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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ansiedade é o pior de todos os males psicológicos, diz especialista

Aflição, agonia, impaciência, inquietação. Esses são alguns sinais da ansiedade, sentimento capaz de prejudicar a qualidade de vida, autoestima e saúde do ser humano.
Aprender a lidar com ela é fundamental para garantir uma vida saudável. E para isso, é preciso entender os seus mecanismos.
“A ansiedade é uma excitação do sistema nervoso central, que acelera o funcionamento do corpo e da mente. Quando estamos ansiosos, liberamos o neurotransmissor noradrenalina, que provoca toda essa excitação. É um processo que pode ser tanto hereditário como adquirido através das experiências que temos nos ambientes mais hostis. A ansiedade está intimamente vinculada à forma como interpretamos as situações da vida”, explica a psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, de São Paulo (SP), que é vice-presidente de projetos e expansão da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Para o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos, pela Universidade de Miami, e em ansiedade e síndrome do pânico, pela Universidade da Califórnia, a ansiedade é o pior de todos os males psicológicos. “Ela é o gatilho para desencadear outros transtornos. Dentro do ponto de vista psicológico, podemos definir ansiedade como um estado mental praticamente subjetivo carregado de apreensão e recheado de incertezas”, diz.
Por causa dos múltiplos papéis que desempenham e devido às variações hormonais, algumas mulheres sofrem mais com a ansiedade e o estresse. Porém, os homens não estão imunes a esse mal. Questões profissionais e financeiras também podem desencadear a sensação de angústia e impaciência no sexo masculino.
Se não for controlada, a ansiedade pode causar o surgimento de enfermidades psicossomáticas, ou seja, doenças que afetam a saúde física e mental. Gastrite, úlceras, colites, taquicardia, hipertensão, cefaleia e alergias são alguns exemplos de doenças causadas pela ansiedade. Ela também é responsável pelo surgimento de doenças psiconeurológicas e psico-oncológicas.
O psiquiatra italiano Leonard Vereaque explica que isso acontece pois as pessoas não conseguem eliminar de forma natural a tensão gerada pela ansiedade. “A mente cria válvulas artificiais para dar vazão a essa energia negativa. A partir daí, a pessoa começa a usar o próprio organismo como válvula de descarga”, afirma.
Qualquer um sofre, em maior ou menor grau, de ansiedade. Mas o transtorno merece atenção redobrada quando passa a prejudicar os relacionamentos conjugais, profissionais, acadêmicos e até mesmo sexuais.
“Quando a ansiedade ultrapassa o limite e a pessoa não consegue mais realizar suas tarefas diárias sem sofrimento, é hora de buscar ajuda especializada e dar início a um tratamento”, explica a psicóloga Sâmia Simurro.
“Ter força de vontade e entender que essa ansiedade descontrolada não é normal são requisitos básicos para o processo de cura inicial”, afirma o psicólogo Alexandre Bez. “Procurar ajuda psicológica é fundamental para retomar a rotina. Curar-se sozinho é praticamente impossível”, alerta. De acordo com Bez, em casos extremos e dependendo do perfil do paciente, é necessária a prescrição de medicamentos.
Apesar dos males causados pela ansiedade, a psicóloga Sâmia Simurro alerta que, na dose certa, esse sentimento pode ser positivo. “Precisamos de desafios para nos desenvolver. É preciso aprender a viver com níveis de ansiedade suficientes para atingir o nível mais alto do nosso potencial. É claro que ansiedade demais torna a vida das pessoas um caos, porém, a falta dela nos leva à estagnação”, conclui.
1. Procure não deixar nada pendente
Não terminar tarefas e assumir responsabilidades acima do que se pode fazer contribuem para o aumento da ansiedade. Esboce um plano para resolver o que é urgente e organize-se.
2. Prepare-se para os desafios
Atitudes como estudar com antecedência para as provas, informar-se sobre a empresa antes de uma entrevista de emprego e se preparar para uma reunião de negócios são fundamentais para ter confiança diante dos desafios. Dessa forma, você vai se sentir seguro e menos ansioso.
3. Melhor prevenir do que remediar
Antes de sair, veja se o tanque de combustível do carro está cheio. Se você saiu de casa com o ponteiro do combustível na reserva, trate de completar o tanque no primeiro posto que avistar. Evite ter problemas desnecessários por falta de precaução e cuidado.
4.Veja o lado bom das coisas
De acordo com um estudo publicado pela Isma Brasil, filial da International Stress Management Association, instituição voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento do estresse no mundo, o impacto positivo da felicidade no sistema de imunidade é mais poderoso do que o negativo e ajuda a minimizar a ansiedade. Portanto, se você planejava ir à praia no fim de semana, mas viu que o tempo não está bom, mude seus planos: vá ao cinema, faça um fondue com os amigos, alugue os DVDs da série que você adora ou faça outro programa que o agrade. Ao invés de reclamar, procure transformar situações negativas em positivas.
5. Caminhe 30 minutos por dia, três vezes por semana
Essa prática, recomendada pela OMS, é ótima não só para tirar você do grupo dos sedentários como para ajudar a controlar a tensão emocional. O mesmo período de tempo pode ser empregado para qualquer outra atividade física, como boxe, ioga ou corrida.
6. Ouça música
“Estudos científicos demonstram que a música relaxa os músculos, diminui a sensibilidade à dor e dilui emoções destrutivas”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma Brasil. Para driblar a ansiedade, os gêneros mais indicados são o clássico e o barroco – em especial, no trânsito.
7. Evite ter pensamentos negativos
Seu pensamento determina a forma como você enxerga a vida. Se pensar de maneira positiva, vai se sentir mais feliz e as chances de tudo dar certo podem ser maiores.
8. Tenha um bicho de estimação
O simples ato de fazer carinho em um animal relaxa tanto o bicho quanto seu dono. Alguns estudos científicos indicam que as pessoas que cuidam de um animal tendem a baixar a pressão arterial. Mas se você não tem condições de ter umpet, que tal levar o cachorro da vizinha para passear de vez em quando? Observar peixes no aquário também traz benefícios: tranquiliza a mente e evita pensamentos que trazem preocupação e ansiedade.
9. Livre-se da mania de perfeição
Perfeccionistas tendem a prejudicar suas relações pessoais e profissionais colocando-se sob constante pressão. Confronte o medo que lhe motiva a buscar a perfeição. Você pode temer, por exemplo, que as pessoas não gostem de você. Na realidade, as pessoas tendem a respeitar quem tem coragem de admitir um erro e repelem quem acha que sabe tudo.
10. Deixe o trabalho no trabalho
Muitos sintomas do estresse como ansiedade, dores musculares, hipertensão, fadiga, taquicardia e angústia, têm sido atribuídos ao acúmulo das pressões profissionais. Evite ficar pensando em trabalho depois do expediente. Afinal, você já passa horas no escritório.
11. Alimente o seu humor
Carboidratos, em geral, costumam acalmar: macarrão, pães, biscoitos, arroz e batata. Frutos do mar, nozes, brócolis, espinafre, chocolate e pimentão dão energia. Já a cafeína ajuda a combater o cansaço, mas deixa o cérebro mais desperto, o que pode ser um perigo para pessoas muito ansiosas.
12. Tenha plantas em casa
Cuidar de plantas (flores ou hortaliças) pode proporcionar equilíbrio emocional e amenizar os efeitos negativos do estresse. Regar uma plantinha é uma terapia informal que ajuda a aliviar a tensão e a ansiedade. Mexer com terra e folhas não resolve os problemas, mas nos faz refletir e analisar melhor as situações.
13. Faça refeições sem pressa
Escolha um momento em que você possa comer sem interrupções. “Procure sentir os sabores, a temperatura e a textura dos alimentos. Sinta-os desmancharem e transformarem-se em sangue e tecido para o seu corpo”, sugere Carlos Legal, consultor em aprendizagem organizacional e qualidade de vida no trabalho, da Legalas Educação e Qualidade de Vida, empresa dedicada ao desenvolvimento de pessoas e organizações.
14. Dê uma pausa no trabalho
Busque fazer uma pausa durante o trabalho. Feche os olhos e respire fundo por alguns minutos, procurando manter a mente tranquila e relaxada. O cardiologista Artur Zular, de São Paulo (SP), diz que é bom se imaginar em algum lugar calmo, como um bosque, jardim ou uma praia, sempre sozinho. “Estar com alguém inspira sentimentos e o melhor para meditar é ficar livre de qualquer emoção, concentrando-se apenas em si”, explica.
15. Medite com palavras
Marcia Plessmann, instrutora do Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena, de São Paulo (SP), ensina que para meditar é preciso criar uma frase que seja significativa e inspiradora para manter a ansiedade sob controle. “Na medida em que você solta a respiração, repita a frase mentalmente. Pode também ser uma oração ou um pequeno verso”, ensina.
Texto de autoria de HELOÍSA NORONHA
Fonte: Estilo UOL.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Esgotamento e Adaptação

