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sábado, 6 de julho de 2013

Recrutamento - O custo da rotatividade

Empresa coloca na ponta do lápis o preço do entra e sai de pessoal, reestrutura o modelo de seleção, consegue engajar os gerentes e vira a página do turnover alto

Camila Mendonça


Shimba (à esq.) e Márcia: processo de seleção mal conduzido eleva os custos da companhia

Até pouco tempo atrás, a pressa era o principal fator que conduzia os processos seletivos da Kalunga, rede de papelaria e materiais para escritório. Para suprir a demanda que só crescia, os gerentes das lojas ouviam um candidato e logo o contratavam para o atendimento. Há 25 anos na companhia, Hélio Shimba, gerente da regional de São Paulo, já presenciou situação pior. "No passado, as admissões eram feitas diretamente pelo departamento pessoal, sem a participação do gerente, e o funcionário chegava aprovado na loja", conta. O resultado de processos acelerados e não integrados foi o aumento do turnover da rede, que alcançou os 58%. "O processo de seleção estava todo errado", concluiu Márcia Assim, quando ingressou na rede em 2008 para assumir a gerência de recursos humanos. Até aquele ano, não havia um RH estruturado na companhia, tampouco processos de seleção moldados. Embora significativa, a taxa de rotatividade não parecia dizer muita coisa para os gerentes das lojas. Era preciso mais. E Márcia, então, fez as contas. "Mostramos que um processo de seleção mal conduzido eleva os custos da rede", afirma. Na fórmula, foram considerados os custos da divulgação da vaga, do processo de seleção, da admissão, da integração e do desligamento.
Susto coletivo
Com os valores na ponta do lápis, a gerente de RH apresentou os resultados. "Todo mundo levou um susto", conta. A partir daí, o setor movimentou forças para mostrar que, além de reduzir valores, a escolha bem feita dos profissionais acarretaria mudanças na qualidade do atendimento e os frutos seriam colhidos a médio e longo prazos. "Os gerentes não tinham paciência para conversar com mais candidatos e queriam contratar rápido. Mas mostramos que esse processo não é perda de tempo", afirma.

Por decidirem quem entra e sai das lojas, os gerentes foram o primeiro foco das mudanças. A ideia foi fazê-los perceber que era preciso participar de maneira mais ativa da seleção, ouvindo mais pessoas, analisando-as com cuidado e fazendo as perguntas certas. "Eles sequer olhavam a carteira de trabalho do candidato. E o documento diz muito sobre ele", conta Márcia. Até um roteiro básico de perguntas foi preparado pelo setor e enviado aos gerentes para que tenham parâmetro. Além disso, eles recebem treinamento constante para escolher bem os funcionários e têm à disposição selecionadoras que esclarecem dúvidas.  Uma das mudanças mais significativas foi colocar a rotatividade como um dos indicadores que compõem a análise anual de todas as lojas da rede. Aquelas com as melhores pontuações recebem prêmios no final de ano. "Quando colocamos o turnover como um dos indicadores de desempenho da loja, os gerentes começaram a se preocupar", conta a executiva. Dessa forma, quem selecionava melhor retinha mais gente e conseguia mais pontos.

No primeiro momento, a preocupação era a busca pelas melhores pontuações. Aos poucos, no entanto, houve a percepção de que, bem selecionados, os atendentes rendiam mais. "Percebemos isso pelo interesse dos gerentes em tirar dúvidas sobre o processo e também na preocupação de ligar e dizer os motivos do desligamento de algum funcionário", conta a executiva de RH. Para Shimba, houve ganhos em produtividade. "Já tínhamos a percepção da importância do processo de seleção porque víamos muitos candidatos sem perfil, muitos saindo e outros desistindo. Mas quando o gerente realiza esse processo com atenção, ele consegue adequar o perfil do candidato às necessidades da loja", observa. Como gerente regional, Shimba acompanha os processos de seleção, mas a palavra final continua com os gerentes das lojas. O perfil dos atendentes também mudou. Antes, conta ele, os funcionários tinham baixo grau de escolaridade, ao contrário dos candidatos de hoje, mais preparados. "Conseguimos trabalhar o desenvolvimento humano", avalia. Com as mudanças, o turnover caiu de 58% para 42%, de acordo com a gerente de recursos humanos.
Avaliação e treinamentoNão é apenas uma seleção mal conduzida que interfere na taxa de turnover de uma empresa. Para avaliar se o problema está no gerente da loja ou no funcionário, o setor de Márcia também conduz uma pesquisa de loja em loja, para verificar os motivos das saídas. "Quando vemos que está muito relacionada ao gerente, vamos conversar com a regional e fazer um trabalho focado nessa loja", afirma.

O programa de trainees também faz parte das mudanças de concepção da seleção da rede e tornou-se pilar da empresa, a fim de ter gerentes mais preparados para escolher funcionários a longo prazo. Hoje, o programa possui três etapas: uma de treinamento nas lojas; outra mais administrativa, na qual os trainees conhecem os departamentos da rede; e a terceira é uma imersão no departamento de recursos humanos, ocasião em que são tratados temas como liderança, equipe e administração do tempo."Após o treinamento, os novos gerentes assumem a loja com plena consciência dos procedimentos de todas as áreas da empresa, bem como dos custos envolvidos com o patrimônio, equipe e infraestrutura. Dessa forma, os recém-chegados vêm com conhecimento pleno dos modelos de liderança que esperamos encontrar na equipe", ressalta a executiva.

As mudanças na condução dos processos também são parte do processo de expansão da Kalunga. A companhia faturou 1,130 bilhão de reais em 2011, com 78 lojas. Para 2012, a previsão é fechar o ano com faturamento de 1,350 bilhão de reais e um total de 100 lojas. Hoje, a rede possui 2.340 funcionários, sendo 1.870 distribuídos nas 92 lojas existentes. Ao todo, existem 122 gerentes, sendo 100 os de loja. Para cada loja, a média é de 22 funcionários. Com o crescimento da rede, os processos de seleção precisam ser cada vez mais efetivos, afirma Hoslei Pimenta, diretor comercial da companhia. "Não dá para expandir sem gente qualificada", diz. De acordo com ele, além da queda nas despesas, as perdas em vendas também diminuíram com a seleção mais estruturada, uma vez que houve aumento na qualidade do atendimento nas lojas. "Quando você mantém uma equipe por mais tempo, ela fica mais qualificada", avalia.

       







domingo, 8 de janeiro de 2012

O candidato é um ser humano e não uma peça de quebra-cabeças

Por Simone Cezário para o RH.com.br 


Sou profissional da área de RH, com foco em Treinamento & Desenvolvimento e Recrutamento & Seleção, e no período que fiquei em busca de recolocação tive a oportunidade de analisar como andam a estruturação e a realização dos processos seletivos e, independente do porte da empresa, consegui apontar alguns erros gravíssimos que me fez repensar, não só com candidata, mas também com profissional.

Avaliação Curricular - Participei do processo seletivo em uma grande empresa para o cargo de Analista de RH. Depois passar pelas três fases, recebi o email de agradecimento e quando solicitei o feedback com o motivo da reprovação tive uma surpresa, não fui selecionada por não ter experiência em Sistemas de Qualidade. Então, pergunto: "Onde em meu currículo diz que possuo esta experiência?". Responde: "Em lugar nenhum".

Outro caso está relacionado ao local onde resido. Em meu currículo está muito clara a informação de que moro em um bairro na Zona Leste. Pois bem, em outro processo, também depois de passar por todas as fases, não fui selecionada por morar muito longe da empresa. Então, se a distância é item eliminatório, porque me convocaram, já que a informação com o local onde moro está nítida em meu currículo?

Entrevista - Tenho comigo que a entrevista é o momento crucial na escolha do profissional a ocupar o cargo em aberto. Tive duas experiências que muito me preocuparam. A primeira foi uma entrevista com a duração de menos de 15 minutos e neste tempo a preocupação do selecionador não estava em conhecer meu perfil e sim em "vender" a vaga, saí do local sem saber o que pensar.

Em outra empresa, a última etapa de seleção foi a entrevista com o diretor. Entendo que a diretoria costuma ser extremamente ocupada, mas daí a fazer uma entrevista de qualquer modo, isso é preocupante. Pois é, no fechamento de uma vaga importante fui entrevista em 15 minutos e para piorar a situação, enquanto eu falava, o entrevistador simplesmente pegou o celular e fez uma ligação, como se eu não estivesse ali. Imaginem o nível de atenção que ele dispensou para aquela entrevista.

Falsas expectativas - Este item merece muita atenção, passei por diversos processos e em muitos deles o entrevistador deixou-me com a certeza de que havia sido escolhida. Já cheguei a ouvir em uma empresa: "Sua disponibilidade é imediata? Porque você provavelmente receberá uma ligação para trazer seus documentos esta semana". Saí cheia de expectativas e o que aconteceu? Depois de um mês, após diversas tentativas de contato, descobri que a vaga foi preenchida com outra candidata. Aí fica um ponto de atenção para os entrevistadores repensarem o modo que finalizam as entrevistas, para não alimentarem falsas esperanças.

Feedback - Selecionadores, cuidado! Se prometerem, deem retorno. Nesta minha busca por recolocação passei por sete processos e destes, somente duas empresas cumpriram o retorno, mesmo que negativo. Acredito que, pior do que omitir é não responder o candidato, porque de que adianta deixar telefone e email disponível e não responder o contato. Em outras duas empresas enviei email e até hoje não obtive resposta, ou seja, dá para concluir que menos de 50% das empresas retornam ao candidato.

