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domingo, 14 de novembro de 2010

Aprenda com o "método Gronhölm de seleção"

Aprenda com o "método Gronhölm de seleção"

Artigo critica modo de avaliação de candidatos em busca de emprego
Publicado em 29/05/2007 - 11:43* 
Por Maria Bernadete Pupo



Nos dias atuais, concorrer a uma vaga num processo de seleção virou uma verdadeira batalha, tanto para quem procura emprego, como para os selecionadores, os quais, forçados a buscar os melhores profissionais, procuram a cada dia novas técnicas e ferramentas.
Antigamente, como os cargos seguiam uma hierarquia rígida, as pessoas eram contratadas somente pela competência técnica. Hoje, foca-se, além do conhecimento específico, o comportamento e a atitude dos profissionais. A dinâmica de grupo é uma das inúmeras formas utilizadas pelos selecionadores para detectar competências pessoais nos candidatos a emprego, desde que seja utilizada com respeito e moderação. Ela funciona como um jogo, onde são estabelecidos objetivos e regras, e o desafio do candidato é o de usar suas habilidades para a conquista do emprego; porém, normalmente os jogos os acabam colocando diante de várias situações-limite e, sabendo que estão sendo avaliados e observados, chegam a um nível elevadíssimo de tensão e de estresse.
Ultimamente, tenho ouvido relatos de pessoas se queixando das metodologias aplicadas nos processos seletivos, sendo alguns deles vexatórios, expondo o candidato ao máximo para testar flexibilidade, adaptabilidade, pressão, grau de subordinação e por aí vai. Soube de uma dinâmica onde os candidatos homens, levados para uma sala, tinham que tirar a camisa. Decepcionado e sem conhecer o objetivo, um deles levantou-se e foi embora, desistindo do processo.Talvez, nesse caso, a empresa pode ter perdido um bom candidato pela forma anti-ética e agressiva de selecionar.
Câmeras ocultas é outra forma de analisar a postura dos candidatos. Também se tornou prática comum pedir a eles que criem projetos durante a dinâmica, em que cada um deve defender sua idéia, de forma a avaliar fatores como: grau de persuasão, convencimento, arrogância, insegurança, espírito de equipe e até mesmo o desequilíbrio emocional.
Em outro relato, soube que os candidatos foram colocados numa sala, cujo ar condicionado se encontrava na temperatura máxima e o local, sujo. A atendente pediu desculpas aos candidatos, alegando que a empresa estava em reforma. Depois de algum tempo, para testar a paciência dos que iam ser avaliados, apareceram algumas pessoas da empresa para limpar o chão, permanecendo ali por alguns minutos. Em seguida, os candidatos foram conduzidos a um outro local, sendo apresentados aos gestores da empresa, que, minutos atrás, uniformizados, simulavam o pessoal da limpeza. Foi essa a técnica utilizada para que ouvissem as lamúrias dos candidatos em relação à demora, à sujeira, à falta de respeito e assim sucessivamente.
Moral da estória - quase nenhum daqueles que ali estavam foram selecionados.
Será que esta é a melhor forma de escolher os melhores profissionais?
Talvez algumas organizações não se deram conta ainda de que precisam ter muita responsabilidade quanto às metodologias praticadas na seleção. Neste momento as organizações lidam com o lado emocional das pessoas, e dependendo do tratamento demandado a elas, essas poderão mover ação alegando desrespeito e assédio moral.
O filme El Método - o que você faria? retrata um processo seletivo de executivos, que utilizam o Método Grönholm de seleção, composto por testes psicológicos e práticas que induzem ao comportamento nervoso e transparente, uma vez que os candidatos são submetidos a situações extremas que os jogam um contra o outro. Nesse contexto, conflitos e discussões abrem espaço para a insegurança, de forma que o candidato lute com todas as forças para sair ileso desse processo, tanto física como emocionalmente, e de preferência, com o emprego conquistado.
O processo de seleção envolveu algumas fases, que foram desde a descoberta de um integrante da organização, disfarçado entre eles de candidato, até a escolha de um líder no grupo, sendo que em todas as fases, a própria equipe age como uma espécie de juiz, com poder de contratação e de eliminação. Ao final, o vencedor será aquele que resistir a todas as pressões e ao estresse, e demonstrar alto grau de equilíbrio psicológico e emocional.
Quem nunca passou por um constrangedor processo seletivo para conseguir emprego? O mais importante é que os selecionadores reflitam sobre os métodos e técnicas utilizadas para selecionar as pessoas, as quais se encontram, na maior parte das vezes, em condição de extrema fragilidade. Pensem de que forma eles podem ser amparados quando expostos a determinados testes e situações, que não sejam agressivos a sua dignidade, a seus valores e a sua própria auto-estima.
*Maria Bernadete Pupo é consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO (UNIFIEO), em Osasco (SP), e autora do livro "Empregabilidade acima dos 40 anos" (ed. Expressão & Arte,2006).