Esgotamento e Adaptação


Transtorno de Ajustamento ou Adaptação é um quadro classificado na CID.10 e no DSM.IV e, entre outros estados psiquiátricos, é também um dos quadros relacionados ao Esgotamento. Atualmente oTranstorno de Ajustamento tem sido o diagnóstico mais adequado para os muitíssimos freqüentes casos de dificuldades emocionais que as pessoas experimentam no cotidiano de suas vidas.

Os Transtornos de Ajustamento, chamados também de Transtornos de Adaptação (CID.10), se diagnosticam em pacientes que manifestam certos comportamentos mal adaptados e/ou certas mudanças no estado de ânimo, como resposta a um estímulo estressor. Segundo o DSM.IV, a característica essencial de um Transtorno de Ajustamento é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis.

Os comportamentos mal adaptados ou mal ajustados decorrentes do estresse, bem como as mudanças no estado de ânimo incluem "nervosismo" intenso, preocupação, medo, dificuldades no funcionamento ocupacional, escolar, social ou familiar. Embora as pessoas que desenvolvem Transtorno de Ajustamento não tenham, geralmente, antecedentes de outros transtornos emocionais anteriores, as portadoras de outros problemas emocionais prévios têm maior probabilidade de desenvolver esse quadro.

Na realidade, é no Transtorno de Ajustamento onde a idéia de dificuldade adaptativa emocional à vida tem sido mais bem demonstrada. Aqui a reação emocional da pessoa aos estressores de sua vida é caracterizada por acentuado sofrimento. Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve se resolver dentro de 6 meses após o término da situação considerada estressante ou de suas conseqüências.
Mas os sintomas emocionais desses casos podem persistir por um período mais prolongado, principalmente quando ocorrem em resposta a uma situação estressante crônica e duradoura, como por exemplo, uma doença debilitante crônica ou em decorrências das grandes dificuldades financeiras, profissionais, conjugais, etc, que se prolongam.

Portanto, esse transtorno ansioso patológico pode ocorrer durante o período de adaptação a uma exigência existencial importante, quando um acontecimento estressante afete a integridade do ambiente social da pessoa, como por exemplo o luto, as experiências de separação, as grandes perdas.

Também pode ocorrer quando a situação estressora compromete o sistema suporte existencial, como por exemplo, a imigração, estado de refugiado, ou mesmo durante os severos esforços de adaptação a alguma etapa da vida ou do desenvolvimento, como é a escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria.

A predisposição e a vulnerabilidade pessoal desempenham um papel importante no desenvolvimento doTranstorno de Adaptação, mas mesmo considerando a predisposição pessoal, admite-se que esse transtorno não teria ocorrido se não houvesse o estresse desencadeante.

O estressor que desencadeia o Transtorno de Ajustamento pode ser um evento isolado, como por exemplo, o fim de um relacionamento romântico, ou uma somatória de múltiplos estressores. Os estressores podem ser ainda recorrentes, como as crises profissionais cíclicas, ou contínuos, atualmente representados pelo perigo de viver em uma área de alta criminalidade.

Os estressores podem afetar um único indivíduo, toda uma família, um grupo maior ou uma comunidade. Alguns estressores podem acompanhar eventos evolutivos específicos, como é o caso do ingresso numa nova escola, ter que deixar a casa dos pais, casar-se, tornar-se pai ou mãe, fracassar em atingir objetivos profissionais, aposentar, etc.