Bem, acredito que estas situações são somente algumas das que acontecem durante os processos seletivos. Hoje estou recolocada, mas aprendi muito nestes dois meses de busca e, com certeza, é necessário ter em mente que o candidato não é uma simples peça que poderá ou não completar o quebra-cabeça de sua empresa e sim, é um ser humano repleto de ansiedades, expectativas e objetivos, e merecem a devida atenção e respeito. Lembrem-se que o momento da seleção é uma conquista na qual as empresas reprovam os candidatos, mas os profissionais também reprovam as organizações.

Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Recrutamento_Selecao/Artigo/7442/o-candidato-e-um-ser-humano-e-nao-uma-peca-de-quebra-cabecas.html

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O que um headhunter pode oferecer à empresa e ao profissional?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 



O mercado apresenta um processo acelerado de mudanças e os reflexos são observados não apenas dentro das empresas, mas também fora delas. Afinal, é preciso encontrar o profissional certo para ocupar cargos em curto espaço de tempo. A questão é: será que a pessoa contratada atenderá às expectativas da organização. Dados da ABRH Nacional apontam que hoje o número de empresas especializadas em Executive Search é oito vezes superior a 2005. "O aumento das empresas especializadas em Executive Searchdeve-se às mudanças das estruturas de RH das empresas, que com a modificação da economia reduziram o quadro de pessoas, tendendo a terceirizar esse serviço", argumenta Eraldo Benazzi, gerente regional da Brain - Inteligência em Talentos - consultoria de hunting que caça talentos em todas as regiões do país.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Benazzi cita que, atualmente, a grande maioria das empresas, que hoje presta consultoria em Executive Search, é dirigida por altos executivos que deixaram as empresas para serem donos do próprio negócio, conhecem todo o funcionamento de Recursos Humanos e querem gerar soluções que não conseguiam na época em que estavam à frente da área de RH. "A mão de obra qualificada está escassa e é aí que entram os caçadores de talentos, atendendo não só mais à grande, como também à pequena e à média organização", sintetiza. Durante a entrevista, ele aponta as vantagens de se recorrer às consultorias deExecutive Search e como o profissional deve proceder no momento em que ele recebe uma proposta de um "caça talentos". Confira a entrevista na íntegra e tenha uma boa leitura!

RH.com.br - De acordo com a ABRH Nacional o número de empresas especializadas em Executive Search, hoje, é oito vezes maior em relação ao ano de 2005. Por que ocorreu esse crescimento tão acentuado?
Eraldo Benazzi - As primeiras consultorias de Executive Search começaram a explorar o mercado no final dos anos 90 e até, então, tratava-se de algo muito novo, considerado até arriscado por muitos gestores de Recursos Humanos, pois as cifras envolvidas eram altas e poderiam até gerar uma concorrência entre os próprios profissionais de Recursos Humanos e a consultoria que encontrava o candidato com maior facilidade. Hoje isso mudou. O mercado brasileiro está cada vez mais maduro. A economia do Brasil continua crescente e fortemente solidificada aos olhos dos investimentos estrangeiros. Com isso, muitos investidores chegaram ao Brasil prontos para aproveitar esse momento, gerando a incessante busca por resultados imediatos, o que impulsionou o aumento considerável do número de empregos, tanto para cargos operacionais como para posições estratégicas, bem como a transformação da política de administração corporativa no Brasil. Com a evolução, o departamento de Recursos Humanos, que antes era considerado um centro de custos, deixou de ser responsável apenas pela contratação e demissão de funcionários e se tornou uma área estratégica, gerando lucros expressivos para as companhias. Para otimizar o tempo, o setor de RH ou de Talentos assumiu um novo papel, dispondo de mais autonomia e orçamento para desenvolver um planejamento estratégico. A solução para suprir a procura por mão de obra capacitada é oferecida pelas consultorias que dispõe de equipes especializadas para a busca incessante de talentos, fazendo com que as companhias não percam tempo com escolhas erradas nem o foco nos resultados. O aumento das empresas especializadas em Executive Search deve-se também às mudanças das estruturas de RH das empresas, que com a modificação da economia reduziram o quadro de pessoas, tendendo a terceirizar esse serviço. Outro fator observado é que a grande maioria das empresas, que hoje presta consultoria em Executive Search, é dirigida por altos executivos que deixaram as empresas para serem donos do próprio negócio, conhecem todo o funcionamento de RH e querem continuar contribuindo e trazendo soluções que não conseguiam na época em que estavam à frente da área de Recursos Humanos.

RH - Esse aumento pelo Executive Search tende a continuar?
Eraldo Benazzi - Vai continuar sim. Os investimentos não param de chegar. Por outro lado, a área de Recursos Humanos passou a ser estratégica nas organizações preocupadas em como atrair, desenvolver e reter seus recursos, terceirizando as tarefas não centrais. São muitas companhias iniciando suas operações no Brasil mirando os eventos esportivos dos próximos cinco anos, a alta demanda por novas tecnologias, além do imenso mercado de óleo e gás e as novas fontes energéticas, o que está impulsionando o desenvolvimento de outras regiões do Brasil como é o caso das regiões Norte e Nordeste. O departamento de Recursos Humanos está cada vez mais enxuto e continuará não tendo braços suficientes para encontrar os talentos necessários. Com o aquecimento do mercado no Brasil e a recessão na Europa e nos Estados Unidos, os executivos expatriados, tendem a buscar o acesso ao mercado brasileiro através das empresas de Executive Search que detêm um grande número das posições executivas no mercado de trabalho. O aumento das consultorias é esperado pelo crescimento e aquecimento da economia no país. Porém, é possível que só quem tenha maior destaque na atuação e um trabalho diferenciado, de cunho consultivo e próximo ao cliente consiga crescer e se estabelecer como um grande player nesse mercado. Há espaço para todas, mas é necessário consolidar parcerias e criar estratégias inovadoras para se manter no longo prazo.

RH - Qual o perfil de empresas que recorrem ao Executive Search?
Eraldo Benazzi - No começo do Executive Search no Brasil, quem recorria para os headhunters eram as grandes companhias ou empresas que estavam chegando ao Brasil e já conheciam o modelo na Europa ou nos Estados Unidos. Muitos processos eram conduzidos diretamente pela matriz estrangeira dessas empresas junto aos escritórios das consultorias. Estamos passando por um momento de prosperidade, em que ninguém pode perder tempo ou correr o risco de escolher o profissional errado para sua empresa. A mão de obra qualificada está escassa e é aí que entram os caçadores de talentos, atendendo não só mais à grande, como também à pequena e à média organização. Diversas empresas em start up procuram o seu head de operações através das consultorias. Estamos conduzindo dezenas de processos para sete empresas em início de atividade no Brasil de distintos setores espalhadas nas cinco regiões do país. Com o aumento da busca pelo melhor profissional e oportunidades diversas, tem sido muito mais popularizado o conceito de Executive Search entre as empresas de diversos tamanhos e segmentos. Com o crescimento de empresas que buscam negócios no Brasil e a quantidade de oportunidades que o mercado oferece, tem surgido uma nova demanda para essas empresas, que são a busca por posições especialistas e não somente executivas. A preocupação atual das empresas é não perder o melhor profissional para um mercado aquecido e reter e fazer a melhor contratação. Com isso, recorrer às empresas especializadas para auxiliá-los, ficou cada vez mais constante.

RH - 
O crescimento de "hunting" no mercado implica que captar profissionais de talento tornou-se mais difícil?
Eraldo Benazzi -
 Muito mais difícil. No aquecido mercado, em que todos querem os melhores, dificilmente é possível encontrar um perfil diferenciado disponível para ocupar uma vaga de emprego ou com cadastrado em um banco de currículos, especialmente para a alta gestão. Então, os brasileiros adotaram a metodologia de empresas de RH multinacionais. O Executive Search permite por meio de uma abordagem direta, encontrar e validar estes profissionais que estão em seu melhor momento, com alto potencial de sucesso e aderência não apenas às competências técnicas, mas também comportamentais e culturais da organização contratante. Nós da Brain - Inteligência em Talentos por aliar rapidez e eficiência com a ferramenta hunting, conseguimos o alcance a 70% da população economicamente ativa. Geralmente, os perfis ideais fazem parte dos 45% dos candidatos passivos, que atuam no mercado e não procuram emprego, mas quando são abordados escutam as propostas. Além disso, a nossa busca pelo profissional também atinge os 25% dos candidatos ativos, aqueles que distribuem currículos para consultorias e sites de recrutamento. Os profissionais acessados pelos headhuntersacompanham a economia e o mercado, a grande maioria sabe desse aquecimento e do medo que as empresas têm de perdê-los. A consequência é uma hipervalorização desse profissional para um mercado que está disposto a pagar pelo melhor. As empresas pensam seriamente em rever cargos e salários para reter essas pessoas, mas sabem que não é somente o lado financeiro que segura esses talentos. Cada vez mais companhias trabalham com a possibilidade de desenvolver o profissional internamente para um plano de sucessão. Com o aumento da busca de profissionais: seja por crescimento interno da empresa ou por reposição de profissionais, a exigência que antes era somente das empresas, hoje também é do profissional que escolhe a melhor oferta. A consequência é o aumento do grau de dificuldade em atender às empresas.

