-dia das organizações. Estão novamente em pauta os estudos sobre “A ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE” ou “LEARNING ORGANIZATION” O que são as organizações que aprendem? Mario Kempenich - consultor de Marketing em entrevista a TV a Cabo: “É aquela em que o conhecimento é à base de tudo que a empresa faz. As empresas do passado precisam muito do capital dinheiro no negócio da produção. Hoje em dia, é preciso investir capital humano. A questão de aprender, até a pouco, a empresa enviava os profissionais para o treinamento, para fora, para um congresso, para um seminário etc. Mas não existia na empresa um sentimento de passar este aprendizado para outras pessoas. Peter Senge montou um sistema que permite a empresa disseminar esta informação pela empresa. Assim, a empresa tem uma maior facilidade de aprender............ Às vezes pensa-se que pegar uma estrutura do piramidal (manda quem pode, obedece quem tem juízo), então, mandam-se as pessoas para fazerem palestras, cursos, etc e a empresa monta um sistema para transferir estas informações. Mas não é só isso. É preciso que a empresa aprenda a trabalhar em grupo, com times, que evolua das funções para os processos, das células
multifuncionais. Uma empresa pequena, com 20-40 funcionários pode ser uma learning organization se, se estruturar para que este processo funcione”. É fácil transformar uma empresa numa learning organization? Roberto Marx - professor da Escola Politécnica da Universidade São Paulo em entrevista a TV a cabo: “Não é fácil. É algo que leva tempo e é muito difícil de se avaliar, de se medir, constar quais as empresas que estão ou não enquadradas neste contexto. A idéia de organização que aprende, para ser implementada precisa de uma série de iniciativas que não são fáceis, não são rápidas. Devem na verdade configurar uma nova trajetória de mudança de longo prazo. Mudanças que tem a ver com uma nova estrutura da empresa, com uma nova estratégia de negócios e, finalmente, com uma nova forma de trabalhar. Por conter todas estas dimensões, trata-se de uma questão complexa e que demanda tempo para sua implementação........ Não se trata de acabar com a hierarquia e sim modificá-la. Numa organização que aprende, a hierarquia continua existindo mas, é diferente da hierarquia numa organização tradicional. Continua-se tendo chefes e subordinados. Mas as diferenças hierárquicas são menores e os desníveis de conhecimento também”. Entretanto não é difícil encontrar empresas que são verdadeiras "prisões intelectuais", cerceando o próprio direito de pensar de seus funcionários, são frases como: "Aqui você não é pago para questionar e sim para executar", ou "Não invente, faça somente o que está previsto", que refletem um pensamento mecanicista e inviável atualmente, tais empresas precisam urgentemente perceber que o grande diferencial nas organizações é seu potencial humano, pois a tecnologia cada vez mais fica acessível a todos. Segundo PETER SENGE (1990), o ciclo de aprendizagem é iniciado e mantido pelas cinco disciplinas: A primeira disciplina é o domínio pessoal. Significa aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os resultados desejados e
criar um ambiente empresarial que estimule todos os colaboradores (funcionários) a buscar e alcançar seus objetivos sem medo de errar, isto é, aprender a aproximar a realidade da visão pessoal. A segunda disciplina, modelos mentais, São imagens do mundo que construímos a partir das nossas vivências e por meio dos quais nos orientamos. O objetivo desta disciplina é rever nossos modelos mentais para ajustá-los à realidade. A terceira disciplina, visão compartilhada, é estimular o engajamento do grupo em relação ao futuro que se procura criar e elaborar os princípios e as diretrizes que permitirão que esse futuro seja alcançado. As pessoas precisam ter um “espaço” para falar e serem ouvidas, para construir uma visão que vá ao encontro de suas aspirações e do futuro que desejam para a empresa, Ao permitir várias visões pessoais, terão uma maior possibilidade de explorar as diferentes perspectivas da realidade e do futuro. A quarta disciplina, aprendizado em equipe, transformar as aptidões coletivas ligadas a pensamento e comunicação, de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver inteligência e capacidades maiores do que a soma dos talentos individuais. A eficácia não é resultado de um esforço apenas individual, mas sim resultado de ações sinérgicas, com um forte sentido de cooperação. A quinta disciplina, pensamento sistêmico, Trata-se de uma disciplina que permite analisar e compreender a organização como um sistema e descrever as inter-relações existentes entre os seus elementos. Cada componente exerce influências e traz informações a outros, promovendo o crescimento, o declínio ou a estabilidade do sistema como um todo. A organização que aprende, ou o “learning organization’ dá cada vez mais valor à geração de conhecimento interna. Criar uma ambiente de trabalho em que possibilite que uma instância de treinamento seja o próprio local de trabalho. Além do conjunto de treinamentos formais, as empresas que
aprendem consideram cada vez mais o próprio local para que ocorra discussão em grupo dos problemas anormais: erros, falhas, problemas de qualidade. Não no sentido de apontar culpados, mas falhas da organização como um todo. Este tipo de treinamento ainda é muito pouco usado pelas empresas mas pode configurar-se numa forma de treinamento muito útil e relevante.
*Cláudio Raza: Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Professor Universitário, mais de 35 anos assessorando empresas.E-mail: c.raza@terra.com.br