Didaticamente, o Transtorno de Ajustamento se apresenta com subtipos clínicos, dependendo dos sintomas predominantes. NoTranstorno de Ajustamento com Humor Depressivo, as manifestações predominantes são sintomas de humor deprimido, tendência ao choro ou sensações de impotência, desinteresse, apatia, auto-estima baixa. Se for Transtorno de Ajustamento com Ansiedade, predominam sintomas tais como "nervosismo", preocupação ou inquietação, sintomas físicos, agitação ou, em crianças, com medo patológico da separação de figuras de vinculação.

Pode ainda, o Transtorno de Ajustamento, apresentar-se com um misto de Ansiedade e Depressão ou com Perturbação da Conduta. Neste subtipo a manifestação predominante é uma perturbação da conduta, na qual existe violação dos direitos alheios ou de normas e regras sociais importantes, adequadas à idade. Esse tipo pode ser comum em adolescentes, os quais manifestam rebeldia, vandalismo, direção imprudente, lutas corporais, descumprimento de responsabilidades legais.

O estado de sofrimento e de perturbação emocional causado peloTranstorno de Adaptação, usualmente compromete muito o funcionamento social e ocupacional, havendo severo prejuízo do desempenho no trabalho, na escola e nos relacionamentos sociais e familiares. Atualmente os Transtornos de Ajustamento estão associados com um maior risco de tentativas de suicídio e suicídio completado.

Os Transtornos de Ajustamento podem ocorrer em qualquer faixa etária ou social, sendo os homens e mulheres igualmente acometidos. Quanto à incidência, calcula-se que a porcentagem de pessoas com diagnóstico de Transtorno de Ajustamento entre aquelas que estão em tratamento para saúde mental varia de 5 a 20%.

Ansiedade, Esgotamento e Estresse

Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como formas de algum transtorno mental, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, diante da possibilidade de sermos afetados, pelo menos alguma vez na vida, pelo Estresse, pelo Esgotamento ou pela Depressão, então será melhor não considerá-los formas de algum transtorno emocional.

Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional.
As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça (entrevista para emprego, por exemplo).

De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), à qual ele terá que adaptar-se, conseqüentemente, terá que superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.

Do ponto de vista psíquico o Estresse se traduz na Ansiedade. A Ansiedade é, assim, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante.

De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.Embora aAnsiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. 

Esgotamento

O que representa para a psiquiatria esse correto conceito popular.
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É muito tênue o limte entre a loucura e a desrazão. A expressiva maioria dosTranstornos Afetivos, onde se incluí a Depressão, proporciona atitudes psicoemocionais não alienantes, ou seja, proporciona um descontrole da crítica e do juízo, muito mais próximo da desrazão que da alienação. As patologias alienantes são as esquizofrenias, demências, deficiências mentais, psicoses orgânicas e surtos de mania.
Devemos considerar o estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o estresse como uma ocorrência global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o estresse estudaram uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente o estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, à uma situação entendida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar para adaptar-se, conseqüentemente, sobreviver. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Atualmente o Esgotamento é um termo de uso corrente na vida moderna e, o que popularmente (e corretamente) se conhece por esgotamento teria origem em duas situações (Figura 1): primeiro, quando a situação à qual a pessoa terá que se adaptar (estímulo externo ou interno) for suficientemente importante e duradoura para gerar forte tensão. Nesse caso haverá Esgotamento por falência adaptativa devido aos esforços para superar uma situação de forte tensão, normalmente considerada provocativa do ponto de vista subjetivo ou objetivo (situação b da Figura 1). Isso quer dizer que o estímulo necessário para desencadear o estresse seria ameaçador tanto para a pessoa que a ele está reagindo, quanto para outras pessoas submetidas à mesma situação.
Esgotamento 2       
Figura 1 - Situação de estressores.
Condição A: pessoa com estrutura normal suportando estressores normais da vida (valor 1). Menores chances de ruptura.
Condição B: pessoa com estrutura normal suportando estressores muito mais pesados (valor 3). Maiores chances de ruptura.
Condição C: pessoa com estrutura afetiva mais frágil suportando estressores normais da vida (valor 1). Maiores chances de ruptura.
Em segundo lugar, o esgotamento ocorre quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficiente para adaptar-se a vários aspectos da vida cotidiana. Os estímulos estressores, nesse caso, são estressores exclusivamente para essa determinada pessoa, portanto, objetivamente falando, são estímulos não tão traumáticos (situação c da Figura 4). Nesse caso a pessoa sucumbiria emocionalmente a situações não tão aversivas para outras pessoas colocadas na mesma situação mas, não obstante, particularmente agressivas a ela. Seria uma ameaça subjetivamente representada.
Digamos, então, que o esgotamento ou a ansiedade crônica e patológica poderiam surgir em duas circunstâncias:
1 - decorrente daquilo que o mundo traz à pessoa (seu destino) e;
2 - decorrente daquilo que a pessoa traz ao mundo (sua sensibilidade pessoal).
O assunto poderia ser tratado dessa forma simples e prática, sem mistérios, se não fosse o ditado popular de que "cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça". Isso sugere a idéia de que o destino pode, não obstante, modular ou condicionar determinada forma de valorizar a realidade, a tal ponto que os fatos poderiam, dependendo das vivências de cada um, significar estímulos de maior ou menor capacidade estressora.
Assim sendo, podemos supor que nosso filtro (perfil ou tonalidade) afetivo tenha, não apenas uma natureza constitucional ou biológica mas, sobretudo, uma natureza bio-psíco-dinâmica. Nesse caso, a serotonina, o GABA, os neuroreceptores variados, a adrenalina e as vias neuronais, representariam a porção constituição da personalidade que reage à vida, de maneira específica e pessoal. A vida ou o destino em si, por outro lado, representariam o elemento circunstancial da personalidade que reage à vida.
A situação conhecida por Esgotamento não se limita às questões adaptativas de natureza eminentemente emocional, como acreditam muitos. Fisicamente há, noEsgotamento, alterações significativas em todo organismo, a começar pelas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona). Por causa das alterações hormonais produzidas nessas glândulas no Esgotamento poderá haver descontrole da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico e no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras modificações orgânicas. Psiquicamente, a ansiedade crônica do Esgotamento acaba levando a um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida.
Se hoje sabemos muito sobre o estresse e a ansiedade, tanto do ponto de vista comportamental quanto neuroquímico, pouco sabemos ainda sobre seu aspecto principal ou primordial, ou seja, pouco sabemos sobre esse tal estímulo desencadeador. É por aí onde tudo começa, ou seja, todas as reações orgânicas, as atitudes, emoções, comportamentos, alterações químicas fisiológicas, etc e tal, começam sempre à partir do tal estímulo.
Transtorno de Estresse Pós-TraumáticoConceituar e discutir o Transtorno por Estresse Pós-Traumático (TEPT) é bastante atraente para o estudo antropológico e sociológico do mundo contemporâneo. Esse é, talvez, o maior prejuízo que a violência da sociedade moderna impõe ao cidadão. A pessoa vítima de um assalto, por exemplo, pode amargar um prejuízo emocional muito maior e mais durável do que a querela material com que todos se preocupam. E esses prejuízos emocionais não aparecem nas estatísticas políticas, sociais ou policiais.
Diferença entre Transtorno por Estresse Pós-Traumático e o Transtorno de Adaptação