RH - Quais as vantagens que um headhunter traz às organizações e aos profissionais?
Eraldo Benazzi - O headhunter é o responsável por detalhar às companhias qual é a verdadeira situação do mercado para cada posição trabalhada. Além disso, ele deve ser o responsável por levar soluções para encontrar esses talentos. As consultorias que esperam os candidatos cadastrarem-se nas vagas divulgadas e encaminham os "três melhores currículos", não estão mais fechando as posições. De cada dez posições que trabalhamos, quatro são vagas que já haviam sido trabalhadas por outras consultorias e que não conseguiram fechar. Conseguimos o sucesso através de um mapeamento da realidade do mercado, identificando candidatos em segmentos e localidades diversas, incluindo cargos, remuneração e benefícios praticados, criando a fotografia do cenário profissional, gerando um banco de dados exclusivo para o cliente. Essa pesquisa serve como ferramenta gerencial e estratégica para a empresa, onde poderá tomar realmente uma decisão fundamentada. Com o mapeamento, a empresa consegue tirar um retrato do mercado e os processos tornam-se mais estratégicos, não fabricamos candidatos, mas sim mostramos uma realidade instantânea do mercado e assim conseguimos agregar verdadeiramente um serviço consultivo ao processo. A empresa, dessa forma, prepara-se para enfrentar a concorrência, além de ajudar a identificar se há talentos na própria empresa melhores do que o mercado oferece, um overview do mercado. Para os profissionais, os headhunters são uma rica fonte de informações, desde coisas básicas em como se portar durante a entrevista ou em como fazer seu currículo, como também, obter informações e impressões sobre mercados em expansão.

RH - Quais as características do perfil profissional dos headhunters?
Eraldo Benazzi - Gostar de gente. Esse é o requisito básico e número um de quem quer ser um headhunter. Muitos profissionais entram nas consultorias por considerar uma profissão de status e bons ganhos financeiros. Mas a realidade não é bem essa. O profissional tem que ser altamente "hands on", empreendedor e resiliente. Trabalha-se muito, exige-se muita flexibilidade e estudo de mercado para poder adaptar-se à realidade de cada companhia, entendendo o modo de recrutar e analisar cada candidato pelo o olhar do gestor, do cliente. Falamos com muitas pessoas durante o dia, profissionais com a agenda tomada por compromissos e temos que ter a capacidade de adaptar nossos horários para encontrá-los. Pode ser a oportunidade única de conhecer o profissional que seu cliente necessita. Outro ponto importante é saber ouvir. As pessoas precisam contar suas histórias, profissionais e pessoais. Muitas dessas histórias são sensacionais. Lições de vida. Aprende-se muito na sala de entrevista. O headhunter deve também ter uma visão geral de mercado para que possa atuar em todos os segmentos, deve estar sempre próximo ao cliente e entender qual a necessidade e em que momento pode auxiliá-lo. Ser alguém de fácil acesso, comprometido com o trabalho e com a entrega. O headhunter deve gostar de desafios, pois a grande parte das demandas solicitadas pelas empresas são vagas de alto grau de dificuldade. O headhunter não deve nunca desistir de encontrar o melhor profissional e deve preocupar-se em ser um braço estratégico para seu cliente.

RH - Sabemos que o mercado está em um processo de permanente evolução. Esse fato trouxe mudanças significativas na forma de atuação dos headhunters?
Eraldo Benazzi - Sim. O headhunter deve ter uma atuação mais ativa. Não esperar o candidato chegar e sim buscar o candidato na fonte. Ter uma atuação mais consultiva e proativa junto aos clientes, definindo estratégias e posicionando seu cliente de forma clara. Essa mudança ocorreu pelo aumento no número de empresas de Executive Search atuando da mesma forma: aguardando candidatos. Sabemos que somente 25% da população economicamente ativa no Brasil, busca por novas oportunidades, tem seu material atualizados nos sites de anúncios de vagas e conversam com muitos headhunters. Não é mais esse profissional que as empresas querem. A solução é sermos ativos nas buscas, o que nos leva aos candidatos que hoje se encontram bem em seus empregos. Porém, quando abordados, escutam nossos clientes. Eles representam 45% da população economicamente ativa. Precisamos ser diferentes e só assim conseguiremos agregar valor ao negócio das companhias. A maior preocupação de uma consultoria deve ser o foco na entrega e a assertividade dos processos.

RH - Atualmente, quais as principais ferramentas aliadas dos headhunters?
Eraldo Benazzi - O networking continua sendo a principal ferramenta de um headhunter. Ele precisa conhecer pessoas e entender o negócio de cada um de seus clientes. A grande ferramenta que faz toda a diferença é a fundamentação dos processos com o mapeamento dos profissionais em atividade para cada uma das posições, o que nos leva a um overview de mercado com real cenário, prestando uma consultoria contundente e definitiva na hora de tomar a decisão sobre uma nova contratação, ou promoção interna e ainda treinamento e desenvolvimento de novos líderes. Para finalizar, o headhunter também deve saber navegar muito bem pelas mídias sociais, onde poderá aumentar consideravelmente seu network.

RH - As redes sociais tornaram-se recursos valiosos para os gestores de RH que buscam talentos. Para o processo de Executive Search a tecnologia também se mostra uma importante aliada?
Eraldo Benazzi - A tecnologia tornou-se uma grande aliada sim. Hoje é muito mais fácil chegar aos candidatos. Antigamente, o processo de hunting era feito na porta da empresa. Quando os profissionais deixavam suas companhias, os headhunters ficavam parados na porta da empresa abordando diversas pessoas até descobrirem o nome do profissional da área a qual estão procurando. Cada vez fica mais fácil obter referências profissionais através da internet. Conseguimos descobrir estruturas e organogramas completos através de websites e redes sociais. Todas as formas de recursos agregam valor ao trabalho de um headhunter, que precisa aumentar sua rede de contatos para poder ser consultivo.

RH - E, eventualmente, o que atrapalha o processo de Executive Search?
Eraldo Benazzi - Não estudar o mercado para o qual irá recrutar, além do envolvimento superficial com o cliente. Certamente, a falta de qualquer um desses dois básicos detalhes dificultará ainda mais a entrega dos processos e a assertividade que as empresas procuram quando buscam uma empresa de Executive Search. É de suma importância o alinhamento da posição frente a frente com os gestores responsáveis pela contratação, não gerando falsas expectativas. Não inventamos candidatos. Não criamos o currículo perfeito. Mostramos sim a realidade do mercado e, com isso, podemos tomar a melhor decisão, sempre em conjunto ao nosso cliente. Por outro lado, a falta de feedback é a reclamação número um de todos os candidatos, que já participaram de processos seletivos por intermédio de outras consultorias. Isso prejudica muito a imagem da empresa, bem como a imagem do headhunter perante o seu maior bem: o candidato, o qual poderá ser seu cliente futuramente.

RH - Que conselhos o senhor daria a um profissional de talento que recebe uma proposta de um headhunter?
Eraldo Benazzi - Cuidado número 1 - O vínculo financeiro de uma empresa de Executive Search é, sem exceção, com seu cliente e nunca com o candidato. Nunca aceite ou pague quantia alguma para umheadhunter. O trabalho de recolocação - outplacement - é pago pelo candidato, mas o trabalho de Executive Search configura a prestação de serviço por uma empresa a outra. O segundo ponto é analisar todos os aspectos de uma possível movimentação e, para isso, o candidato deve sentir-se à vontade para questionar oheadhunter e aos gestores da nova posição. Utilize a internet a seu favor: investigue dados no website da empresa, como números reportados no último ano, momento atual, crescimento esperado, entre outras informações. Indague e faça uma comparação com seu momento atual. Compare também o panorama futuro em seu emprego atual, bem como na empresa que se interessou por você, lembrando sempre: a carreira é você quem faz.