Processo de seleção critica a sociedade

Processo de seleção critica a sociedade
Fonte: Jornal do Commercio – Brasil - Seu Dinheiro / Gerência - 31/08/2006[ <· Voltar ]     [  Imprimir ]
Gabriela Godoi

Parecia ser a última etapa de um processo de seleção para um cargo de gerência, mas o método utilizado para avaliar os candidatos fugiu do convencional. Tema principal do filme O que você faria?, co-produção da Argentina, França e Espanha, do diretor argentino Marcelo Piñeyro, em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo, os métodos de processo seletivo são retratados como uma crítica à sociedade contemporânea.

Convidadas pela reportagem do Jornal do Commercio para assistir ao filme, a vice-presidente de Recursos Humanos (RH) para a América Latina da Shell, Selma Paschini e a consultora Jacqueline Resch, da Resch RH avaliaram como o processo seletivo foi retratado.

As especialistas concordam que o filme é uma metáfora sobre a sociedade contemporânea, pois os processos seletivos nunca podem ser conduzidos como foram no filme. "Acredito que fale mais sobre a crise de ética da sociedade em geral do que sobre os processos seletivos e gestão de pessoas. As personagens prescindem da ética", complementa Jacqueline Resch.

Os candidatos estranham inicialmente a forma como a dinâmica será conduzida. A única funcionária presente é a secretária Montse (Natalia Verbeke), que aos poucos vai revelando as informações sobre o processo de seleção. Sete candidatos ao novo posto são trancafiados na sala e aguardam a presença de algum avaliador, que não aparece. Através do método Gronhölm, como explicam aos futuros executivos, todos serão avaliados e somente um efetivado.

"O filme mostra que a empresa também é anti-ética, pois usa câmeras, pressão excessiva, inventa um processo falso, mente. Uma empresa ética deixaria claro desde o início como o processo se desenvolve", explica Selma, da Shell.

As provas utilizadas no filme, como escolha de um líder, destaque de competências, são muito utilizadas em dinâmicas de grupo, afirmam Selma e Jacqueline. O diretor Piñeyro e o roteirista Mateo Gil visitaram alguns departamentos de RH em Buenos Aires e Madri, além de pesquisar literatura a respeito do assunto. Os personagens apresentam também estereótipos muito encontrados em dinâmicas de grupo.

"Vários estereótipos são mostrados no filme, como a candidata que usa o jogo da sedução, o candidato que joga para a torcida, respondendo o que a empresa quer ouvir", afirma Jacqueline.

Como contraponto a esta atípica situação, manifestantes anti-globalização tomam as ruas de Madri, pois o processo acontece no mesmo dia de uma das reuniões do G-8 (grupo dos sete países mais desenvolvimento, mais a Rússia). Mais do que coincidência, o evento levanta questões sobre lealdade à empresa e aos seus princípios morais.

Em uma das provas de seleção, o grupo é incentivado a escolher um líder. Ex-executivo de uma empresa de pesticidas, Julio (Carmelo Gómez) é eleito por consenso. Comunicada a decisão, o grupo é surpreendido com um recorte de jornal mostrando como o novo líder foi demitido por ter denunciado o despejo de dejetos em um rio próximo à empresa, resultando na demissão de 200 funcionários e no fechamento da planta.

A lealdade à corporação é também questionada quando outro candidato, Ricardo (Pablo Echarri), confessa a Enrique (Ernesto Alterio) que omitiu de seu currículo seu passado como líder sindical.

"A questão que o filme aborda, sobre lealdade a empresa, remete à relação entre capital e trabalho. O primeiro eliminado decidiu assumir e denunciar a empresa. Alguns princípios da vida devem ser sustentados. Enrique, no caso, preferia agir como um fantoche, ser o que a empresa deseja. As pessoas têm questões pessoais, valores, e o mundo exige muitas horas de trabalho, que acaba levando à acomodação. Para ser criativo, precisa manter o equilíbrio. As empresas não desejam mais alguém sem visão crítica", avalia Jacqueline.

Selma, da Shell, lembra, no entanto, que muitas empresas posam de vanguardistas, mas não praticam o que pregam. "Não adianta dizer que aceita o diferente, que emprega muitas mulheres, negros, portadores de necessidades especiais e outras minorias e depois colocar estas pessoas em cargos de menores salários. Na Shell, buscamos dar oportunidades iguais a todos, sem discriminação de raça, sexo, religião", conta.