Transtorno de Adaptação ou de Ajustamento
Transtorno por Estresse Pós-Traumático
1. - Tipo de estressor
É uma resposta emocional aos estressores mais comuns do cotidiano e que não provocariam reações exageradas na maioria das pessoas
O estressor deve ser extremamente intenso, deve ter uma natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos submetidos a ele
2. - Tempo da reação
Resposta crônica aos estressores do cotidiano, como uma somatória de várias circunstâncias diante das vai-se, paulatinamente, apresentando alterações emocionais. Ex.; mudança de cidade, mudança de emprego, revés econômico, perda do emprego, etc.
O estressor é único e a reação é aguda, o quadro todo aparece em pouco tempo (dias), imediata ou mediatamente ao estresse vivido. Ex.: assaltos mais traumáticos, violência urbana, acidentes graves, etc.
Quando a mídia noticia a violência do cotidiano, em todas as esferas, há um zelo especial em informar bem sobre os prejuízos diretos da violência, principalmente, sobre os danos físicos e os prejuízos materiais envolvidos nessa comoção da vida moderna. Mas isso não reflete o total dos prejuízos que sofre a pessoa.
Nas últimas décadas tem havido um aumento da prevalência do Transtorno por Estresse Pós-Traumático para a população em geral, com taxas mais altas ainda entre adolescentes e adultos jovens. O aumento da prevalência implica num aumento real da possibilidade de ocorrência de Transtorno por Estresse Pós-Traumático durante o tempo de vida da pessoa.
Ainda que, por definição, a vivência traumática para produzir um Transtorno de Estresse Pós-Traumático se centralize em experiências humanas consideradas "fora do normal", como por exemplo, combates militares, torturas e desastres naturais, seqüestros, terrorismo, etc, também a agressão urbana cotidiana e desmedida, bem como o diagnóstico de uma doença potencialmente mortal, a ameaça de falência econômica e, conseqüentemente existencial, atualmente também tem sido suficiente agente estressante para produzir reações igualmente traumáticas (DSM-IV).
A busca de objetividade da psiquiatria sobre aquilo que, exatamente, poderia ser considerada uma vivência traumática suficiente para justificar grave estresse, tem sido uma atitude muitas vezes insensata. Seria o medo da morte, o medo da doença, do sofrimento, seria o componente econômico, familiar, social, ocupacional...? Enfim, como e o quê seria, exatamente, um motivo vivencial suficientemente estressante para ocasionar o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático ou mesmo de algum outro transtorno emocional?
Talvez seja o peso da somatória de uma série de estressores não tão grandes mas, em seu conjunto, suficientemente fortes para uma grande solicitação emocional adaptativa. Às vezes tem sido difícil identificar um determinado e específico estressor, dentro da constelação de vivências múltiplas que constituem a experiência da vida moderna, definitivamente associado às manifestações do estresse. Mas isso não quer dizer que teremos de "inventar" uma outra denominação para transtornos emocionais só porque não houve terremoto, guerra ou outra grande catástrofe.
 Esgotamento 3
O quadro do Transtorno por Estresse Pós-Traumático revive o antigo problema das relações entre acontecimentos traumáticos da vida e a eclosão de doenças emocionais. Dependendo de cada região ou país do mundo, os agentes causais do Transtorno por Estresse Pós-Traumático têm características e incidências próprias. Em alguns países oterrorismo é uma das principais manifestações da violência que contribui para a patologia pós-traumática, em outras regiões têm sido as catástrofes naturais, as guerras, etc (Medina, 2001). Em nosso caso, parece ser a violência urbana e a insegurança a que se submetem os cidadãos, os principais promotores do Transtorno de Estresse.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático se diagnostica quando uma pessoa volta a experimentar uma emoção traumática com evocações, lembranças, sonhos, cenas retrospectivas, ou até alucinações perturbadoras e intrusivas, tempos depois da ocorrência de um acontecimento fortemente estressor.
Ao experimentar o traumatismo o paciente costuma apresentar pesadelos e pensamentos invasivos (que independem se sua vontade) muito negativos, pessimistas e trágicos, ao evitar recordações do trauma faz com que ele evite situações relacionadas e afins (sair de casa, falar com estranhos, caminhar no escuro, ficar sozinho, etc). Havendo aumento da excitabilidade, apresentará perturbações do sono, hipervigilância, ansiedade e irritabilidade.
Outras respostas emocionais, comumente associadas com tais traumatismos, são o desespero, os sentimentos de culpa por medidas tomadas ou evitadas e angustia.
Até certo ponto, o Transtorno por Estresse poderia ser considerado uma reação normal do organismo à um acontecimento anormal. Nesse caso o "defeito" seria mais do destino que da pessoa. Pensando assim, poderíamos tirar duas conclusões:
a - O trauma estressor é a causa exclusiva do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e;
b - Esse estado mórbido pode ocorrer facilmente a qualquer pessoa, pois, de acordo com o conceito do CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), para que um paciente seja classificado como portador de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, deve ter vivenciado um estresse de tal magnitude que seria traumático para qualquer pessoa.
Apesar do conceito da CID-10, existe uma grande controvérsia quanto à possibilidade de uma vivência traumática ter como conseqüência, automaticamente, um transtorno emocional. É por isso que as pesquisas atuais estão dando mais importância ao aspecto subjetivo da vivência traumática capaz de produzir o estresse, do que ao estresse, propriamente dito. Os fenômenos psicofisiológicos do estresse são basicamente os mesmos entre as pessoas estressadas mas, diferentemente, as experiências traumáticas vivenciadas por essas pessoas podem ser bem diferentes.
Tendo em vista o fato de que, nem todas as pessoas expostas ao mesmo trauma desenvolvem algum transtorno emocional, podemos afirmar que o acontecimento traumático seria necessário mas não suficiente para o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático. Isso quer dizer que, embora o agente estressor esteja sempre associado ao desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático, ele pode não ser o único elemento a contribuir para seu desenvolvimento.
A atual literatura tem sugerido que o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático não depende só da gravidade do trauma em si, parecendo evidente que asensibilidade afetiva e as experiências subjetivas de cada um são, no mínimo, tão importantes quanto ao trauma em si.
Nos últimos anos, estudos cada vez mais exaustivos do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e dos possíveis mecanismos patogênicos envolvidos em sua eclosão, têm revelado um número de agentes estressantes continuamente crescente. Incluem-se, entre esses agentes estressores capazes de desenvolver o Transtorno por Estresse, desde conflitos bélicos, onde se descreveu inicialmente esse transtorno (antiga neurose de guerra), até os desastres naturais ou humanos, passando pela violência urbana, abuso físico ou sexual e as enfermidades ou acidentes com grave risco de vida (veja a página sobre TEPT).
Ballone GJ, Moura EC - Esgotamento - in. PsiqWeb, Internet - disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto em 2008