A seleção vai além da captação de talentos

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 


Ao contrário do muitas pessoas imaginam, principalmente as que não estão envolvidas diretamente na captação de talentos para as organizações, o processo de recrutamento e seleção vai muito além da contratação de um novo funcionário. É através dele, por exemplo, que se consegue conquistar um profissional que agregará um diferencial significativo para o negócio. Ou seja, ao encontrar a pessoa certa para ocupar uma determinada função, a área de seleção oferece sua contribuição estratégica à organização.
No entanto, vale lembrar que quando não bem conduzido, o processo de R&S pode agregar pontos negativos, pois a imagem da empresa também está sendo apresentada ao público. Exemplo disso são os candidatos que participaram do processo e que ficam na expectativa de um retorno dos recrutadores. No entanto, passam-se dias, semanas e nenhum feedback é dado a eles. Alguns, que se encontram fora do mercado há um bom tempo, recebem esse silêncio como uma confirmação de incompetência e que não existe mais espaço para eles no mercado de trabalho.
Segundo Elizenda Orlickas, autora do livro "Seleção por Competências, uma Estratégia Competitiva", Danelli Editores, que será lançado em abril deste ano, alguns fatores podem comprometer a entrevista de seleção e, consequentemente, fazer com que a organização contrate um profissional que atenda às necessidades da companhia. "Interrupções, local inadequado, falta de objetividade do entrevistado, amenidades são fatores que devem ser evitados", alerta a consultora ao acrescentar que a excelência na prestação de serviços em R&S consiste em identificar os profissionais mais competentes para ocupar posições que se somem à empresa para a construção de um time vencedor.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, ela aborda pontos relevantes que contribuem para o sucesso ou o fracasso de uma seleção. Elizenda Orlickas participará da 5ª edição do ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos) que acontece no período de 12 a 27 de maio próximo) - evento 100% virtual, promovido pelo RH.com.br. Na ocasião, ela ministrará a palestra "O papel da Consultoria Interna de RH". Boa leitura!
RH.com.br - Além de ser um recurso para captar e contratar talentos, que outra contribuição o processo seletivo gera à empresa?
Elizenda Orlickas - Acredito que o processo seletivo, quando bem dirigido, pode gerar um momento para a empresa divulgar seu produto e sua cultura. Falo isso em meu novo livro "Seleção por Competências, como uma Estratégica Competitiva". Além disso, é o momento em que o profissional responsável pela seleção tem a oportunidade de mapear o mercado e se identificar as competências requeridas, bem como se os salários propostos estão na média de mercado.
RH - Os processos seletivos contribuem efetivamente para a estratégia competitiva da empresa?
Elizenda Orlickas - Sim, sem dúvida alguma. Os processos seletivos contribuem efetivamente para a estratégia competitiva da empresa. Mas veja bem, ele deve ser conduzido por uma pessoa experiente no processo e profunda conhecedora do perfil da vaga e da necessidade de seu cliente interno. Hoje, os processos seletivos demandam um tempo para que sejam conduzidos. Esse tempo que chamo de "maturação" é importante tanto para os candidatos quanto para o selecionador. Preencher vagas importantes com uma rapidez demasiada não contribui para a estratégia da empresa. Pressionados pelo requisitante da vaga ou cliente interno, o selecionador depara-se com prazos exíguos o que ocasiona posteriormente questionamentos sobre a qualidade do seu trabalho, considerando, por exemplo, que em uma semana você não pode executar um processo seletivo com um mínimo de ferramentas e de análise dos candidatos avaliados. Por parte do candidato é preciso haver também um tempo de reflexão e amadurecimento das informações recebidas sobre a empresa e a vaga.
RH - Quais as fases indispensáveis para uma seleção e por que essas ganham ênfase no êxito do processo?
Elizenda Orlickas - As fases ou as etapas dependem da estratégia que a empresa adotar. Ganham ênfase no êxito do processo se cada organização determinar a sua estratégia de contratação, o que varia também em relação aos cargos a serem preenchidos. Em geral, sugiro que as seguintes etapas sejam cumpridas - imprescindíveis para qualquer cargo ou empresa: Análise do currículo ou cadastramento no site, em que é preciso saber o que procurar num currículo e como interpretar a informação que o candidato disponibilizou, bem como as suas variáveis. Uma prova técnico-profissional ou prova situacional é imprescindível para avaliar a questão técnica do candidato. Outra fase importante é a primeira entrevista, pois será nesse momento que o candidato terá as mais importantes informações sobre o processo seletivo. A entrevista deve ser planejada para que se evitem os fatores críticos de sucesso de uma entrevista. Acrescento ainda a dinâmica de grupo que irá avaliar as competências do candidato e a aplicação do teste psicológico.

RH -
 Que fatores contribuem para que um processo de seleção caia no descrédito?
Elizenda Orlickas - Foi bom fazer essa pergunta. Existem alguns fatores que podem comprometer o sucesso de uma entrevista e que devem ser evitados. São os chamados fatores críticos de sucesso de uma entrevista. Podemos tomar como exemplos, as seguintes situações: interrupções - cuide para que você tenha uma hora de entrevista sem descontinuidades de forma que você possa concentrar-se na entrevista integralmente; local inadequado: escolha uma sala com refrigeração e conforto para o candidato e lhe ofereça água e café; falta de objetividade do entrevistado - procure ser prático em suas colocações e exija o mesmo do candidato, evitando abstrações que possam mudar o foco da entrevista; críticas - evite fazer questionamentos e julgamentos quanto ao candidato. Outros fatores que podem comprometer a seleção são: aceitar que o candidato controle a entrevista - Alguns candidatos preferem dominar a entrevista, não deixe isso acontecer; oferecer questões óbvias - evite questões cujas respostas possam parecer evidentes ou de duplo sentido; amenidades - evite falar sobre assuntos não relacionados com a entrevista; expectativas - evite criar expectativas infundadas no candidato; ansiedade: não permita que um clima de ansiedade permeie a entrevista e, por fim, conclusões precipitadas - evite que a primeira impressão forme a sua conclusão sobre o candidato. Quando escrevi esse livro, preocupei-me muito com essa parte, pois se descuidadas pode acarretar na perda de excelentes candidatos.
RH - É comum ouvirmos candidatos comentarem que se sentiram deslocados em uma seleção, devido à aplicação de dinâmicas semelhantes a "brincadeiras". Um fato como esse compromete toda a seleção?
Elizenda Orlickas - Quando um selecionador tem a missão de identificar talentos ele precisa considerar que é fundamental evitar situações que possam ser traumáticas às pessoas, já que tais conflitos não serão ‘trabalhados', como acontece em um grupo em processo contínuo. A dinâmica de grupo acontece a partir da interação de um determinado grupo, onde as atividades propostas envolvem performances - incorporados a um alinhamento subjetivo. Muitas vezes são criadas em função de simulações do dia a dia, o que permite que o candidato "se solte" e atue de forma mais espontânea. Por isso, devem ser aplicadas por selecionadores qualificados para tal para que se evite situação de estresse nos candidatos, situação essa que não será trabalhada posteriormente. A avaliação e a análise da dinâmica de grupo podem se tornar mais ricas se, além do facilitador, durante a sua aplicação puder contar com a presença de, pelo menos, um observador, que sugiro seja o futuro gestor daquele candidato a ser contratado.
RH - Atualmente, quais as ferramentas mais utilizadas para dar um bom respaldo ao trabalho dos selecionadores?
Elizenda Orlickas - Em meu livro sugiro a seleção por competências, pois esta ferramenta conta com mais vantagens se comparada com as demais ferramentas: a sua objetividade, pois tem uma maior garantia de que a contratação tenha sucesso e a interdependência dos diversos testes, até então utilizados. Mas, vale lembrar que se o processo seletivo for realizado sem as ferramentas e o planejamento adequados, a seleção pode se traduzir em custo.
RH - Que critérios o selecionador deve adotar ao escolher ferramentas que serão utilizadas no processo de seleção?
Elizenda Orlickas - Em primeiro lugar, para escolher as ferramentas que serão utilizadas no processo de seleção, é preciso que as competências que serão avaliadas sejam bem delineadas. Baseadas no perfil de competências daquele cargo é que se pode dar origem à seleção. E o perfil de competências, por sua vez, deve ser fundamentado no mapeamento de gestão por competências da empresa. É só a partir daí que se poderá escolher as ferramentas. É um processo sistêmico. Veja bem, é o perfil por competência que norteia a entrevista, os jogos e a dinâmica de grupo, ferramentas estas que enriquecem em muito o processo seletivo. A entrevista por competências é uma etapa muito criteriosa e saber montar a sua entrevista por competências é o diferencial nos dias de hoje.

RH - 
Na fase final de um processo seletivo, é salutar realizar "negociações" para assegurar a contratação de um profissional de destaque?
Elizenda Orlickas - A decisão da remuneração do profissional a ser contratado deve ser realizada através de uma consulta na política de remuneração da organização, e sempre que possível no mercado. Entendemos que, atualmente, uma organização que pretende destacar-se em seu mercado deve estar preparada para oferecer um nível de remuneração competitivo, capaz de atrair e de reter profissionais igualmente compatíveis com as expectativas de desempenho presente e futuro. Entretanto, as qualificações exigidas pelas empresas em relação aos profissionais dependem muito da situação de mercado. Entendemos que também um pacote de benefícios individualizado - ou benefícios flexíveis - oferecido pela organização deve constituir uma atração para os candidatos com um forte potencial e com diferenciais a agregar à organização. Adicionalmente, os candidatos que estejas pleiteando uma remuneração maior do que a oferecida pela empresa, necessitarão ter seus perfis apreciados. Ao iniciar a sua missão de contratar talentos diferenciados o selecionador poderá aferir mais especificamente o mercado de profissionais com esses perfis e, em consequência, obter as melhores condições para poder monitorar e contextualizar as informações sobre as principais e as mais atualizadas práticas de remuneração adotadas pelo mercado, como eu falei no inicio de nossa entrevista. Assim sendo, durante o processo seletivo a área de Gestão de Pessoas poderá ter a necessidade, sim, de revisar o seu pacote de remuneração, anterior¬mente planejado para essas contratações.