Para evitar cair em ciladas como a apresentada no filme, as especialistas recomendam que o candidato primeiro busque mais informações sobre a empresa. Selma recomenda que se vá além de questões básicas como pacote de benefícios, salários, e conhecer bem a cultura da empresa. "Antes de embarcar em uma canoa furada, é melhor conhecer a cultura da empresa. Trabalhar em um ambiente ruim, não dá", explica Selma.

Processos seletivos costumam não ser muito agradáveis aos candidatos, não só pelo momento de tensão que representam. O medo da rejeição, afirmam as gestoras, acontece por que muitas empresas não explicam o por quê da não contratação.

"As pessoas que chegam ao final do processo são equivalentes, dificultando a escolha do selecionador, que acaba optando por um detalhe. Em alguns casos, procuramos dar um retorno sobre a decisão. Por exemplo, se o candidato não é aprovado por problemas em idiomas, disponibilizamos os testes, apontando as soluções possíveis. Mas se for uma questão ligada a traço comportamental, às vezes fica difícil orientar, pois pode ser uma questão profunda para o candidato", conta Jacqueline.

SaibaMais Prêmios na Espanha
Produtor de um dos maiores sucessos do cinema argentino, "A História Oficial", de Luis Puenzo, e diretor dos celebrados "Plata Quemada" e "Kamchatka", Marcelo Piñeyro estréia no cinema espanhol a produção é argentina e italiana, mas os recursos predominantes do filme O que você faria? (El método, no original) são da Espanha. O roteiro foi feito em parceria com Mateo Gil, de Mar adentro. O filme levou dois Goya, o principal prêmio do cinema espanhol, nas categorias roteiro adaptado e ator coadjuvante (Carmelo Gómez).

http://cartaderh.com.br/website/text.asp?txtCode=19330&txtDate=20060901000000

Você já viu esse filme


Você já viu esse filme
por Liv Sorban - fotos AE/divulgação  |  Ano 2006 - Nº 54 - setembro / 2006



marcelo (teaser)Câmeras escondidas que captam os movimentos de quem está na sala. Uma simulação de guerra. Um almoço com alimentos vencidos. Provas que testam o limite das pessoas. Na disputa, sete candidatos que passam por um processo de seleção para uma vaga de diretoria em uma grande multinacional. O que você faria? A pergunta, que dá o título em português ao filme El Método, do diretor argentino Marcelo Piñeyro (Plata Quemada, 2000, Kamchatka, 2002), traduz, nas telonas, até onde um funcionário iria ou faria para satisfazer as exigências de uma corporação.

Baseado na peça de teatro espanhola Método Grönholm, de Jordi Galcerán, o filme, com formato semelhante ao de um reality-show, mostra provas realizadas pelos atores/concorrentes que foram retiradas de manuais de RH utilizados pelas empresas mundiais. É ficção com dois pés na realidade.

Não é a primeira vez que modus operandi das corporações é questionado pela sétima arte.
O documentário The Corporation (2003), de Mark Achbar, Jenniffer Abbott e Joel Bakan, escancara um ponto de vista social sobre as multinacionais, mostrando que, hoje, elas são a maior forma de poder, mais do que instituições religiosas ou políticas. Para ir contra essa influência, os diretores colocaram a corporação sob o prisma do manual internacional de psiquiatria DSM III – terceira edição do livro criado pela Associação Americana de Psiquiatria, que explica e analisa as doenças mentais –  e dão a entender que, se a companhia fosse uma pessoa, poderia ser considerada um psicopata.

Piñeyro vai mais longe. Para ele, a corporação nada mais é que o reflexo da sociedade. O diretor quis, com este retrato, tirar as máscaras dos seres humanos modernos, enfatizando o que eles são capazes de fazer para alcançar o sucesso. Sete concorrentes, sete pecados capitais. Longe de ser uma (in) feliz coincidência, a correlação mostra os subterfúgios pouco virtuosos para se chegar ao topo. Mas o apontamento às agruras humanas transcende ao mundo corporativo. “Seria ingênuo dizer que a crítica dmarceloestina-se somente à corporação, é, na verdade, para todo o modelo social”, diz o diretor.

Em entrevista exclusiva ao CanalRh em Revista, Marcelo Piñeyro, que recentemente veio a
São Paulo para apresentar seu filme no 1° Festival de Cinema Latino-Americano, fala sobre cinema e corporação, ética, processos de seleção de emprego e o futuro da humanidade. Confira.