Recomendação Bibliográfica
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http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=147

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Qualidade de Vida no Trabalho - Saúde Emocional

Qualidade de Vida no Trabalho - Saúde Emocional

Para melhor discorrer sobre QVT, podemos, inicialmente, nos referenciar pela definição de QUALIDADE DE VIDA (QV), feita pelaOMS (Organização Mundial da Saúde):
“Qualidade de vida é a percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto de sua cultura e sistema de valores em que ele vive e em relação com seus objetivos, expectativas, padrões e conceitos. Trata-se de um conceito amplo, que inclui a saúde física, o estado psicológico, crenças pessoais, relações sociais e suas relações com o ambiente.

O QUE É QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)?
Existem vários conceitos e modelos de QVT, cada um fundamenta-se ou apresenta um viés, conforme a perspectiva da especialidade ou profissão do teórico. Se engenheiro ou psicólogo ou administrador; do ponto de vista empresarial ou acadêmico; do ponto de vista do empregador ou trabalhador, e assim por diante. Na verdade, todos se completam e, talvez, se pretendêssemos uma definição ampla e, ainda, contemplar de maneira justa e necessária, todos os estudos e pesquisas já realizadas sobre o tema, teríamos que confeccionar um tratado bíblico, incluindo uma vastíssima lista de definições, conceitos e modelos de QVT que já foram formulados.

Portanto, o texto que segue cumprirá, apenas, o objetivo de familiarizar ou referenciar a busca de algum entendimento sobre o assunto. É um tema em constante e rápida evolução e que, ao se tornar, atualmente, prioritário nas decisões estratégicas das empresas, vem merecendo revisões e atualizações sucessivas em seus fundamentos teóricos e modelos de implantação.

DEFINIÇÃO E ALGUNS MODELOS DE QVT:
“QVT é um conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho” (Albuquerque e Limongi-França – 1998).
O INDEPE considera que uma boa gestão de QVT, tem que conciliar e alinhar os objetivos principais da organização, como a qualidade de produtos e serviços, satisfação do cliente, criação de valor social e financeiro para si mesma e para a sociedade e, principalmente, sua sustentabilidade futura, com os objetivos profissionais e pessoais dos indivíduos que pertencem a esta organização. É o famoso alinhamento de valores entre organização e indivíduo.

Quem participa do mundo corporativo possui, geralmente, mais informação globalizada, metas pessoais, profissionais e existenciais mais ambiciosas, noção mais apurada de seus direitos, se constituindo, enfim, num segmento mais esclarecido e exigente. Se levarmos em conta a famosa pirâmide de necessidades de Maslow, transitam mais no topo do que na base.
Querem dar sentido para o que fazem e, principalmente, sentido para o seu trabalho. Querem compartilhar decisões, mais autonomia e mais salubridade emocional no ambiente de trabalho. Querem ter reais possibilidades de crescimento e desenvolvimento contínuo, não só em nível profissional, mas, também, existencial e espiritual. Empresas que insistirem numa visão obsoleta de que só salário e alguns benefícios (base da pirâmide Maslowiana) motivam e garantem a melhor produtividade e a retenção do trabalhador em sua empresa, estão correndo um sério risco de perderem seus talentos e seu capital humano e intelectual e, por conseguinte, perderem sua competitividade.
Sabe-se que as empresas devem construir, a partir de hoje, a sua competitividade de amanhã. Investir em seu capital humano, isto é, nas pessoas, tem sido uma das estratégias mais utilizadas para criar sustentabilidade para o futuro.
O INDEPE entende que a gestão de programas de QVT está, cada vez mais, se consolidando como estratégia indispensável para qualquer proposta de Gestão de Pessoas de uma empresa. Desnecessário dizer, mas sempre bom lembrar que, para a maioria das empresas, nesta era do conhecimento, a Gestão das Pessoas que detém o conhecimento e o tal do capital intelectual, está se constituindo na espinha dorsal da Gestão Empresarial da maioria das empresas modernas.