RH - Já foram citadas ferramentas que contribuem para o R&S. Quais as competências essenciais técnicas e comportamentais pertinentes a um bom selecionador?
Elizenda Orlickas - A excelência na prestação de serviços em recrutamento e seleção de pes¬soal consiste em identificar os profissionais mais competentes para ocupar posições que se somem à empresa para a construção de um time vencedor. É uma tarefa que exige a seriedade, a competência e a experiência em nível sênior. De um processo de seleção realizado dentro da própria empresa, pela equipe de Gestão de Pessoas, tendo o selecionador como um parceiro de seus clientes internos, espera-se: preocupação sincera com a imagem da empresa e do candidato; uma relação de veracidade mútua e de um objetivo comum; um trabalho realizado de forma personalizada; profissionais que apresentem vasta experiência e vivência em relacionamentos nos mais diversos níveis; postura ética constante; e um atendimento personalizado ao candidato com toda a atenção e consideração, recebendo feedback a respeito de sua participação no processo seletivo. A preocupação com os candidatos deve ser evidenciada - se colocando no lugar deles e mostrando o agradecimento da empresa por aqueles que não ultrapassaram as fases eliminatórias.
RH - A senhora gostaria de deixar algum conselho para os profissionais que realizam os processos de seleção?
Elizenda Orlickas - Não sei se seria um conselho, mas alguns fatores, para que eles se autoavaliem: contratar pessoas é uma missão intensa e detalhada e que exige dedicação e competência de todos os envolvidos. Além disso, os candidatos não contratados também merecem toda a atenção da empresa e do selecionador e, portanto, os seus anseios e suas incertezas devem ser respeitados. O sentimento de decepção, por parte do candidato, só deverá ser o de não poder fazer parte da equipe de colaboradores naquele momento. E, claro, deverão estar predispostos a futuros processos seletivos da empresa. A ideia é de que seja um processo seletivo transparente e ético, onde todos ganham: os contratados, os candidatos não contratados, a empresa e o selecionador.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Conceito de Competência

1. HISTÓRICO

O movimento em favor do uso das competências começou em 1973, com a publicação do artigo Testing for competence rather than for “intelligence” pelo psicólogo norte-americano David McClelland.

Nesse trabalho, McClelland condenou o uso dos testes de aptidão e de inteligência na avaliação de estudantes e na seleção de candidatos a emprego sob o argumento de que esses testes não conseguiam prever o sucesso em situações de vida fora da escola e, em particular, o sucesso profissional, por não haver correlação entre o resultado alcançado nesses testes e o desempenho no trabalho.

McClelland defendeu a substituição dos testes de aptidão e de inteligência por testes de competência, alegando que estas seriam medidas mais adequadas para prever o desempenho no trabalho do que os testes tradicionais. O autor não definiu expressamente o termo competência, adotando-o apenas como “símbolo para uma abordagem alternativa aos tradicionais testes de inteligência”.

Ele forneceu, porém, algumas indicações de como deveriam ser os novos testes.

McClelland sustentou que os testes de competência deveriam ser testes de desempenho tendo como padrão de referência amostras de comportamento no trabalho (criterion sampling) de profissionais bons e ruins. Ele citou alguns exemplos: se desejarmos saber se uma pessoa é capaz de dirigir um automóvel, deveremos dar-lhe um teste de direção, não um teste de inteligência; se quisermos saber quem será um bom policial, deveremos descobrir o que um policial faz, elaborar uma relação de suas atividades e escolher uma amostra dessas atividades como base para testar candidatos; se desejarmos identificar quem são os bons professores dentre vários candidatos à docência, temos, primeiro, que filmar várias aulas e identificar quais são as diferenças de comportamento entre os professores bons e os ruins.

McClelland também defendeu que os resultados dos testes de competência deveriam refletir as mudanças ocorridas na capacidade dos indivíduos como resultado do treinamento ou da experiência.

Ele propôs ainda que os testes deveriam avaliar competências mais ou menos genéricas, isto é, competências que pudessem ser usadas em várias situações similares, sob a justificativa de que, se fossem escolhidas competências exclusivas de cada atividade típica de um cargo, correr-se-ia o risco de ter que elaborar dezenas de testes para cada ocupação profissional.

Uma não menos importante recomendação de McClelland foi que deveriam ser consideradas não apenas competências técnicas mas também as comportamentais. Ele ilustrou essa recomendação com o exemplo do frentista de posto de gasolina. Pode-se medir sua competência em desatarraxar a tampa do tanque e colocar a gasolina, mas o que influirá na quantidade de combustível que ele irá vender não serão essas capacidades técnicas, mas sim, o fato de ele se mostrar simpático e limpar o pára-brisa do carro do cliente, competência que se pode chamar de Orientação para o Cliente ou Foco no Cliente.

De todo o exposto, concluímos que, para McClelland:

• Competência é um conceito cuja principal finalidade é embasar a construção de testes capazes prever o desempenho futuro. Em outras palavras, o teste de competências é uma ferramenta de seleção de pessoal;

• Os testes não devem refletir caracteres imutáveis do indivíduo, mas sim, características que possam ser modificadas pelo treinamento ou pela experiência. Isso significa que as competências também podem servir de base para avaliações de desempenho no trabalho;

• As competências devem ser procuradas nos ocupantes dos cargos em estudo, não em descrições de cargos;

• Os profissionais que possuem desempenho superior exibem comportamentos diferentes dos que apresentam desempenho mediano ou inferior;

• Se um indivíduo apresenta um desempenho superior, então ele é competente. Em outras palavras, competência equivale a desempenho superior que, por sua vez, equivale a comportamento diferenciado;

• O pesquisador deve observar os ocupantes do cargo em estudo para identificar os comportamentos que diferenciam os profissionais de desempenho superior dos outros;

• O pesquisador deve procurar identificar comportamentos genéricos, isto é, as condutas comuns a várias ocupações profissionais.

Deve-se ressaltar que, embora McClelland defenda o uso de competências genéricas não vinculadas a um posto de trabalho específico, todos os exemplos por ele oferecidos exprimem competências associadas a ocupações profissionais determinadas.



2. TRABALHOS POSTERIORES

Após o trabalho pioneiro de McClelland, vários estudiosos, pesquisadores e consultores escreveram sobre o assunto, produzindo uma enorme variedade de definições de competência. Vamos examinar as mais famosas, bem como o debate que produziram.

Boyatzis, por exemplo, definiu competência como os atributos subjacentes de uma pessoa que levam a um desempenho eficaz e/ ou superior em uma ocupação profissional. Nesses atributos incluem-se características como motivos, traços de personalidade, habilidades, auto-imagem e conhecimentos. Para o autor, competências são características que apresentam uma relação causal com o desempenho superior no trabalho, ou seja, devem existir evidências de que a posse daquelas características conduz ao desempenho superior. Em outras palavras, as competências não são características que apenas teoricamente ou supostamente levam ao desempenho superior, mas sim, características que comprovadamente, isto é, empiricamente, conduzem a esse desempenho.9

Spencer e Spencer seguem a linha de Boyatzis, definindo competência como uma característica subjacente que apresenta uma relação causal com o desempenho superior em um cargo ou situação. Os autores incluem no conceito atributos como motivos, traços de personalidade, auto-conceito, conhecimentos e habilidades.

Spencer e Spencer apresentam duas formas de se visualizar as competências: como um iceberg e como um conjunto de círculos concêntricos. Apenas os conhecimentos e as habilidades são visíveis, por constituirem características relativamente superficiais ou externas das pessoas. Por outro lado, atributos como auto-conhecimento, traços de personalidade e motivos são menos visíveis, porque mais profundos ou situados no círculo mais íntimo do modo de ser do indivíduo. Os autores afirmam que os conhecimentos e as habilidades são relativamente fáceis de desenvolver, razão pela qual a maneira mais econômica de assegurar que os empregados possuam essas características é por meio do treinamento. Já os motivos e a personalidade são difíceis de identificar e de desenvolver, o que leva Spencer e Spencer a recomendarem que tais atributos sejam procurados nos indivíduos durante o processo seletivo.

Lawler critica a definição de competência oferecida por Spencer e Spencer perguntando: Por que tentar recompensar alguém por possuir algo que está “sob a superfície” e que, portanto, é difícil de avaliar e de relacionar ao desempenho no trabalho? Não seria melhor trabalhar com os conhecimentos e as habilidades, que são mais fáceis de medir e estão diretamente relacionados à eficácia profissional?

Do lado contrário, defendendo a conceituação ampla de competências de Boyatzis, Hofrichter e Spencer argumentam que conhecimentos e habilidades são competências básicas que, como tais, produzem um desempenho apenas mediano; não constituem, portanto, as características que levam ao desempenho notável. Conhecimentos e habilidades medem o que as pessoas podem fazer, não o que elas irão fazer (grifo dos autores). São as características profundas da personalidade que fazem as pessoas exibirem os comportamentos de que são capazes.

Ledford questiona a excessiva amplitude do conceito de Boyatzis, que não permite distinguir o que é e o que não é competência. O autor apresenta sua própria definição de competência como as “características demonstráveis da pessoa, incluindo conhecimentos, habilidades e comportamentos, que possibilitam o desempenho”. Ledford ressalta três elementos em seu conceito. Primeiro, competência diz respeito à pessoa, ou seja, é independente de um cargo ou posição. Assim, um empregado pode levar suas competências de um cargo para outro. Segundo, as competências devem ser passíveis de comprovação para que possam servir como base de remuneração. Terceiro, as competências indicam o potencial de desempenho.

Parry também critica a inclusão de valores, estilos e traços de personalidade no conceito de competência, argumentando tratar-se de caracteres inatos ou cristalizados no indivíduo muito antes da idade adulta, e que, portanto, não podem ser desenvolvidos por meio de treinamento. O autor também lembra que muitos especialistas em recursos humanos acreditam que programas de treinamento, avaliações de desempenho e gestão da remuneração devem visar o desempenho, não a personalidade.

Para Parry, competência é “um agrupamento de conhecimentos, habilidades e atitudes inter-relacionados que afeta a maior parte do cargo, que se relaciona com o desempenho nesse cargo, que pode ser avaliado em relação a padrões de referência pré-estabelecidos, e que pode ser melhorado por meio de treinamento e desenvolvimento”.