Canal Rh: O senhor trabalhou com muitos estereótipos no filme e no final todos eles deixam de lado valores importantes para tentar ter sucesso a qualquer custo. O que esta representação quer dizer ao público?
Marcelo Piñeyro: O filme é uma metáfora do mundo de hoje. Fala do conceito de uma sociedade piramidal, no qual, no momento em que alguém chega ao topo, deixa de olhar para os outros. Eu reprovo este modelo. Obviamente que com o filme tentamos criticar também a corporação, que se aproveita deste momento social, mas a crítica principal se dirige à sociedade. No final das contas, as companhias, querendo ou não, fazem parte dela.

Canal Rh: Qual é o poder que a corporação estabelece hoje com a sociedade?
Piñeyro: A corporação hoje tem poder tanto quanto o governo ou até mais, porque é uma dominação econômica. Sem dúvida, elas são mais fortes que as igrejas. Na verdade, as companhias assumiram o papel das instituições religiosas. Hoje, são elas, as companhias, que aliam os interes-ses do governo com os da população, atingindo todos os níveis.

Canal Rh: O mundo atual vive uma constante perda de identidade e valores culturais e as corporações contratam funcionários pertencentes a essa estrutura desmoronada. Como detectar tal comportamento num processo de seleção?
Piñeyro: Toda a sociedade contemporânea vive sob um regime em que quem faz as ações não responde por suas conseqüências ou não se responsabiliza por elas. Ética, para mim, é ter responsabilidade pelos seus atos. Eu não acredito, por exemplo, que uma pessoa seja melhor que outra. Acredito, porém, que uma pessoa possa ser mais ética que outra. E isso só será revelado no decorrer do dia. No processo seletivo, as pessoas, sabendo o que a empresa e sociedade querem, fingem que são éticas e, depois de conseguir o cargo, começam a agir sem nenhuma consciência cidadã. Para que serve, então?

Canal Rh: As provas do processo de seleção do filme são inventadas?
Piñeyro: O meu filme é um catado dos materiais literários que existem sobre seleção de empregos. E mostra pelo que as pessoas têm de passar nos processos, a que elas se submetem. As provas catalisam os sentimentos, ou seja, conseguem aflorar o verdadeiro ser que existe em todos. Não são as provas o problema, mas sim o que nos tornamos a partir delas.

Canal Rh: Qual é a sua opinião sobre os processos de seleção de hoje?
Piñeyro: Se uma empresa precisa contratar alguém, deve testá-lo. Obviamente, o escolhido será aquele que responde às expectativas. Quando vou fazer um filme, por exemplo, quero o melhor ator, a melhor produção. É normal querer o melhor. O problema é que o processo de seleção contemporâneo não está mais medindo o profissionalismo do possível funcionário, e sim a sua personalidade e o quanto ele faria pela empresa, até quando vestiria a camisa. É aí que se encontra o grande erro. Não quero trabalhar com ninguém que mate alguém se eu pedir. Meus atores têm de pensar, ter opiniões – até diferentes das minhas – e serem ótimos profissionais. Vestir a camisa da forma que a corporação quer não é nada positivo para ela nem para a sociedade.

Canal Rh: O senhor vê alguma semelhança entre a estrutura de trabalho da corporação e da indústria do cinema?
Piñeyro: O cinema é hierárquico, assim como uma corporação. O que diferencia é a sazonalidade de trabalho. A produção de um filme dura meses e depois a equipe se desfaz. Temos uma estrutura hierárquica e muita disciplina. O cinema trabalha também com objetivos. Pensamos, sim, no lucro do filme. Porém, a meta principal é artística e não financeira. Na arte, a criatividade e a liberdade de pensamento, por exemplo, não são deixadas de lado, muito pelo contrário, a idéia é sempre potencializá-las ao máximo possível, o que não acontece nas multinacionais.

Canal Rh: O filme mostra seres humanos capazes de tudo para vencer na vida, individualmente. Este cenário mostra uma desilusão sua em relação à humanidade?
Piñeyro: Tenho esperança nas pessoas. Eu acredito nelas, com exceção daquelas do filme. Todos passam por um momento em que não conseguem ser bons 100%. Mas somos humanos, certo?  O problema não são os deslizes, mas permitir que eles se tornem uma rotina.

Canal Rh: Diante das relações humanas atuais, o senhor prevê algum futuro bom para o mundo?
Piñeyro: Não sei qual é o futuro, não consigo fazer uma previsão, mas sei que, desse jeito, não pode continuar. A grande questão é: o que estamos fazendo de nossas vidas? O filme não fala exclusivamente de pessoas como eu, dos funcionários de uma corporação ou de seus mandantes. Fala de todos nós. El Método mostra os problemas que afetam a mim e a todas as pessoas. Por isso temos de parar para pensar, e tentarmos ser felizes. Ter uma vida melhor.

http://www.canalrh.com.br/revista/revista_artigo.asp?o={0BCB4948-85DA-469D-BB5A-C72E06070955}