Para nós, do INDEPE, um modelo de Gestão de QVT, deve se referenciar pelos seguintes balizamentos:
  • Promoção da saúde global: tanto no âmbito da empresa, como na vida pessoal. A promoção da saúdeBIOPSICOSSOCIAL do colaborador é a base de qualquer estratégia que vise promover qualidade de vida no trabalho. (Seriam ações como PQVT, programas de prevenção, saúde ocupacional, monitoramento individual e coletivo de indicadores de saúde, planos de saúde, etc.).
  • Promoção da Saúde Psicossocial do colaborador: as organizações, principalmente as voltadas para prestação de serviços e as que dependem muito do capital intelectual e de gestão de conhecimento, precisam priorizar e garantir ambientes com salubridade psíquica e sem toxidades emocionais, através do desenvolvimento de competências emocionais e comportamentais.
  • Sentido do trabalho: o trabalho tem que ter um sentido e um significado amplo na vida do colaborador e transcender o atendimento da simples sobrevivência, para preencher necessidades de natureza existencial, social e espiritual. Ajuda muito, para isso, se a empresa procura, como política estratégica, criar valores, de natureza não financeira, para seus colaboradores e para a sociedade.
  • Desenvolvimento profissional contínuo: o colaborador precisa se perceber num crescente profissional, sempre adquirindo novas competências para viabilizar sua empregabilidade dentro da empresa.
  • Reconhecimento: os colaboradores devem ser reconhecidos, em todos os aspectos, pelos resultados que entrega para sua empresa. Não só do ponto de vista salarial, mas também reconhecimento moral e outros tipos de valorização.
  • Autonomia e participação nas decisões: o colaborador tem que influenciar as decisões que envolvem a concepção e mudanças nos processos de trabalho dos quais participa. Tem que se sentir sujeito e agente criador de valores no seu trabalho e ter autonomia e responsabilidade para tomar decisões, sempre que possível.
  • Perspectivas futuras e de segurança: um colaborador jamais pode deixar de ter planos e sonhos para o seu futuro dentro da sua empresa. Tem que perceber, também, um mínimo de estabilidade e segurança no seu emprego.
  • Justiça, ética e coerência: a empresa deve zelar por uma política justa, ética e coerente na Gestão de Pessoas (Bioética). Perceber-se injustiçado é uma das maiores fontes de insatisfação e desmotivação para um colaborador.
  • Clima organizacional: Acompanhar o clima organizacional, através de pesquisas periódicas, para redirecionar e atualizar os programas de QVT é de fundamental importância.

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT), COM FOCO EM SAÚDE EMOCIONAL.
SEM SÁUDE EMOCIONAL, QUE É A CAPACIDADE DE GERENCIARMOS E MANTERMOS AS EMOÇÕES E SENTIMENTOS QUE NOS FAZEM SENTIR BEM, FICA DIFICIL CONCEBER UM AMBIENTE CORPORATIVO SAUDÁVEL E QUE POSSA PRODUZIR BEM ESTAR E QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS QUE CONVIVEM E DIVIDEM O COTIDIANO ORGANIZACIONAL.
      SAÚDE EMOCIONAL é gênero de primeira necessidade para as pessoas que estão vivendo este momento tão tumultuado de mudanças, ajustes e adaptações que o mundo, em permanente transformação, vem impondo a nosso cotidiano, seja na vida profissional ou pessoal. Nestes tempos tão desestruturantes e desafiadores, não podemos nos dar ao luxo de perder nosso equilíbrio emocional. Sem ele tudo fica mais difícil. SAÚDE EMOCIONAL é uma garantia adicional, imprescindível, de que nossas decisões serão mais sensatas, acertadas e sábias.
      Não há decisão que não envolva racionalidade e emoção, razão e coração, funções do hemisfério esquerdo e direito do cérebro. Mesmo que não queiramos, ou não saibamos, sempre haverá um componente emocional em nossas decisões. Como profissionais, seja CEO, diretores, gerentes, supervisores e colaboradores de um modo em geral, sempre precisaremos ter contato com nossos conteúdos emocionais, saber identificá-los, estimar com qual intensidade nos afeta, como afeta o outro, enfim saber gerenciá-los, conciliando seu direito de existência com a devida adequação em vivenciá-los e expressá-las.
      As emoções e sentimentos são o verdadeiro tempero da vida. Assim como qualquer tempero, de menos, deixa a vida sem graça, com excesso de racionalidade nos torna mambembes e atrofiados ao que se refere a uma vida plena. Ou ainda, se abafá-los, pode-se perder o tônus emocional e produzir distimias ou depressão. Demais, faz a vida adquirir temperatura exagerada, com emoções a flor da pele, adrenalina saindo pelos poros, acelerando nosso ritmo de vida, nos estressando, estressando os outros e inviabilizando aquela cota mínima de serenidade, tão necessária para atravessar as águas turbulentas dos cotidianos urbanos ou corporativos a que somos submetidos.
      O que é SAÚDE EMOCIONAL? Provavelmente temos diversas definições e todas se completam. Uma definição pode ser essa: é a capacidade de termos acesso às nossas emoções, sabendo identificá-las e gerenciá-las de uma forma que componham e contribuam para nossas boas decisões e para a percepção de um bem estar geral e satisfatório de vida. Outra boa definição, bem mais simples, é aquela que diz que SAÚDE EMOCIONAL é cultivar os sentimentos e emoções que nos fazem sentir bem, sem que alguém se prejudique com isso.
      Haveria muitos outros comentários e observações que poderiam ser feitos a respeito de SAÚDE EMOCIONAL, pois este é um assunto do qual todo mundo entende um pouco. Mas, exatamente por todo mundo achar que entende um pouco é que, na maior parte das vezes, se cria aquela velha situação: CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU! Todo mundo pode achar que entende, mas pouca gente cuida dela como deveria.
      Mas enfim, nos tempos atuais, principalmente no meio corporativo, onde se persegue tanto um estado de bem estar organizacional, não se deveria pensar ou conceber QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) sem incluirmos ou se negligenciarmos a SAÚDE EMOCIONAL. Diríamos que, como os fatores de riscos físicos, ergonômicos, bioquímicos, etc.  já estão bem  controlados,  é na insalubridade psicológica dos ambientes corporativos que encontramos o grande desafio para se conquistar um conceito mais abrangente de QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT).  
      Neste sentido é que o INDEPE está convencido da necessidade de continuar aprimorando as ações e estratégias de gestão da QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO, com viés, claro e bem definido, nos aspectos emocionais que permeiam o cotidiano corporativo.  Principalmente nestes tempos em que o grande capital das organizações é o CAPITAL INTELECTUAL que se aloja, única e exclusivamente, na mente das pessoas. De preferência,  mentes saudáveis.
Autor: Luis Cláudio Paiva de Souza
Psicólogo e Consultor Organizacional
Setembro/2005