De acordo com McFall, competência traduz a idéia de uma “capacidade aprendida, adquirida através de treinamento ou experiência”. O autor complementa sua definição afirmando que competência “é um termo avaliativo, refletindo o julgamento de alguém, com base em algum critério, de que o desempenho de uma pessoa em uma tarefa é adequado”. McFall explica que esse conceito tem várias implicações, entre as quais, que competência não é um traço de personalidade, mas representa uma avaliação de desempenho, e que avaliações de competência são sempre realizadas em uma situação tarefa/contexto específica, cuja variação afeta o desempenho da pessoa avaliada.

Von Krogh e Roos, referindo-se ao dicionário Webster, argumentam que a definição de competência ali contida pressupõe um conhecimento específico e uma tarefa determinada. Os autores observam que o termo competência deriva do latim competentia, que significa acordo, concordância. No caso, concordância entre “conhecimento” e “tarefa”. E concluem com a afirmativa de que discutir competência faz sentido somente em um contexto conhecimento-tarefa específico.

3. COMENTÁRIOS



3.1 Boyatzis / Spencer e Spencer

O conceito de competências de Boyatzis merece reparos. Em primeiro lugar, o autor choca-se de frente com McClelland, que condenou o uso dos testes de aptidão e de inteligência na seleção de candidatos exatamente pelo fato de esses testes não conseguirem prever o sucesso profissional. Os estudiosos têm demonstrado repetidamente que traços de personalidade e aptidões possuem baixa validade como previsores de desempenho. Em outras palavras, a posse de um conjunto específico de aptidões e de traços de personalidade não produz necessariamente um desempenho superior. Há, portanto, uma incoerência por parte de Boyatzis, que defende a existência de uma relação causal entre as competências do indivíduo e o desempenho superior mas inclui no conceito atributos que não têm relação com esse desempenho.

Boyatzis também se opõe a McClelland porque atributos tais como traços de personalidade, aptidões, valores e motivos são relativamente permanentes no indivíduo adulto e, assim, difíceis de adquirir ou modificar por meio do treinamento ou da experiência. A pessoa os possui ou não os possui. Assim, se não faz sentido esperar que qualquer adulto adquira tais atributos durante sua vida profissional, então tais caracteres não podem ser exigidos após a contratação nem devem ser objeto de avaliação de desempenho.

Por fim, resta observar que Boyatzis também se afasta radicalmente de McClelland porque, para este último, competência não é um conjunto de atributos que levam a um comportamento diferenciado, mas sim, o próprio comportamento.

O conceito amplo de competências de Boyatzis é, portanto, inaceitável. A definição proposta por Spencer e Spencer padece das mesmas deficiências que a de Boyatzis, razão pela qual deve ser tida como igualmente inadequada.



3.2 Ledford

O conceito de Ledford também suscita comentários. Sobre a afirmativa de que competência é independente do cargo, deve-se objetar que uma mesma competência, se associada a cargos diferentes, poderá se expressar por meio de comportamentos completamente distintos. Seja, por exemplo, a competência denominada Orientação para o Cliente ou Foco no Cliente. Se a ocupação em exame for a de frentista de um posto de gasolina, a competência em questão se expressará por meio de um certo conjunto de comportamentos; se se tratar de uma atendente de empresa de locação de automóveis, a mesma competência implicará outras tantas condutas; se estivermos falando de um professor, então poderemos pensar que seus clientes são os alunos para os quais ele leciona, caso em que o foco no cliente se traduzirá em comportamentos específicos e diferentes de todos os outros. Até mesmo o projetista de um bem de consumo durável pode manifestar uma Orientação para o Cliente por meio de condutas específicas, como por exemplo, pela tentativa de se colocar no lugar do cliente ao usar o produto.



3.3 Parry

Preliminarmente, há que se ressaltar que Parry teve o mérito de incluir as atitudes na definição de competência, sob o argumento de que a Psicologia considera esse tipo de atributo como passível de aprendizagem.

A inclusão das atitudes supre uma deficiência que Hofrichter e Spencer dizem existir no conceito restrito de competência: que conhecimentos e habilidades medem apenas o que as pessoas podem fazer mas não o que irão fazer. Ora, atitudes são exatamente os atributos que fazem as pessoas terem a pré-disposição de exibir os comportamentos de que são capazes.

Não obstante, seu conceito não pode passar sem crítica. A definição de Parry inclui apenas competências “principais”, qualificando como tais aquelas utilizadas amplamente. Ele exclui, pois, as competências específicas usadas esporadicamente.

Trata-se de uma qualificação arbitrária. Competência é um conceito subjetivo. Cabe, portanto, a cada empresa definir o que é relevante em termos de competências. Ademais, uma empresa poderá atribuir pesos diferentes a competências diversas, segundo sua relevância.

Ademais, competência só pode relacionar-se a desempenho, caso contrário o conceito não faria sentido. Esse elemento da definição é, portanto, redundante. É também redundante a referência à “avaliação segundo padrões pré-estabelecidos”, pois avaliar já significa comparar algo com um padrão de referência. A competência de um profissional, portanto, só pode ser avaliada pela empresa se esta dispuser de um padrão de comparação. Desnecessária é ainda a menção de que competência é algo que pode ser melhorado por meio de treinamento exatamente porque a Psicologia considera que conhecimentos, habilidades e atitudes podem ser objeto de aprendizagem. Por fim, é de se notar que o autor não explicitou o que seja desempenho.



4. PROPOSTA DE UM CONCEITO DE COMPETÊNCIA



Vistos os problemas contidos nos conceitos anteriores, e dadas as contribuições de McFall e de Von Krogh/Roos, proponho a seguinte definição de competência no trabalho:

Competência no exercício de um cargo ou de uma atividade profissional é o comportamento exibido no exercício do cargo ou da atividade que corresponde ao esperado pela empresa, bem como um conjunto específico de conhecimentos, habilidades e atitudes que comprovadamente causam esse comportamento.

A definição apresenta os seguintes elementos:

1. Competência é um comportamento e é também o conjunto de atributos que causam esse comportamento. Trata-se, portanto, de um conceito que possui duas faces.

2. A definição de competência como comportamento atende às necessidades de seleção de pessoal e de avaliação de desempenho, enquanto sua definição como um conjunto de atributos satisfaz as necessidades de treinamento.

3. Ao mencionar “um cargo ou atividade profissional”, o conceito descarta implicitamente a idéia de uma lista única contendo competências genéricas que seriam aplicáveis a todas ou a um grupo de posições de uma organização. A razão é que a mesma competência poderá ser expressa por comportamentos diversos conforme o cargo a que estiver relacionada.

4. Competência é o comportamento exibido no exercício do cargo ou da atividade. Isto significa que competência é a capacidade demonstrada sob a pressão e as circunstâncias de uma situação real de trabalho, não apenas durante um treinamento.

5. Competência é o comportamento que corresponde ao esperado pela organização. A conduta esperada pela empresa é o padrão de referência que permite avaliar o desempenho de um funcionário ou a qualificação de um candidato. O comportamento esperado, porém, não é fixo, mas sim, mutável. De fato, dentro do conceito de competência, as condutas que uma organização espera de seus funcionários serão determinadas pelos comportamentos exibidos por aqueles que apresentam desempenho considerado notável em um dado momento. Se, posteriormente, esses ou outros funcionários exibirem um desempenho que excede o esperado, este desempenho inesperado tenderá a ser adotado pela empresa como o novo padrão de referência para fins de definição de competência, substituindo o anterior como o novo desempenho esperado. A conduta que define uma certa competência, portanto, poderá variar de organização para organização.

6. Competência é também um conjunto de atributos: conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer fazer). Rejeita-se, portanto, o conceito amplo de competências, que inclui traços de personalidade e outras características não passíveis de aprendizagem.

7. O comportamento esperado pela empresa deve ser causado comprovadamente pelo conjunto de atributos que definem a competência. Em outras palavras, deve haver uma relação de causalidade empírica entre os atributos de competência e o comportamento tido como competente.



5. EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO CONCEITO PROPOSTO



Vamos tomar como exemplo uma atividade simples mencionada por McClelland: dirigir automóvel.



5.1 Comportamentos competentes

Seja um grupo de motoristas que moram em um grande centro urbano e possuem habilitação há pelo menos dez anos. Suponhamos que esses motoristas sejam considerados excelentes e apresentem os seguintes comportamentos, identificados por meio de uma entrevista comportamental:

• Dirigem todos os dias da semana;

• Dirigem tanto de dia como à noite;

• Dirigem tanto na cidade como na estrada;

• Quando em férias, fazem longas viagens de automóvel para chegar a seu destino turístico;

• Mantêm seus veículos devidamente licenciados;

• Mantêm seus veículos em perfeitas condições de segurança, conservação e manutenção;

• Mantêm sua habilitação em dia com as exigências legais;

• Não foram multados nem se envolveram em acidentes de automóvel nos últimos dez anos;

• Não atrapalham os outros motoristas nem o fluxo geral de tráfego;

• Não adotam práticas perigosas como: ziguezaguear, dirigir em velocidade muito superior ou inferior à do fluxo geral de tráfego, trafegar “colado” ao veículo da frente, efetuar ou tentar efetuar conversão à esquerda ou à direita estando, respectivamente, na faixa da direita ou da esquerda, efetuar conversão ou mudar de faixa sem aviso prévio, dirigir após ingerir bebida alcoólica etc.