QUALIDADE DE VIDA E PROMOÇÃO DA SÁUDE: QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA EMPRESARIAL
Assim, como o Empowerment, a Gestão do conhecimento, a Gestão por Competência, e outros importantes instrumentos de gestão empresarial, a PROMOÇÃO DE SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO estão se incorporando ao cotidiano organizacional como um dos mais importantes recursos de gestão de pessoas. Desnecessário dizer que, gestão de pessoas, nesta era do conhecimento, tornou-se a espinha dorsal de qualquer empresa que quer manter-se competitiva.
O conhecimento vem se constituindo no maior ativo da maioria das empresas, sendo que se encararmos o Capital Intelectual como o mapa do tesouro, pode considerar que o tesouro são as pessoas que detém o conhecimento. Lógica simples: investir na totalidade e de maneira integral nas pessoas é o pulo do gato para uma gestão empresarial de sucesso. Mesmo, as empresas de produção têm constatado que, promover qualidade de vida, em geral, para seus funcionários, é um meio para diminuir turnover e sinistralidade, e consequentes gastos com treinamento de novos funcionários e com os planos de saúde.
Há algum tempo, a promoção de saúde e qualidade de vida no trabalho, já deixaram de ser encaradas, apenas, como benefícios, filantropia ou peças de marketing, para entrar na categoria de política prioritária de gestão empresarial e como ação estratégica para a melhoria da qualidade nos processos de trabalho, para o aumento de produtividade e para a concretização de metas e resultados.
Naturalmente, muitas empresas, ainda não incorporaram, para valer, este novo instrumento de gestão empresarial. Muitos administradores ainda são refratários à idéia. As razões são muitas. Uma delas reside no fato de que estes empresários ainda classificam estas estratégias como despesas, e não investimento. Alguns outros, simplesmente, por não terem despertado para a importância disso na melhoria dos seus indicadores de produtividade, qualidade de produtos e serviços, etc.
Quanto às empresas que adotaram esta estratégia, pode se dizer, numa avaliação bem realista, que não se tratou, exatamente, de uma ação radical de responsabilidade social ou de um salto na direção de uma revolucionária ação de gestão mais humanitária nas organizações. A grande maioria, simplesmente, o fez, por inteligência, “esperteza” e competência empresarial. Embora existam empresários que compartilham e praticam uma visão mais humanitária nas relações de trabalho, boa parte das empresas optaram por desenvolver Programas de Qualidade de Vida no Trabalho (PQVT), ao constatarem, e se convencerem que, assim, se obtinha um maior aproveitamento da capacidade produtiva de cada colaborador.
O importante é a constatação de que todos os segmentos envolvidos na vida de uma organização, desde colaboradores e seus dependentes, passando pela direção, clientes externos, acionistas, até comunidades externas que faceiam com a empresa, estão se beneficiando desta nova política. Ao promover uma melhoria do bem estar geral dentro da organização, através da promoção da qualidade de vida no ambiente de trabalho e na vida pessoal dos seus funcionários, as empresas têm obtido deles, em contrapartida, mais adesão, mais produtividade, melhoria na qualidade de produtos e serviços e, naturalmente, melhoria dos indicadores financeiros.

MENSURAÇÃO X PERCEPÇÃO DE RESULTADOS
Embora, continue sendo complicada a mensuração de certos bens e valores, os chamados bens e valores intangíveis, como, ainda, é exatamente o caso dos Programas de QVT, muitas empresas descobriram que, de alguma forma, investir em qualidade de vida dos seus funcionários dá um excelente retorno. Tanto é verdade que, a pesquisa “Benchmarking de Gestão de Capital Humano”, realizada pela Deloitte, mostrou que o investimento corporativo (88,5%) em desenvolvimento do capital humano em 2004, ficou no topo das prioridades de investimentos estratégicos das empresas pesquisadas, superando áreas como Tecnologia da Informação (84%), instalações, processos e equipamentos (81%), entre outras áreas. (Gazeta Mercantil, 22/03/2005).
Entre as empresas pesquisadas, mais de 80% delas apresentaram faturamento superior a US$ 70 milhões em 2004. Nesta mesma pesquisa, que envolveu 68 grandes empresas nacionais e multinacionais, da área de serviços, metalurgia, energia, automotiva, telecomunicações, etc., perfazendo juntas, mais de 500 mil funcionários, constatou que 81% delas já adotam ações voltadas para a melhoria de qualidade de vida de seus funcionários. Estas empresas, segundo conclusões da Deloitte, estão investindo na geração de lucros, a partir de funcionários motivados, capacitados e satisfeitos.
No ambiente organizacional, extremamente competitivo, onde o capital intelectual, atualmente, é de fundamental importância, reter e atrair talentos está se constituindo em um grande diferencial de gestão empresarial. Para esse objetivo, programas de qualidade de vida com ampla abrangência, que passam por metas de bem estar físico e processos de trabalho salutares e, principalmente, pelo bem estar psicossocial, têm trazido resultados positivos surpreendentes. Onde o capital intelectual é a principal matéria prima de trabalho, salubridade emocional torna-se indispensável para uma maior criatividade, produtividade e satisfação.
Finalizando, portanto, mais que um modismo, QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT), vem se transformando em um instrumento de gestão imprescindível, que veio para ficar, pois além de incrementar lucros e resultados, significou um salto civilizatório e inteligente nas relações de trabalho, o que torna esta prática gerencial mais difícil de reverter.
Confirma-se aquilo que, publicações especializadas, já vêm alardeando há algum tempo: Funcionário feliz = Lucro maior.Pesquisa, feita pela revista Exame, mostra que as melhores empresas para trabalhar no Brasil são também as que apresentam melhor resultado financeiro no final do ano (Exame, Ed. Abril, 15/09/2004).
E é, na composição deste indicador de felicidade profissional e organizacional, que os PQVT têm desempenhado papel destacado, reservando-se a eles a função de carro chefe na estratégia de alavancar os indicadores de produtividade, qualidade, lucro e, por que não, os indicadores de satisfação de toda a cadeia de segmentos envolvidas numa organização. Desde os colaboradores que sempre agradecem um pagamento mais generoso de PL (Participação de Lucros), até os acionistas, que sempre esperam, ansiosamente, por gordos e justos dividendos.
Vale destacar que as empresas de Saúde Suplementar têm, também, se empenhado neste sentido e oferecido parcerias para a Promoção de Saúde e PQVT, com o objetivo de reduzir custos das empresas com os planos de saúde, através da diminuição da sinistralidade e melhoria de indicadores de saúde. Esta parceria vai se tornando cada vez mais inevitável e se apresenta como uma solução importante para redução de custos gerais com saúde, além de contribuir com as políticas gerenciais e objetivos estratégicos de crescimento das empresas, conforme foi mostrado acima.
Autor: LUÍS CLÁUDIO PAIVA DE SOUZA
Psicólogo e Consultor Organizacional
Junho/2005


A “MENSURAÇÃO” INTUITIVA DOS RESULTADOS DOS PROGRAMAS
DE QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
A dificuldade de mensurar tudo que envolve os programas de QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT) nas empresas, como por exemplo, a repercussão na produtividade e retorno do investimento, tem se apresentado como um dois maiores empecilhos para incorporá-los, mais sólida e definitivamente, no rol das práticas administrativas modernas.
O problema começa pela própria dificuldade em definir o conceito de QVT. Pode ser considerada uma dificuldade bastante natural, por se tratar de um conhecimento que começou a se estruturar bem recentemente e que é o resultado de interconexões de vários ramos de outros conhecimentos e ciências, como a administração, a medicina, a psicologia, a biologia, a engenharia, a sociologia, a economia e outros. Por esta e outras razões, ainda se permite e ocorre uma variada gama de definições e, cada um, não resiste à tentação de ter a sua.
Principalmente, porque a QUALIDADE DE VIDA (QV), em geral, não só no trabalho, ocorre ou é percebida, não só através de indicadores objetivos, mensuráveis e tangíveis, mas também em um vastíssimo campo de subjetividade, onde cada um tem sua percepção de bem estar determinada por fatores culturais, psicossociais, história pessoal, preferências subjetivas, saúde emocional, e outros fatores que não são facilmente mensuráveis, quando não impossíveis de mensurar ou palpar.
Os indicadores de saúde física, que são mais mensuráveis e tangíveis, não explicam ou contemplam suficientemente uma boa e abrangente definição do que seria QV. Em um estado, mais amplo, considerado de plena satisfação e bem estar, existem muitos componentes objetivos e tangíveis e outros subjetivos e intangíveis. Noll, 1999, por exemplo, definiu Qualidade de Vida, assim: “Trata-se de um conceito multidimensional que, simultaneamente, inclui componentes tangíveis e intangíveis, objetivos e subjetivos de bem estar e que enfatiza o “melhor” em detrimento do “mais”.
A saúde, que é um item obrigatório e considerado ponto de partida para se começar a falar de qualidade de vida já é, pela própria definição da OMS (Organização Mundial de Saúde), difícil de ser palpada objetivamente, pois considera que, além do bem estar físico e da ausência de doenças nos indivíduos, eles têm que estar desfrutando, também, de pleno bem estar psíquico e social.
Como quantificar e medir o bem estar psíquico e social dos indivíduos? Mas não é porque não se pode medi-los, rigorosamente e satisfatoriamente, que não existem. Alguém ousa negar que exista saudade, tristeza e amor? Não podemos transformar isso em números, mas mesmo assim, por conta destes fatos imateriais e imensuráveis, movemos montanhas. Às vezes, apenas percebemos a concretude e o tamanho destes “fenômenos etéreos”, como a saudade, a tristeza e o amor, pelo impacto e, às vezes, que impacto, que eles causam em nossas vidas.
Com a QVT seria mais ou menos a mesma coisa. Podemos, ainda, não saber quantificar e transformar em números o quanto de vantagens a QVT trás. Não saber quantificar o que a presença, ou ausência dela, provoca em nosso cotidiano organizacional, mas sabemos que ela, em sua ausência ou presença, pode determinar, enormemente, nosso grau de satisfação geral, a qualidade de tudo que fazemos profissionalmente, a nossa produtividade, criatividade, enfim o sucesso profissional e pessoal dos indivíduos. E sabemos disso tudo, simplesmente porque sabemos, não só através da constatação e vivência, mas também pela qualidade que é possível perceber e avaliar, na entrega final à empresa que o colaborador realiza através do seu trabalho.
Mas, de qualquer forma, este é um dos grandes desafios, senão o maior, de quem trabalha na área: transformar e traduzir os benefícios da promoção da saúde e qualidade de vida, em uma linguagem “numérica”, empresarial e acessível para o mundo das organizações. Comprovar como QVT se transforma em produtividade, criatividade, qualidade de serviços e produtos e, finalmente, em lucro. Com isso, haverá mais solidez, credibilidade e argumentos para demonstrar a importância dos PQVT nas empresas.

O “FEELING” COMO GUIA, ENQUANTO A MÉTRICA NÃO VEM.
Para isso, estudiosos, pesquisadores e profissionais da área têm se debruçado sobre esta questão e conseguido alguns avanços significativos, mas, talvez, ainda não suficientemente convincentes para todos que, de alguma maneira, estão envolvidos no assunto. Porém, muitos empresários, por caminhos menos cartesianos/newtonianos, já se convenceram disso, há algum tempo, e já largaram na frente. Vão atrás e confiam em um “feeling”, dispensando, pelo menos por enquanto, argumentos numéricos mais rigorosos.
Tudo leva a crer que este grupo de empresários está colhendo bons resultados com a estratégia, caso contrário não estariam priorizando e canalizando sempre mais recursos e investimentos para a valorização ampla do capital humano de suas empresas.
Mais uma vez vamos citar a recente pesquisa feita, em 2004, com 68 empresas pela Deloitte, intitulada “Benchmarking de Gestão de Capital”, comentada em artigo publicado na Gazeta Mercantil em 22/03/2005. No topo dos investimentos, com 88,5%, o item Desenvolvimento do Capital humano, no qual se inclui amplos programas de QVT, revela ser o alvo principal das estratégias de geração de lucros de grandes empresas nacionais e multinacionais. Mais do que se investe em Marketing (67,1), em Tecnologia da Informação (84,2), equipamentos e instalações (81,4%).
De alguma forma, perceberam que, funcionários motivados, mais saudáveis, mais equilibrados e que se percebem mais valorizados pelas empresas, devolvem mais adesão, produtividade, criatividade e, natural e automaticamente, de um modo em geral, eles transformam esta percepção e vivência de bem estar, em mais lucros para sua empresa. Retro-alimentam, assim, um círculo auspicioso de desenvolvimento e satisfação, no qual os números, tão perseguidos na tentativa de confirmar as vantagens ou não da QVT, acabam sendo percebidos, de alguma forma, no final, com a melhoria dos indicadores financeiros.
Autor: LUÍS CLÁUDIO PAIVA DE SOUZA
Psicólogo e Consultor Organizacional
Março/2006


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