5.2 Atributos hipotéticos

Dados os comportamentos relacionados no item 5.1 acima, pode-se formular, como hipótese, que tais comportamentos são causados pelo seguinte conjunto de atributos, que também definiriam a competência do citado grupo de motoristas:

Atitudes

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao ato de dirigir automóvel;

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao cumprimento da legislação de trânsito;

• Uma atitude fortemente positiva em relação à segurança no trânsito;

• Uma atitude fortemente positiva em relação ao automóvel que possuem;

• Forte altruísmo no trânsito.

Conhecimentos

• Conhecimento amplo e profundo da legislação de trânsito;

• Conhecimento amplo e profundo de direção defensiva.

Habilidades

• Grande habilidade na condução de automóveis.



5.3 Verificação empírica da relação entre atributos e comportamentos

A verificação empírica consiste em identificar outro grupo de motoristas considerados excelentes que apresentem os comportamentos relacionados no item 5.1, testá-los em relação à posse do conjunto de atributos listados no item 5.2 e calcular o coeficiente de correlação entre seus comportamentos e seus atributos.



NOTAS

1 McClelland, David C. Testing for competence rather than for “intelligence”. American Psychologist, 1973, January, 28(1): 1-14.

2 McClelland. cit. p. 7.

3 Idem.

4 McClelland. cit. p. 8.

5 Idem.

6 McClelland. cit. p. 9.

7 DAÓLIO, Luiz Carlos. Perfis & Competências: Retrato dos Executivos, Gerentes e Técnicos. São Paulo: Érica, 2004. p. 175.

8 Posteriormente, em lugar da observação, McClelland passou a usar outro método, a Entrevista Comportamental (BEI – Behavioral Event Interview), desenvolvida por profissionais da então empresa de consultoria McBer (McClelland, D. C. A guide to job competency assessment. Boston: McBer and Company, 1976).

9 BOYATZIS, Richard E. The competent manager: A model for effective performance. New York: John Wiley & Sons, 1982. p. 21.

10 SPENCER, Lyle M., Jr. e Signe M. Spencer. Competence at work: Models for superior performance. New York: John Wiley & Sons, 1993. pp. 9-10.

11 SPENCER e Spencer. cit. p. 11.

12 LAWLER III, Edward E. Competencies: A Poor Foundation for the New Pay. Compensation & Benefits Review, november/december 1996, 28(6): 23.

13 HOFRICHTER, David A. e Lyle M. Spencer, Jr. Competencies: The Right Foundation for Effective Human Resources Management. Compensation & Benefits Review, november/december 1996, 28(6): 22.

14 LEDFORD JR., Gerald E. Paying for the Skills, Knowledge, and Competencies of Knowledge Workers. Compensation & Benefits Review, july-august 1995, 27(4): 56.

15 PARRY, Scott B. The Quest for Competencies. Training, july 1996, 33(7): 50.

16 Idem.

17 MCFALL, R. M. (1976, 1982) em DEL PRETTE, Zilda A. P. e Almir Del Prette. Psicologia das habilidades sociais: terapia e educação. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 45.

18 VON KROGH, Georg e Johan Roos. A perspective on knowledge, competence and strategy. Personnel Review, 1995, 24(3): 62.

19 PARRY. Idem.

20 Idem.

http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=16&canallocal=48&canalsub2=155&id=1699

A contratação é só o começo

A contratação é só o começo

O processo de adaptação ao novo emprego ainda é um problema nas empresas. Saiba como superar essa etapa sem traumas

Luís Pereira 19/11/2010
A vaga é sua, parabéns." Ouvir essa frase é um alívio para o recém-contratado. Porém, o período de comemoração dura pouco e logo o profissional entra na fase de provação. Decisivo para a permanência no cargo, o processo de integração e adaptação pode ser extenuante e complicado. 
Um estudo da década de 90 da consultoria Stanton Chase avaliou o que levava pessoas recém-admitidas a ficar ou sair. A pesquisa mostrou que o risco de deixar o emprego é maior nos primeiros 18 meses - depois dessa etapa as coisas tendem a se acomodar. Entre os fatores mais valorizados por novos empregados estavam a forma como foram recebidos pelo time e pela chefia e o nível de competitividade do ambiente de trabalho. Todos eles são assuntos comportamentais.

Itens como competência, qualificação ou valores da companhia só apareciam depois. Apesar de ser antigo, o estudo da Stanton Chase continua atual. A questão da integração está na pauta do dia porque, com o mercado de trabalho aquecido, muita gente foi contratada (ou contratou) pessoas nos últimos meses. Além disso, é comum encontrar desgastes nos primeiros meses de casa nova.

Segundo Carlos Eduardo Altona, sócio-diretor da Exec, empresa de recrutamento especializado, o Brasil está muito atrasado em relação à contratação e à integração de funcionários. "Metade das contratações que não dão certo é fruto da má adaptação dos novos empregados à empresa e aos cargos", diz ele, que está oferecendo aos clientes um serviço de acompanhamento de profissionais recrutados por ele nos primeiros meses de trabalho.

Mas como desenvolver uma adaptação bem-sucedida? A busca por uma solução cabe mais ao gestor ou ao novo empregado? Cada um tem sua parcela de responsabilidade, mas a principal, segundo Carlos Eduardo, é do gestor, que deve explicar com clareza o que é esperado de um profissional. "As pessoas entram nas companhias sem ter ideias claras de suas metas. Isso gera muito problema porque a avaliação delas passa a ser subjetiva", diz Carlos Eduardo.

Portanto, se você é recém-contratado, pergunte, esclareça e cobre seu chefe diante de qualquer dúvida que você tiver. Não tenha vergonha: é melhor parecer desinformado no início do que dizer que houve um mal-entendido depois. Uma orientação importante de especialistas em carreira é dedicar os primeiros meses de trabalho à construção de alianças com outros profissionais na organização.

São essas pessoas que vão lhe indicar os caminhos menos visíveis, não registrados nos processos corporativos.

"A empresa funciona como uma engrenagem. Se você não tiver bons relacionamentos, fica difícil trabalhar", diz Marcelo Freund, de 31 anos, gerente de vendas da Vitopel. "Logo no início, é importante identificar quem são as pessoas com quem você vai trabalhar e criar as suas alianças." Um trabalho paralelo é procurar compreender as diferenças socioculturais que podem existir com colegas, pessoas-chave da empresa e, principalmente, seu chefe. É o que vem fazendo Marcos Carmona, de 40 anos, gerente de contas da Gemalto.

Mesmo com uma boa bagagem corporativa, ele tem encarado a novidade de lidar com um chefe de diferente religião. Apesar de não ser uma grande barreira, a situação exige medidas sutis, que aparentemente nada têm a ver com o trabalho. "Fico atento para não dizer algo ou adotar um comportamento que possa gerar algum tipo de indisposição entre nós", diz Marcos. Hoje em dia, o alto nível de exigência nas contratações, principalmente em níveis gerenciais, pode dificultar o processo de adaptação dos novos profissionais.

Carlos Eduardo Altona acredita que a necessidade de imediatismo do mercado aliado à demora na contratação e os altos custos desse processo fazem com que os novos funcionários já entrem com a sensação de estar devendo. "Logo nas primeiras semanas, o contratado é envolvido em uma enxurrada de responsabilidades e atividades da companhia sem ter tempo de digerir coisas básicas, super-relevantes."

A área de recursos humanos também deve ser atuante no processo de adaptação do novo contratado, informando adequadamente quais são as políticas da companhia, quais são seus benefícios, se existem códigos de conduta e o que a empresa mais valoriza nos empregados. Os tradicionais programas de integração, que a maioria das grandes corporações tem, muitas vezes ficam no papel. "Poucas investem realmente em passar essas informações, dando um treinamento mais apropriado aos novos profissionais", diz Carlos Eduardo. Por isso, se você está de casa nova, procure conhecê- la o melhor possível.

NA HORA DA CHEGADA
O quadro mostra algumas atitudes que facilitam sua integração na empresa. Se você é chefe, veja como receber o novo funcionário

Se você é um novo funcionário
• Discuta suas atribuições com o chefe: você estará alinhado com ele e evitará cobranças desnecessárias no futuro.
• Descubra as competências técnicas e comportamentais exigidas: o RH ou a intranet é uma boa fonte de informação.
• Faça um plano de desenvolvimento individual: comunique-o ao chefe ou ao RH. Assim, fica mais fácil acompanhar seu desenvolvimento e negociar uma promoção.
• Construa alianças: você vai saber o que acontece nas diversas áreas da companhia e vai aumentar seu poder de influência.
• Identifique um "mentor": fica mais fácil desenvolver seus pontos fracos e suas novas competências.

Se você acaba de contratar um funcionário
• A contratação é só o início: após a integração formal, explique com clareza o que é esperado do profissional.
• Seja claro e objetivo ao definir as metas: você mantém o alinhamento com a equipe. Não se esqueça de cobrar e dar feedback.
• Cumpra com o que foi acordado: a falta de coerência entre o discurso e a prática mina qualquer relação.
• Deixe claro as prioridades da área e do cargo: isso garante o senso de prioridade e o foco da equipe.
• Dê tempo para a adaptação: segure a ansiedade e respeite o período de aprendizado do empregado


Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 148 / Carreira - integração | A contratação é só o começo


http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/contratacao-so-comeco-610028.shtml



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Seleção: não esqueça das competências

Seleção: não esqueça das competências

Se antes a habilidade técnica era considerada fator preponderante na contratação de um profissional, hoje os selecionadores procuram algo mais quando entrevistam o candidato e buscam identificar se o entrevistado possui as chamadas competências comportamentais. Para isso, as empresas e as consultorias têm recorrido cada vez mais à adoção da seleção por competências - metodologia que permite a realização do mapeamento do perfil de competências e identifica a presença ou a ausência dessas no repertório comportamental do candidato. Geralmente, a seleção por competências vem sendo aplicada em candidatos que possuem experiências anteriores, mas como os processos sempre podem ser adaptados às novas realidades, já há quem utilize essa metodologia até mesmo na seleção de estagiários e de trainees.
De acordo com Jussara Amâncio, da Ampliarh Consultoria e Desenvolvimento de Competências, atualmente as empresas estão mais interessadas em profissionais que tenham competências técnicas e comportamentais já internalizadas e que possuam potencial para desenvolver outras. "As empresas estão mais rigorosas na seleção dos talentos. Não adianta falarmos em reter talentos se erramos no processo de contratação. Muitos testes e avaliações psicológicas entraram em descrédito devido à falta evidente de acertos. A partir daí, os gestores de RH e as consultorias começaram a procurar ferramentas mais eficientes como a seleção por competências", justifica.
A seleção por competências, explica Jussara Amâncio, é prática, objetiva e trabalha com base em fatos e evidências, ao invés de se pautar em suposições ou interpretações. Na Ampliarh Consultoria, por exemplo, as entrevistas com os candidatos contam com perguntas abertas, focando a efetiva atuação do profissional em determinada área ou situação. "Na Ampliarh Consultoria, utilizamos a seleção por competências na divisão Executivos, onde trabalhamos fortemente o diagnóstico de competências técnicas e comportamentais. No caso dos estagiários e trainees, avançamos mais nas competências comportamentais", complementa.
Na prática, durante a seleção de estagiários e de trainees, a consultora afirma que são trabalhadas as experiências vividas no ambiente familiar, escolar e de amigos. A entrevista é estruturada com uma linguagem simples, onde o entrevistado tenha tranqüilidade para se expressar, um ambiente de confiança e de transparência. Quando questionada sobre as vantagens que essa metodologia traz à seleção de talentos, Jussara Amâncio lembra que hoje a maior causa de demissão nas empresas está relacionada a fatores comportamentais e a seleção por competências tem se mostrado um método mais eficiente para evitar problemas dessa natureza.
Tecnologia e competências - Se por um lado a seleção por competências é vista como uma metodologia que tende a ser muito utilizada pelos profissionais de Recursos Humanos, por outro lado ainda há quem mantenha certa "distância" desse recurso por acreditar que o mesmo é complicado. No entanto, a prática mostra o contrário. Segundo Rogerio Leme, autor do livro "Aplicação Prática de Gestão de Pessoas por Competências", Editora Qualitymark, e diretor da AncoraRh Informática - empresa que desenvolve softwares para a área de RH, infelizmente o mercado ainda vê a seleção por competências como um processo envolvido por "mistérios". Isso ocorre principalmente porque as pessoas tratam as competências como caixas pretas.
"Hoje, deseja-se que todos dentro das empresas falem em competências. Sendo que competências não são nossa linguagem do dia-a-dia. Nós não conseguimos compreender competências, exceto os especialistas. Mas, ao contrário, todos conseguem observar os indicadores de comportamentos que significam as competências. Esse é o ponto-chave: trabalhar como indicadores de competências, que nada mais são do que os comportamentos observáveis", explica.
Leme chama a atenção para o fato de que a seleção por competências tem tido um grande aliado que facilita a sua utilização: a tecnologia. A questão, por outro lado, é conseguir trazer essa mesma tecnologia em termos acessíveis à realidade das empresas brasileiras, principalmente ao setor de seleção que se encontra dentro da área de Recursos Humanos. É preciso transpor a barreira que muitos sistemas de RH possuem, ou seja, uma visão estritamente contábil do processo para um ângulo de gestão de pessoas. "Ter um sistema de RH não é apenas contar com uma folha de pagamento e registro histórico e burocrático das pessoas que realizam um treinamento, ou ainda um cadastro de candidatos. A diferença está em transformar e complementar essas informações em gestão de pessoas na essência. Essa é a grande revolução", alerta o diretor da AncoraRh Informática.
E como a proposta deve partir para a prática, Rogerio Leme desenvolveu softwares que têm facilitado a vida de quem utiliza a seleção por competências. Dentro desse trabalho, encontram-se o SPA - Seleção de Pessoal AncoraRh e o GCA-R&S, Gestão de Competências AncoraRh, módulo de Recrutamento e Seleção. Essas ferramentas trabalham com informações e técnicas específicas para cada realidade, porém ambas tratam situações em comum:
- digitalização de currículos recebidos em papel;
- recebimentos de currículos via Internet, com o diferencial de eliminar enormes formulários no site, permitindo, inclusive, anexar-se o currículo no formato do word;
- recebimento de currículos anexos aos e-mails, sem que seja preciso imprimi-los ou redigitá-los;
- eliminação de 100% dos papéis, tanto de vaga quanto de currículo.
Além de oferecer essas vantagens, os softwares também se tornam ferramentas auxiliares no processo de seleção por competências, pois possuem a capacidade de armazenar o perfil de competências comportamentais e técnicas necessárias para cada função. Tanto o SPA quanto o GCA-R&S também comparam as competências que o candidato apresentou durante o processo seletivo, gerando um relatório de Gap de Vaga, onde é possível analisar o melhor candidato e identificar as necessidades de treinamento que eventualmente serão necessárias.
Para auxiliar a captação dessas competências, os sistemas possuem um banco de dados das perguntas que podem ser feitas na entrevista comportamental, além de um banco de jogos e dinâmicas de grupo que permitem a visualização de competências. "Já está em versão beta uma ferramenta em que o selecionador lançará no sistema sua percepção em cada um dos indicadores de competências, o que apontará automaticamente o nível de competência do colaborador e ainda, quais os comportamentos que ele precisará desenvolver em caso de contratação, estabelecendo assim a prioridade de treinamento", conclui Rogerio Leme.
Palavras-chave: | AncoraRh | SPA | competência | seleção |

A entrevista de seleção

A entrevista de seleção

Apesar de existirem diversos meios de avaliar um profissional que está concorrendo a uma oportunidade, a entrevista continua sendo a principal técnica utilizada, e, muitas vezes, a decisiva. É através deste método que se pode perceber e conhecer mais profundamente o entrevistado.
A entrevista pode ser estruturada, não-estruturada ou ainda com ter enfoque em competências. A entrevista estruturada é um processo conduzido de acordo com uma ordem predeterminada. É planejada para extrair o máximo de informações do candidato com um mínimo de perguntas do entrevistador.
Já a não-estruturada é informal e dá mais abertura ao candidato. O entrevistador fará um esquema dos temas que serão abordados. Deve demonstrar interesse e empatia pelo candidato e iniciará a entrevista com perguntas gerais, não comprometedoras.
Na entrevista por competências, parte-se do pressuposto de que os comportamentos passados podem dar indícios de comportamentos futuros. Competências é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que tornam um profissional importante para sua organização e para toda e qualquer empresa.
Para que a entrevista possa ocorrer com o sucesso desejado, no qual o entrevistador selecionará o aspirante mais adequado para aquela vaga, o profissional deve estar preparado. No processo, é importante que o entrevistador comporte-se de forma imparcial, sem mostrar preferência por um candidato.
Em uma entrevista de seleção, a percepção se dá não só através do que o candidato menciona, mas também, pelo modo com que relata, se posiciona e se comporta diante do entrevistador. O profissional que realiza a atividade deve ter capacidade para detectar cada sinal que o aspirante produz.
Durante a entrevista a pessoa pode estar nervosa, ansiosa, tensa e preocupada. Diante dessa situação, o entrevistador pode agir de vários modos. Ele pode notar e ignorar, assim como, pode utilizar como mais um meio de investigação, até mesmo questionando o candidato o porquê dessa atitude.
Conseguir fazer com que a pessoa traga respostas sinceras e reveladoras do seu estilo e da sua forma de atuar em um determinado cargo é o desafio mais importante do entrevistador. Quando se trabalha a partir de um perfil mal definido, o entrevistador pode até conseguir fazer uma projeção adequada do comportamento geral do entrevistado, porém, nem sempre, pode fazer uma projeção razoável sobre o desempenho do candidato no cargo específico para o qual ele está sendo avaliado.
Existe uma diferença relevante entre saber quem é a pessoa e saber se o desempenho dela será aquele que se espera no cargo. Nem sempre o perfil definido pelo requisitante corresponde ao que realmente foi requerido pelo cargo, considerando o contexto em que o profissional irá atuar.
É importante definir as principais características do perfil dos cargos mais comuns nas organizações, para proporcionar aos selecionadores profissionais uma melhor perspectiva, sendo assim para se estabelecer estratégias e procedimentos de avaliação e seleção de candidatos. Em suma, é necessário que o profissional selecionador trace estratégias para alcançar seu objetivo de realizar uma entrevista adequada, onde se possa escolher o candidato mais apropriado para oportunidade.
* Também colaboraram para a elaboração deste artigo: Raquel Lacerda Paiani, em formação em Psicologia (PUCRS). Desenvolvendo atividades como auxiliar em avaliação psicológica, entrevista de seleção e apoio no processo de planejamento de carreira. Kelly da Silva Dornelles, em formação pela (PUCRS), no curso de Psicologia. Atua como auxiliar na área avaliação psicológica e seleção de pessoal.
Palavras-chave: | seleção | atitude | postura profissional |